A garota da vitrine me escolheu entre todos
Meus amigos passeavam rindo entre vitrines. Eu parei diante da dela e, pela forma como me devolveu o olhar, soube que aquela noite não era para eles.
Meus amigos passeavam rindo entre vitrines. Eu parei diante da dela e, pela forma como me devolveu o olhar, soube que aquela noite não era para eles.
Desci para o corredor do banheiro quando ninguém mais olhava. Primeiro ouvi a voz dele, depois a dela. Não abri a porta. Fiquei imóvel, ouvindo minha vida se partir.
Subi na van de um grupo de gringos sem pensar duas vezes. Meu namorado levaria dez minutos para voltar do supermercado. Eu só precisava de um.
Aos cinquenta e dois anos, com um casamento morno e meias de renda, Renata embarca num ônibus. O que não esperava era o homem que subiria duas paradas depois.
Saí do banheiro com a boca torta e um novo pulsar. Ela, com a marca vermelha do meu batom nos lábios, não sabia que o namorado já a estava observando.
Quando ela tirou o vestido no meio da clareira, com a barriga enorme sob o sol e os três amigos do filho olhando para ela, eu soube que aquela tarde não seria um simples passeio.
Às três da manhã, pedi que ela abrisse a porta da barraca. Nunca pensei que ela diria sim, muito menos o que viria depois na praia.
Quando ela desceu do carro e todos os homens do salão viraram a cabeça, entendi que naquela noite minha esposa não era minha: era de quem tivesse coragem de olhá-la.
Quando vi o corpo nu dele sobre a toalha azul, soube que não iria embora sem cumprir teu pedido. Ainda não o tinha tocado e ele já começava a reagir ao meu olhar.
Achei que a última fileira da estreia me deixaria em paz com ele. Demorei a entender que, naquela sala escura, ninguém estava realmente sozinho.
Contei aos caras do bar que gostava de homens e, sem querer, abri uma porta que não poderia mais fechar. Nessa mesma noite, alguém me seguiu ao banheiro.
Quando abri a porta do apartamento vazio, não esperava vê-lo ali com aquele sorriso. A cliente estava atrasada e o relógio marcava, em silêncio, nossa única chance.
Quando chegamos naquela noite, minha mulher já estava com o plug enfiado. O que não esperávamos era cruzar com um garoto de dezenove anos que mudaria a rotina.
Quando me inclinei pela janela do carro para ver se minha irmã ainda estava acordada, descobri ele na janela, fumando. E soube que não ia desviar o olhar.
Queria que olhassem para ela. Que a devorassem com os olhos. O que eu não esperava era que um dos desconhecidos do fundo ousasse procurá-la no chuveiro.
Quando a mão dele pousou na minha cintura e ele sussurrou «oi, bebê», achei que fosse para alguma das minhas amigas. Ao me virar, entendi que aquela noite não terminaria como eu esperava.
Por trás dos óculos escuros, ninguém sabe para onde um homem olha — e naquela tarde de julho ele decidiu olhar muito além da linha do guarda-sol.
Saí para fumar no escuro e vi: agachado atrás da palmeira, com o olhar cravado na janela onde ela se despia sem saber que estava sendo olhada por dois.
A toalha mal me cobria quando bati na porta do vizinho do sétimo. Ele aceitou me ajudar a abrir o apartamento só se eu deixasse cair a única coisa que me cobria.
Eu queria pregar uma peça acendendo as velas diante do barracão. Quando empurramos a porta, ninguém riu: meu filho estava contra o móvel e o pai do amigo não parava.