A confissão da minha lua de mel em Cartagena
Na primeira tarde, ela saiu para a terraça com a toalha dependurada por apenas dois dedos. Lá embaixo havia gente. Em cima, varandas vizinhas. E ela acendeu um cigarro sem pressa.
Na primeira tarde, ela saiu para a terraça com a toalha dependurada por apenas dois dedos. Lá embaixo havia gente. Em cima, varandas vizinhas. E ela acendeu um cigarro sem pressa.
Marquei de vê-lo pelo app em vinte minutos. Não imaginei que naquela mesma noite um desconhecido ia decidir por mim o que meu corpo faria e para quem eu o entregaria.
Tenho cara de tarada e todos percebem. No último vagão, apertada contra corpos desconhecidos, deixo minhas mãos fazerem o que minha cabeça já decidiu.
O semáforo continuava vermelho, a foto dele ainda estava na minha tela e minhas mãos já tinham parado de pedir permissão. Eu só precisava chegar em casa. Ou não.
Aquela mancha morna no meu vestido mudou tudo: pela primeira vez entendi o que era desejar e ser desejada, e não quis mais voltar atrás.
Passada a meia-noite, coloquei os saltos vermelhos, abri o portão com o controle e saí para caminhar. Só queria me sentir vista. Não esperava que alguém parasse.
Ele me mandou a foto enquanto meu marido dirigia ao lado. Eu não respondi, mas aquela imagem não saiu da minha cabeça o dia inteiro.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Caminhei até o parque chupando um pirulito, com a saia tão curta que o ar fresco roçava minha pele, sabendo que qualquer um que passasse poderia me ver.
Fechei a porta, beijei-o sem permissão e entendi que não iria embora até conseguir exatamente o que tinha ido buscar, com a sala inteira ouvindo.
Vinte anos casados e cada um escondia seu próprio segredo: ele em banheiros alheios, eu ainda sem saber o que aquela mulher da ioga estava prestes a despertar em mim.
Eu o vi pelo retrovisor: esportivo, com um volume marcado sob a lycra, esperando um sinal meu. Subi os vidros e ainda duvido do porquê.
Nunca tinha deixado tantos olhos me percorrerem ao mesmo tempo. E o pior — ou o melhor — é que meu marido aproveitava cada segundo do bar.
Pedi que ela abrisse as pernas no posto e o frentista quase arregalou os olhos. Naquela manhã entendemos que o tesão de ser observados podia com a gente.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Quando ela entrou no táxi de confiança com um vestido curto e sem nada por baixo, nem ela nem o motorista imaginavam até onde o jogo diante do retrovisor iria chegar.
“A paciência é uma virtude”, ele disse sem erguer os olhos do café. E eu, que estava havia um mês sem permissão para terminar, soube que o teste começava ali.
Naquela noite eu não levava camisinha na bolsa nem intenção de pedir que ele colocasse uma. Só queria sentir até onde éramos capazes de ir.
Ninguém naquela casa sabia o que eu escondia sob o vestido preto. Ninguém, exceto ele, o desconhecido de máscara a quem eu entreguei isso num corredor escuro.
Achei que estava sozinho entre as árvores, até que um estalo mudou tudo e eu entendi o quanto desejava ser encontrado assim, nu e entregue.