O banho que me fez chegar tarde naquela manhã
Desliguei o despertador com uma única ideia na cabeça e soube que aquele banho ia demorar muito mais do que devia.
Desliguei o despertador com uma única ideia na cabeça e soube que aquele banho ia demorar muito mais do que devia.
O alarme tocou às dez e eu não pretendia sair da cama. O que eu não sabia era que naquele sábado eu descobriria o quanto consigo me desejar quando ninguém me vê.
Fechei os olhos acreditando que estava sozinha. Quando senti a sombra na porta, já era tarde para fingir que eu não estava pensando nele.
Achei que tinha a jacuzzi só para mim. Com dois rapazes me observando da sauna, minha imaginação transbordou e minhas mãos seguiram o ritmo.
Nunca fui exibicionista, mas naquela tarde abri a cortina, coloquei uma cadeira em frente ao vidro e me despi sem saber quem observava.
Duas semanas sozinha, sem ninguém para tocar a porta. Tirei a lingerie vermelha, abri uma cerveja gelada e prometi não parar até ficar tremendo.
Eram nove da manhã, eu usava um vestido fácil de afastar e tinha um segredo vibrando entre as pernas. Nenhum motorista ao lado imaginava o que eu fazia.
Fiz dois rabos de cavalo, vesti um vestido curtinho sem nada por baixo e calcei meus tênis favoritos. Brinquei de garotinha inocente e acabei descobrindo algo em mim que não esperava.
Fechei a porta do banheiro, deixei o uniforme cair no chão e soube que naquela tarde eu não conseguiria pensar em mais nada além das mãos dele.
Nenhum homem me fez gozar. Descobri isso tarde, depois de anos de mãos alheias e orgasmos fingidos: o único corpo que sabia exatamente o que o meu queria era o meu próprio.
Prometi a mim mesma não me tocar até chegar em casa, mas entre o trabalho, a academia e um desconhecido bonito demais, meu corpo tinha outros planos.
O médico me mandou dois meses de repouso longe de tudo. Nunca imaginei que o descanso terminaria com minha filha se despindo devagar na minha frente.
Subi furioso para ralhar com ela pelo barulho, mas quando abri a porta e a vi assim, fui eu que fiquei sem palavras e sem vontade.
Cheguei em casa e ela se atirou no meu pescoço diante de todos. Ninguém desconfiava que aquele beijo na bochecha escondia a vontade que guardávamos a semana inteira.
Com a casa só para nós dois e ele de costas entre as roseiras, soube que naquela tarde eu não me contentaria em apenas observá-lo da janela.
Seu pai a observava da borda da água e, pela primeira vez, ela se perguntou o que se escondia por trás daquele olhar que a seguia a cada braçada.
Quando a vi descendo pela portaria às seis da manhã, com a mala maior que ela, entendi que aquele verão não seria como nenhum outro.
Ela se debruçou na grade para ver o carro do meu tio desaparecer, e eu me aproximei descalço por trás. Eu a observava assim havia anos. Naquela manhã, parei só de olhar.
Assim que o elevador se fecha, minha irmã me beija como se tivesse passado a semana inteira esperando por isso. E a verdade é que os dois estávamos.
Haviam se passado oito anos desde a última vez que a vi. Ela voltou feita mulher e com uma única ideia na cabeça: me provocar até eu ceder.