Aquela tarde de calor diante dos pés de Brenda
Cheguei à casa dela por causa de um trabalho da escola e a encontrei de havaianas. A partir daí, nunca mais consegui olhar nos olhos dela sem pensar nos pés.
Cheguei à casa dela por causa de um trabalho da escola e a encontrei de havaianas. A partir daí, nunca mais consegui olhar nos olhos dela sem pensar nos pés.
Virei as costas para a câmera, movi os quadris devagar e esperei. Eu só queria que um estranho me dissesse o que fazer com o meu próprio corpo.
Nos fins de semana, eu não vou ao cinema pelo filme. Vou me sentar lá atrás, esperando que pés desconhecidos se apoiem em mim e decidam quanto eu aguento.
Era meia-noite em ponto quando atravessei o pátio descalço. As havaianas rosas dela ainda estavam ali, mornas, com a marca de cada dedo esperando por mim na escuridão.
Entrei na pós-graduação sem conhecer ninguém. Bastou ela cruzar as pernas e tirar uma sandália para eu parar de prestar atenção em qualquer outra coisa.
Assim que a reunião relaxa e ninguém está olhando, eu me esgueiro até o banheiro. Sei exatamente o que vou encontrar no cesto e sei perfeitamente o que vou fazer com isso.
Nunca tinha pago por algo assim. Marcamos numa terça de manhã, ela me entregou a sacola às pressas e eu não conseguia parar de pensar no que me esperava em casa.
Ela levantou a saia, me olhou fixo e disse para eu não ter vergonha, que todo mundo fazia. Ali eu soube que aquela noite não se pareceria com nenhuma outra.
Eu caçava esse momento havia anos em aeroportos e trens, mas nunca imaginei que uma desconhecida me deixaria adorar seus pés descalços em pleno voo.
Cada passo fazia o metal escondido sob sua saia soar. Vera aprendeu a viver encharcada, à beira, esperando a próxima agulha que ele cravaria em sua carne.
Quando fechamos a porta do quarto, deixamos de ser o casal certinho que todo mundo conhece. Lá dentro não há limites, só os que criamos para quebrá-los.
Na noite em que o esperei com a blusa entreaberta, soube que já não era a mesma mulher: eu havia me refeito por inteiro para acender o desejo de um só homem.
Trabalho entre mortos há anos e achei que já tinha visto de tudo. Até que aquele homem, deitado na minha mesa de aço, se moveu quando enterrei o bisturi em seu peito.
Desde criança, os balões me aterrorizavam e me excitavam ao mesmo tempo. Naquele aniversário, trancado no banheiro, descobri até onde essa contradição podia me levar.
Quando ela se ajoelhou no chuveiro e me olhou com aquele sorriso, soube que não havia volta: a fantasia dela e a minha estavam prestes a cruzar uma linha.
Três anos descalça, dois anéis nos dedos e a certeza de que, ao fim do dia, ele se ajoelhará para lamber cada marca do caminho que ela pisou.
Havia uma única condição que eu lhe pedi naquela tarde, e quando ela entrou pela porta eu soube, só pelo jeito que me olhou, que desta vez tinha decidido me obedecer por inteiro.
Subi para oferecer ajuda como um bom vizinho. Desci transformado em algo bem diferente, ajoelhado no banheiro dela e obedecendo a cada palavra que saía de sua boca.
Naquela noite, enquanto dirigia de volta para casa, soube que por trás do sorriso maroto dela havia uma nova ideia. E que eu não conseguiria tirá-la da cabeça.
Durante anos aceitei para agradar e depois corria ao banheiro para cuspir. Com ele descobri que a barreira mais difícil de derrubar era também a que escondia mais prazer.