O que fizemos no mirante enquanto alguém olhava
Quando vi o homem se aproximando pela trilha, ele apertou minha cabeça com mais força. Não ia parar. E eu também não queria que ele parasse.
Quando vi o homem se aproximando pela trilha, ele apertou minha cabeça com mais força. Não ia parar. E eu também não queria que ele parasse.
Havia meses eu fantasiava me render a alguém que soubesse assumir o controle. Não imaginei que o encontraria numa sexta-feira, no balcão de um bar.
Ela mentiu na frente de todo mundo no estacionamento para subir no meu carro. Antes de sair da cidade, já tinha procurado minha mão. E eu também não queria voltar pra casa daquele jeito.
A brisa noturna, dois baseados acesos e a certeza de que todos dormiam. Só faltava alguém dizer em voz alta o que nós dois pensávamos.
Quando o vi sair entre os aplausos, soube exatamente o que queria. Não sabia que faria isso diante de trinta mulheres que eu não conhecia.
Andei doze quilômetros com os saltos quebrados e as meias ensanguentadas, decidida a confessar algo que jamais deveria ter sentido.
Reconheci ela no topo do morro. Sete anos sem ver, e ela me olhou como se soubesse que naquele sábado eu estaria lá. O que veio depois eu não devia ter deixado acontecer.
Levávamos quatro anos trocando olhares naquele bar. Ela de óculos, eu sem saber o que fazer com tudo o que sentia cada vez que ela me servia.
Estava concentrado na partida, com o microfone aberto, e os amigos do outro lado. Eu entrei descalça, sem que ele me ouvisse, e me ajoelhei.
Vim passar a noite no apartamento dele e acabei nua no sofá enquanto a melhor amiga dele nos observava da poltrona, sem se mexer e sem dizer uma palavra.
Fazia meses que eu não saía. Coloquei o vestido preto, fui sozinha ao evento e não imaginei que aquela noite terminaria entre dois homens.
Vinte anos de uniforme engomado, e eu nunca tinha tremido num corredor. Naquela noite, com o balde de gelo nas mãos, soube que iria me quebrar.
Preparamos o jantar juntos entre beijos furtivos. Ninguém imaginou como aquela noite de filmes terminaria no sofá quando ele descobriu meu costume secreto.
Ele trancou a porta, sentou na mesa e me olhou com uns olhos verdes que não julgavam nada. Eu ainda estava ofegante.
Mateo tinha vinte e cinco anos e um olhar que não pedia licença. Quando Andrés o chamou para casa, nós dois sabíamos que aquela noite não ia acabar cedo.
Mal saímos do estacionamento, ela já tinha a mão sob a roupa. “Procura uma estrada onde possamos parar”, me disse com os olhos fechados.
Quando desliguei o motor naquela estrada sem saída, ela já tinha afivelado o cinto e aberto o botão da calça. E não trocamos uma única palavra.
Apoiei a testa na porta para não fazer barulho. As crianças dormiam do outro lado e eu me desfazia sob as mãos do meu marido, mordendo o lábio.