O valentão do bairro guardava um segredo
Desci da moto a meia quadra e entrei em silêncio pela porta dos fundos. Do quarto vinham vozes que demorei a reconhecer.
Desci da moto a meia quadra e entrei em silêncio pela porta dos fundos. Do quarto vinham vozes que demorei a reconhecer.
Quando ela abriu a porta não estava maquiada e o olhar dela tinha uma melancolia que me acertou o peito antes de trocarmos uma única palavra.
Minhas amigas estavam demorando e ele apareceu sem eu chamar. Em dez minutos, os dois já sabíamos onde iríamos terminar.
Fui consertar a máquina de lavar dele com uma tanga vermelha por baixo da calça. Só precisava achar o momento para ele notar. Ele não disse nada, mas ficou olhando.
Cheguei ao apartamento dele na hora combinada. Ele abriu a porta de roupão; ela desceu depois, nervosa e excitada. A noite seria longa.
Eu havia filtrado dezenas de perfis até chegar a Marcos. Tudo o que eu pedia, e a paciência que nunca sobra. Mas sempre alguém chega cedo demais.
Alguém estava me tocando no escuro, com uma lentidão que não tinha nada de urgente. Abri os olhos e a voz de Valeria me disse: «Tá gostando, amor?».
Passei anos escondendo essa parte de mim, mas com ela era diferente. Quando disse que queria nos ver, soube que não havia como dizer não.
Faziam três semanas que eu tinha sido deixado. Naquela noite entrei no bar sem vontade de nada e saí com a certeza de que não sabia nada sobre prazer.
Reconheci o sobrenome assim que ela o disse. Dois anos antes, eu tinha transado com a tia dela, e agora ela me encarava com os mesmos olhos escuros e a mesma boca pequena.
A primeira vez que calcei um par de saltos alheios soube que a imagem no espelho era a versão mais honesta de mim mesma. Levei anos para aceitar.
Tínhamos combinado para sábado, mas ela ligou na sexta: vem hoje, estou ansiosa. Quando abriu a porta, eu já não conseguia continuar fingindo que isso não era sério.
Sozinha no banheiro, com a chuva lá fora e o apartamento vazio, encontrei pela primeira vez algo que procurava havia meses sem saber como procurar.
As garotas do time tinham saído para conhecer a cidade. Eu estava sozinha no quarto quando bateram à porta. Era ele, com aquele sorriso que me deixava nervosa desde a primeira quarta-feira.
Tinha quarenta e seis anos, esposa, amantes e uma vida perfeitamente organizada. Então o vi sair do banheiro e não consegui desviar os olhos. Esse foi o começo.
Tinha quarenta e oito anos, esposa, três filhos e nenhuma dúvida sobre quem era. Tudo mudou no dia em que um rapaz jovem me pediu uma carona até o metrô.
Eram primos, se viam pouco, e naquela noite estavam sozinhos na sala enquanto todos dormiam. Nada deveria acontecer. Quase não aconteceu.
Motoristas de remis que chegavam como ativos e acabavam me pedindo para eu penetrá-los. Funcionários que beijavam como loucos. Cada ofício era um mundo diferente.
Terminei meu turno, fazia um frio brutal na plataforma, e o motorista me disse que eu podia ficar no ônibus dele para me esquentar. Eu não fazia ideia do que viria.
Eu usava o vestido justo da minha colega de quarto quando um taxista parou para me pedir serviço. Nunca imaginei que eu fosse gostar tanto.