O que ouvi naquela noite no corredor do hotel
Quando os primeiros gemidos atravessaram a porta do 412, ela ainda segurava o balde de champanhe com as duas mãos. Dez minutos depois já não pensava mais no hotel.
Quando os primeiros gemidos atravessaram a porta do 412, ela ainda segurava o balde de champanhe com as duas mãos. Dez minutos depois já não pensava mais no hotel.
Eu vinha ignorando os olhares dele havia semanas. Naquela noite no hotel, depois da piscina e de dançar com desconhecidos, já não consegui continuar.
Naquela tarde me visitaram quatro homens. Nenhum sabia dos outros. Eu era a única com o quadro completo e não sentia culpa nenhuma.
Havia noites em que eu nem olhava para o rosto de quem entrava. Contava o dinheiro e esperava acabar. Mas uma vez tudo foi completamente diferente.
Passei horas andando, com o vestido rasgado e sangue nas pernas. Eu não podia parar. Precisava vê-lo, mesmo que tudo o que eu fizesse naquela noite me destruísse.
O teste já estava havia vinte minutos na prateleira do banheiro quando ele abriu a porta. Bastou ver o rosto dele para saber que tudo entre nós mudaria.
Quando Rodrigo entrou, Valentina o encarou com a calma de quem sabe exatamente o que tem nas mãos — e naquela noite ele também não era inocente.
Quando Diego parou o carro em frente ao motel, eu soube que aquela conversa de madrugada sobre minha fantasia mais secreta tinha tido consequências.
Eu o vi sair por aquela porta e meu coração disparou na hora. Eu usava o vestido mais vermelho que tinha. Queria que a primeira coisa que ele visse fosse eu.
Assim que saí do estacionamento, ela enfiou a mão dentro da calça. Eu dirigi procurando a primeira estrada sem saída que encontrasse.
Ela usava botas até o joelho e aquele tipo de olhar que têm as mulheres que já sabem o que querem. Levantei para lhe dar meu cartão antes que o momento se perdesse.
Subi à oficina com o envelope na mochila, os óculos escuros e a saia ao vento. Naquela manhã, eu não sabia que sairia de lá sendo outra.
Quando abri a porta e o vi ali, com aquela pinta de bom moço e os braços marcados, soube que aquela tarde mudaria algo para nós dois.
Subi a escada de metal com a saia colada ao corpo e a mochila cheia de notas, sentindo todos os olhares da oficina subirem pelas minhas pernas.
Quando entrei no caminhão para conferir os paletes, ele subiu atrás de mim. Ninguém mais estava no galpão. E os dois sabíamos exatamente o que ia acontecer.
Tenho um dom que me permite conhecer as pessoas só de olhar nos olhos. Nessa noite, usei isso para destruir uma mentira.
Na tarde em que Diego chegou suado do jogo e tirou a camiseta, tudo mudou. A tatuagem que Carmen tinha ampliado na tela na noite anterior.
Rodrigo me disse sem rodeios numa noite, quando eu achava que era só hora de dormir. A voz dele era tranquila, quase calma demais para o que estava me pedindo.
Naquela semana, tudo ia mal com meu parceiro. Meu ex aproveitou a primeira brecha e Diego esperava com uma foto que me deixou sem palavras. O fim de semana mais sujo da minha vida.
Cruzar as pernas no momento certo foi tudo o que precisei para que ele parasse de fingir que não me olhava. O resto foi só questão de tempo.