Meus dedos e a fantasia que não me deixa dormir
A fechadura trancada, a luz apagada e um único dedo bastando para me levar onde nenhum garoto da minha idade jamais soube me levar.
A fechadura trancada, a luz apagada e um único dedo bastando para me levar onde nenhum garoto da minha idade jamais soube me levar.
Marina desligou a televisão para dormir. Então começaram os sons sobre sua cabeça, e ela soube que naquela noite não ia pregar o olho por um motivo bem diferente do cansaço.
Vi suas pernas cruzando o palco e soube que não aguentaria o dia inteiro. O desejo me levou até a última porta do banheiro, sozinha com minha própria urgência.
Achavam que eu estava dormindo. Do corredor, ouvi cada palavra, cada risada baixa, cada coisa que disseram sobre mim. E, em vez de me indignar, fiquei quieta, ouvindo.
A parede era fina, minha cama rangia contra ela e, numa manhã, encontrei uma nota enfiada sob minha porta. Alguém tinha escutado tudo.
Fechei os olhos para imaginar um desconhecido, mas quando os abri descobri que metade da obra me observava do andaime. E eu não quis parar.
Eu estendia a roupa de madrugada, com frio e entediada, quando algo no silêncio do pátio me acendeu por dentro e eu não quis mais parar.
Eu estava fazendo a tarefa quando o calor entre minhas pernas me distraiu. O que fiz depois com esse copo de gelo mudou a forma como eu me via.
Fechei os olhos buscando o sono e o que encontrei foram umas mãos desconhecidas que me seguravam na escuridão e não me deixavam escapar.
O vídeo chegou sem aviso: ele no carro, com o semáforo vermelho e uma mão fora do volante. Eu soube que não aguentaria até chegar em casa.
Nunca tinha se masturbado no trabalho. Mas naquela manhã, com o celular cheio de imagens da vizinha e a porta sem tranca, descobriu o quanto o risco a excitava.
Sabia que ninguém me via naquele depósito escuro. Só o manequim nu do canto testemunhou o que eu fazia pensando nela, a costureira da saia mais curta.
Tirei a roupa por causa do calor, fechei os olhos e, de repente, ela estava ali, com sua lingerie preta, sentando sobre mim na minha cama vazia.
Faz cinco semanas que você não aparece, e esta noite, com a casa toda só para mim, decidi que não ia esperar mais para terminar o que você deixou pela metade.
Naquela tarde eu não precisei de vídeo nenhum. Bastou fechar os olhos para viajar até uma varanda onde alguém me via gozar e o resto deixou de importar.
«Feche a porta com chave e tire a roupa», foi a primeira coisa que você ouviu da minha voz naquela noite. O resto dependia de quanto você quisesse obedecer.
Passamos quase um ano nos despindo diante da câmera sem nos conhecermos. Quando entrei na cafeteria e me sentei ao lado dele, nós dois ficamos sem ar.
Demorou quarenta e oito horas para chegar. Quarenta e oito horas em que cada roçar do tecido na minha pele me lembrava do que vinha a caminho.
«Coloque a música que eu disse e comece a se despir devagar. Sem pressa: esta noite mando eu, mesmo que estejamos a centenas de quilômetros.»
Levei anos para entender o que meu corpo me pedia. E, quando finalmente entendi, já não havia como voltar atrás nem me contentar com pouco.