A noite em que escalei a grade do pai da minha amiga
Percorri cada metro daquelas avenidas úmidas com a cabeça zunindo e as panturrilhas queimando, repetindo em silêncio que estava cometendo o maior erro da minha vida. A voz interior gritava: «sempre esteve fora do seu alcance, você sempre soube disso, sua idiota». Mas meus pés continuavam avançando como se tivessem tomado uma decisão sem me consultar.
Tinha acabado de completar dezoito anos e a cabeça cheia de um licor forte demais que eu havia roubado do móvel da minha mãe. A cidade cheirava a asfalto molhado e lixo, e os poucos carros que passavam àquela hora freavam por um segundo para me olhar e depois iam embora. Eu continuava andando.
A borda dos sapatos tinha rasgado minha meia-calça na altura do calcanhar. Cada passo era um açoite. Cada açoite me parecia merecido. Eu avançava em direção ao condomínio do senhor Vergara como uma penitente, com o vestido manchado e a respiração entrecortada, repetindo o nome dele como se fosse uma reza.
À distância, ouvi assobios suspeitos, palavras soltas num dialeto que eu não entendia direito. Vozes me chamando de becos escuros e me convidando a entrar em lugares de onde não se volta. Eu só apertava o passo e pensava no rosto dele. Na forma como ele enrugava o nariz quando ria. Na última vez em que tinha me olhado por mais tempo do que um pai de amiga deveria olhar para uma garota de dezoito anos.
***
Cheguei à guarita dos seguranças quase sem perceber. O homem atrás do vidro me perguntou aonde eu ia e a quem eu procurava, e eu gaguejei três respostas diferentes que não se encaixavam entre si. Quando o vi pegar o telefone, soube que estava chamando a polícia e saí correndo antes que ele terminasse de discar.
Contornei a grade por cinco longos minutos em busca de um ponto cego. Encontrei um canto onde um painel de madeira para trepadeiras fazia as vezes de escada. Escalei como pude. As mãos suavam e escorregavam, o vestido se prendia em cada farpa, e meu corpo inteiro parecia pesar o dobro do normal por causa do licor.
No topo, dei de cara com uma câmera apontada diretamente para meu rosto. Vi o olho vermelho aceso, ouvi os gritos do guarda me ordenando descer e fechei os olhos sem pensar. Pulei.
O arbusto que parecia tão denso lá de cima era, na verdade, uma cerca viva de espinhos. Caí mal, cravei dezenas de espinhos nas coxas e no cóccix, e quando tentei me levantar senti os fios quentes de sangue descendo pelas pernas. Corri mesmo assim. Passei ao lado de uma piscina iluminada, desviei de um cachorro que latia como se fosse do meu tamanho, pulei um canteiro, bati contra uma cerca e corri de novo. Cheguei à porta do senhor Vergara com os pulmões em chamas.
Toquei a campainha três, quatro, cinco vezes. Atrás de mim já ouvia passos pesados. Abre antes que me peguem, por favor, abre.
Uma mão enorme agarrou meu braço justamente quando a porta começava a ceder. O guarda me puxava para trás com uma força que doía. Eu me agarrava à moldura gritando «só quero vê-lo, deixem-me vê-lo» como uma louca, os sapatos arrastando no calçamento, o vestido rasgando na cintura. E então a porta se abriu por completo.
***
Não era ele.
Uma mulher madura, alta, com um quimono de seda preta mal fechado e o cabelo ainda despenteado, me olhou da soleira como se eu fosse uma barata que tivesse entrado debaixo da porta dela. Tinha os lábios pintados de vermelho apesar da hora. Tinha corpo de mulher, não de garota. E cheirava a perfume caro misturado com suor de cama, aquele cheiro inconfundível de sêmen fresco e de buceta recém-fodida que gruda na pele depois do sexo.
Algo dentro de mim se partiu com um estalo seco que só eu ouvi.
Olhei o número da casa, o endereço, os vasos na frente. Era a casa certa. Era a porta certa. O que estava errado era eu.
Deixei de lutar. O guarda me pôs as mãos nas costas como a qualquer ladrão e me arrastou até a rua, onde duas viaturas haviam chegado com as luzes giratórias acesas. O caminho até o carro da polícia foi o desfile mais humilhante da minha vida. Vizinhos de pijama, vizinhas de braços cruzados, todos com a cara de quem já tem uma opinião formada sobre o que está vendo.
Me colocaram no banco de trás e fecharam a porta. Pela janela eu o vi chegar. Ele afastava as pessoas com o ombro, despenteado, ainda com a camisa para fora da calça. Discutiu com o policial gesticulando muito, apontando para mim, apontando para a casa dele. Não ouvia nada do que dizia, mas não precisava. Ele estava sustentando minha história diante de todo o bairro.
O policial abriu a porta do carro com cara fechada.
—Conhece esse homem? — rosnou, apontando para ele com o dedo.
Assenti.
—Veio ver a filha dele?
Assenti de novo, embora não fosse a verdade e nós dois soubéssemos disso.
—Tem ideia do susto que causou? Sabe que horas são?
Baixei a cabeça.
—Tomou alguma coisa? Está drogada?
—Não, senhor.
—Olhe para mim quando falar.
Levantei os olhos como pude. O policial sustentou meu olhar por um momento longo, como se buscasse algum sinal de psicotrópico.
—Desça. Ele vai se responsabilizar. E agradeça, porque se não fosse por ele você passaria o resto da noite numa cela.
***
O senhor Vergara me segurou pelo pescoço com a mão aberta, não com violência, mas com autoridade, e me levou até a casa dele atravessando aquele mar de vizinhos. Não disse nada a ninguém. Aos que se aproximavam para opinar, presenteava com um olhar verde, fixo, que cortava a conversa pela raiz. Eu ia atrás dele como uma cadela castigada, sem ousar levantar os olhos do chão.
Quando entramos, a mulher do quimono nos esperava de braços cruzados. Ela me mediu de cima a baixo com um nojo que doeu em lugares em que eu nem sabia que se podia doer. Ele fechou a porta e me empurrou de leve para o sofá.
—Sente-se. Já volto.
Foram para a cozinha. A discussão começou em sussurros e logo subiu de tom.
—O que essa pirralha está fazendo aqui? Quem é?
—É amiga da Mariana.
—Amiga da sua filha? A esta hora? Sozinha? Nesse estado?
—Não tenho certeza do que aconteceu.
—Mande-a para casa, que venham buscá-la os pais. Não é problema seu.
—Romina, me deixe cuidar disso. A situação da família dela é complicada, não posso simplesmente expulsá-la assim.
—Você está falando sério? Você me tinha com as pernas abertas há dez minutos, com seu pau ainda dentro, e agora vai me deixar na vontade por causa dessa pirralha?
—Ela foi como uma filha a mais nesta casa durante anos. Me desculpe.
—Você é um imbecil. Fique sabendo. E sua porra está escorrendo pelas minhas coxas, para você ter isso em mente.
Romina atravessou a sala sem me olhar, pegou a bolsa da mesinha e bateu a porta com força, fazendo as molduras dos quadros tremerem. Fiquei no sofá apertando os dedos até eles estalarem, com o vestido grudado no sangue seco e um cheiro de umidade próprio que eu tinha acabado de descobrir fazia dois minutos: eu tinha mijado um pouco. Quis morrer, literalmente.
***
Ele voltou para a sala. Não me olhou de imediato. Ficou parado com as mãos na cintura, fitando um ponto fixo no tapete, respirando devagar, como quem tenta não dizer a primeira coisa que lhe vem à boca.
—Vamos. Vou te levar ao hospital e depois para sua casa.
Não me movi.
—Por favor.
Também não.
Soltou um palavrão curto e entrou no banheiro. Voltou com um kit de primeiros socorros e um par de luvas de látex.
—Tire a meia-calça.
Fiz como pude, com os dedos trêmulos, tentando esconder qualquer coisa que não devesse ser vista. Ele esperava com as luvas postas, olhando para o lado por respeito. Quando terminei, sentou-se aos meus pés e ergueu minha perna direita para examiná-la. Franziu o cenho a cada novo corte que descobria.
—Deite-se de barriga para cima.
Obedeci. Segurei a saia do vestido entre as coxas como um escudo. Ele limpou com desinfetante, uma a uma, as feridas da frente, as que os espinhos e a cerca me haviam deixado. Seus dedos eram firmes, profissionais. Não demoravam um segundo a mais do que o necessário.
—Agora vai me contar o que diabos estava pensando?
Abri a boca, procurei uma desculpa decente, não encontrei nenhuma. Neguei com a cabeça.
—Vire-se.
Virei-me no sofá. Na parte de trás das pernas as feridas eram mais profundas e subiam perigosamente perto da dobra das nádegas. As mãos dele começaram embaixo e foram subindo. Eu fechava os olhos e me concentrava em respirar, mas cada vez que os dedos dele subiam mais um centímetro, eu sentia minhas calcinhas umedecerem. Minha buceta estava molhando ali, no sofá dele, com o homem que eu amava entre as minhas pernas. Mesmo que fosse para me curar, mesmo que fosse clínico, meu corpo respondia como se ele estivesse me acariciando de verdade.
—Tem mais acima? — perguntou ao chegar à borda da decência.
Sentia a fisgada do hematoma na nádega direita a cada inspiração. A verdade era sim. E também era sim que eu queria que a mão dele continuasse subindo, que arrancasse minhas calcinhas molhadas, que enchesse meus dedos de dentro.
—Não tenho certeza.
—Toque aí e me diga se dói.
Toquei. Doía para caralho. E, ao tocar por cima do tecido, sem querer rocei os lábios da minha buceta inchada e notei o quanto estava encharcada. Escapou-me um suspiro que tentei disfarçar como gemido de dor.
—Não tenho certeza — repeti, idiota.
—Deixe-me verificar.
Ele disse isso com a naturalidade de um médico, e ainda assim me fez morder a pele do antebraço para não gemer. Ergueu o vestido com cuidado e me deixou exposta até a cintura, com as calcinhas brancas sujas e manchadas, as únicas que eu tinha limpas naquela manhã, as que tinham me parecido um detalhe insignificante ao sair de casa. Uma corrente de ar frio arrepiou minha pele e endureceu meus mamilos sob o vestido. O tecido da calcinha tinha grudado na minha buceta, marcando cada dobra, e a mancha escura de umidade na virilha era impossível de disfarçar. Roguei a Deus que ele não visse. Roguei a Deus que visse.
—Sim, filha. Você tem uma ali. E um hematoma horrível na lombar. Caiu muito mal. No que estava pensando?
Não respondi. Não conseguia falar. Enquanto ele limpava o corte, a mão livre dele afastou de leve a borda do tecido para o lado, para ter um ângulo melhor. O tecido ficou introduzido só um pouco na dobra das minhas nádegas. Quase desmaiei. Senti os nós dos dedos dele roçarem a pele nua da minha bunda, um toque acidental, só um segundo, e ainda assim minha buceta pulsou como se ele tivesse enfiado a língua nela. Os olhos se encheram de água, mas já não era vergonha nem dor: era outra coisa, uma coisa que eu ainda não tinha nome para. Senti uma gota espessa escapar dos meus lábios e descer devagar pelo interior da coxa. Eu estava pingando diante dele, com a boca contra a almofada, mordendo-a para não gemer o nome dele.
—E o que você tomou? O que você usou?
—Um licor. Da minha mãe.
—Por que fez uma estupidez dessas?
—Eu estava triste.
Ele soltou uma risada amarga sem abrir a boca.
—Triste? Triste não justifica caminhar dez quilômetros às três da manhã, pular uma grade com câmera e entrar na casa de um homem sozinho. Tem ideia dos problemas em que pode me meter agora, com seu corpo meio nu no meu sofá?
Foi esse «corpo meio nu» que me fez abrir os olhos. Ele disse isso em voz baixa, quase entre os dentes, e não acho que tenha percebido que tinha dito.
—Eu precisava vê-lo.
—Por quê?
Fechei os olhos, puxei o ar pelo nariz, juntei o pouco de coragem que ainda me restava.
—Porque eu sinto coisas pelo senhor, senhor Vergara.
***
O silêncio que se seguiu tinha peso, cor, temperatura. Eu não ousava abrir os olhos, certa de que iria encontrar o nojo dele ou, pior, a pena dele.
Ele ficou imóvel por um tempo imenso. Ouvi-o deixar o algodão na bandeja, tirar as luvas com dois estalos secos.
—Filha, sente-se.
Ele me ajudou a me virar. Sentei-me no sofá com os joelhos juntos, as palmas sobre as coxas, sem saber o que fazer com o olhar. Ele se sentou ao meu lado, deixando um palmo de distância entre nós.
—Você quer dizer algo romântico?
Assenti.
—A cabeça nos prega peças na sua idade. Às vezes acreditamos em coisas que não são. Talvez você esteja confusa.
Neguei com a cabeça. As lágrimas caíam sem fazer barulho. Ele suspirou fundo e apertou a ponte do nariz com dois dedos.
—Não é possível, filha. Você sabe disso.
—Eu sei.
—Lá fora existem garotos da sua idade que vão te querer de verdade.
E então eu explodi. Chorei como não chorava havia anos, com espasmos que sacudiam meus ombros e minhas costas. As mãos dele vieram para a minha nuca, para o meu cabelo, e me puxaram suavemente contra o peito dele. Agarrei a camisa dele com as duas mãos e o apertei com todas as forças que me restavam.
—Calma, calma — sussurrou. A voz falhou um pouco no fim—. É assim que as coisas têm que ser. Eu sou velho, minha pequena. Você está começando.
Quis gritar que a idade não me importava, que os problemas não me importavam, que a única coisa que me importava era ele. Mas a boca não funcionava. Deixei-me cair e ele se ajeitou comigo no sofá, os dois deitados de lado, meu rosto contra o peito dele, o braço passando por baixo da minha cabeça como um travesseiro. Uma das mãos dele acariciava minha lombar devagar. A outra dava tapinhas no meu ombro, com calma. Mas eu estava colada a ele por inteiro e, a cada movimento, sentia através da calça o volume pesado do pau dele contra minha coxa. Estava duro. O senhor Vergara estava duro por mim. Essa descoberta me eletrizou da cabeça aos pés.
—Eu o amo, senhor Vergara.
—Ai, minha pequena. Não complique mais as coisas, filha. Você está sofrendo demais por algo impossível.
O choro voltou. Ele me apertou contra o corpo e me deixou afogar tudo na camisa dele.
—Por favor, filha, você vai me fazer chorar também. Você é uma menina maravilhosa que merece...
—Me diga — interrompi, contra o peito dele—. Me diga que eu não estou louca. Que o senhor sente algo, nem que seja muito pouco. Mesmo que seja a menor coisa do mundo. Me diga que não me deixou entrar na sua vida só por pena. Que não faria isso por qualquer uma. Por favor, eu imploro, me diga.
Houve outro silêncio. Senti-o respirar fundo, prender o ar por um segundo inteiro, soltá-lo aos poucos.
—Não, filha.
Meu coração parou. Parei de respirar.
—Você não está errada.
O ar voltou a entrar nos meus pulmões de uma vez só.
—Eu também sinto coisas por você.
Eu o apertei com tanta força que o braço dormente ardia. Teria agradecido a Deus, ao universo, a quem quer que fosse. Pela primeira vez naquela noite, tudo deixou de doer.
—Mas é impossível, minha pequena.
Olhei para ele. Só olhei, os dois com os olhos cheios de água. Passei o polegar na comissura da boca dele, devagar, como se estivesse desenhando-o. E, sem lhe dar tempo de se afastar, me estiquei e enfiei a língua em sua boca. Foi um beijo desajeitado, de menina ansiosa, mas ele não me afastou. Pelo contrário: depois de dois segundos eternos, devolveu o beijo com uma força que me deixou sem ar, sugando meu lábio inferior, enfiando a língua dele tão fundo que senti o gosto de uísque e tabaco de toda a noite dele.
—Não me faça isso, filha —ofegou quando se separou um centímetro.
—Eu imploro, senhor Vergara. Só uma vez. Só esta noite. Amanhã eu esqueço.
Mentira. Os dois sabíamos que era mentira. Mas ele fechou os olhos, cerrou os dentes e, quando os abriu, tinha as pupilas dilatadas de um jeito que eu nunca tinha visto. Me colocou de cavalinho sobre ele de um puxão, com as mãos em meus quadris, e me sentou bem em cima do pau duro. O tecido da calça se ajustou contra minha buceta encharcada, e o volume se acomodou exatamente entre meus lábios, apertando o clitóris através da calcinha molhada.
—Se fizermos isso, é até o fim. Nada de meio-termo. Entende o que estou te dizendo, menina?
—Sim. Sim, senhor. Me foda. Me foda como sei que ele fodeu ela há pouco.
Um rosnado rouco lhe escapou do peito ao me ouvir falar assim. Ele arrancou meu vestido de um puxão pela cabeça e me deixou só de calcinha, com os seios à mostra, pequenos e firmes, os mamilos tão duros que doíam. Baixou a boca direto ao seio direito e o chupou inteiro, com a língua áspera e os lábios fechados, puxando-o com os dentes até me fazer gritar. Com a mão livre, apertou o outro seio, beliscando meu mamilo entre dois dedos enquanto eu me sacudia sobre o volume dele.
—Meu Deus, minha pequena. Que peitos gostosos. E como você está molhada. Consigo sentir através da calça, você está encharcando o tecido.
—É por você, senhor. É tudo por você. Há anos eu me molho por você em segredo.
Ele passou a língua do mamilo até a clavícula, subiu pelo pescoço, mordeu minha orelha. Eu esfregava a buceta no pau dele como uma gata no cio, a fricção através do tecido era um tormento delicioso que fazia minhas coxas tremerem.
—Desce. Fique de joelhos — sussurrou no meu ouvido.
Obedeci antes que ele terminasse a frase. Deixei-me escorregar entre as pernas dele e me ajoelhei no tapete, com o rosto na altura do cinto dele. Abri a fivela com dedos desajeitados, abaixei o zíper e, quando puxei a calça junto com a cueca, o pau dele saltou para cima e bateu na minha bochecha. Era enorme. Grosso, cheio de veias, com uma glande larga e arroxeada que pingava uma gota espessa e transparente. Nunca tinha visto um pau assim de perto. Nunca tinha visto um pau assim, ponto.
—Sabe fazer? — ele perguntou, segurando meu cabelo com suavidade.
—Não muito. Me ensine, senhor Vergara. Me ensine a mamá-lo como o senhor gosta.
Outro rosnado lhe escapou. Ele passou a glande nos meus lábios, pintando-os com seu líquido pré-ejaculatório, e depois empurrou devagar. Abri a boca o máximo que pude e senti o pau dele me encher a língua, quente, duro, com sabor salgado e de sabonete. Chupei como pude, desajeitada, com saliva escorrendo pelos cantos da boca, engasgando cada vez que ele empurrava um pouco mais. Ele me guiou com a mão na nuca, marcando o ritmo, me ensinando a respirar pelo nariz quando o tinha até o fundo.
—Assim, minha pequena, assim. Chupa tudo. Engole tudo. Olha como abre essa boquinha linda para seu senhor Vergara.
As palavras sujas dele me faziam apertar as coxas. Eu engolia e babava, com os olhos marejados e a máscara de rímel escorrida, olhando para cima com toda a devoção de que era capaz. Lambi da base à ponta, chupei os ovos um por um, enfi ei a língua no vão da glande e ele soltou um palavrão que eu nunca tinha ouvido sair da boca dele.
—Chega, menina. Sobe. Se continuar assim, eu gozo na sua boca e quero gozar dentro.
Ele me ergueu pelas axilas e me deitou de costas no sofá. Arrancou minha calcinha molhada num puxão, me deixando completamente nua, e abriu minhas pernas de par em par com as duas mãos. Ficou olhando minha buceta depilada, inchada e brilhando com meus próprios fluidos, e suspirou como quem acabou de ver algo sagrado.
—Olha só você. Olha como está molhada. Está escorrendo até a bunda.
—Me coma, senhor. Por favor. Coma minha buceta.
Ele desceu a cabeça e cravou a língua diretamente no clitóris. Gritei tão alto que tampei a boca com as duas mãos, apavorada de que os vizinhos me ouvissem. Ele me chupava por inteiro, subindo e descendo, enfiando a língua dentro da buceta e tirando, fechando os lábios em torno do clitóris e sugando até eu arquear o corpo inteiro contra o rosto dele. Enfiou dois dedos grossos e curvos que acharam um ponto dentro de mim que eu não sabia que existia, um ponto que, ao ser tocado, me fez perder completamente a razão.
—Ai, meu Deus, senhor Vergara, não pare, não pare, por favor não pare!
Ele não parou. Continuou me chupando e me penetrando com os dedos até que o primeiro orgasmo da minha vida me atravessou como um raio. Eu me convulsionei contra a boca dele, apertando-lhe a cabeça com as coxas, soltando gemidos animais que não reconheci como meus. Encharquei o rosto dele. Senti um jorro morno sair de mim e ele continuou sugando, rosnando contra minha buceta, engolindo tudo o que eu lhe dava.
—Ai, menina. Você é uma fonte. Nunca fiz ninguém gozar assim.
Ele subiu sobre mim, ainda vestido da cintura para cima, com o pau apontando direto para a entrada. Agarrou o tronco e esfregou a glande contra meus lábios encharcados, para cima e para baixo, dando toques no clitóris com a ponta que me faziam gemer sem parar.
—Tem certeza, minha pequena? Agora é a hora. Depois não tem volta.
—Enfia em mim, senhor Vergara. Me foda. Me arrebente. Me faça sua.
Empurrou devagar. Eu senti a glande me abrir, senti minha buceta se esticando ao redor dele para acomodá-lo, senti cada centímetro que entrava me preenchendo mais do que jamais imaginei. Soltei um gemido longo quando chegou ao fundo. Doía e, ao mesmo tempo, era a sensação mais maravilhosa do mundo. Ele estava dentro de mim. O senhor Vergara estava dentro de mim.
—Que apertadinha você está, sua vadia. Que buceta gostosa. Você está sufocando meu pau.
—É toda sua, senhor. Toda a minha buceta é sua. Me foda forte, por favor.
Ele começou a se mover. No início devagar, com investidas longas que me arrancavam quase por inteiro e me enchiam outra vez até a última polegada. Depois mais rápido, cada vez mais rápido, até o sofá começar a bater contra a parede e os ovos dele golpearem minha bunda com um estalo úmido que preenchia toda a sala. Eu enrolei as pernas nas costas dele, me abrindo o máximo que podia, sentindo o pau dele bater no fundo a cada estocada.
—Isso, isso, isso, assim, senhor, mais forte, não pare, me foda, me foda.
—Olha como entra e sai, menina. Olha você. Olha meu pau entrando na sua bucetinha.
Baixei os olhos e quase gozei de novo só de ver. O pau dele brilhava inteiro com meus fluidos, entrava e saía de mim com um som pegajoso, e minha buceta o abraçava, sugava, não queria largar. Ele me agarrou pelos quadris e me investiu ainda com mais força, com o rosto transformado, os dentes cerrados, um homem possuído.
—Fique de quatro. Quero ver sua bunda enquanto te fodo.
Virei tão rápido que quase cai do sofá. Fiquei de quatro, com o rosto colado à almofada e a bunda erguida para ele. Senti-o abrir minhas nádegas com as duas mãos, me olhar por inteiro, me dar uma palmada seca na nádega direita que me fez gritar.
—Que bumbum. Meu Deus, que bumbum lindo você tem, menina.
Ele me meteu de uma vez só e, desta vez, senti-o ainda mais fundo. Começou a me foder por trás, segurando meu cabelo com uma mão e a cintura com a outra, marcando um ritmo brutal que me fazia morder a almofada para não gritar. Cada investida me sacudia por inteiro. Os seios batiam contra o tecido do sofá, minhas coxas tremiam, o orgasmo voltava a se acumular no meu ventre.
—Vou gozar de novo, senhor, vou gozar, vou gozar.
—Goza, minha pequena. Goza no meu pau. Encharca ele todo.
Gozei gritando contra a almofada, com as coxas tremendo e a buceta apertando o pau dele em espasmos que ele sentiu porque soltou um rosnado animal e acelerou ainda mais o ritmo. Ele cravou o polegar na entrada do meu cu, só a pontinha, e eu quase morri de prazer.
—Vou gozar também, filha. Onde eu jogo? Diz onde.
—Dentro, senhor. Dentro. Me encha toda. Que escorra pelas minhas coxas como escorria nela.
Foi o último que ele precisou ouvir. Me investiu mais três, quatro vezes com toda a força, afundou até o fundo e senti o pau dele inchar dentro de mim e explodir em jatos quentes e grossos que me enchiam por completo. Foram muitos, um atrás do outro, longos, e ele gemeu meu nome contra minha nuca, mordendo meu ombro, apertando meus seios por baixo com as duas mãos enquanto se esvaziava dentro de mim.
Ficamos assim um bom tempo, unidos, sem conseguir nos mover. Quando finalmente se afastou, senti o sêmen dele começar a escorrer pelas minhas coxas, morno e espesso, exatamente como eu tinha imaginado. Virei-me devagar e me deitei de costas, com as pernas ainda abertas, olhando para ele. Ele se deixou cair ao meu lado, ofegante, com o pau ainda duro e brilhando de meus fluidos e de sua porra.
—Não me faça isso, filha — sussurrou, mas já sem forças.
—Tudo bem.
E sorri. Sorri como uma idiota, cheia de espinhos na pele, suja, manchada, exausta, encharcada por dentro e por fora de um homem que havia sido impossível durante anos, descobrindo que se podia estar ao mesmo tempo perdida e feliz.