Confissão: minha esposa e o jardineiro do condomínio
Nós o vimos entre os lírios, nos olhando da sombra. Daniela se ajoelhou sem avisar e eu soube que aquela noite mudaria tudo o que éramos como casal.
Nós o vimos entre os lírios, nos olhando da sombra. Daniela se ajoelhou sem avisar e eu soube que aquela noite mudaria tudo o que éramos como casal.
Perguntei inocentemente se eu tinha sido o melhor amante dela. A risada foi o primeiro sinal de que eu não deveria ter aberto a boca naquela madrugada.
Eu disse a Mateo para parar, que minha irmã dormia a três metros dali, mas ele insistiu em silêncio. Não imaginei que ela abriria aquela porta justamente então.
Quando a vi descer do ônibus com a mochila rosa no ombro, entendi que ela já tinha decidido tudo e que eu só ia cumprir a minha parte do combinado.
A cortina grená me separava da rua vazia. Mara se inclinou para fechar os colchetes do body e, sem avisar, seus dedos ficaram um instante a mais.
Estávamos morando juntos havia meses quando, certa tarde, ela me viu tenso diante do computador e disse algo que eu jamais esqueci: “Vem, tira um tempo pra relaxar” .
A gente se cruzou no elevador por acaso. Ela levava caixas e eu estava com as mãos livres. Aceitei ajudar sem saber que aquela bodega ia nos fechar lá dentro.
Desci do avião sabendo que teria que encará-lo. O que eu não sabia é que, naquela mesma noite, entre lágrimas, eu ia pedir a ele algo que nunca tive coragem de dizer.
Desci do carro só para pegar um pacote e lá estava ele, o magrelinho que me via de biquíni, agora homem e me olhando como se ainda tivesse mil perguntas.
Quando levantei os olhos entre o capim, dois faróis se apagaram a trinta metros. Dentro do carro, uma sombra imóvel não parava de nos observar.
Quando a vi entrar no trabalho com as mesmas leggings pretas do dia anterior, soube que aquela jornada não terminaria como as outras. Nem como eu imaginava.
Meu marido não aguentava me ver assim, distante do meu próprio corpo. Pediu ajuda ao ginecologista. O que ele receitou naquela noite mudou tudo entre nós três.
Cheguei ao hotel do norte com a ideia de descansar antes do trabalho. Naquela mesma noite, sentada diante dele de robe, soube que não iríamos dormir até o amanhecer.
Desci para a sala depois da meia-noite e vi os dois, nus, sobre o sofá. Minha mãe virou a cabeça e não havia vergonha, só irritação.
Ninguém esperava que eu voltasse tão cedo. O que vi naquela garagem — minha mãe, sem camiseta, com os punhos enfaixados — não dava para desaprender.
Parei na esquina delas sem saber direito o que procurava. Na primeira vez que um desconhecido me perguntou o preço, minha voz tremeu mais do que eu esperava.
Cheguei na hora exata, mas eles não apareciam. Até receber a foto: minha namorada de joelhos diante do meu namorado, no banheiro do fundo, esperando eu finalmente entrar.
Mal as luzes se apagaram, ela se levantou da poltrona e se acomodou na frente de nós dois. O que veio depois não foi nenhum trailer.
O terraço envidraçado deixa minha silhueta visível para fora. Naquele dia, enquanto eu estendia roupa nu, ouvi duas vozes de garotas rindo bem embaixo da minha janela.
Eu o procurei por uma página de anúncios. Passei um ano tentando e nunca acontecia. Naquele 24 de dezembro foi a primeira vez que tive coragem.