O velho do parque me levou a uma trilha no escuro
Tirei a rola fingindo mijar sob a árvore, esperando ver se aquele desconhecido se atrevia a se aproximar na penumbra do parque.
Tirei a rola fingindo mijar sob a árvore, esperando ver se aquele desconhecido se atrevia a se aproximar na penumbra do parque.
Eu ainda tinha quarenta minutos de aula, a câmera ligada e o dildo inteiro dentro de mim. Só precisava manter o rosto imóvel. Era tudo.
Na primeira tarde, ela saiu para a terraça com a toalha dependurada por apenas dois dedos. Lá embaixo havia gente. Em cima, varandas vizinhas. E ela acendeu um cigarro sem pressa.
Marquei de vê-lo pelo app em vinte minutos. Não imaginei que naquela mesma noite um desconhecido ia decidir por mim o que meu corpo faria e para quem eu o entregaria.
Tenho cara de tarada e todos percebem. No último vagão, apertada contra corpos desconhecidos, deixo minhas mãos fazerem o que minha cabeça já decidiu.
O semáforo continuava vermelho, a foto dele ainda estava na minha tela e minhas mãos já tinham parado de pedir permissão. Eu só precisava chegar em casa. Ou não.
Aquela mancha morna no meu vestido mudou tudo: pela primeira vez entendi o que era desejar e ser desejada, e não quis mais voltar atrás.
Passada a meia-noite, coloquei os saltos vermelhos, abri o portão com o controle e saí para caminhar. Só queria me sentir vista. Não esperava que alguém parasse.
Ele me mandou a foto enquanto meu marido dirigia ao lado. Eu não respondi, mas aquela imagem não saiu da minha cabeça o dia inteiro.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Caminhei até o parque chupando um pirulito, com a saia tão curta que o ar fresco roçava minha pele, sabendo que qualquer um que passasse poderia me ver.
Fechei a porta, beijei-o sem permissão e entendi que não iria embora até conseguir exatamente o que tinha ido buscar, com a sala inteira ouvindo.
Vinte anos casados e cada um escondia seu próprio segredo: ele em banheiros alheios, eu ainda sem saber o que aquela mulher da ioga estava prestes a despertar em mim.
Eu o vi pelo retrovisor: esportivo, com um volume marcado sob a lycra, esperando um sinal meu. Subi os vidros e ainda duvido do porquê.
Nunca tinha deixado tantos olhos me percorrerem ao mesmo tempo. E o pior — ou o melhor — é que meu marido aproveitava cada segundo do bar.
Pedi que ela abrisse as pernas no posto e o frentista quase arregalou os olhos. Naquela manhã entendemos que o tesão de ser observados podia com a gente.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Quando ela entrou no táxi de confiança com um vestido curto e sem nada por baixo, nem ela nem o motorista imaginavam até onde o jogo diante do retrovisor iria chegar.
“A paciência é uma virtude”, ele disse sem erguer os olhos do café. E eu, que estava havia um mês sem permissão para terminar, soube que o teste começava ali.
Naquela noite eu não levava camisinha na bolsa nem intenção de pedir que ele colocasse uma. Só queria sentir até onde éramos capazes de ir.