Sou sex coach e esta é a minha confissão mais íntima
Há uma coisa que eu nunca digo às pessoas que entram no meu consultório: eu também tenho segredos. Passei anos ouvindo os deles, assentindo com a calma profissional que aprendi a fingir, enquanto por dentro reconheço cada desejo que me confessam porque quase todos eu já vivi. Hoje, pela primeira vez, quero inverter essa dinâmica. Quero que você me escute.
Meu nome é Renata, tenho quarenta e cinco anos e sou colombiana. Trabalho acompanhando casais e pessoas solteiras que querem se reconciliar com o próprio corpo, com aquilo que aprenderam a calar. Amo o que faço, não vou negar. Mas também sou uma mulher de carne e osso, e de toda essa carne eu vou falar sem pudor.
Não vou te dar o inventário completo de mim, prefiro que você imagine. Só vou te dizer que tenho um metro e sessenta e cinco, que tenho a pele da cor de canela tostada e olhos verdes que entregam mais do que eu gostaria. Sou de corpo cheio, com quadris largos e seios pesados, e aprendi faz muito tempo a andar como se o mundo inteiro estivesse me olhando. Quase sempre está.
Gosto da elegância simples, da que não grita. Um tecido macio roçando minhas costas, um perfume que fica na nuca, uma conversa que começa falando de qualquer coisa e termina em um terreno que nenhum dos dois planejou pisar. Minha energia fala antes da minha boca. Descobri isso muito jovem, e desde então não parei de usar.
Estudei psicologia por curiosidade sobre o desejo, não vou mentir. Enquanto minhas colegas se interessavam pela infância e pelos traumas, eu só queria entender por que o corpo se rende onde a razão diz que não. Essa pergunta me levou a me especializar em intimidade, e essa especialização me deu o passe perfeito para explorar tudo o que eu já queria explorar.
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Vou te contar de onde eu venho, porque sem isso o que vem depois não faz sentido.
Meu primeiro casamento foi confortável e morno, como uma cama recém-arrumada em que ninguém quer amarrotar os lençóis. Eu o amei, de verdade, mas o desejo foi secando em silêncio até que um dia percebi que fazia meses que eu fingia cansaço para não precisar fingir outra coisa. Me separei sem escândalo. E a mulher que saiu desse casamento era uma desconhecida faminta.
Foi nessa época que um casal amigo me convidou pela primeira vez para um encontro diferente. Falaram com rodeios, me sondando, esperando que eu me assustasse. Mateo e Lucía estavam juntos havia quase uma década e tinham aquela cumplicidade de quem já não mente um para o outro. Eles me falaram do ambiente, das regras, do respeito que sustentava tudo aquilo. E eu, que ouvia confissões alheias todos os dias, senti que finalmente alguém me oferecia viver a minha.
—Você vem só para olhar, se quiser —me disse Lucía naquela tarde, com um sorriso que não tinha nada de inocente—. Ninguém vai te tocar sem que você peça.
O problema era que eu já queria pedir.
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A casa ficava nos arredores, no fim de uma estrada ladeada por árvores. Lembro do som da brita debaixo das rodas e das minhas próprias mãos apertando o volante mais do que o necessário. Eu tinha colocado um vestido preto, simples, que se ajustava onde precisava ajustar e caía solto no resto. Por baixo, quase nada. Eu tinha prometido a mim mesma no espelho: naquela noite eu ia deixar de ser a que escuta.
Lá dentro a luz era quente e baixa, havia música suave e um murmúrio de risadas sem pressa. Ninguém se atirou em ninguém. Isso foi a primeira coisa que me surpreendeu e o que me fez ficar: a cortesia. Os copos, os olhares que se sustentavam por um segundo a mais, as conversas que avançavam como uma maré lenta. O desejo ali não era gritado, era cozido em fogo baixo.
Mateo me entregou uma taça de vinho tinto e ficou perto, sem me invadir.
—Lucía diz que é sua primeira vez aqui —comentou.
—É —admiti—. Mas não sou nova em desejar coisas que supostamente eu não deveria.
Ele riu baixinho, daquele jeito que os homens riem quando aprenderam a ter paciência. E eu senti o calor subir do ventre, esse calor antigo que conheço bem demais, o mesmo que só de lembrar agora me obriga a apertar as pernas enquanto escrevo para você.
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Não vou te contar tudo de uma vez. Isso seria trair a arte da antecipação, e se aprendi alguma coisa é que o desejo cresce no que demora.
Mas vou te dizer o essencial daquela noite, porque marcou a mulher que eu sou hoje.
Foi Lucía quem me levou pela mão até um quarto reservado. Não Mateo. E essa decisão dela, tão direta, me desmontou por completo. Sentei na beira da cama e ela ficou de pé diante de mim, me olhando como quem estuda algo que vai saborear devagar.
—Relaxa —me disse—. Hoje à noite você não precisa entender nada. Só sentir.
Ela desceu uma alça do meu vestido com um dedo, sem pressa, deixando que o tecido cedesse pelo próprio peso. Eu, que tinha colocado em palavras o prazer de centenas de pessoas, fiquei sem nenhuma. A boca dela encontrou primeiro o meu pescoço, depois a curva do ombro, e cada beijo ia apagando meus anos de prudência. As mãos dela conheciam o mapa de um corpo de mulher porque era o mesmo que o seu, e essa certeza me deixou líquida.
Quando Mateo entrou mais tarde, o fez em silêncio, e ficou um momento encostado ao batente da porta só nos olhando. Não havia urgência no olhar dele. Havia desejo, sim, mas sobretudo havia uma espécie de admiração tranquila que me fez sentir, pela primeira vez em muito tempo, profundamente vista.
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Saí daquela noite transformada, e não pelo que era evidente.
Saí entendendo que o desejo bem cuidado não é caótico nem sujo, como tantos me ensinaram a acreditar. Que se pode compartilhar o corpo com honestidade, com regras claras e com um respeito que muitas relações convencionais bem que gostariam de ter. Que a culpa é quase sempre um empréstimo que tomamos dos outros e pagamos com a nossa própria vida.
O mundo swinger eu experimentei a fundo depois disso. Não de forma atropelada, mas com a curiosidade metódica de quem quer compreender o que ama. Fui a mais encontros, conheci mais pessoas, aprendi a ler um olhar do outro lado de uma sala e a dizer sim ou não com a mesma serenidade. Cada experiência me ensinou algo novo sobre os limites, os meus e os dos outros, sobre como se negocia o prazer entre adultos que se respeitam.
E tudo isso, sem eu planejar, acabou me tornando melhor no meu trabalho. Quando um casal se senta na minha frente, assustado por uma fantasia que nem ousa nomear, eu não preciso de manual. Conheço esse medo por dentro. Conheço também o que há do outro lado, quando alguém se atreve a atravessar.
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Vou te confessar mais uma coisa, porque sinceridade pela metade não me serve.
Sou uma mulher muito quente. Digo isso sem coquetismo, como quem descreve a cor dos próprios olhos. Há noites em que lembrar uma dessas cenas me deixa inquieta, com o corpo aceso e a mente revendo cada detalhe, e não me resta alternativa senão buscar eu mesma o alívio para conseguir dormir em paz. Levei anos para deixar de me envergonhar disso. Hoje eu celebro. Acho, na verdade, que foi exatamente essa fome que me empurrou a estudar o desejo em vez de fugir dele.
Nos meus relatos você vai encontrar de tudo. Encontros entre mulheres que começaram como o de Lucía e eu. Tríos em que ninguém sobrava. Noites em lugares públicos em que o risco fazia parte do prazer. Traições que eu não defendo, mas também não vou maquiar, trocas, jogos que pareciam ir longe demais até eu descobrir que mal estavam começando. É tudo fogo vivo, como minha avó diz de qualquer coisa que arde.
Mas não quero me adiantar. Cada história merece seu espaço, sua tensão, seu tempo. Quis que esta primeira entrega fosse só isso: uma apresentação honesta, uma mão estendida, um convite.
Se você chegou até aqui, já sabe quem eu sou. Uma mulher que deixou de pedir permissão. Uma que aprendeu que o corpo, quando é escutado, diz verdades que a boca cala. E uma que, depois de tantos anos recebendo confissões alheias, finalmente decidiu contar as suas.
Não perca nenhum dos meus relatos. O que vem depois queima mais do que isso, eu prometo.
Até a próxima. Deixo você com a curiosidade e com um beijo lento.





