A tarde em que minha ex-mulher me encontrou com ele
Eu estava com a boca cheia dele quando ouvi a porta. E então ela apareceu, com aquele meio sorriso que sempre soube me dizer tudo sem abrir a boca.
Eu estava com a boca cheia dele quando ouvi a porta. E então ela apareceu, com aquele meio sorriso que sempre soube me dizer tudo sem abrir a boca.
Às três da manhã, com o vento gelado batendo na barraca, eu me enfiei sob a manta dele sem pedir permissão. Mauri não se mexeu, mas eu sabia que ele não estava dormindo.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Quando emprestei o slip vermelho a Bruno naquela manhã, não imaginei que meu vizinho viria nos buscar e que a trilha até o rio terminaria em algo que nunca tínhamos feito.
Nos sentamos uma de frente para a outra com um martíni cada. Uma regra: olhar, falar, cheirar. Tocar, proibido. E ela tinha um cubinho de gelo na mão.
Subi no elevador de salto e peruca, rezando para não cruzar com ninguém. Ele abriu de roupão e me chamou de puta antes de eu dizer oi.
Ao abrir a porta do quarto, o último que eu esperava era ver minha namorada debaixo da amiga dela, com as pernas abertas e um olhar que me proibia de entrar ainda.
Até aquela noite, eu achava que já conhecia todos os meus limites. Bastou um olhar, um gesto dela, e tudo o que eu pensava saber sobre meu desejo ruiu em silêncio.
Fazia meia hora que eu o olhava de soslaio quando ele me falou. Atrás das rochas, nenhum dos dois tinha intenção de voltar a se vestir no resto da tarde.
Ela abriu a porta quase nua, com aquele sorriso que já não era o de uma cliente educada, e eu entendi desde o primeiro minuto que aquele chamado não terminaria na junta do ralo.
Fechei a porta do hotel, olhei para as mãos trêmulas dele e soube que aquele desconhecido estava tão assustado quanto eu. E nenhum dos dois pensava em ir embora.
Quando o vi entrar no dark room atrás de mim, soube que a noite não terminaria na minha cama. Ele tinha o corpo que só se vê em revista.
Pensei que a chuva me deixaria sem nada. A vinte metros vi o rapaz moreno ao lado do banco, ensopado, e entendi que a noite só estava começando.
Passei anos imaginando isso vendo vídeos às escondidas. Numa tarde, uma mensagem em uma página de encontros, e um desconhecido entrou no meu carro pronto para mudar tudo.
Ela ergueu a taça do canto como se brindasse comigo. Ele se aproximou e me disse ao ouvido que queriam me levar ao apartamento em Pichincha. Eu não sabia o que viria depois.
Minha mulher saiu com as “amigas” e eu fui para a casa de Mauricio. Uma câmera, dois casais, e a pergunta de quem seria a melhor puta naquela noite.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Resolvi uma crise na aduana e o cônsul me convidou para sua residência. Não imaginei o que me esperava no fundo do jardim, nem o que viria depois.
Eu tinha um quarto secreto atrás da minha loja de lingerie. Naquela tarde, Andrés já estava nu quando eu cheguei. Não esperávamos mais ninguém.
Depois de anos guardando esse segredo, eu disse de uma vez: minha mulher transava com outros homens e eu sabia. O que vi nos olhos do meu tio não foi julgamento, mas algo mais obscuro.