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Relatos Ardientes

A noite em Medellín que mudou tudo

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Nunca fui a garota que os meninos procuravam na escola. Enquanto minhas colegas acumulavam primeiras vezes e aventuras que contavam em voz baixa durante o recreio, eu passava aquelas tardes em casa sem que ninguém me mandasse mensagem nem me convidasse para nada. Não era que eu me achasse feia ou estranha: simplesmente não despertava esse tipo de atenção, e durante muito tempo eu me perguntei o que as outras tinham que eu não tinha. Cheguei aos vinte e um anos sem ter ido além de um beijo, o que, naquele contexto, equivalia a chegar atrasada a uma festa que já estava rolando havia horas.

Minhas amigas mais próximas tinham começado muito antes. Algumas com namorados sérios, outras com encontros que não precisavam de nome. Eu as ouvia, perguntava o suficiente para não parecer alheia, e por dentro misturava a curiosidade com algo parecido com impaciência. Não sentia vergonha da minha situação, só a sensação de ter algo pendente, uma dívida comigo mesma que mais cedo ou mais tarde teria que ser paga.

Desde que a quitei, devo admitir que não perdi tempo. Se durante anos andei atrasada, em menos de dois eu compensei com sobra. Mas isto não é sobre essa recuperação. Isto é sobre a noite que acendeu tudo, a noite que mudou a forma como eu me movia diante dos homens e o que eu era capaz de fazer quando parava de pensar demais.

***

Era primavera quando organizamos a viagem. Um grupo de colegas da faculdade, umas doze pessoas no total e a maioria meninas, decidiu fazer uma escapada para Medellín antes que chegassem as provas finais e tudo ficasse impossível. Uma das meninas do grupo, Camila, tinha amigos lá desde que morou na cidade dois anos antes. Graças a ela, na última noite conseguimos entrar em um dos clubes mais conhecidos do centro.

Falamos dessa última noite durante a semana inteira como se ela fosse o auge da viagem. O turismo, a parte cultural, os passeios: tudo estava ótimo. Mas a balada era o prato principal, a verdadeira desculpa para ter feito a viagem nessas datas e não em outras.

O clube tinha vários andares com ambientes diferentes: música eletrônica em cima, reggaeton embaixo, e no andar do meio uma área com camarotes para a qual nos levaram diretamente os amigos de Camila. Havia garrafas de champanhe sobre a mesa, cervejas no gelo e uma vista perfeita da pista principal através das janelas. Eu não era de beber muito, mas entre o champanhe, a música, o clima e o acúmulo de uma semana inteira sem parar, relaxei mais do que normalmente relaxava. O corpo afrouxou. A cabeça apagou um pouco. E isso, naquela noite em particular, era exatamente o que eu precisava que acontecesse.

Os amigos da Camila eram quatro ou cinco, todos da mesma idade dela, todos com aquela postura de quem conhece o lugar e quer que o grupo se divirta. Não demorei a notar que alguns estavam tentando algo com algumas de nós: era evidente na forma como se posicionavam, em como ofereciam bebidas, na direção dos olhares deles. Um deles, alto, cabelo curto escuro, com um jeito de olhar que não fazia a menor questão de ser sutil, começou a falar comigo em algum momento da segunda hora.

Não lembro sobre o quê. A música estava alta demais para conversas com mais de quatro palavras, e nenhum de nós parecia disposto a se esforçar nessa direção. O que lembro é que começamos a dançar sem que nenhum de nós propusesse isso formalmente. Simplesmente aconteceu, como essas coisas acontecem quando o ambiente faz o trabalho.

Pouco a pouco fui diminuindo a distância entre nós. Primeiro a música justificava: o camarote estava cheio, o espaço era reduzido, era preciso se mexer perto. Depois parei de precisar de justificativa. Comecei a me esfregar nele com intenção, quadris contra quadris, a mão dele encontrando minha cintura sem que eu a afastasse. Quando me virei de costas contra o peito dele e senti a respiração colada no meu pescoço, soube exatamente para onde a noite estava indo. E não tinha nenhuma intenção de desviar.

O pau dele já estava duro, marcado sob o tecido da calça, e se apertava contra a minha bunda toda vez que eu mexia os quadris. Longe de me afastar, comecei a me roçar sem disfarce, arqueando as costas para senti-lo melhor entre as nádegas. Eu vinha desejando que algo assim acontecesse havia meses, anos, se formos honestos, e o champanhe, o clima e a música tinham acabado com qualquer resto de autocontrole que me sobrasse. Ele desceu uma mão pela minha barriga até me tocar entre as pernas por cima do vestido, e eu abri um pouco mais a postura para que ele entendesse que podia continuar.

Ele me virou e me beijou. Direto, sem preâmbulos, abrindo a boca contra a minha antes que eu tivesse tempo de fechá-la. Me apertei contra ele e levei as mãos ao peito dele enquanto a língua dele encontrava a minha. Não foi um beijo tímido nem exploratório: foi o tipo de beijo que já tem uma direção definida e não está esperando permissão. Mordi o lábio inferior dele sem pensar, e ele respondeu agarrando minha bunda com as duas mãos, apertando a carne por cima do vestido, me puxando para cima até eu sentir de novo o pau duro cravando contra o meu púbis.

Quando nos separamos, ele me levou pela mão até o fundo do camarote, onde havia um sofá meio afastado dos outros e a luz era mais baixa. Sentei em cima dele, montada, e voltei a beijá-lo enquanto a música continuava, as conversas ao nosso redor continuavam e todo o resto deixava de existir.

Comecei a me esfregar contra a ereção dele com os quadris, esfregando a buceta molhada no volume da calça. Ele tinha as mãos na minha cintura, pressionando para baixo enquanto eu subia, ajustando a pressão para que a beirada do tecido passasse exatamente pelo clitóris. Por baixo da roupa eu podia sentir cada centímetro dele, e toda vez que ele me tocava no ângulo certo, algo dentro de mim se apertava um pouco mais. Ele se inclinou para o meu ouvido e sussurrou, sem rodeios:

—Você está ensopada, dá pra perceber daqui.

Não respondi. Agarrei a mão dele e a meti por baixo do vestido, subindo-a pela coxa até chegar à calcinha. Deixei que sentisse o que ele já sabia. Os dedos dele afastaram o tecido e passaram duas vezes pela fenda aberta, deslizando por completo. Perdi a noção do tempo. Só existiam a boca dele, as mãos dele, aqueles dedos encharcados e o atrito que crescia sem parar. Quando ele propôs procurar um banheiro, eu já tinha a resposta antes mesmo de ele terminar a frase.

***

Encontramos um banheiro individual no andar de cima, com tranca. Era um espaço pequeno: a pia, o vaso, uma luz branca demais que ele amenizou como pôde baixando algo no exaustor. Assim que a porta se fechou atrás de nós, ele me empurrou de leve contra a parede e voltou a me beijar, dessa vez com a mão já enfiada entre minhas pernas, dois dedos me abrindo sem a barreira da calcinha porque ele já a tinha puxado para o lado.

As mãos dele encontraram as alças do vestido e ele as deslizou pelos meus ombros até o decote cair. Ele ficou olhando meus peitos à mostra por um momento, sem pressa, antes de abaixar a cabeça. Senti a boca dele se fechar sobre um mamilo, a língua girando em círculos pequenos e quentes, depois os dentes com uma pressão exata que me fez fechar os olhos e apoiar a nuca na parede. Ele alternou entre um e outro, chupando com força, cuspindo em cima e voltando a lamber o mamilo inchado, sem pressa, enquanto eu não sabia o que fazer com as mãos, nem com a respiração, nem com o calor que se acumulava entre as coxas. O primeiro gemido da noite escapou quando ele mordeu meu mamilo direito e, ao mesmo tempo, enfiou três dedos até o fundo da minha buceta, tirando-os brilhantes e voltando a afundá-los.

Quando ele ergueu a cabeça e me olhou, entendi o que ele queria. E eu também queria, talvez até mais do que ele naquele momento.

Ajoelhei no chão sem que ninguém me pedisse. Desabotoei a calça dele com mais calma do que sentia por dentro, desci a cueca boxer, e o pau duro saiu de repente, quicando à altura do meu rosto. Me dei um segundo para olhá-lo antes de colocá-lo na boca. Era grande, mais grosso do que qualquer outro que eu tinha tido antes, com a glande inchada e uma gota transparente aparecendo na ponta. Passei a língua primeiro no meu lábio inferior, depois no freio, recolhendo aquela gota, e ouvi ele engolir em seco sobre mim.

Comecei devagar, pegando o ritmo, deixando a garganta se acostumar. Lambi todo o comprimento dele da base até a ponta, subindo pela veia grossa embaixo, e quando cheguei à glande fechei os lábios e comecei a chupar só a cabeça, pressionando a língua contra o buraquinho. Depois desci mais. Primeiro a metade, depois mais. Acompanhei com a mão na base, girando enquanto subia e descia com a boca, e com a outra segurei os testículos dele, pesados e quentes, apertando com cuidado. Eu sentia como ele se tensionava toda vez que chegava ao limite, como a mão dele pousava sobre minha cabeça sem pressionar ainda. Quando levei o nariz até o púbis dele pela primeira vez e fiquei ali por um segundo prendendo o ar, engolindo-o até o fundo da garganta, ouvi o som que alguém faz quando para de controlar o que sente.

—Porra, assim, não para —ele gemeu.

Comecei a me mexer com ritmo: a cabeça indo e voltando, a língua pressionada contra o tronco a cada passada, a mão livre segurando-o pela base e girando no sentido contrário ao da boca. A cada duas ou três subidas eu o tirava inteiro da boca e dava uma lambida longa e suja por baixo, até os ovos, chupando-os um por um enquanto masturbava o pau dele cheio de saliva. Ele respirava com dificuldade, com a boca entreaberta, me olhando de cima. Em algum momento os dedos dele se fecharam no meu cabelo e ele começou a marcar o ritmo: devagar no começo, depois mais rápido, depois sem pausa real entre uma estocada e a seguinte. Ele estava fodendo a minha boca, e eu deixava, abrindo a garganta e relaxando a mandíbula para que ele entrasse mais fundo.

Meus olhos se encheram de lágrimas pelo reflexo, a saliva escorria pelo meu queixo, fios grossos que desciam pelo meu peito e molhavam meus seios. A maquiagem borrou; eu sentia o rímel escorrendo pelas bochechas. O som dos engasgos contidos toda vez que ele ia até o fundo se misturava com a música do andar de baixo. Nada disso me fez querer parar. Muito pelo contrário: toda vez que eu notava que aquilo o afetava, eu aumentava. Deixei o pau dele cheio de saliva e baba e voltei a engoli-lo inteiro, aguentando ali, com o nariz enterrado nos pelos dele, sentindo as coxas dele se contraírem.

Ele me avisou quando estava perto, mais pelo jeito como respirava do que por palavras.

—Vou gozar, vou gozar na sua boca.

Não me afastei. Pelo contrário: agarrei a bunda dele com as duas mãos e o empurrei mais contra o meu rosto. Ele me prensou uma última vez contra si e gozou na minha boca: abundante, quente, em ondas seguidas que bateram no meu palato e no fundo da garganta. Mantive dentro até ele terminar, engolindo cada jato à medida que vinha, sentindo o gosto espesso e salgado descendo por dentro. Quando ele o tirou, um fio de esperma e saliva ficou pendurado entre os testículos dele e meu lábio inferior. Com os dedos, recolhi o que tinha escapado pelos cantos e levei de novo à boca. Limpei o pau inteiro dele com a língua, deixando-o brilhando, chupando até a última gota. Ele me olhava de cima com uma expressão que eu não soube decifrar naquele momento.

Fiquei de pé e ele não demorou a agir. Tirou o vestido inteiro de mim, deixou-o dobrado sobre a borda da pia, e eu fiquei encostada na parede só de calcinha preta e com o frio dos azulejos nas costas. Ele virou meu rosto e enfiou dois dedos na minha boca, os mesmos que tinham estado dentro de mim antes, e me fez chupá-los limpos.

Deslizou a calcinha para o lado com dois dedos e roçou o clitóris com o polegar. Minhas pernas tremeram na hora: eu estava tão excitada que qualquer contato chegava amplificado, sem margem para preparação. Ele começou devagar, desenhando círculos apertados sobre o capuz, estudando a pressão exata, e eu mordi o lábio para não fazer barulho. Ele abaixou a cabeça sem avisar, agachou diante de mim, ergueu uma de minhas pernas sobre o ombro e enfiou o rosto entre minhas coxas.

A primeira lambida me arrancou um gemido que eu não consegui conter. A língua percorreu tudo, de baixo para cima, abrindo meus lábios, e depois se fechou sobre o clitóris com uma sucção que me fez dobrar os joelhos. Ele me segurou pela bunda com as duas mãos para me manter aberta contra a boca dele, e começou a me comer sem pressa, alternando a língua plana por toda a fenda com pontas rápidas bem no ponto. Eu ouvia minha própria umidade, os sons molhados da boca dele contra minha buceta, e levei uma mão ao cabelo dele para agarrá-lo e a outra à boca para abafar os gemidos.

Quando ele enfiou dois dedos dentro de mim sem parar de sugar o clitóris, levei a mão com mais força à boca e mordi os próprios nós dos dedos. Ele os movia para dentro e para fora com um ritmo constante, dobrando-os em um ponto para cima que fazia minhas pernas falharem. Eu estava com as costas coladas nos azulejos frios, uma perna apoiada no ombro dele, a outra tremendo, e os lábios apertados contra a minha própria mão para abafar o que eu não conseguia conter. Os dedos dele não pararam. Ele acrescentou um terceiro, me esticando, e a língua continuou brincando com o clitóris até eu não aguentar mais. Aquele ponto foi alcançado outra vez, e algo cedeu. Gozei em pé, com as pernas tremendo, apertando a cabeça dele entre as coxas, a buceta se contraindo ao redor dos dedos dele em ondas longas que me deixaram sem fôlego. Quando ele se levantou, tinha o queixo molhado e brilhante até o pescoço. Ele limpou com a boca em mim e me beijou, e eu engoli meu próprio gosto.

Foi então que vozes foram ouvidas do outro lado da porta. Um grupo de meninas entrando no banheiro. E, entre as conversas delas, uma frase que me tensionou de repente:

—Onde será que a Valentina se meteu? Faz um tempo que ela não aparece.

Ele sorriu. Não era um sorriso gentil.

Encostou um dedo nos meus lábios pedindo silêncio e com a outra mão me empurrou devagar de volta para os joelhos. Ele já estava meio duro outra vez só de me comer, e em questão de segundos, enquanto eu segurava o pau dele e o masturbava na frente do meu rosto, ele já estava totalmente duro. Colocou-o na minha boca sem nenhuma introdução, empurrando até o fundo na primeira investida. Desta vez foi diferente desde o começo: segurou meu cabelo com as duas mãos, enrolou mechas nos punhos, e marcou o ritmo sem me dar margem para mais nada.

Ele estava fodendo minha garganta a fundo, empurrando com os quadris contra meu rosto, enquanto as vozes do outro lado continuavam. Eu ouvia minhas amigas falando de mim a dois metros de distância, perguntando onde eu tinha ido, e eu estava de joelhos num banheiro de balada com um pau desconhecido até o fundo da boca. Toda vez que ele afundava inteiro, um pequeno som de engasgo escapava de mim, e ele tapava minha boca com o próprio pau para que o som não saísse. Longe de querer que aquilo parasse, eu me esforçava mais a cada passada. Agarrei os testículos dele com uma mão e apertei de leve, enquanto com a outra acariciava o clitóris ainda inchado do orgasmo anterior. A situação, o risco de alguém bater na porta, o desconforto do chão sobre os joelhos, o som do quadril dele batendo contra meu queixo: tudo somava em vez de subtrair.

Uma das meninas do outro lado da porta tentou girar a maçaneta. A tranca estava posta. Ouviu-se uma risada e um «está ocupado». Eu, enquanto isso, tinha o pau enterrado na garganta até o púbis, e ele ficou parado ali por alguns segundos, me olhando de cima com um sorriso enquanto eu me afogava em silêncio.

—Aguenta, aguenta só mais um pouco —ele murmurou, e voltou a se mover.

Não demorou muito. Ele agarrou meu cabelo com mais força, ficou parado por um segundo, tirou o pau da minha boca e começou a sacudi-lo a dois centímetros do meu rosto. Coloquei a língua para fora, fechei os olhos, e ele gozou pela segunda vez em cima, na boca aberta, nos lábios, um jato que me caiu na bochecha e outro que me sujou os seios. Ele deixou tudo brilhando. Recolhi o sêmen com os dedos, limpei o rosto passando-o até a boca, e engoli olhando para ele de baixo. Lambi o pau já mole com a língua até deixá-lo limpo. Quando ele me soltou, fiquei um momento no chão antes de me levantar.

Nos vestimos em silêncio. Lavei o rosto na pia, passei um dedo sob os olhos para arrumar o pior da maquiagem, ajeitei os seios dentro do vestido e subi as alças. Ainda sentia o gosto dele na boca e a buceta pulsando por dentro. Esperamos o banheiro ficar vazio, abrimos a tranca e descemos separados, com alguns minutos de diferença. Encontrei minhas amigas perto do bar e não disse absolutamente nada. Uma me perguntou onde eu tinha estado; respondi que estava dando uma volta pelos outros andares. Ele voltou para o grupo dele. O resto da noite não trocamos mais do que duas palavras.

***

Não o vi de novo depois daquela viagem. Não fiquei com o nome completo dele, não tinha nenhuma forma de contatá-lo, e nunca fui atrás. Aquela noite em Medellín me deixou claro algo que eu tinha levado anos para entender: que, quando eu parava de me preocupar com o que supostamente devia fazer ou sentir, eu sabia exatamente o que queria. Sem hesitar e sem pedir permissão a ninguém.

Na mesma semana, de volta para casa, saí com dois caras diferentes. Só para comprovar que não tinha sido coincidência.

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