O que imagino quando um desconhecido se senta ao meu lado
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Saí de bicicleta sem calcinha, com o celular vibrando de mensagens que eu não devia ter aberto. O caminho estava vazio, mas eu me sentia observada por todos.
Fechei os olhos por um segundo e, quando os abri, uma sombra enorme tapava o sol. O que aconteceu depois só existia na minha imaginação… até aquela tarde.
Você olhava para os lados, certa de que estava sozinha, quando ergueu o vestido no meio da garagem. Não viu que, duas vagas adiante, alguém vinha te observando havia tempo.
Sentei entre um homem mais velho e um rapaz que estava um pecado. Então o trem freou em seco, as luzes se apagaram e uma mão procurou a minha.
A loja estava fechada e ela tinha a manhã livre. O motorista percebeu antes dela, e aquele sorriso no espelho fez ela pensar coisas que não devia.
Desci descalça à capela à meia-noite para pedir perdão pelos meus sonhos. Não imaginava que algo me esperava enroscado nas sombras, pronto para me ensinar o que meu corpo calava.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Ela não buscava amor nem companhia. Buscava ser olhada, desejada, imaginada nua sob o vestido. Naquela noite, decidiu ser puro fogo.
Ela foi ao claro em busca de silêncio e encontrou tochas, corpos nus e dezenas de máscaras de cervo que a esperavam como se sempre soubessem que naquela noite ela voltaria.
Eu passava semanas imaginando uma noite assim, sem nomes nem promessas. O que eu não imaginei foi que ele estivesse me olhando do bar como se já soubesse de tudo.
Sou tímida com quase todo mundo, menos com meu marido. Por isso me surpreendi tanto ao desejar aquela desconhecida que se sentou na minha frente, como se me esperasse havia meses.
Eu mal chegava à altura do cotovelo dele quando ele me pegou pela mão. Em seis minutos, descobri que meu corpo não entendia as regras que eu mesma tinha imposto.
Acordei certa de que tinha sido só um pesadelo quente. Então vi a caixa sobre a mesinha da sala, igualzinha à do sonho, e o café escorreu da minha mão.
Ela chega às dez e meia, se encosta no ponto e cruza as pernas. Ela não sabe, mas na minha cabeça já fizemos tudo o que jamais teríamos coragem de fazer.
Minha amiga achou que a gente tinha saído para tomar ar. Eu já tinha escolhido minha presa: o moreno que brincava com o filho a dez metros de nós.
Quando o trem partiu sem mim, achei que a noite estava perdida. Então o vi do outro lado da plataforma, imóvel, me olhando como se me esperasse desde sempre.
O roupão de papel mal me cobria. Quando as mãos quentes dele desceram pelas minhas costas, eu soube que aquela sessão não terminaria como eu imaginava.
Saí de casa com um suéter que deixava tudo transparente e sem nada por baixo. Meu namorado caminhava atrás de mim, me olhando, enquanto os olhos dos outros me percorriam inteira.
Entrei no banheiro com a tanga vestida e saí com ela enroscada no cabelo. Não imaginava que a fila para entrar na sala seria a parte mais longa da noite.