O que aconteceu na praia naturista ao cair do sol
Só queria ver o sol se pôr e fotografar o mar. Então ouvi outra bicicleta se aproximando pela areia, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Só queria ver o sol se pôr e fotografar o mar. Então ouvi outra bicicleta se aproximando pela areia, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Marquei três e meia quando entrei naquele banheiro deserto. Não passei o trinco. Foi o erro — ou o acerto — que mudou para sempre o que eu achava saber sobre mim.
O braço que descansava sobre seu abdômen não era o da namorada. Era pesado, quente, masculino. E Bruno não se lembrava de absolutamente nada da noite anterior.
Quando abri os olhos na sauna a vapor, ele já estava me olhando. E eu sabia perfeitamente quem era, embora jamais tivesse imaginado tê-lo tão perto.
Saí da academia com o corpo ainda pegando fogo e entrei pela trilha de terra para fumar sossegado. Não esperava que aquele carro preto parasse justo atrás de mim.
Escolheu o mictório ao lado sem pensar. Quando seus olhares se encontraram no espelho, soube que nenhum dos dois tinha entrado ali só para lavar as mãos.
Na sexta, por volta das dez, o ginásio quase vazio e um cara que pegava o dobro no banco ao lado. Bastou um olhar no espelho para tudo sair do eixo.
Eu tinha nadado três mil metros até a exaustão e só queria a água quente nos ombros. Então ele se virou sob o chuveiro ao lado e eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Iván e Nico entraram como se o ático já fosse deles, e antes mesmo de cumprimentar nos empurraram contra a parede da sala.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Reconheci o sorriso de demônio encostado no balcão, com a toalha preta e o arnês vermelho, e soube que aquela noite a sauna inteira seria testemunha da nossa história.
Quando a porta se fechou e engoliu a última luz, só existiam as mãos, as bocas e a voz de Mateo dizendo que naquela noite eu era dele.
Quando entramos nus e pingando, os três caras que se ensaboavam se afastaram sem dizer nada e nos deixaram o centro, como se soubessem que a noite ainda não tinha acabado.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Ele tinha namorada e pagava de durão, mas naquela noite, trancados no cubículo do banheiro, foi ele quem me agarrou pela nuca e pediu que eu chupasse direito.
Perdemos o jogo e caminhávamos rumo ao metrô quando um carro de luxo parou ao nosso lado. O homem ao volante tinha uma proposta que nenhum de nós esperava.
Eram duas da manhã quando ele aceitou cruzar minha porta. Só me pediu três coisas, e a terceira era a que mais me excitava: poder voltar atrás quando quisesse.
Andrés guardou o cartão por dois dias sem se atrever a escrever. Quando finalmente o fez, não imaginou que naquela mesma noite estaria nu contra a parede do próprio hall.
Ele achava que estava sozinho sob a água, até que um braço lhe rodeou o pescoço pelas costas e uma voz rouca sussurrou no seu ouvido o que já era óbvio.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.