O que aconteceu no carro depois do nosso primeiro encontro
Ainda respirava entrecortado quando Lucía aproximou os lábios dos meus. Ela tinha gosto de mim, de sal, de algo primitivo que não tinha nome, mas que reconheci no mesmo instante. Suas pupilas brilhavam com aquela intensidade que só aparece quando o corpo pede mais e a cabeça já desistiu de opinar. Nos beijamos com urgência, com desajeito, com a roupa ainda atrapalhando toda tentativa de sentir a pele um do outro.
As línguas se encontraram no meio do caminho. O beijo era úmido, profundo, e cada roçar de seus lábios ia acelerando o ritmo da minha respiração como se alguém girasse um botão invisível. Agarrei sua nuca com a mão direita, os dedos enroscados no cabelo curto, e a puxei com força para mim.
Mas ela escapou.
Deixou-se cair para trás com um sorriso que eu já começava a reconhecer. Colocou a palma aberta no meu peito para me manter à distância enquanto se recostava na porta do carona, meio apoiada no banco, meio na janela. Tentei me aproximar outra vez, mas ela negou com a cabeça sem deixar de sorrir.
Ela sabia exatamente o que queria. E ia me mostrar no seu ritmo.
Com a mão que não me barrava, levou os dedos ao botão da calça e o abriu. O tecido se afastou só um centímetro, ainda contido pelo zíper. O gesto foi lento, deliberado. Ela me encarava enquanto fazia isso, calibrando minha reação como quem observa um pavio acender.
O interior do carro tinha se transformado em outra coisa. O ar acumulava camadas de calor dos corpos, de hálito acelerado, daquele aroma denso que só existe quando duas pessoas passam tempo demais se desejando. Os vidros estavam embaçados. Eu sabia que de fora podiam nos ver, e percebi que fazia tempo demais que isso tinha deixado de me importar.
Segurei seu olhar e levei as mãos ao zíper. Abri devagar, com cuidado, como se estivesse desembrulhando algo frágil. A calcinha apareceu por baixo: branca, de algodão, sem nenhuma pretensão. Nenhum de nós tinha planejado aquilo quando combinamos de tomar um café naquela tarde. Era isso que tornava tudo tão excitante. Não havia renda nem preparação. Só o que estava acontecendo.
Lucía desabotoou o último botão da camisa que ainda estava fechado. Os seios apareceram entre o tecido aberto, ainda comprimidos por um sutiã simples que não fazia nada para disfarçar como seus mamilos tinham endurecido. Ela os acariciou com as pontas dos dedos, apertando um contra o outro enquanto mordia o lábio inferior. A língua então passou pelo canto da boca, umedecendo-o, e esse gesto me provocou um choque que desceu direto para a virilha.
Agarrei a borda da calça pela parte que encostava no banco. Ela ergueu os joelhos para facilitar meu movimento, e puxei o tecido arrastando também a calcinha sem tirar tudo. O jeans ficou a meio da coxa, prendendo as pernas juntas.
Lucía estava deitada de costas, com os joelhos flexionados e a calça enrolada no meio das coxas. De onde eu estava, a posição não parecia confortável, mas ela não se importava nem um pouco. Apertava os seios com as duas mãos sem tirar os olhos de mim.
—Me toca — disse com uma voz rouca que eu ainda não tinha ouvido antes —. Por favor.
Aquelas palavras entraram direto. Não consegui desejá-la mais do que a desejei naquele instante. Da minha posição, o espaço não dava para muita preliminar, então fui direto ao ponto.
Comecei a acariciar sua boceta com os dedos. Os lábios estavam comprimidos pela pressão da calça, que a impedia de abrir as pernas, e essa estreiteza fazia cada roçar ficar mais intenso. Passei o dedo indicador de cima a baixo, devagar, percorrendo toda a extensão. O cheiro me atingiu de repente: almíscar, íntimo, tão intenso que pensei que ia ficar gravado em mim para sempre.
A umidade apareceu logo. Primeiro como um brilho sutil nas pontas dos meus dedos, depois como algo mais generoso que facilitava cada movimento, permitindo que eu deslizasse com fluidez pela pele quente dela. Ela começou a gemer baixinho. Suspiros curtos que acompanhavam cada subida e cada descida dos meus dedos, como se a respiração dela estivesse ligada ao ritmo da minha mão.
Isto está acontecendo de verdade.
Senti minha ereção crescer de novo, empurrando contra o tecido da calça com uma urgência quase dolorida.
Lucía ergueu os joelhos até aproximá-los do rosto, me deixando um acesso perfeito sem abrir as pernas. Ela me olhava pelo vão que seus músculos e o jeans amarrotado deixavam, mas quase não podia fazer outra coisa além de se entregar ao que meus dedos decidissem. Tinha os olhos semicerrados e a boca aberta.
Seus fluidos eram abundantes. Tanto que começaram a escorrer para além, deslizando entre as nádegas, empurrados pelo movimento constante dos meus dedos. Com a mão livre, acariciei a entrada do ânus dela. Não penetrei. Só tracei círculos lentos com a ponta do dedo, espalhando a umidade que vinha de cima, e isso bastou para que seus gemidos subissem de tom.
Então enfiei um dedo dentro dela.
Devagar. Sentindo o calor que irradiava do interior dela, aquela temperatura que sempre surpreende, que parece impossível. Avancei até onde a mão me permitia e parei por um segundo, deixando que ela sentisse a presença inteira do dedo dentro de si. Depois o retirei por completo, arrastando os fluidos para fora, brilhantes sob a pouca luz que entrava pelos vidros embaçados.
Enfiei de novo. E desta vez, quando cheguei ao fundo, usei o polegar para roçar o clitóris. Não apertei. Só uma carícia leve, quase um sussurro de pele contra pele.
—Ai, por favor — gemeu com aquela voz grave que nascia do fundo da garganta. Aquela voz que acelerava meu pulso e fazia todo o meu corpo responder como um instrumento afinado na frequência dela.
Continuei me movendo dentro dela com um dedo por mais algumas investidas. Depois, lentamente, introduzi um segundo. O ritmo da minha mão subiu um pouco, imitando a cadência de algo maior, entrando e saindo enquanto os fluidos faziam cada penetração soar úmida e obscena no silêncio do carro.
Com os dois dedos dentro, rocei a entrada do ânus dela com mais intenção. Senti como se contraía por instinto, mas logo relaxava ao sentir a pressão suave e constante. Os fluidos dela tinham chegado até ali e tudo estava escorregadio, quente. Eu sabia que, se empurrasse, entraria sem resistência, e acho que ela também sabia, porque abriu os olhos e me olhou com uma mistura de alarme e desejo que fez minhas mãos tremerem.
Não empurrei. Ainda não.
Em vez disso, tirei os dedos do interior dela e os levei à boca. Chupei com vontade, sem pressa, fechando os olhos enquanto absorvia o sabor. Salgado. Espesso. Viciante. Lambi cada falange, cada dobra de pele entre os dedos, aspirando o aroma que se concentrou ali.
Lucía me observava de boca aberta.
Me inclinei para baixo até meu rosto ficar diante do sexo dela. Aberto. Encharcado. Pulsante. Coloquei a língua para fora e percorri tudo, do clitóris ao períneo. Devagar na primeira vez, para reconhecer o terreno. Depois com mais pressão, mais ritmo, deixando meus lábios se fecharem sobre ela e sugar com suavidade.
O sabor dela encheu minha boca. Os fluidos escorriam pelo meu queixo, misturados com a minha saliva, e eu não liguei. Minha língua a percorria por inteiro, subindo e descendo, parando no clitóris para desenhar círculos apertados e depois se afundando nela o máximo que podia.
—Não para — murmurou, e senti a mão dela na minha nuca me empurrando contra ela.
Obedeci. Deixei-me guiar pela pressão dos dedos dela na minha cabeça, que me empurravam mais para dentro, com mais força. A respiração dela tinha virado algo irregular, quebrado, feito de arfadas curtas e palavras que ela não conseguia terminar de formar. Eu sentia as contrações dos músculos internos contra a minha língua, cada vez mais frequentes, cada vez mais fortes.
A pressão da mão dela na minha nuca ficou quase violenta. Ela me esmagava contra o sexo sem me deixar espaço para respirar, e eu respirava como podia, pelas laterais, roubando golfadas de ar quente entre uma lambida e outra. Meu nariz contra o osso púbico dela, meu queixo encharcado, minhas mãos segurando suas coxas.
Os espasmos começaram pelas pernas. Senti-as tremer dos dois lados da minha cabeça, e depois a onda subiu pelo abdômen, pelo peito, até que todo o corpo dela ficou tenso como a corda de um arco e permaneceu assim por três, quatro, cinco segundos intermináveis. Ela convulsionou contra a minha boca com um gemido longo e grave que encheu o carro inteiro.
Quase me afogou. A pressão das coxas dela contra minhas bochechas e a mão na minha nuca não me deixavam afastar o rosto, e tive que esperar o orgasmo perder intensidade para conseguir tomar ar de verdade.
Quando enfim ela me soltou, levantei a cabeça devagar. Meu rosto estava encharcado. Eu sentia a umidade da testa até o queixo, brilhando sob a pouca luz do estacionamento. Lucía me olhou com os olhos vidrados e começou a rir.
—Você parece um moleque que comeu um sorvete sem as mãos — disse entre arfadas.
Eu também ri. Não soube o que responder, então beijei o joelho dela, que era o que estava mais perto.
Ela baixou as pernas e ficou deitada por um instante, recuperando o fôlego. O banco estava encharcado. Nossas roupas estavam amassadas, tortas, meio vestidas e meio tiradas. O carro cheirava a sexo de um jeito tão intenso que parecia que as paredes do habitáculo tinham absorvido aquilo para sempre.
Nos limpamos como deu com uns lenços que encontrei no porta-luvas. Eram daqueles de papel fino que rasgam com qualquer coisa, então o resultado foi mais simbólico do que efetivo. Nos olhamos e rimos de novo.
Abri os vidros. O ar da noite entrou de repente, fresco, quase frio contra a pele úmida. Respiramos fundo os dois, deixando o oxigênio limpo nos trazer aos poucos de volta à realidade do estacionamento vazio, dos postes de luz alaranjados, do relógio no painel marcando uma hora que eu não quis olhar.
Lucía vestiu a calça sem pressa, fechando o botão com dedos ainda desajeitados. Arrumou a camisa, passou os dedos pelo cabelo desgrenhado e me olhou.

—Não foi mau para um primeiro encontro — disse.
—Segundo — corrigi —. O primeiro foi o café.
Ela ficou pensando por um momento.
—Não. O café foi a desculpa. Isso aqui era o encontro.
Ela deu partida no carro sem acrescentar mais nada. Eu abaixei o vidro todo e deixei o vento secar meu rosto enquanto ela dirigia. Eu tinha cheiro dela. Tinha gosto dela. E soube, com aquela certeza irracional que só aparece às três da manhã depois de uma coisa dessas, que eu ia voltar para buscá-la.
Eu ia voltar, com certeza.