O que fiz com o melhor amigo do meu marido
Naquela manhã eu não me arrumei nem sequei as lágrimas. Só disquei seu número e pedi que ele viesse sem avisar meu marido.
Naquela manhã eu não me arrumei nem sequei as lágrimas. Só disquei seu número e pedi que ele viesse sem avisar meu marido.
Nunca fomos amigas, mas ela me olhava com desprezo cada vez que o namorado dela ficava me encarando por tempo demais. E eu decidi dar a ela um motivo de verdade para me odiar.
Prometi a mim mesmo que seria só uma visita rápida ao bairro. Quando acordei de madrugada, ela ainda estava impecável ao meu lado, mas algo tinha mudado para sempre.
Aceitei o quarto que ele me alugou sem suspeitar de nada. Três semanas depois eu já planejava minha nova vida com ele, enquanto meu marido seguia me ligando toda noite.
Quando abri os olhos, o braço dela descansava sobre meu peito e a cama improvisada ainda cheirava à noite anterior. Eu ia embora logo, tinha prometido isso ao meu marido.
Cada vez que meu amigo cruzava a porta, ela trocava de roupa. Numa tarde, inventei uma desculpa, dei uma volta no quarteirão e entrei pelo pátio em silêncio.
A mulher dele iria viajar no dia seguinte e eu ainda dormia num colchão no chão. Quando ele tocou a campainha com a caixa de ferramentas, soube que algo ia acontecer.
Desci ao jardim para procurá-la e a encontrei atrás do vidro, sentada na cadeira, com seu assistente beijando suas pálpebras como se eu não existisse.
Pedi o quarto e apaguei as luzes para me deixar ser mimado como nunca. Até que minha mão procurou entre suas pernas e encontrou algo que jamais imaginei.
Eu estava de joelhos no banco do carona quando ele sussurrou o nome da namorada. Ergui o olhar pelo vidro escuro: ela vinha na direção do carro.
Bati na porta uma e mil vezes e ninguém abriu. Quando a recepção me deixou entrar, encontrei malas que não eram minhas debaixo da cama e um cheiro inconfundível.
Apertei enviar e deixei o celular virado para baixo. Não esperava resposta naquela mesma noite. Quando ele respondeu, eu soube que não havia mais volta.
No primário, ela me quis mais do que eu era capaz de retribuir. Vinte anos depois, a voz dela ao telefone soou igual, e minhas mãos tremeram.
Era a primeira vez que eu a via pessoalmente. Eu ia contar sobre a piscina e o salva-vidas, mas a mão dela na minha coxa mudou a conversa antes que eu terminasse a frase.
Quando entrei na sala vazia para trocar de roupa, a porta se abriu atrás de mim. Era ela, a presidente do centro de estudantes, e não vinha só com palavras.
Eu vinha redigindo o anúncio mentalmente havia meses; levei doze minutos para escrevê-lo, e meia hora depois já tinha sete respostas. A dele foi a quinta.
Por baixo daquela roupa larga e discreta havia uma fêmea com o desejo intacto. Eu só precisava esperar que ela parasse de fingir diante do marido.
Subi na árvore atrás do internato para confirmar o que já sabia. Não imaginei que vê-la com ele no balcão despertaria algo entre a raiva e o desejo que nunca tinha sentido.
Tranquei a porta e apaguei as luzes da sala de estudo. Tudo o que eu queria naquela tarde era consolá-la; tudo o que ela queria era esquecer o namorado.
Faltava uma hora para o jantar, as crianças viam desenhos na sala e eu atravessei o jardim procurando minha mulher. A porta da lavanderia estava entreaberta.