Minha primeira vez gay em um cinema vazio
Meu nome é Sergio, e durante anos guardei esta história como se fosse um segredo íntimo demais para ser contado em voz alta. Não foi minha primeira ereção nem meu primeiro beijo, mas foi a primeira vez que entendi de verdade que meu desejo não seguia um único caminho. Naquela noite saí de casa achando que só ia matar o tédio e acabei descobrindo que homens também me excitavam.
Naquela época eu já saía com uma mulher, uma relação morna, de carícias rápidas e beijos nervosos. O pouco que tínhamos feito me deixava sempre com o corpo aceso e as bolas carregadas, mas quase nunca conseguia gozar com ela. Eu vivia faminto, curioso, com aquela mistura de tesão e frustração que sobe pelas costas quando a gente ainda não sabe direito como pedir o que quer.
Naqueles anos, falar abertamente sobre transar com outros homens não era fácil. Tudo era mais escondido, mais carregado de malícia, mais envolto em silêncios. Acho que foi por isso que aquela experiência me atingiu tão forte: porque veio misturada ao medo, à novidade e à sensação de estar atravessando uma porta que, até então, eu só tinha observado de longe.
Era agosto, a cidade estava meio deserta e eu não tinha planos. Caminhei sem rumo até um cinema velho no centro, desses que ainda exibiam filmes adultos mais picantes. Não era pornografia pesada, apenas filmes com peitos suficientes, gemidos fingidos e cenas de cama para atrair homens solitários em busca de escuridão, ar-condicionado e, às vezes, algo mais.
Entrei, comprei meu ingresso e fui para a sala com aquela frescura artificial que cheirava a tecido velho, poeira e perfume barato. Havia pouca gente, todos homens, espalhados pelas fileiras. Escolhi um assento no meio da sala, nem muito atrás, nem muito à frente, e me deixei cair enquanto esperava as luzes se apagarem de vez.
A algumas poltronas de distância havia um homem sozinho, perto do corredor. Não era velho, mas era bem mais velho do que eu, claramente um adulto seguro de si. Bem-vestido, limpo, com uma colônia suave que chegava de vez em quando, quando alguém passava e mexia o ar. Ele me olhou uma vez, depois outra, com discrição. Eu percebi, embora fingisse não dar importância.
O filme começou com uma trama ridícula de hotel, casais trocados, portas que se abriam no momento certo e corpos que se encontravam a cada dois minutos. Não era grande coisa, mas servia. Eu já estava sensível e, entre a tela, a escuridão e a proximidade de outros corpos masculinos respirando em silêncio, comecei a ficar de pau duro.
Depois de um tempo vi o homem se levantar e sair pela lateral. Não pensei nada. Poucos minutos depois ele voltou, mas desta vez não retomou seu lugar. Entrou na minha fileira e sentou-se ao meu lado como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
— Bela cena — murmurou, olhando para a tela. — Assim qualquer um fica excitado.
Sorri por educação. Não me afastei. Ele deve ter notado, porque se ajeitou melhor e deixou um braço sobre o apoio compartilhado, roçando de leve no meu.
— Isso não te deixa excitado? — perguntou bem baixo, quase no meu ouvido.
Eu já estava com o pau tenso sob a calça. Engoli em seco antes de responder.
— Sim. Claro que deixa.
Não foi preciso dizer mais nada. A mão dele caiu sobre minha coxa com uma naturalidade impressionante, como se já soubesse que eu não o rejeitaria. Primeiro foi apenas o peso da palma. Depois, um roçar lento, do joelho para cima, medindo minha reação.
Fiquei imóvel. Não por desgosto, mas pelo impacto. Ninguém, absolutamente ninguém, tinha me tocado daquele jeito em um lugar público. Muito menos um homem. Meu corpo estava rígido, minha respiração curta e meu pau pulsava contra o tecido.
— Calma — sussurrou. — Se você não quiser, eu paro.
Não disse que não. Também não disse que sim. Mas abri um pouco mais as pernas, e isso foi suficiente.
A mão dele subiu até minha braguilha e ficou ali, apertando com firmeza o volume. O ar escapou pelo meu nariz. Senti uma descarga direta no ventre, quente, brutal. Ele esfregou meu pau devagar por cima da calça, apalpando a grossura da minha ereção, e soltou uma risada quase muda.
— Porra, você está duríssimo.
Eu continuava olhando para a tela, embora já não enxergasse nada. Toda a minha atenção estava naquela mão. Nos dedos marcando meu pau através do tecido. No sangue descendo de repente. No medo delicioso de que alguém nos descobrisse.
Ele deslizou os dedos até o botão da minha calça e o abriu com habilidade. Depois baixou o zíper bem devagar. O som me pareceu escandaloso, mas ninguém ao redor se mexeu. Enfiou a mão na cueca e finalmente segurou meu pau nu.
Fechei os olhos por um segundo. A mão dele era quente, segura, experiente. Segurou meu pau pela base e começou a esfregar a cabeça com o polegar, que já estava úmida. Foi um toque tão preciso que quase gemi. Tive de morder o lábio para não fazer barulho.
— Assim que eu gosto — disse no meu ouvido. — Quietinho, deixando eu fazer.
Começou a me punhetar suavemente, sem pressa, subindo e descendo num ritmo que deixava meus nervos em carne viva. Cada vez que a mão descia, a pele do meu pau esticava. Cada vez que subia, a cabeça ficava exposta e o polegar a acariciava com uma pressão exata que me fazia me contorcer no assento.
Eu não sabia onde colocar as mãos. Ele deve ter percebido, porque segurou meu queixo, virou meu rosto para o dele e me beijou. Primeiro foi um roçar curto, úmido. Depois abriu a boca e enfiou a língua com decisão. Beijou-me como se estivesse desejando aquilo havia algum tempo, devorando minha boca na escuridão enquanto a mão continuava trabalhando meu pau dentro da calça aberta.
Senti vertigem. Beijar um homem não se parecia com nada do que eu conhecia e, ao mesmo tempo, pareceu estranhamente natural. A língua dele tinha gosto de menta. Os lábios eram firmes. O beijo me deixou ainda mais excitado porque não era apenas uma brincadeira com as mãos: era um homem me desejando por inteiro, usando minha boca e meu pau ao mesmo tempo.
— Que boca boa você tem — murmurou ao se afastar. — E como é fácil deixar você de pau duro.
Continuou me masturbando com a mão inteira, já sem disfarçar. Eu estava com os quadris tensos e as pernas abertas, entregue. Cada carícia me deixava mais perto. A cabeça queimava, o tronco pulsava, e o simples roçar dos nós dos dedos nas minhas bolas me sacudia inteiro.
— Eu vou gozar — avisei, quase sem voz.
— É isso que eu quero. Goza para mim.
Acelerou o ritmo só um pouco, o suficiente para me empurrar até a beirada. Seu polegar girou sobre a ponta, apertei os dentes e gozei. A porra saiu em jatos secos, quente, abundante, sujando minha mão e o interior da calça enquanto eu segurava o gemido com a boca apertada. Ele não soltou meu pau até o último espasmo terminar.
Inclinou-se, tirou discretamente alguns lenços do bolso e me limpou com calma, primeiro a ponta, depois o tronco e, por fim, os dedos. Fez isso sem nervosismo, como se conhecesse aquela rotina de cor. Vê-lo tão tranquilo me deixou excitado de novo, de um jeito inesperado.
— Agora você está mais relaxado — disse com um meio sorriso. — Mas eu fiquei na pior.
Ele pegou minha mão e a levou até a braguilha aberta. Estava com o pau para fora, duro, quente, bem mais grosso do que eu imaginava. O contato me impressionou tanto quanto o primeiro toque dele em mim. Era o primeiro pau alheio que eu tocava, e senti uma mistura brutal de curiosidade, tesão e desejo.
— Me ajuda — pediu. — Você já viu como se faz.
Segurei o pau dele com certa desajeitação no começo. Ele colocou a mão sobre a minha e conduziu o movimento: subir, descer, apertar um pouco mais ao passar pela cabeça. A pele corria macia, escorregadia pela umidade que já tinha. À medida que repetia o gesto, fui me soltando. Comecei a punhetá-lo com mais segurança, sentindo-o ficar ainda mais duro entre meus dedos.
Voltamos a nos beijar. Dessa vez fui eu quem abriu a boca primeiro. Gostei de ouvi-lo respirar mais forte enquanto eu o masturbava. Gostei de perceber que o corpo dele respondia à minha mão, que eu também podia provocar nele aquela tensão animal.
— Assim, porra... assim — sussurrou contra meus lábios.
Passei o polegar pela ponta e senti o líquido espesso que despontava. Ele soltou um gemido abafado. Movi a mão mais rápido, sem parar de beijá-lo. A mandíbula dele estava tensa, as coxas rígidas, e ele empurrava de leve o quadril contra minha palma cada vez que eu subia.
Ele afastou a boca da minha pouco antes de gozar. O abdômen tremeu e ele descarregou nos meus dedos com uma longa exalação contida. A porra dele caiu quente na minha mão, pegajosa, abundante. Fiquei olhando para ele por um segundo, fascinado, enquanto fechava os olhos e tentava recuperar o fôlego.
Depois repetiu o ritual da limpeza. Lenços, calma, experiência. Limpou minha mão, ajeitou-se pela metade e voltou a me tocar por cima da calça. Meu pau, apesar de eu ter gozado pouco antes, já estava reagindo outra vez.
— Você é daqueles que se recuperam rápido — disse com um sorriso baixo. — Que sorte a minha.
Eu não sabia o que responder. Mal conseguia pensar. Tudo tinha acontecido tão depressa que eu ainda sentia o corpo meio dormente e meio em chamas. Então ele me deu um beijo curto no canto da boca e acrescentou:
— Feche os olhos.
Obedeci. Senti que ele se inclinava para baixo. Primeiro veio o roçar úmido de algo macio e quente na ponta do pau. Depois, uma lambida lenta que me fez abrir a boca sem emitir som. Abri os olhos de repente e o vi agachado entre minhas pernas, com a cabeça inclinada e meu pau na boca.
A visão me sacudiu por completo. Aquilo já não era uma mão, nem um beijo roubado. Ele estava chupando meu pau no meio da sala do cinema, entre poltronas vazias, com o filme gemendo ao fundo e a luz da tela lançando reflexos azuis no rosto dele.
A língua dele rodeou a cabeça com uma precisão obscena. Lambia minha ponta, o freio, toda a borda sensível, e depois descia um pouco para voltar a subir. A mão segurava meu pau pela base enquanto a boca fazia o trabalho mais delicado. Quando finalmente enfiou mais da metade do meu pau entre os lábios, senti as pernas quase dobrarem.
Tive de me agarrar ao assento. Ele chupava sem pressa, molhado, profundo quando queria, superficial quando percebia que eu estava tenso demais. Alternava sucções fortes com lambidas longas e, de vez em quando, afastava-se apenas para cuspir mais um pouco sobre a cabeça e continuar. Aquela mistura de calor, saliva e escuridão me deixou louco.
— Porra... — escapou de mim num sussurro.
Ele levantou os olhos por um segundo e sorriu com meu pau ainda entre os lábios. Depois engoliu mais, enfiando-o quase até onde conseguia. Senti o contato da garganta dele e um arrepio percorreu meu corpo inteiro. O prazer era tão intenso que chegava a doer.
Subia e descia a cabeça num ritmo constante, enquanto a mão massageava minhas bolas e depois a base. Não era uma chupada tímida. Ele sabia exatamente o que fazer: quando apertar com os lábios, quando afrouxar, quando usar a língua em espiral para me deixar à beira e me obrigar a aguentar mais alguns segundos.
Eu estava completamente entregue. Olhava para a tela sem enxergá-la, com os quadris se levantando apenas um pouco do assento cada vez que ele me engolia mais. O medo de alguém nos ver continuava ali, mas já tinha se transformado em combustível. Tudo era mais intenso por estar acontecendo naquele mesmo lugar, em público, na sombra, com o corpo me desobedecendo.
Percebi que ia gozar de novo. Muito mais rápido do que imaginava ser possível.
— Vou gozar... vou gozar de novo — avisei, tremendo.
Em vez de se afastar, apertou ainda mais os lábios ao redor da cabeça e acelerou. Masturbou a base enquanto me chupava com vontade, olhando para mim de baixo. Esse gesto foi suficiente para me fazer desmoronar. Gozei na boca dele com um espasmo brutal, soltando jatos quentes que ele recebeu sem me soltar completamente.
Afastou-se apenas o bastante para deixar sair o que precisava e voltou a colocar minha ponta na boca, apurando cada espasmo com a língua. A sensação de gozar assim, dentro de uma boca alheia, masculina, adulta, desejosa, deixou-me vazio e tremendo. Quase caí para a frente de puro alívio.
Quando terminou, limpou-me devagar com os lábios e a língua, como se não quisesse desperdiçar nada. Depois se levantou e me beijou. Dessa vez o sabor era inconfundível: salgado, íntimo, meu. Sentir minha própria porra na boca dele e na minha provocou uma última onda de tesão que me fez gemer baixinho contra seus lábios.
— Você se atreve a mais? — perguntou, roçando o nariz no meu rosto.
Olhei para a tela, depois ao redor e, por fim, para ele. Minha cabeça estava muito atrás do meu corpo. Tinha gostado de tudo, muito mais do que teria ousado imaginar, mas estava saturado, transbordando, tonto com a intensidade daquela primeira vez.
— Hoje não — confessei, ainda ofegante. — Já é demais para uma noite.
Ele não se incomodou. Pelo contrário, acariciou minha nuca com ternura, uma ternura estranha depois de tanta crueza.
— Tudo bem. Você já fez bastante para ser sua primeira vez com um homem.
A frase me atingiu de leve, mas fundo. Porque era verdade. Não tinha sido um acidente nem apenas uma excitação confusa. Eu tinha desejado cada carícia, cada beijo, cada punheta, cada chupada. Ninguém tinha me arrastado para nada. Eu estava ali, presente, excitado, curioso e disposto.
Ele ajeitou a roupa, ajudou-me a fechar a calça e deu alguns tapinhas discretos na minha coxa antes de se levantar.
— Se voltar por aqui e tiver vontade de continuar descobrindo coisas, você já sabe.
Não me pediu número nem nome. Também não me deu o dele. Apenas deixou aquela porta entreaberta e foi embora pelo corredor, desaparecendo na escuridão da sala como se nunca tivesse estado ao meu lado.
Fiquei sentado por um bom tempo, ainda com o coração acelerado e o pau sensível, respirando fundo enquanto na tela outros fingiam um sexo que já não me importava. O que tinha acabado de acontecer comigo fora mais explícito, mais real e mais excitante do que qualquer cena daquele filme barato.
Saí do cinema com as pernas bambas e um sorriso impossível de esconder. Lá fora continuava quente, mas eu carregava outro tipo de febre no corpo. Entendi que naquela noite não tinha apenas gozado duas vezes com um desconhecido numa sala quase vazia; também tinha despertado uma parte de mim que nunca mais voltaria a dormir.
Depois vieram outras experiências, outros homens, outras mulheres, mais dúvidas e também mais certezas. Mas nenhuma ficou gravada em mim como aquela primeira vez. Talvez pela surpresa. Talvez pela escuridão do cinema. Ou talvez porque descobrir o que realmente desejamos, quando acontece sem aviso, tem algo de golpe certeiro: divide você em dois, e você nunca mais volta a ser o mesmo.
Desde então nunca consegui entrar numa sala meio vazia sem me lembrar da pressão daquela mão sobre minha coxa, do som do zíper descendo, da boca dele me engolindo em silêncio enquanto o filme continuava ao fundo. Há lembranças que não se apagam. Essa, sem dúvida, é uma das minhas.