Naquela noite aprendi até onde eu podia ir
Estávamos nisso havia quase dois anos quando Rodrigo propôs. Dois anos de conversas a desoras, de perfis em fóruns que não mostraríamos a ninguém, de encontrarmos Nicolás e Damián em bares sem graça antes de subirmos juntos ao apartamento. O nosso era um caso dos quatro: sem segredos entre nós, sem promessas que não pudéssemos cumprir, com regras que nós dois havíamos cuidado de construir com atenção.
Nicolás era o mais calmo dos dois. Tinha aquela paciência irritante que só têm as pessoas que sabem que o tempo joga a seu favor. Damián era o oposto: impaciente, direto, com as mãos sempre um pouco à frente da situação. Juntos, eram um equilíbrio que eu não teria sabido desenhar, mas que funcionava. Para mim, funcionava muito bem.
Meu corpo tinha aprendido coisas nesses meses. Coisas que antes me pareciam incômodas ou impossíveis ou diretamente do outro lado de um limite que eu não pensava em cruzar. Tinha aprendido a me abrir para dois paus ao mesmo tempo na boca, a ser fodida no cu enquanto enfiava os dedos na boceta, a engolir porra sem tossir, a pedir mais quando o corpo pedia menos. Mas toda vez que eu cruzava um, o seguinte parecia mais perto, mais lógico, mais tentador. É assim que isso funciona, embora ninguém te avise no começo.
Até aquela noite de quarta-feira, vendo uma série que nenhum dos dois acompanhava de verdade.
—Quero te pedir uma coisa —disse Rodrigo, sem desviar o olhar da tela.
Eu conhecia aquele tom. Era o que ele usava quando já vinha pensando em algo havia dias e custava a soltar.
—Fala.
—Os dois ao mesmo tempo. —Fez uma pausa curta. —Mas no mesmo lugar.
O silêncio que se seguiu durou exatamente três segundos. Eu sei porque contei, embora não saiba por que contei. Meu cérebro levou um instante para processar o que eu acabara de ouvir, e quando processou, a primeira coisa que senti não foi rejeição nem indignação. Foi medo e desejo misturados de um jeito que eu não sabia que podiam se misturar, um aperto no baixo-ventre que já estava molhando a calcinha antes de a minha cabeça terminar a frase.
—Os dois? —repeti, embora entendesse perfeitamente a que ele se referia—. Os dois dentro, você quer dizer? Um na boceta e outro no cu?
—Os dois no cu —disse ele, e então me olhou. Vi nos olhos dele algo que eu reconhecia: aquela mistura de expectativa e vergonha de quem pede algo que sabe que é demais—. Ao mesmo tempo. Dupla penetração anal.
Fiquei calada por um bom tempo, que pareceu longo. Pensei no que isso implicava fisicamente. Pensei se era possível. Pensei, sobretudo, em por que a ideia não me deixava indiferente, em por que minhas coxas se apertaram sozinhas ao ouvi-la.
—Deixa eu pensar —disse por fim.
Levei três dias. Durante esses três dias, pensei nisso no banho, com dois dedos enfiados no cu testando o quanto podia abrir; no metrô, apertando as coxas cada vez que a palavra voltava; enquanto comia sozinha em frente ao computador no trabalho, com a boceta latejando por baixo da saia. Pesquisei mais do que gostaria de admitir. Falei em particular com Nicolás, que me ouviu sem pressa e me disse que não havia urgência, que o que eu decidisse era o que valia. Falei com Damián, que foi mais direto, como sempre.
—Se você decidir que sim, eu topo. Se decidir que não, também. O que você mandar. Mas te aviso uma coisa —acrescentou, com aquele meio sorriso dele—: o meu e o de Nicolás juntos dentro do teu cu é muito pau. Não estou mentindo.
No quarto dia, eu disse sim a Rodrigo.
—Mas vamos fazer direito —acrescentei—. Preparação de verdade, sem pressa. E, se em algum momento eu disser que para, para sem perguntas e sem explicações.
—Claro —disse ele, e notei que tirava dos ombros um peso que vinha carregando havia dias.
***
A preparação durou duas semanas. Não foi romântica nem especialmente erótica: foi metódica e paciente, com muito lubrificante e muita atenção ao que meu corpo ia dizendo em cada passo. Rodrigo participou todas as noites, sempre atento, sempre perguntando se eu estava bem, se queria continuar, se precisava parar.
A primeira noite foram dois dedos dele, besuntados até os nós, entrando e saindo do meu cu enquanto eu estava de bruços, com um travesseiro sob o quadril. Ele os movia em tesoura, me abrindo devagar, e com a outra mão esfregava o clitóris para que o prazer e a pressão se misturassem no mesmo circuito. Eu gozei assim, com os dedos dentro e a boca dele na minha nuca, mordendo o lençol para não gritar.
Na segunda semana já eram três dedos, e depois veio o plug que eu tinha comprado pela internet: um médio no começo, depois o grande, deixando-o dentro de mim enquanto Rodrigo me fodia a boceta de missionário. Eu o sentia por dentro cada vez que ele empurrava, um limite duro que fazia o pau dele parecer ainda mais grosso, e eu gozava com uma intensidade nova, mais funda, como se o orgasmo tivesse duas camadas sobrepostas.
Fui avançando devagar. O que no começo era incômodo deixou de ser. O que parecia impossível foi ficando menos impossível a cada noite. Não cheguei a me achar completamente preparada, porque acho que não existe essa preparação total, mas cheguei a um ponto em que o corpo já não reclamava. Só esperava.
A noite que escolhemos foi um sábado. Rodrigo preparou o quarto: toalhas dobradas no pé da cama, luz quente e bem baixa, duas garrafas de lubrificante sobre a mesa de cabeceira. Colocou música instrumental ao fundo, algo sem letra que servia para ocupar o silêncio sem distrair.
Nicolás e Damián chegaram depois das dez. Jantamos os quatro como se fosse uma noite qualquer. Abrimos vinho. Conversamos sobre coisas normais por um tempo: trabalho, um filme que eles tinham visto, algo no noticiário que ninguém lembraria no dia seguinte. Era a forma que tínhamos de baixar a tensão antes que a tensão subisse de outro jeito. Eu estava com um plug pequeno por baixo do vestido, que tinha colocado uma hora antes, para chegar já trabalhada, e cada vez que me mexia na cadeira sentia-o apertar contra as paredes do cu.
Quando Rodrigo se levantou para recolher os copos e os outros dois me olharam ao mesmo tempo, eu soube que era a hora.
***
Começamos devagar, os três sobre a cama enquanto Rodrigo se acomodava na cadeira do canto. Também tínhamos falado sobre isso: naquela noite ele queria ver, não participar. Era o pedido dele, e fazia sentido dentro da lógica do que era nosso.
Nicolás e Damián sabiam o que vinha. Não precisava explicar. Damián me beijou primeiro, longo e sem pressa, enquanto Nicolás puxava meu vestido dos ombros e seguia a linha das minhas costas com os dedos. Quando o vestido caiu no chão, Damián se afastou um pouco, ficou olhando meus peitos e beliscou meus mamilos com dois dedos, sem suavidade.
—Você já está toda molhada —disse Nicolás por trás, enfiando a mão entre minhas pernas. Puxou a calcinha para o lado e passou dois dedos pela minha boceta de baixo para cima, abrindo meus lábios—. E com o plug dentro. Boa menina.
Me deitaram entre os dois. Damián me abriu as pernas e mergulhou de cabeça na boceta, com a língua direto no clitóris, sem preâmbulos, chupando como se estivesse esperando havia semanas. Nicolás se colocou à altura do meu rosto, tirou do pantalão o pau já duro e o passou pelos meus lábios sem meter tudo.
—Abre —disse baixinho.
Abri. Ele enfiou até o fundo, com as duas mãos no meu cabelo, e começou a foder minha boca devagar enquanto Damián me chupava a boceta. Eu sentia a ponta de Nicolás encostar na garganta e me engasgar por um segundo antes de ele a tirar para me deixar respirar, e voltava a entrar, e voltava a sair, enquanto a língua de Damián não parava e os dedos dele já tinham se enfiado em mim, dois, se movendo em gancho contra o ponto lá de cima.
Eu gozei assim pela primeira vez, com o pau de Nicolás na boca me abafando os gemidos e a boca de Damián sugando meu clitóris inteiro. Meu corpo inteiro se sacudiu sobre os lençóis, os quadris subiram sozinhos, e Nicolás tirou o pau justo a tempo para o grito sair limpo.
—Essa goza com nada —disse Damián, com o queixo brilhante, subindo em minha direção—. Vamos ver como aguenta com os dois dentro.
Ele me puxou pelo cabelo com delicadeza e me pôs de bruços por um segundo. Tirou o plug com um puxão lento e firme, e eu senti o vazio repentino, aquela abertura que já ficava aberta sozinha. Depois me virou de novo.
Passamos um bom tempo assim, sem pressa, construindo. Damián enfiou o pau na minha boceta com uma investida longa e funda, segurando minhas pernas por trás dos joelhos para me dobrar sobre mim mesma, e me fodeu fundo enquanto Nicolás voltava a encher minha boca. Os dois entravam e saíam ao mesmo tempo, coordenados sem que tivéssemos falado nada, e eu estava no meio, com os dois paus me atravessando de cima a baixo e a cabeça flutuando de prazer. Damián tirou o pau da minha boceta justo antes de gozar e o passou pelo clitóris, pingando dos meus próprios fluidos.
Quando Nicolás me pegou o rosto entre as mãos e me perguntou com os olhos se eu estava pronta, eu assenti.
Me puseram de quatro. O lubrificante apareceu frio, depois morno pelo calor das palmas. Nicolás se deitou de costas abaixo de mim e me fez descer sobre ele lentamente. Ele segurou o pau com a mão, colocou-o na entrada do cu e empurrou os quadris para cima com uma lentidão calculada, com dedos lentos antes, com muito tempo, preparando o terreno sem pular nada. Eu tinha a testa apoiada no ombro dele e respirava com cuidado, concentrando-me em relaxar, em confiar no que sabia que viria.
—Tudo bem? —perguntou Nicolás.
—Tudo bem —respondi, e era completamente verdade.
Quando Nicolás entrou por completo, foi com uma lentidão que era quase tortura. A cabeça primeiro, depois o corpo inteiro numa linha contínua e pausada que me fez apertar os punhos nos lençóis e morder o ombro dele. A sensação era conhecida na forma, mas completamente nova na intensidade: mais presente que outras vezes, como se cada terminação nervosa estivesse mais perto da superfície da pele. Eu sentia o pau inteiro dentro do cu, grosso, pulsando contra as paredes, e a boceta aberta e vazia à frente também pedindo.
Fiquei imóvel sobre ele. Ouvi minha própria respiração. Ouvi a de Rodrigo no canto, mais agitada do que o normal, e de relance vi que ele já tinha o pau para fora da calça e a mão sobre ele, sem se mover quase nada, só segurando. Ouvi Damián se mover atrás de mim, ouvi o clique da garrafa de lubrificante e senti o jorro morno cair entre as nádegas, escorrendo até onde já estava ocupado.
Senti a mão dele no meu quadril, firme, mas sem apertar. Depois a pressão da cabeça do pau dele contra o ponto que já estava ocupado pelo de Nicolás, empurrando de um jeito que meu cérebro continuava classificando como impossível, embora meu corpo estivesse fazendo o contrário de resistir.
—Devagar —pedi, com a voz mais séria do que eu queria que soasse.
—Sempre —disse ele.
O que veio depois foi a parte mais difícil. A pressão cresceu até um ponto em que pensei que precisava parar, que o corpo tinha limites físicos que não podiam ser ignorados por mais que alguém quisesse. Cerrei os dentes. Respirei. Damián empurrava com uma paciência insuportável, sem sair, mas sem forçar, e eu sentia como o anel se esticava ao redor dos dois paus até um ponto que queimava, uma ardência limpa e aguda. Nicolás sussurrava no meu ouvido para eu respirar, para eu soltar, para eu me abrir para ele. E então alguma coisa cedeu, não com dor, mas com uma sensação de abertura que era estranha e incômoda e, ao mesmo tempo, inconfundivelmente intensa.
A cabeça do pau de Damián passou o anel.
Escapei um gemido longo, gutural, de onde não soube dizer. Senti-o entrar milímetro por milímetro, os dois dentro ao mesmo tempo, os dois deslizando um contra o outro dentro de mim, uma plenitude tão densa e tão absoluta que me foi impossível pensar em qualquer outra coisa. Nem em Rodrigo no canto, nem em que horas eram, nem em coisa alguma que existisse fora daquele quarto e daquele momento exato. Eu estava cheia de um jeito que nunca estivera, dois paus ancorados dentro do cu, cada pulsação de cada um amplificada pela presença do outro.
—Para —disse eu.
Os dois pararam na hora.
—Não totalmente —esclareci, com a voz trêmula—. Só um momento. Deixem-me respirar.
Ninguém se mexeu. Ninguém falou. Ficamos assim por um tempo que eu não soube calcular: eu respirando com cuidado, sentindo o peso e o calor dos dois paus parados dentro de mim, me acostumando a algo para o qual não existe nome comum. Eu sentia Damián pulsar contra a lateral interna do pau de Nicolás, e Nicolás contra o dele, os dois vivos e duros e esperando.
—Agora —disse, quando estava pronta—. Bem devagar.
***
O que se seguiu não se parece com nada que eu possa descrever sem perder alguma coisa na tradução. O movimento, no começo, era mínimo: Nicolás saía um pouco quando Damián entrava, e vice-versa, um ritmo alternado que levou um tempo para encontrar a cadência. O atrito entre os dois paus lá dentro era algo que eu não tinha imaginado sentir: uma fricção interna, profunda, duas veias grossas deslizando uma contra a outra a milímetros do meu próprio pulso, que acrescentava uma dimensão completamente nova ao que já era demais para processar.
A dor existia, mas tinha deixado de ser o principal. Continuava ali como um eco, como um aviso que ninguém mais ouvia, mas por cima dela havia outra coisa que a cobria. Uma pressão constante e grave, surda, que não se parecia com nenhum outro prazer que eu tivesse conhecido antes. Mais interior. Mais irrevogável. Toda vez que um dos dois empurrava fundo, eu sentia o ventre inteiro se encher, a boceta se contrair em vazio à frente e pingar sobre o abdômen de Nicolás.
Levantei a cabeça o suficiente para ver Rodrigo no canto. Ele mantinha os olhos fixos em nós, a mandíbula tensa, o pau na mão se movendo muito devagar, aquela concentração dele que só aparecia em momentos muito específicos. Nossos olhares se encontraram por um segundo. Foi o bastante.
—Olha bem para ele —disse Damián ao meu ouvido, sem parar de se mover—. Olha como ele fica vendo a própria mulher com dois paus no cu. Conta pra ele.
—Rodri —ofeguei, com a voz quebrada—. Rodri, os dois estão me fodendo no cu ao mesmo tempo, meu amor, os dois estão dentro, eu sinto os dois, eles estão se esfregando um contra o outro dentro de mim...
Rodrigo fechou os olhos por um segundo, apertou o pau mais forte, abriu os olhos de novo.
Damián empurrou um pouco mais forte.
Eu gemi de boca aberta contra o pescoço de Nicolás. Não foi um som controlado nem consciente: foi involuntário e visceral, o tipo de som que sai quando o corpo decide falar por conta própria sem pedir licença. Nicolás enfiou uma mão entre nossos corpos, encontrou o clitóris inchado e começou a esfregá-lo em círculos apertados enquanto seguia empurrando por baixo.
—Mais? —perguntou Nicolás, de baixo, com os olhos fixos nos meus.
—Sim. Mais forte. Me fode forte, os dois.
Eles aceleraram juntos. O ritmo ficou mais constante, mais fluido, os dois encontrando uma coordenação que no começo era desajeitada e que de repente se tornou algo preciso e contínuo. Cada investida chegava mais longe do que eu achava possível. Cada uma me deixava com menos capacidade de pensar em qualquer coisa. Os ovos de Damián batiam ritmicamente nos de Nicolás por baixo, um respingar molhado e grosso, e o som dos dois paus entrando e saindo ao mesmo tempo enchia o quarto acima até da música.
—Porra, como você tá apertada —rosnou Damián atrás—. Porra, cara, sinto teu pau do lado, sinto ele inteiro.
—Eu também sinto o teu —ofegou Nicolás—. Não para, não para agora.
Eu era um corpo entre os dois, dobrada, atravessada, com um dedo de Nicolás no clitóris e os dois paus destruindo meu cu num compasso que já não deixava espaços. O orgasmo veio sem aviso, sem construção gradual. Foi abrupto, como algo que se quebra de uma vez. Todo o corpo se contraiu ao mesmo tempo, a boceta se fechou sobre nada e o cu se apertou selvagemente sobre os dois paus de uma vez, e o que saiu de mim foi um uivo que não reconheci como meu até depois. Agarrei os lençóis, os ombros de Nicolás, a primeira coisa que minhas mãos encontraram, enquanto as contrações continuavam em ondas que não me deixavam recuperar o fôlego entre uma e outra. Senti um jorro quente escapar por diante, encharcando o ventre de Nicolás e descendo entre nossos corpos.
Ouvi Rodrigo no canto dizer meu nome em voz baixa, uma única vez, como se dissesse para si mesmo, e depois o ritmo úmido e rápido da mão dele sobre o próprio pau.
Damián foi o primeiro a gozar. Cravou as duas mãos nas minhas ancas, afundou até o fundo e ficou ali, e senti jorro atrás de jorro sair de dentro de mim, aquele calor que eu conhecia multiplicado pela pressão do outro pau que o espremia contra as paredes. O som que ele fez foi o de alguém que perdeu completamente o controle sobre o que lhe acontece, um rosnado longo entre os dentes. Nicolás o seguiu menos de um minuto depois, com as mãos apertadas nas minhas ancas e a respiração convertida em ofegos curtos e irregulares, empurrando para cima mais três vezes antes de se esvaziar também, enchendo meu cu pela segunda vez sem nunca ter saído.
Senti os dois pulsando dentro de mim, um contra o outro, cuspindo o resto. No canto, Rodrigo soltou um gemido baixo e gozou sobre a própria mão e sobre a coxa da calça, sem tirar os olhos de nós.
Quando eles saíram, o som foi úmido e denso. Damián saiu primeiro, com cuidado, e eu senti o sêmen começar a escapar assim que ele liberou o espaço; Nicolás saiu depois com um deslize longo, e senti um jorro quente escorrer pela parte de dentro das minhas coxas até a dobra dos joelhos. Fiquei imóvel sobre a cama, com o cu aberto e pingando sobre as toalhas, sem capacidade de me mover ainda, sentindo cada detalhe do que havia acontecido e que continuava ressoando no corpo.
***
Rodrigo se aproximou devagar. Não disse nada durante um bom tempo. Colocou a mão nas minhas costas, só o suficiente para que eu soubesse que ele estava ali. Depois falou comigo em voz baixa, perto do ouvido, e o que me disse eu não vou repetir aqui porque era só para mim.
Depois ele ficou comigo, com cuidado e em silêncio, como se o resto da noite tivesse sido apenas o preâmbulo de um momento que era só nosso. Lambi o que os outros dois tinham deixado nas minhas coxas, devagar, sem pressa, e depois ele enfiou o próprio pau na minha boceta, que era o único lugar em mim que ainda era só dele naquela noite, e me fodeu devagar de lado, com uma mão no meu ventre e os lábios na minha nuca, até eu gozar outra vez em pequeno, já tremendo sem forças, e ele se esvaziar dentro com um suspiro longo que eu conhecia de cor.
Nicolás e Damián ficaram mais um pouco. Comemos alguma coisa na cozinha, os quatro naquele silêncio confortável do depois, que tem uma textura diferente de qualquer outro silêncio. Ninguém precisou falar muito. Quando foram embora, Rodrigo e eu ficamos sozinhos com a luz apagada.
—Como você está? —perguntou ele.
—Ainda não sei —respondi, que era a verdade mais exata que eu podia dar.
***
Nos dias seguintes, fiquei dolorida. Não de forma grave, mas constante: cada vez que me movia, cada vez que me sentava, havia um lembrete físico do que tinha acontecido, uma ardência surda entre as nádegas que não ia embora totalmente. Não era uma dor que me incomodasse. Era, sobretudo, uma presença. Uma prova de que tinha acontecido de verdade e não só na minha cabeça.
Pensei muito naquela noite ao longo da semana. Não de maneira obsessiva, mas intermitente: no metrô, no trabalho, enquanto cozinhava, apertando as coxas toda vez que a imagem dos dois paus metidos ao mesmo tempo voltava à minha cabeça. O que mais me surpreendeu não foi a sensação em si, que havia sido mais intensa do que eu imaginara, mas o que entendi depois sobre mim mesma.
Tinha decidido fazer algo que me parecia impossível. Tinha me preparado com honestidade. E o tinha feito nos meus termos, com pessoas em quem confiava, num espaço em que eu sabia que podia parar se quisesse. Essa sequência, mais do que qualquer outra coisa, era o que me restava daquela noite.
Rodrigo me perguntou alguns dias depois, com cuidado, como eu tinha vivido aquilo. Disse-lhe a verdade: que tinha sido bom, que eu repetiria se ele quisesse, mas que também não precisava ser logo.
—Não é uma coisa para fazer toda semana —admiti.
—Não —disse ele—. Mas quando acontece...
Ele não terminou a frase. Não era preciso. Nós dois sabíamos exatamente o que ele queria dizer.