A mensagem da mulher do meu companheiro de terapia
O número não estava na minha agenda, mas as duas primeiras frases me obrigaram a ler até o fim. O que veio depois mudou tudo o que eu lembrava de sábado.
O número não estava na minha agenda, mas as duas primeiras frases me obrigaram a ler até o fim. O que veio depois mudou tudo o que eu lembrava de sábado.
Entrei no banheiro como um homem e saí com um minivestido e plataformas. Minha namorada me esperava na sala com três desconhecidos e um sorriso que dizia tudo.
Usava minissaia, meias pretas e óculos de sol que me impediam de saber quando ela me flagrava. Até que parou de disfarçar e começou a brincar comigo.
O recepcionista piscou para ele ao entregar a toalha. Aquele gesto foi só o começo: em cada sala, um corpo diferente e uma tesão nova o esperavam.
Desci do ônibus com a cabeça quente e as calças apertadas. Sabia por que ia ao baldio, mas não que sairia fodido três vezes seguidas.
Entre caixas e com a porta mal fechada, ela mordeu o lábio para não gritar enquanto eu a segurava colada ao meu peito. Ninguém devia nos ouvir.
Eram onze da manhã e a enseada estava vazia, salvo por um rapaz que fingia não me olhar. Meu marido nadava e eu sentia os olhos dele cravados em cada centímetro da minha pele.
A Polaroid pendia do meu pescoço quando ela apareceu sob o umbral, descalça e sorrindo, escoltada por dois homens que eu não conhecia de nada.
Quando Diego fechou a porta da van e desapareceu em direção às luzes do supermercado, eu soube que tinha meia hora para fazer tudo o que vinha imaginando havia meses.
Três da manhã. Uma camisola curta. Nada por baixo. E a sensação de que cada poste do parque era um olho curioso esperando que eu desse mais um passo.
Estávamos sozinhas diante do espelho. Eu arrumando o batom; ela me olhando com uma intensidade que já não era amizade. E então se aproximou.
Desci do carro com o casaco aberto, sem nada por baixo, e do outro lado da rua começaram a me apontar. Meu marido me olhava de longe, esperando ver qual eu escolheria.
Vi-a sair do carro para sacudir as migalhas da saia e, sem saber, soube naquele instante que ainda nos esperavam muitos quilômetros e pouquíssimas desculpas.
Quando descobri o vizinho espiando por cima do muro, não me cobri. Baixei o sutiã no chuveiro do quintal e deixei que ele visse tudo.
Mateo fez um gesto com a cabeça e subiu as escadas. Eu o segui sem pensar, sabendo que a namorada dele era minha melhor amiga e que nada mais podia nos deter.
Desceu para o restaurante sem calcinha e sem sutiã. Dizia que não sabia o que estava acontecendo com ela, mas eu começava a entender: naquele dia, iria cruzar todos os limites.
Cheguei cedo à piscina com um biquíni que deixava pouco à imaginação. Queria saber se a garota do sorriso safado topava algo a mais.
Desci ao banheiro às três da manhã e ouvi a risada da minha tia atrás da cortina. Meu pai apareceu atrás de mim com o mesmo sorriso cúmplice.
Lorena tirou a saída de praia diante de todos e me escolheu para contar os trinta segundos. Enquanto isso, minha mulher dormia na cabana sem suspeitar de nada.
Quando ela arrancou a toalha do meu corpo no alpendre e os vizinhos pararam de jantar para me olhar, entendi que aquele verão seria muito diferente do que eu havia imaginado.