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Relatos Ardientes

Minha prima descobriu como meu marido me domina

No fim daquele verão, Lucía, a prima de Mariela, anunciou que viria passar uma semana inteira conosco. Mariela e eu a recebemos felizes, com a casa arrumada e um jantar demorado esperando por ela na mesa. O primeiro dia foi tranquilo: passeamos pelo bairro, trocamos velhas histórias de família e rimos até tarde com uma garrafa de vinho que Mariela tinha guardado para a ocasião.

Eu observava as duas primas do meu sofá. Mariela sempre tinha sido a forte, a de personalidade; Lucía, ao contrário, tinha um jeito nervoso de olhar, como se medisse tudo o que acontecia ao redor. Naquela noite entendi que estava nos medindo.

Logo notei que alguma coisa a incomodava. Lucía se lembrava de uma Mariela independente, quase indomável, e agora se deparava com uma mulher muito mais dócil, atenta a cada palavra que eu dizia. Em alguns momentos franzia a testa; em outros, escapava-lhe uma curiosidade que não conseguia esconder.

No segundo dia, propus, quase sem pensar, que Lucía ajudasse Mariela nas tarefas da casa para que minha mulher descansasse e nós três pudéssemos aproveitar. A ideia não lhe agradou.

— Acho meio machista, na verdade — disse Lucía, cruzando os braços —. Você não ajuda?

Mariela, antes que eu respondesse, pegou-a pelo braço e a levou para a varanda. Conversaram a sós por um bom tempo. Quando voltaram, Lucía tinha a expressão de quem acabara de ouvir algo inesperado.

Mariela me contou naquela noite, na cama, em voz baixa.

— Eu disse a verdade — murmurou —. Que, desde que organizamos nossa vida assim, tudo ficou mais harmonioso. Que você é exigente, mas também carinhoso. Que me sinto amada todos os dias.

— E ela acreditou?

— Perguntou se eu não sentia falta da minha independência. Eu disse que não tinha renunciado a nada, que encontramos um equilíbrio que funciona para nós.

O que ela não contou foi o quanto gosta de se ajoelhar.

***

A partir do terceiro dia, Lucía começou a ajudar. No começo, se sentia deslocada, mas a paciência da prima foi aos poucos a acomodando. E, enquanto varria, dobrava roupa ou punha a mesa, ela não parava de me olhar. Eu percebia. Qualquer um perceberia.

Ela me seguia com os olhos quando eu entrava em um cômodo. Pedia minha opinião sobre coisas triviais só para me fazer falar com ela. Ria alto demais das minhas piadas. Cada gesto meu de atenção a acendia um pouco mais, e seus olhos claros brilhavam com um interesse que já nem se esforçava para disfarçar.

Mariela via tudo. Tentava minimizar, mas eu conhecia aquela rigidez nos ombros dela, aquela forma de apertar os lábios. Eram ciúmes, e cresciam em silêncio.

Na terça-feira à tarde, nós três descansávamos na sala depois do almoço. Lucía soltou um comentário com um sorriso que dirigiu mais a mim do que à prima.

— Você tem uma sorte incrível, Mariela. Desde que conheci Daniel, ele me pareceu um homem extraordinário.

— A sorte é minha — respondi, cortês —, por ter alguém como sua prima.

Mariela forçou um sorriso. O desconforto já lhe subia pelo pescoço.

***

Na quarta-feira os sinais ficaram impossíveis de ignorar. No café da manhã, Lucía se adiantou para me servir o café, um gesto que sempre tinha sido de Mariela. Aceitei com naturalidade. Minha mulher não disse nada, mas a vi engolir em seco.

Mais tarde mencionei que precisava revisar uns documentos do trabalho, e Lucía se ofereceu para me ajudar, embora não entendesse nada do assunto. Qualquer desculpa servia para ela se sentar perto. À tarde, durante uma conversa, ela voltou à carga diante da prima.

— Você é tão sortuda. Ter alguém tão atencioso como Daniel é um presente — disse, lançando-me um olhar apreciativo.

Mariela queria acreditar que a prima não tinha más intenções. Não podia. Sentia-se deslocada na própria casa, e eu, longe de acalmá-la, encontrava um prazer estranho naquela tensão.

Naquela noite, enquanto Lucía dormia, minha mulher me procurou sob os lençóis com uma urgência que não era de desejo, mas de reafirmação. Servia para se sentir minha, para apagar da cabeça a imagem da outra. Deixei que fizesse. Era o que ela precisava.

***

Na quinta-feira, Lucía já estava completamente integrada. Preparava a comida, mantinha a casa em ordem, seguia minhas instruções com uma atitude cada vez mais entregue. A resistência inicial havia desaparecido, substituída por uma curiosidade para ver até onde ia aquela forma de viver.

Naquela tarde, enquanto Mariela limpava, Lucía e eu ficamos conversando no jardim. Ela parecia fascinada por cada palavra que eu dizia. Ao terminar, roçou meu braço de um jeito casual e longo demais antes de entrar em casa. Mariela viu da janela.

À noite, já na sala, olhei para as duas com uma satisfação que não escondi.

— Fico feliz em ver como nós três nos encaixamos tão bem. Lucía, você foi de grande ajuda e uma companhia excelente.

— No começo me custou entender — admitiu ela —, mas agora vejo que esse jeito de viver os faz felizes. E confesso que gostei da calma que existe aqui.

Mariela a abraçou com carinho. Sua insegurança, longe de diminuir, aumentava a cada dia que a prima encantadora passava ao nosso lado.

***

Na sexta-feira acordei cedo e desci para a cozinha antes que Lucía despertasse. Mariela já estava lá, preparando o café da manhã.

— Hoje vou levar Lucía para um passeio — disse, pegando a mão dela —. É uma surpresa para ela. Você fica. Tem tarefas da casa e uns relatórios que trouxe do escritório para não ficar entediada.

Não havia carinho no pedido: era uma forma de mantê-la ocupada e longe. Ela entendeu. Vi a voz dela tremer levemente quando colocou os pratos na mesa.

— Não consigo evitar me sentir assim, Daniel — disse —. Sei que é só um passeio, mas do jeito que Lucía olha para você...

Deixei-a terminar. Depois me aproximei, acariciei sua bochecha com um gesto suave e firme ao mesmo tempo.

— Amor, você sabe que eu não gosto quando perde o controle. Desta vez vou deixar passar. Não haverá castigo pelos seus ciúmes. Mas confie em mim.

Minha mão em seu rosto não era ternura. Era uma marca, um selo de propriedade colocado com condescendência. Ela baixou os olhos, não por submissão, mas para esconder o fogo verde que lhe queimava as entranhas. Cada palavra minha havia sido um fósforo jogado sobre gasolina.

Soltei seu rosto e consultei o relógio com impaciência. Minha cabeça já estava no passeio, nas risadas que compartilharíamos.

— Estou atrasado. Cuide da casa.

A frase, inofensiva, foi o gatilho.

***

Enquanto eu ia até a entrada pegar as chaves, Mariela se moveu com a determinação silenciosa de uma pantera. No corredor estreito, diante da porta, ela me interceptou. Seu olhar já não era o da esposa insegura, mas o de uma mulher faminta.

— Eu não vou deixar você ir ainda — disse, e sua voz não tremia. Era baixa, rouca, carregada de uma urgência que me surpreendeu.

— Mariela, não é hora. Lucía pode acordar... — a desculpa soou fraca até para mim. Eu estava com pressa, não interessado. Eu a via como um obstáculo incômodo.

Ela não me ouviu. Seus dedos prenderam-se ao meu cinto com uma destreza aprendida. Um clique metálico cortou o silêncio.

— Mariela... — minha voz saiu como um aviso cansado.

Mas ela já estava de joelhos no piso duro do corredor. Minha pressa virou sua aliada: não havia tempo para resistência, só para uma rendição rápida. Com uma mão firme ela me libertou, e eu soltei um suspiro mais de impaciência do que de desejo, apoiei a palma na parede e olhei para o teto como se contasse os segundos perdidos.

Ela não precisava do meu entusiasmo. Precisava da minha rendição. E obteve isso.

Inclinou a cabeça e me tomou na boca, não com a devoção de uma amante, mas com a voracidade de uma conquistadora. Sua língua traçava círculos lentos, insistentes, enquanto suas mãos prendiam meus quadris, me fixando ali. Aos poucos, senti como eu respondia, como eu endurecia contra a vontade dela e a minha. Era uma vitória amarga. Eu não gemia por ela; meu corpo reagia ao estímulo, não ao afeto. Mas aquilo bastava. Naquele momento eu era dela, não de Lucía, não da pressa.

O ritmo se acelerou. Minha respiração, antes exasperada, ficou entrecortada. Uma mão enfim pousou em sua cabeça, não para guiá-la, mas para me agarrar. Baixei os olhos e nossos olhares se cruzaram: o dela, erguendo-se, era um abismo de posse ciumenta; o meu, um redemoinho de resignação e prazer culpado.

— Vou... me deixe... — resmunguei, com a garganta, um aviso desajeitado.

Ela não parou. Pelo contrário, enterrou o rosto mais fundo, desafiando o próprio reflexo. Queria tudo. Precisava da prova física, tangível, do seu domínio efêmero.

Com um gemido abafado que soou como derrota, eu me entreguei. Ela manteve os lábios firmemente fechados e fechou os olhos. Não era o gosto que buscava, mas a confirmação. Mexeu aquilo com a língua com a meticulosidade de uma degustadora, e naquele momento soube uma verdade perversa: por mais que minha mente estivesse com Lucía, meu corpo, no seu estouro mais animal, pertencia a ela.

Com um último movimento de garganta, lento e deliberado, ela engoliu. Depois se levantou, limpando a borda dos lábios com o dorso da mão, enquanto eu me recompunha, evitando seu olhar.

— Está bem. Já acabou — disse, como se acalmasse um animal.

Um sorriso estranho, frio, brincava em seus lábios.

— Obrigada, Daniel — murmurou —. Vou tentar não me preocupar. Aproveitem o dia.

Dei-lhe um beijo suave na testa e saí. Ela ficou de pé, onde momentos antes estivera de joelhos, com o gosto salgado de uma vitória solitária e amarga na boca, um feitiço contra os ciúmes que duraria o tempo necessário para se dissipar.

***

Levei Lucía a um pequeno bistrô com vista para o rio. Almoçamos sem pressa, conversando sobre tudo e sobre nada, e sua risada contagiante encheu a varanda. Depois a surpreendi com uma tarde em uma piscina privativa, cercada de árvores, com uma intimidade que parecia feita de propósito.

Lucía saiu do vestiário com um biquíni branco que ressaltava sua figura. A pele morena, o cabelo escuro caindo sobre os ombros, os olhos claros acesos. Não consegui deixar de admirá-la.

— Deixa eu passar creme em você — disse.

Espalhei o protetor nas costas, nos ombros e nas pernas dela, com movimentos lentos. Ela fechou os olhos e se deixou levar, como se cada carícia fosse mais uma forma de conexão do que de proteção contra o sol. Quando ela tocou em mim, suas mãos percorreram minhas costas com um toque leve, mas deliberado, que eletrizou nós dois.

Nadamos um pouco e depois nos sentamos na beira, os corpos brilhando de água. As trocas de olhar ficaram cada vez mais intensas. Antes de voltar para casa, não conseguimos resistir: nos aproximamos, nossos rostos a poucos centímetros, e nos beijamos. Foi um beijo profundo, cheio de desejo contido, seguido de outros mais urgentes enquanto nossas mãos se exploravam.

No mesmo instante, dentro da casa, Mariela aspirava a sala. Conta que um arrepio inexplicável percorreu suas costas e a obrigou a parar. Olhou ao redor, confusa.

— Será que foi um solavanco do aspirador? — murmurou, e voltou à tarefa sem suspeitar de nada.

***

Ao chegar em casa, Mariela nos recebeu com um sorriso que não chegava aos olhos. Contamos detalhes do dia, omitindo, claro, o importante. Ela escutou, concentrada, com aquela inquietação que já não a abandonava.

Nessa noite, com as luzes apagadas, eu a abracei.

— Obrigado por ser tão compreensiva. Lucía e eu nos divertimos, mas você sabe que eu sempre penso no melhor para nós dois.

Mariela sorriu no escuro. Mas, em vez de retribuir o abraço, deslizou a mão pelo meu tórax, descendo com uma intenção clara e conhecida.

— Daniel... — sussurrou, a voz carregada de uma entrega oferecida —. Deixa... deixa eu te servir.

Percebi a mudança na hora. Com um movimento firme, guiei sua cabeça para baixo. Ela não precisou de mais instrução; procurou minha pele na penumbra e se entregou com devoção total.

Eu não fiquei passivo. Com uma mão na nuca dela, controlei o ritmo, fundo e constante. Depois levei a outra mão ao rosto dela e fechei seu nariz justamente quando ela descia mais, deixando-a sem ar. O mundo se reduziu a esse sufocamento controlado, à queimação dos pulmões e à plenitude avassaladora na boca dela. As lágrimas lhe vieram aos olhos, não de dor, mas de pura sobrecarga. Quando soltei seu nariz, o ofegar desesperado dela encheu o quarto.

— Assim — murmurei de cima, com a voz áspera —. Assim você sabe ser útil.

Sem lhe dar tempo de se recuperar, voltei a pressionar sua cabeça e repeti, de novo e de novo. Ela nem soube quantas vezes; cada uma parecia eterna. Eu, enquanto isso, não consegui evitar imaginar Lucía naquela mesma posição, e o pensamento me acendeu ainda mais.

Virei-a sobre a cama com brusquidão. A penetração que se seguiu não foi suave, mas uma reafirmação possessiva, um ritmo duro que parecia marcar território. Segurei-a pelos quadris, cada investida fazendo o colchão ranger. Para Mariela, cada golpe dissolvia qualquer resquício de dúvida na pura física da sua submissão. O fim, quando veio para nós dois, foi uma explosão muda e visceral, mais descarga do que êxtase.

Afastei-me com cuidado e a beijei. Uma paz peculiar encheu o quarto. Acariciei seu cabelo e sequei suas lágrimas, sussurrando que a amava. Ela, movida por uma gratidão que lhe enchia o peito, deslizou para baixo e me limpou com lambidas delicadas, um ato de cuidado íntimo feito não por ordem, mas pelo desejo de encerrar o ritual.

Depois a puxei para junto de mim. Ela ainda tremia um pouco. Abracei-a com uma firmeza que já não era possessiva, mas protetora. Ela enterrou o rosto no meu pescoço e não foram necessárias mais palavras. Nesse abraço silencioso, tudo estava dito, agradecido e perdoado.

Justo quando ela começava a dormir, pedi um copo d'água. Ela se levantou imediatamente, agradecida por poder me agradar. Diz que, no caminho até a cozinha, pensou em como esses pequenos gestos de obediência a ajudavam a processar os próprios ciúmes. O que ela mais valorizava era a minha aprovação.

Voltou para a cama com a água, satisfeita, convencida de que a cada dia nossa ligação se fortalecia um pouco mais. E eu, enquanto a via se acomodar ao meu lado, já pensava em quanto faltava para a próxima visita da prima dela.

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