O que aconteceu no corredor do hospital naquela noite
Uma lâmpada do corredor cedeu e se apagou. Na penumbra, as mãos dela envolveram minha cintura e eu soube que passara anos esperando aquele instante sem ousar nomeá-lo.
Uma lâmpada do corredor cedeu e se apagou. Na penumbra, as mãos dela envolveram minha cintura e eu soube que passara anos esperando aquele instante sem ousar nomeá-lo.
Bastou um olhar de Renata para eu entender: ela tinha visto tudo na tarde anterior e agora queria a sua parte, sem chance de recusa.
Cris abriu a cortina do provador no meio da troca de roupa e, em vez de me afastar, eu me ajoelhei. O que aconteceu depois mudou tudo o que veio com Hugo.
A única coisa que ele tinha que fazer era olhar. Sem tocar, sem falar. Mas quando ela deixou a calcinha cair no assoalho do vagão, ele já não sabia onde pôr os olhos.
Atrás de cada um dos três buracos podia haver qualquer um. Eu não via nada. Só sentia mãos, bocas e um olhar conhecido me observando do outro lado.
Eu usava o vestido vermelho e nada por baixo. Ele caminhava atrás com o telefone ligado. Cada olhar que ficava em mim acabava arquivado na galeria dele.
Entreguei a nota dobrada e um preservativo sem dizer uma palavra. Ele leu, me olhou de cima a baixo e só disse: vem comigo. Não pensei com clareza por horas.
Mandei uma foto da minha boceta aberta do banheiro da cafeteria. O que aconteceu depois, diante daquela janela, ainda me faz tremer as pernas.
Estreei os tênis num sábado cedo, sem imaginar que voltaria para casa com o short úmido por motivos que não tinham nada a ver com correr.
Desci para a pista achando que controlava a situação. Três horas depois eu era só um observador de algo que já não me pertencia.
Coloquei a saia por baixo da calça, entrei no carro e deixei que ele escolhesse meu nome. Naquela noite, parei de fingir o que não era.
Tinha vinte anos e um namorado me esperando em casa. Naquela tarde de calor, junto à piscina, descobri o quanto o corpo pode arder quando alguém decide se deixar levar.
Há coisas que uma nunca conta a ninguém. Esta é a que guardei por anos, a que ainda me faz tremer quando passo em frente àquele cinema.
Eu passava semanas me masturbando toda noite, imaginando o que ela vivia na pele. Até que numa quinta eu me pus diante do espelho e decidi parar de imaginar.
Naquela noite descemos vinte e dois degraus até o porão onde o saxofone tocava. O que aconteceu lá embaixo ainda não contei para ninguém.
Cruzei os braços para esconder o que o frio da sala tinha denunciado em mim. Então ele se sentou ao meu lado, sem pedir permissão, como se a poltrona fosse dele.
Desci as escadas daquele porão com o coração na garganta e, antes de pensar duas vezes, já estava de joelhos na cabine do fundo.
Ela podia embaçar uma cidade inteira com seu desejo, mas naquela noite foi Renata quem fechou o cadeado, guardou a chave no bolso e sorriu como uma carcereira apaixonada.
Eu cobrava caro e escolhia com quem. O convite para o iate parecia mais um trabalho, até que na praia apareceu o único homem que me tratou diferente.
Avancei ao lado da minha patrocinadora, não atrás dela como os outros casos. Eu era o mais bem avaliado, e naquela noite todas queriam me comprar.