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Relatos Ardientes

A noite em que contei a ele que ia ser pai

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O teste está há vinte minutos sobre a prateleira do banheiro, mas eu não consigo me mexer. Duas linhas. Duas linhas claras, inequívocas, que reorganizaram a ordem de tudo o que eu achava que sabia sobre a minha vida.

Sento na beirada da banheira e conto os azulejos do chão porque preciso fazer alguma coisa com as mãos, com os olhos, com a minha mente que ainda não terminou de assimilar o que significa esse teste. Penso em Marcos. Penso na cara dele quando eu contar. Penso na cara que eu vou fazer quando lhe disser.

Tinha chegado em casa do trabalho me sentindo estranha desde o meio-dia: uma espécie de tontura surda que não era exatamente cansaço, mas também não era outra coisa. Eu vinha assim há dias. Dias contando na cabeça e descartando a possibilidade, porque não podia ser, porque acabávamos de voltar de viagem, porque ainda estávamos nos ajustando à vida que tínhamos construído juntos depois do casamento.

E, no entanto, duas linhas.

Quando escuto a chave na fechadura, pego o teste da prateleira e aperto-o entre os dedos. Não o escondo. Não sei exatamente por quê, mas preciso que ele veja.

***

Marcos entra na sala tirando a jaqueta, com aquela expressão de cansaço leve que ele tem às terças-feiras quando as reuniões se acumulam. Ele me vê de pé no meio da sala e para.

—O que foi? —pergunta. Não com alarme. Com aquela atenção focada que ele tem quando sabe que algo importa.

Não digo nada. Estendo-lhe o teste.

Ele olha. Vira. Olha de novo. E então faz algo que eu não esperava: ri. Uma risada breve, quase incrédula, que termina numa expiração longa.

—Lucía —diz, e o meu nome na boca dele soa diferente de como sempre soa.

Ele atravessa a sala em quatro passadas. Me pega pela cintura com as duas mãos e me ergue do chão por um segundo, só um segundo, antes de me baixar devagar e buscar minha boca. O beijo é longo e tem algo de fome que eu não sei exatamente a que responde: ao alívio, à emoção, a algo mais antigo do que nenhum dos dois sabe nomear.

Quando nos separamos, ele ainda está com as mãos na minha cintura.

—Há quanto tempo você sabe? —pergunta.

—Vinte minutos.

Ele ri outra vez. Desta vez a risada é maior.

Ele me leva pela mão até o quarto sem dizer mais nada. Eu o sigo porque não preciso que ele me explique nada. Conheço esse jeito, essa forma de me guiar.

***

O quarto está em penumbra. A última luz da tarde entra pelas lâminas da persiana e desenha faixas douradas no chão. Marcos me senta na beirada da cama e fica de pé na minha frente, me olhando como se estivesse vendo algo que não tinha visto antes, embora estejamos juntos há quatro anos e nos conheçamos de memória.

—Você está bem? —pergunta.

—Estou com medo —digo—. E contente. As duas coisas ao mesmo tempo.

—Eu também. —Ele passa a língua pelo lábio e abaixa a voz—. E estou com tesão, Lucía. Porra, você não imagina o quanto.

Ele se inclina e me beija de novo, desta vez sem nenhuma lentidão. Morde meu lábio inferior, puxa, e sua língua entra na minha boca com uma insistência que me faz apertar as coxas. As mãos dele encontram os botões da minha camisa e vão abrindo um por um, mas no meio ele se irrita e, com um puxão, arrebenta os dois últimos. Ouço-os cair contra o parquet.

—Marcos —sussurro.

—Depois eu compro outra pra você —murmura contra o meu pescoço, e me morde ali onde sabe que me arrepiaria.

A camisa cai no chão, e as mãos dele percorrem meus ombros, minhas costas, a linha da minha coluna. Há algo naquele toque que é diferente nesta noite. Não sei se estou imaginando, mas parece mais deliberado, mais atento e, ao mesmo tempo, mais faminto, como se saber que estou grávida tivesse aberto algo nele que estava adormecido.

Ele me deita na cama e fica por um momento sobre mim, me olhando. Tira a camisa por cima da cabeça e a joga no chão. Desce as calças sem tirar os olhos de mim e, quando puxa a cueca, o pau já salta duro, grosso, com a glande inchada e uma gota brilhante tremendo na ponta.

—O quê? —pergunto, e noto que minha voz falha enquanto olho para aquilo.

—Nada —diz—. É você. E eu vou te foder até você não lembrar mais o próprio nome.

Não sei exatamente o que isso quer dizer, mas naquele momento eu entendo perfeitamente.

Os lábios dele descem pelo meu pescoço, pela curva do ombro, pela borda do sutiã. Ele o desabotoa com uma mão, com aquela facilidade que ainda me surpreende depois de anos, e assim que meus seios ficam livres ele os pega os dois de uma vez, com a palma aberta, apertando. Um gemido me escapa, e eu não consigo abafar.

—Eles estão maiores —diz, falando com o meu peito, não comigo—. Olha só. E os mamilos mais escuros. Porra, Lucía.

Os polegares dele desenham círculos lentos sobre meus mamilos, cada vez mais duros, enquanto a boca dele desce, e eu fecho os olhos e me deixo levar pelo calor desse contato. Ele chupa um, puxa com os dentes o suficiente para me arrancar um suspiro, e depois o outro. Alterna entre eles. Morde de leve. Lamba em círculos. Meus dedos se enroscam no cabelo dele e eu empurro a cabeça dele contra mim porque preciso de mais, mais boca, mais língua, mais de tudo.

Quando chega à minha barriga, ele para.

Encosta a palma aberta sobre meu abdômen, ainda liso, e a pressão desse gesto me fecha a garganta.

—Oi —diz, bem baixinho, falando com algo que ainda não tem tamanho.

Tenho que morder o lábio para não chorar.

Depois ele baixa os lábios até a minha barriga e a beija uma vez, devagar, e então de novo mais abaixo, e de novo, e de novo, deixando um rastro úmido pelos pelos macios até o osso do quadril. Ele prende os dedos na minha calcinha e vai baixando-a pelas pernas, sem parar de beijar a pele à medida que a descobre. Quando finalmente fico nua, ele fica um segundo olhando minha boceta aberta entre as coxas, e eu o vejo engolir em seco.

—Você está encharcada —diz, com a voz rouca.

—Cala a boca.

—Não. —Ele ri—. Você está encharcada, Lucía. Olha pra você.

Ele passa dois dedos pela minha fenda, bem devagar, de baixo para cima, e os tira brilhando. Mete-os na boca e chupa olhando nos meus olhos, e eu tenho que desviar o olhar porque não aguento.

—Abre mais —diz.

Abro mais as pernas, envergonhada e morrendo de vontade ao mesmo tempo. As mãos dele me seguram por dentro das coxas, empurrando-as contra o colchão, e sinto o hálito quente dele na pele mais sensível antes que sua boca encontre o centro de tudo.

O que vem depois não tem pressa. Marcos é assim quando alguma coisa realmente importa pra ele: não corre. Ele me conhece de memória, e isso aparece na maneira como a língua dele trabalha, nas mudanças de ritmo que ele interpreta sozinho sem que eu diga nada, em como ele me agarra pelos quadris quando sente que eu estou escapando. Ele começa lambendo devagar de baixo para cima, a língua inteira, plana, cobrindo toda a vulva num só movimento, e termina no clitóris com a ponta, roçando quase nada. Repete três, quatro vezes, até eu estar me retorcendo contra a boca dele.

—Por favor —arquejo.

—Por favor o quê.

—Chupa. Chupa meu clitóris, Marcos, por favor.

Ele sorri contra a minha boceta. Eu sinto. E então fecha os lábios sobre o clitóris e suga, com fome, enquanto dois dedos dele se afundam dentro de mim e começam a me foder num ritmo lento e profundo. Minha coluna se arqueia de uma vez. Eu enrosco os dedos no cabelo dele e não peço pra ele parar porque não quero que pare.

—Isso —digo, sem reconhecer a minha própria voz—. Ai, porra, assim.

Os dedos dele se curvam dentro de mim e encontram o ponto, aquele ponto, e o massageiam com a polpa enquanto a língua não para de me trabalhar por fora. Sinto o orgasmo começar a se acumular na parte baixa da barriga, denso, quente, com aquela sensação de que alguma coisa vai se romper por dentro.

O orgasmo chega como uma onda que se junta antes de quebrar. Quando quebra, me faz agarrar os lençóis com os dedos e pronunciar o nome dele duas vezes contra o teto. Empurro a cabeça dele sem querer, com as coxas apertando as orelhas dele, e ele aguenta ali, a boca colada em mim, me chupando até o último tremor.

Quando levanta o rosto, ele está com o queixo brilhando e um sorriso que me dá vergonha.

—Vem aqui —digo, puxando o braço dele.

Ele sobe pelo meu corpo beijando minha pele à medida que avança e, quando chega à minha boca, me beija com todo o gosto de mim, e eu não me afasto. Pelo contrário. Mordo a língua dele e enfio a mão entre nossos corpos e seguro o pau dele, duro como pedra, quente, com o prepúcio já puxado para trás e a ponta molhada.

—Espera —digo—. Deita.

—Lucía…

—Deita.

Ele se deixa cair de costas. Eu me ajoelho entre as pernas dele e pego a rola com as duas mãos, uma sobre a outra, e dou uma lambida da base até a ponta, seguindo a veia grossa que sobe por baixo. Marcos solta um grunhido e joga a cabeça para trás contra o travesseiro.

—Porra —diz.

Enfio-a na boca devagar, fechando os lábios em volta da glande, brincando com a língua no freio enquanto desço e subo. Quando a tenho bem lubrificada de saliva, começo a chupá-la pra valer, até o fundo, até a ponta tocar minha garganta e me fazer lacrimejar. Marcos põe a mão na minha nuca, sem empurrar, só acompanhando o movimento, e quando tiro da boca por um momento para respirar tenho um fio de saliva pendurado no lábio até a ponta do pau dele.

—Me olha —diz.

Levanto os olhos. Enfio de novo. Faço olhando nos olhos dele, subindo e descendo, ajudando com a mão na base, e noto os músculos das coxas dele se tensionarem debaixo de mim.

—Para —diz de repente, segurando meu cabelo com cuidado—. Para, Lucía, para ou eu gozo.

Limpo a boca com o dorso da mão e sorrio.

—E daí?

—E daí que eu quero gozar dentro de você.

—Você já gozou dentro de mim —digo, apontando para a minha barriga—. Olha as consequências.

Ele ri. Me agarra pela cintura e me joga em cima dele num único movimento, e eu fico montada em seus quadris, com o pau apoiado na fenda da minha boceta, escorregando para cima e para baixo sem entrar ainda. Eu me mexo devagar para molhá-lo inteiro com o que continuo pingando.

—Enfia —ele diz, a voz rouca—. Você mesma. Enfia como quiser.

Ergo um pouco o corpo, pego-o com a mão e o posiciono na entrada. Desço devagar, sentindo-o me abrir centímetro por centímetro, prendendo a respiração pelo quanto ele me preenche. Quando o tenho inteiro dentro, fico imóvel, com as mãos apoiadas no peito dele, deixando meu corpo se acostumar.

Marcos me olha de baixo com as bochechas vermelhas. Segura meus quadris.

—Monta em mim —diz.

Começo a me mover. Primeiro em círculos lentos, depois para cima e para baixo, e então mais rápido. Ele me acompanha por baixo, empurrando contra mim a cada descida, e o som dos nossos corpos se chocando enche o quarto em penumbra junto com meus gemidos e os arfares dele entre os dentes. Ele se ergue um pouco para chupar um dos meus seios enquanto eu cavalgo, e esse detalhe, a língua quente no mamilo enquanto ele me fode de baixo, quase me faz gozar de novo.

—Espera —gemo—. Espera, assim eu não aguento.

Ele me ergue como um peso morto, sem sair de dentro de mim, e me vira até me pôr de costas contra o colchão, com ele por cima. Abre minhas pernas com os joelhos, empurra-as contra o meu peito e volta a me afundar até o fundo com uma porrada que me faz gritar.

—Assim? —pergunta, já se movendo com um ritmo firme, profundo, cada investida batendo num lugar que eu nem sabia que tinha.

—Assim.

—Fala.

—Me fode, Marcos. Me fode assim.

O ritmo que ele impõe no começo é profundo e pausado, mas vai acelerando. Cada movimento parece mais intenso do que o habitual, ou talvez seja eu que esteja mais atenta a tudo. Ele segura minhas coxas abertas, os quadris dele batem nos meus com um golpe seco e úmido, e de vez em quando ele para com o pau enterrado até o fundo, movendo só a pelve em círculos, me prensando contra o colchão. Toda vez que faz isso, arranca de mim um gemido novo.

Marcos encosta a testa na minha e mistura a respiração dele com a minha, e esse detalhe aparentemente pequeno é o que finalmente me transborda. O segundo orgasmo vem quase sem aviso, apertando o pau dele por dentro com espasmos que ele sente perfeitamente, porque solta um palavrão e crava os quadris com mais força.

—Vou gozar —arqueja—. Lucía, eu vou gozar.

—Dentro —digo, embora já nem seja preciso dizer—. Goza dentro.

Ele se enterra fundo e fica quieto, tremendo, e eu sinto as ondas quentes se descarregando dentro de mim, uma atrás da outra, enquanto ele fecha a mandíbula e solta o ar contra o meu pescoço. Eu o abraço com as pernas, segurando-o, sentindo cada onda como se também fosse minha.

Durante alguns minutos não nos mexemos. O peso dele sobre mim é familiar e eu gosto. Conto a respiração dele. Ele ainda está dentro, já mole, e noto um fio quente escorrer entre minhas coxas quando finalmente sai.

Depois ele se vira, me puxa contra o peito e apoia uma mão sobre a minha barriga. Nenhum dos dois diz nada. Mas eu sei no que ele está pensando porque eu estou pensando a mesma coisa.

***

Decidimos esperar três semanas antes de contar a qualquer pessoa.

Essas três semanas são estranhas e preciosas. Vivemos como sempre, trabalhamos como sempre, mas algo mudou na textura dos dias. Marcos me manda áudios ao meio-dia para perguntar como estou. Eu respondo com mensagens curtas porque me dá vergonha me ouvir dizer que estou bem, mas que o café me deixa enjoada e que isso já não é vida.

Uma noite, enquanto preparamos o jantar, ele me abraça por trás do nada e fica assim, com o queixo sobre o meu ombro, sem dizer nada. Eu continuo descascando o alho. Às vezes o amor cabe inteiro num gesto assim. E outras vezes, quando a mão dele desce da minha cintura, entra por dentro da calça do pijama e os dedos dele me encontram já molhada só com isso, o amor fica bruto e acaba me dobrando sobre a bancada com o alho pela metade e o pau dentro antes que a cebola chegue à frigideira.

O enjoo chegou na segunda semana. Não era devastador, mas era persistente: um mal-estar de fundo que se instalava entre as oito e as onze da manhã com a pontualidade de um alarme. Marcos passou a se levantar dez minutos antes para deixar o meu chá pronto quando eu saía do banheiro. Eu nunca pedi que ele fizesse isso. Simplesmente fez.

***

Quando chegou a hora de contar, fizemos isso em casa.

Convidamos as duas famílias numa tarde de sábado com a desculpa de que tínhamos coisas para mostrar a elas. Minha mãe chegou suspeitando de alguma coisa desde o primeiro momento, eu sei porque a conheço e porque, quando ela faz aquele ar de não-sei-de-nada, é exatamente quando sabe tudo.

Depois do lanche, quando todos estavam sentados na sala, Marcos me olhou. Eu assenti.

—Vamos ser pais —disse.

Houve um segundo de silêncio absoluto. E então o barulho.

Minha mãe foi a primeira a se levantar. Me abraçou tão forte que cortou minha respiração, e quando se afastou estava com os olhos brilhando e não fazia nenhum esforço para disfarçar.

—Já era hora! —disse minha sogra, o que fez todo mundo rir, inclusive eu.

O pai de Marcos colocou a mão no ombro do filho e o encarou por um segundo longo antes de dizer algo no ouvido dele que eu não consegui ouvir. Marcos assentiu, e algo em seu rosto relaxou, como se ele estivesse esperando aquele gesto fazia tempo sem saber.

O resto da tarde foi barulhento e quente. Todo mundo falava ao mesmo tempo sobre nomes, sobre se seria menino ou menina, sobre se as crianças de hoje dormiam melhor em berço ou moisés. Eu me sentei no sofá com uma xícara de chá de camomila e me dediquei a observar todos eles.

Marcos estava de pé junto à janela, falando com o irmão. Em algum momento ele percebeu que eu o observava e me devolveu um sorriso pequeno, só para mim. Dei de ombros como quem diz e daí? E ele sacudiu a cabeça como quem diz nada, tudo.

***

Carolina, minha melhor amiga, ficou sabendo dois dias depois pelo telefone.

—Para! —gritou, e eu tive que afastar o telefone do ouvido—. Para, para, para! Você está grávida? Sério?

—Sério.

—Lucía! Meu Deus! —E então ela começou a rir e chorar ao mesmo tempo, o que é uma coisa que só Carolina consegue fazer e que sempre me comove—. Quando é o parto? Como você está se sentindo? Todo mundo já sabe?

Respondi às perguntas na ordem, com paciência, porque Carolina é assim.

Minha amiga Elena, mais tranquila por natureza, me chamou para tomar alguma coisa ainda naquela semana. Quando me sentei à frente dela, ela já sabia; não sei quem contou.

—Parabéns —disse simplesmente, apertando minha mão sobre a mesa.

Com Elena não fazem falta grandes cenas. Às vezes é exatamente isso que você precisa.

***

Os meses que vieram depois foram lentos e rápidos ao mesmo tempo, o que é uma contradição que só faz sentido quando você vive. Meu corpo começou a mudar de formas que me surpreendiam todas as manhãs diante do espelho. Os seios cresceram ainda mais, os mamilos ficaram mais sensíveis, e Marcos, que já me olhava com fome antes, agora me olhava diretamente com a boca entreaberta. Fodíamos mais do que nunca, e de formas mais estranhas do que nunca: contra a parede do corredor quando ele chegava do trabalho, no chuveiro com a água caindo sobre nós, de quatro no sofá com ele me segurando pelo quadril enquanto sussurrava putarias no meu ouvido sobre como o fato de me sentir assim o deixava excitado.

Compramos um berço. Pintamos o quarto de uma cor que na amostra parecia verde-água e na parede acabou ficando quase azul, mas decidimos que gostávamos mesmo assim. Fizemos aulas de preparação para o parto, nas quais Marcos anotava tudo no celular com uma seriedade que me fazia segurar o riso.

Uma noite, quando a gravidez já era visível e eu dormia com um travesseiro entre os joelhos porque era a única posição que eu aguentava, Marcos pôs a mão sobre a minha barriga. O bebê respondeu com um chute contra a palma dele. Nós dois ficamos imóveis.

—Oi —disse ele, igual àquela primeira noite. No mesmo tom exato.

Eu apoiei minha mão sobre a dele.

Lá fora chovia. Dentro éramos três.

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