Quando os três ficaram, ninguém queria ir embora
Saímos seis para o bar da Rosa. Às três da manhã, ainda éramos os mesmos seis na casa da Valeria, mas ninguém mais estava vestido.
Saímos seis para o bar da Rosa. Às três da manhã, ainda éramos os mesmos seis na casa da Valeria, mas ninguém mais estava vestido.
Estava há semanas sem respirar por causa do trabalho. Numa noite quis comemorar sozinho. Entrei no primeiro bar que vi e saí diferente.
Tive de dormir no chão do meu próprio quarto. Minha irmã e o marido dela estavam na cama. Esperávamos por esse momento havia meses. Naquela noite, chegou.
Passei duas horas na sala dela respondendo a perguntas como se fosse uma entrevista de emprego. De certa forma, era mesmo.
Tive quarenta e sete anos sendo exatamente quem eu supostamente devia ser. Uma noite com a lingerie da minha esposa nas mãos mudou isso para sempre.
Sempre acreditei ser um homem como os outros. Até descobrir a lingerie, os dildos e a certeza de que algo em mim esperava para despertar.
Passamos de cliente e prostituto a algo que não tinha nome. Numas férias na praia, ela rompeu os tabus que carregara a vida inteira.
Estávamos construindo algo sem nome havia meses. Na tarde em que finalmente tive coragem de perguntar, soube que não havia mais volta.
O cara pôs a mão sobre a saia de Lucía e ela não se mexeu. Eu estava prensado entre corpos e o que senti não foi o que eu esperava de mim mesmo.
Faziam meses que eu não a via. Quando a vi na entrada do restaurante com a barriga redonda e aqueles olhos escuros, entendi que eu ainda a desejava tanto quanto antes, talvez mais.
Ele passou uma pedra pelas minhas costas, murmurou algo que eu não entendi e, de repente, eu só queria uma coisa: que aquele homem me tomasse. Não sei se foi feitiçaria. Sei que não resisti.
Durante anos carreguei uma curiosidade sem nome. Quando Diego apareceu na enseada, sozinho e livre, algo mudou antes mesmo de a noite acabar.
Fiquei na soleira com a taça de vinho na mão e o olhei de longe. Ele ergueu a vista. Eu sorri. Não foi preciso dizer mais nada.
Quando pedi que ela abrisse um pouco as pernas e o rapaz no fundo não conseguiu parar de olhar para ela, entendi que aquela fantasia era só o começo.
Quando cheguei ao apartamento dele naquela tarde de sábado, eu tinha me depilado por inteiro e não usava roupa íntima. Sabia exatamente a que ia. Ou achava que sabia.
Natalia e eu dividíamos o quarto. Só isso. Mas quando apagamos a luz e nossos corpos ficaram a centímetros, os planos mudaram.
Tinha vinte e um anos e nunca tinha ficado com uma mulher trans. Valentina mudou isso numa só noite com seu corpo, sua calma e seu jeito de me guiar sem me julgar.
O professor freou sob as árvores e enfiou a mão por baixo da minha saia. Era a primeira vez que alguém me tocava assim, e eu não quis que ele parasse.
Marcos chegou pontual, de terno escuro e cheiro de colônia cara. Quando fechei a porta do apartamento, soube que nós dois estávamos prestes a cruzar uma linha.
Entrou no confessionário para falar de seus sonhos. Quando saiu da sacristia, já não era a mesma. Tinha dezoito anos e acabara de descobrir o que seu corpo lhe pedia havia meses.