Esposa e mãe de dia, prostituta de noite
Naquela noite deixei meus filhos dormindo, me vesti como uma secretária e desci ao estacionamento tremendo. Ia me postar numa esquina à espera de clientes.
Naquela noite deixei meus filhos dormindo, me vesti como uma secretária e desci ao estacionamento tremendo. Ia me postar numa esquina à espera de clientes.
Tirei a rola fingindo mijar sob a árvore, esperando ver se aquele desconhecido se atrevia a se aproximar na penumbra do parque.
Marquei de vê-lo pelo app em vinte minutos. Não imaginei que naquela mesma noite um desconhecido ia decidir por mim o que meu corpo faria e para quem eu o entregaria.
Tenho cara de tarada e todos percebem. No último vagão, apertada contra corpos desconhecidos, deixo minhas mãos fazerem o que minha cabeça já decidiu.
O semáforo continuava vermelho, a foto dele ainda estava na minha tela e minhas mãos já tinham parado de pedir permissão. Eu só precisava chegar em casa. Ou não.
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Aquela mancha morna no meu vestido mudou tudo: pela primeira vez entendi o que era desejar e ser desejada, e não quis mais voltar atrás.
Colocaram a fita azul no meu pescoço, a única diferente das demais, e desci aquelas escadas sabendo que aqueles seis homens iam descobrir o que eu escondia.
Marcos me deixou passar primeiro, como um cavalheiro com o sorriso torto. Lá dentro, sobre uns caibros, dois desconhecidos me olhavam com a mão já no zíper.
Minha família foi viajar e eu me vi sozinha com uma lingerie vermelha, um app anônimo e um estranho que topou me foder em cinco minutos.
Só me visto quando tenho um encontro, sempre num quarto de hotel, e naquela noite o desconhecido que me esperava não fazia ideia do que encontraria sob meu vestido.
Voltei depois de vinte anos a uma cidade do sul. Nessa noite, num hotel da zona vermelha, duas desconhecidas decidiram que eu não ia dormir sozinho.
Passada a meia-noite, coloquei os saltos vermelhos, abri o portão com o controle e saí para caminhar. Só queria me sentir vista. Não esperava que alguém parasse.
Ele me observava da poltrona enquanto eu me ajoelhava diante do desconhecido que eu tinha escolhido no balcão do bar. Era minha primeira noite sendo puta.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Eu já tinha tentado antes e só sentira dor. Numa noite de hotel com um desconhecido, descobri o quanto eu estava enganada.
Eu gostava de me sentir olhada, desejada, escolhida entre todas. Nessa noite um homem do campo me tirou da pista e me levou a um lugar sem volta.
Caminhei até o parque chupando um pirulito, com a saia tão curta que o ar fresco roçava minha pele, sabendo que qualquer um que passasse poderia me ver.
Ele passou dez minutos espiando meus pés no ponto de ônibus. O que não imaginava era que eu o levaria ao meu andar e o colocaria de joelhos antes do anoitecer.
Segui a moça para a rua convencido de que seria só mais uma noite. Não imaginava o que ela escondia sob aquele vestido colado nem até onde iria me levar.