A noite em que descobri o que meu corpo me ocultava
Tinha trinta e dois anos e ainda não tinha me permitido pensar em outra mulher sem sentir vergonha. Nessa noite apaguei a luz, respirei fundo e parei de fugir.
Tinha trinta e dois anos e ainda não tinha me permitido pensar em outra mulher sem sentir vergonha. Nessa noite apaguei a luz, respirei fundo e parei de fugir.
Começou como uma noite qualquer diante da tela, mas quando apertei enviar naquela mensagem, soube que já não havia volta.
Ela estava apagada havia anos por uma dor profunda, até que aquela voz grave encheu o salão e eu vi seus olhos brilharem de novo como quando a conheci.
Eu só queria algo passageiro enquanto estudava. Mas naquela noite, quando ele deixou o avatar e me chamou com a câmera ligada, eu soube que não havia volta.
Quando a porta de madeira da minha cela rangeu depois da meia-noite, eu soube que era ele. Fechei os olhos. Não vim ao convento fugindo do mundo: vim fugindo do que sentia por esse homem.
Fechei os olhos no banco do passeio e separei mais as pernas. O vento fez o resto. Eu sabia que me olhavam, e era exatamente isso que eu buscava.
Eu tinha prometido uma rapidinha antes de voltar ao trabalho. Terminamos duas vezes, com o gosto dele ainda na minha boca quando desci para a cozinha pegar um café.
Atravessei a porta só com uma capa de veludo vermelho e nada por baixo. A regra era clara: ninguém sabia quem era quem, e isso mudou tudo naquela noite.
Deixei-o sobre a mesa, ao lado das chaves, e me sentei no sofá da sala para esperar. Queria ver quanto tempo ele demoraria a perceber que a vida dele tinha acabado de se partir em dois.
Quando ele afastou os galhos do salgueiro e me empurrou contra o tronco, soube que não voltaríamos ao café pelas coisas que havíamos esquecido.
Cheguei ao parque dez minutos antes e pensei em fugir três vezes. Quando os vi se aproximando de mãos dadas, soube que diria sim a tudo.
Há anos eu buscava alguém disposta a me olhar de verdade, não por uma tela. Quando Lucía disse sim, entendi que aquele dia eu nunca esqueceria.
Os olhos dela por trás dos óculos me perseguiam havia anos do outro lado do balcão. Na tarde em que toquei seu pulso, soube que ela também esperava algo.
Vi os vídeos: mulheres amarradas a máquinas, choques elétricos, açoites enquanto corriam. E mesmo assim eu disquei o número. Minha vontade já não dava conta.
Vinte e dois anos mantendo a compostura atrás do balcão do hotel. Bastou uma hóspede de saltos vermelhos para descobrir o que se escondia sob o uniforme.
O presente de aniversário dela a esperava do outro lado de um buraco na parede. Só havia uma regra: eu ficava para assistir.
Eu usava um vestido curto demais e tinha o olhar de quem já havia tomado uma decisão. A porta dele estava entreaberta, exatamente como combinamos.
Sete anos de amizade fingindo não sentir nada. Naquela madrugada, entre dois carros num beco, nós dois paramos de fingir.
Eu tinha passado no vestibular por pouco e nunca tinha tocado numa garota. Em quatro dias descobri por que duas professoras guardavam segredos.
Naquela tarde de sexta-feira, com a segunda taça de vinho na mão, Valeria me olhou diferente e começou a me contar o que fazia nos fins de semana.