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Relatos Ardientes

O vídeo que gravamos juntos e nunca deveria ter voltado a ver

4.2 (50)
Ilustração do conto erótico: O vídeo que gravamos juntos e nunca deveria ter voltado a ver

Eram quase doze da noite e o teto do meu quarto tinha se transformado na minha única paisagem. Passei horas rolando entre os lençóis, com o celular ligado sobre o travesseiro e a mente agitada demais para se render ao sono. Já tinha esgotado as redes sociais, os artigos absurdos, os vídeos curtos que não diziam nada. Nada funcionava.

O silêncio da casa era total. Meus pais dormiam lá no fundo do corredor e minha irmã mais nova estava havia horas no quarto dela, com a porta fechada. Só se ouvia o zumbido suave do ar-condicionado e, de vez em quando, um carro distante cruzando a rua.

Foi então que eu senti. Aquela vibração baixa no ventre, aquele calor que começa sem aviso e se instala como se sempre tivesse estado ali. Eu conhecia bem essa sensação. Tinha descoberto com Andrés pouco mais de um ano antes e, desde então, ela me acompanhava nas noites longas, quando o cu pedia alguma coisa que a cabeça tentava ignorar. Senti a calcinha do shortinho que eu usava para dormir ficando úmida na virilha, aquela umidade morna que se infiltra sem pedir licença quando o corpo decide por você.

Fechei os olhos e tentei me concentrar em alguma imagem, em alguma lembrança, mas o cansaço me impedia. Minha imaginação parecia seca, incapaz de construir qualquer coisa que me levasse até onde eu precisava ir. E então me lembrei.

O vídeo.

Tinha sido gravado algumas semanas antes, num domingo à tarde no apartamento dele. Andrés morava sozinho havia poucos meses, num estúdio pequeno perto da universidade, e naquele dia resolvemos ficar na cama em vez de sair. Pedimos comida, colocamos uma série de fundo que nenhum de nós realmente assistia, e deixamos o tempo se consumir entre beijos lentos e carícias cada vez menos inocentes. Quando terminamos de comer, ele já estava com a mão enfiada debaixo do meu vestido e eu sentia o pau duro dele empurrando contra minha coxa por cima do jeans.

Cena 1 do conto: O vídeo que gravamos juntos e nunca deveria ter voltado a ver
La idea nace en su departamento

A ideia surgiu do nada. Enquanto ele tirava a camiseta, peguei meu celular da mesinha de cabeceira, abri a câmera e o apoiei sobre uma pilha de livros, buscando o ângulo que capturasse a cama inteira. Andrés me olhou com as sobrancelhas erguidas.

—Sério? —perguntou, com aquele meio sorriso que sempre me desarmava.

—Sério. Quero me ver depois quando você me foder —respondi, e apertei gravar.

Vi ele engolir em seco. Essas palavras sempre o acendiam mais rápido do que qualquer outra coisa. Ele abriu o botão da calça ali mesmo, com a câmera já rodando, e o pau pulou para fora, duro, grosso, com a cabeça brilhando. Eu me ajoelhei na frente dele na cama e o segurei com as duas mãos antes de enfiá-lo inteiro na boca.

O vídeo ficou salvo numa pasta protegida da minha galeria. Um arquivo pesado demais para o que continha. Nunca mais tínhamos visto juntos, nunca mais tínhamos mencionado. Era nosso segredo mais silencioso.

Mas naquela noite, sozinha na minha cama, com o pulso acelerado e as coxas apertadas sob os lençóis, resolvi abrir.

***

Desbloqueei a pasta com o código que só eu conhecia. Lá estava ele, entre fotos que prefiro não descrever e capturas de conversas cheias de putaria. O arquivo durava vinte e três minutos. Coloquei os fones, aumentei o volume só o suficiente e dei play.

A tela se iluminou com a penumbra do quarto dele. A única luz vinha da televisão ligada, que projetava sombras azuladas sobre os lençóis amassados. No centro do quadro estava eu, nua, deitada sobre o travesseiro com o cabelo solto caindo pelos ombros e as pernas abertas sem nenhuma vergonha. Custou a me reconhecer no começo. Eu me via diferente de fora, mais exposta, mais vulnerável, mais puta. Tinha o cu depilado e avermelhado, os lábios já inchados pelas carícias anteriores, brilhando sob a luz da televisão.

Andrés aparecia de joelhos entre minhas pernas. As mãos grandes seguravam minhas coxas abertas à força e a boca dele descia devagar, beijando a parte interna do meu joelho, subindo centímetro por centímetro enquanto eu, na tela, prendia a respiração. Quando chegou à virilha, parou de propósito, respirou fundo por cima do meu cu e soltou o ar quente sobre ele. Vi meu corpo tremer.

E eu, na minha cama, também tremi.

A língua dele saiu e deu a primeira lambida longa, de baixo para cima, percorrendo meus lábios molhados e parando bem no clitóris. Ele o chupou com os lábios fechados, sugando devagar, e minha versão gravada soltou um gemido grave que quase soou como um soluço. Depois subiu. As mãos percorreram minha cintura com os dedos estendidos e se detiveram nos meus peitos. Ele os envolveu com as palmas, apertando-os, afastando-os, acariciando meus mamilos com os polegares em círculos lentos até endurecerem como duas pedras sob seu toque. Ele se inclinou e colocou um deles na boca, mordendo de leve com os dentes enquanto puxava o outro com os dedos. No vídeo, soltei um gemido curto, quase involuntário, que me chegou direto pelos fones como se ele estivesse sussurrando no meu ouvido.

—Que gostosa você está —ele disse, com aquela voz rouca que ganhava quando estava excitado.

Senti um puxão úmido entre as pernas. Minha mão já estava sobre o peito esquerdo sem que eu percebesse, apertando o tecido fino da camisola, imitando o que eu via. Belisquei meu mamilo com delicadeza, depois com um pouco mais de força, e um arrepio me atravessou de cima a baixo. Com a outra mão, subi a camisola até o pescoço e deixei os peitos à mostra. A pele se eriçou ao sentir o ar frio sobre os mamilos molhados da minha própria saliva, onde eu acabara de chupar os dedos para imitar o calor da boca dele.

***

O vídeo avançava. Agora era eu quem tinha o controle. Eu estava ajoelhada na frente dele, com o pau entre as minhas mãos. Eu o acariciava com a língua, sem pressa, percorrendo da base à ponta antes de fechar os lábios ao redor e descer com aquele ritmo que eu havia aprendido a ler nas reações dele. Devagar no começo, firme depois. Tirei os ovos da calça com a mão livre e os acolhi enquanto minha boca subia e descia pelo pau dele, deixando um fio de saliva que escorria pela base. Vi-me tirando tudo de uma vez, com um som molhado e obsceno, batendo nele nas bochechas com aquilo, lambendo de lado como se fosse um sorvete, e voltando a engolir até a ponta tocar o fundo da garganta. Tive uma ânsia que me arrancou lágrimas, mas não soltei.

—Assim, puta, mama assim —ele gemeu na gravação, me segurando pelo cabelo e me empurrando mais fundo.

No vídeo, Andrés jogou a cabeça para trás e gemeu meu nome com uma voz quebrada que me encharcou na hora. Eu, na minha cama, senti uma gota morna escorrer pela dobra da coxa até o lençol.

Minha mão livre desceu pelo ventre, atravessou o elástico do short que eu usava para dormir e se enfiou entre as coxas. Eu estava encharcada. Muito mais do que esperava. Os dedos afundaram entre os lábios sem nenhuma resistência e saíram brilhando, pegajosos. Levei-os à boca e chupei, sentindo o gosto enquanto continuava olhando a tela. Depois voltei a descer e meus dedos encontraram meu clitóris inchado, começando a traçar círculos lentos, imitando a cadência que Andrés sempre usava comigo, aquela que ele conhecia melhor do que eu mesma.

Na tela, ele tirou o pau da minha boca com um puxão de cabelo e me deitou de novo sobre a cama. Ele se inclinou entre minhas pernas e a boca dele se pousou sobre mim com uma dedicação que me fez morder o lábio vendo aquilo. A língua dele se movia devagar, separando cada dobra, lambendo meu cu com aquela paciência que me enlouquecia. Depois ele meteu o dedo. Senti ele entrar, se mexer dentro, sair e voltar. Ele chupou o dedo médio e o deslizou para dentro enquanto continuava lambendo meu clitóris, curvando-o para frente, encontrando aquele ponto que me fazia gritar. Eu me via na gravação com as mãos agarradas aos lençóis, os quadris erguidos, a boca entreaberta, as coxas se fechando em torno da cabeça dele.

—Você vai me fazer gozar assim, não para —se ouviu minha voz suplicando, uma voz que eu mal reconhecia como minha.

Na minha cama, repeti cada movimento. Meus dedos se moviam mais rápido agora, escorregando sobre a umidade com uma facilidade que me arrancava suspiros que eu tentava abafar no travesseiro. Chupei o dedo indicador e o coloquei junto com o médio, sentindo o cu se abrir em torno dos nós dos dedos. O som dos meus próprios gemidos gravados me excitava de um jeito que eu não esperava. Era como estar dentro e fora ao mesmo tempo, ser protagonista e espectadora da minha própria foda.

***

A posição mudou. No vídeo eu estava de quatro, olhando diretamente para a câmera sem querer, com o cabelo caindo no rosto e a bunda no ar. Andrés estava atrás, de joelhos, com o pau na mão apontando para mim. Ele o passou pela minha fenda, de cima a baixo, molhando-o com meu líquido, batendo com a ponta no meu clitóris. Depois se posicionou na minha entrada e empurrou. Ele segurava minhas ancas com as duas mãos e entrava devagar, centímetro por centímetro, até eu sentir —lembrei de sentir— aquela pressão perfeita quando chegava ao fundo e os ovos roçavam meu clitóris.

—Olha como ele entra inteiro —disse na gravação, me dando uma palmada na bunda que soou como um tiro nos fones.

O som úmido de nossos corpos se encontrando enchia os fones com uma clareza obscena. Chape, chape, chape. Os ovos dele batendo contra meu cu a cada investida até o fundo. A cama rangendo. Meus gemidos cada vez mais altos, sem filtro, aqueles gritos de puta que eu só soltava com ele porque sabia que ele não ia me julgar por gozar.

Vi meu rosto naquele momento. Os olhos semicerrados, os lábios inchados, o suor colando meu cabelo na testa, a baba escorrendo em direção ao lençol. Vi-me entregue de um jeito que nunca tinha observado de fora. Não era só prazer. Era abandono total, uma rendição que me pareceu, vendo agora, quase bonita. E quase obscena. As duas coisas ao mesmo tempo.

Um gemido escapou de verdade. Tive que morder o travesseiro para não fazer barulho. Meus dedos já não se contentavam com círculos externos. Enfiei dois dentro de mim, curvando-os para cima para encontrar aquele ponto áspero que sempre me fazia tremer. Encontrei-o quase de imediato, inchado e sensível, e a pressão me arrancou um espasmo que arqueou minhas costas. Com a outra mão, apertei um peito com tanta força que doeu, torcendo o mamilo entre os dedos como se fosse a boca dele mordendo.

Na tela, Andrés aumentou o ritmo. A foda ficou bruta, animal. Ele me agarrou pelo cabelo com uma das mãos e puxou minha cabeça para trás enquanto com a outra segurava meu quadril e se enfiava até o fundo com estocadas que me empurravam para a frente. Depois pegou o telefone com uma mão e apontou para onde nossos corpos se uniam. Vi ele entrar e sair, brilhando pela minha umidade, abrindo meus lábios em torno do pau dele, com um anel branco do meu fluxo se formando na base cada vez que ele se enterrava por completo. Ele baixou o enquadramento e se viu como meu cu recebia cada golpe, como o meu cu engolia tudo e ainda pedia mais. O contraste entre a pele dele e a minha, a maneira como meu corpo o recebia, me pareceu tão íntima e tão crua que senti o orgasmo começando a se construir como uma maré.

—Vou te encher inteira —ele disse, ofegando—. Você vai ficar escorrendo.

—Isso, me enche, me enche o cu, não para —respondi eu, com uma voz que não parecia minha, uma voz de fêmea quebrada.

Meus dedos imitavam cada investida. Entravam e saíam num ritmo que eu já não controlava, enquanto meu polegar continuava esfregando meu clitóris sem parar. Os lençóis estavam úmidos debaixo de mim. Uma mancha morna se espalhava sob minha bunda. Minha respiração era um desastre de ofegos entrecortados que eu lutava para manter em silêncio, mordendo o dorso da mão livre para não acordar ninguém.

***

O vídeo chegou ao momento final. Andrés tinha me colocado de costas outra vez, com as pernas levantadas e os tornozelos apoiados sobre os ombros dele. Ele me fodia olhando nos meus olhos, fundo, batendo no fundo do cu a cada estocada. Ele se inclinou sobre mim, me dobrando quase ao meio, afastou meu cabelo do pescoço e me beijou logo abaixo da orelha. A voz dele, grave e quebrada, sussurrou alguma coisa que os fones me devolveram com uma nitidez devastadora.

—Goza para mim, puta. Goza comigo dentro.

Na tela, meu corpo inteiro se tensionou. Vi-me se contrair ao redor dele, vi minhas mãos se agarrando aos lençóis, ouvi meu próprio grito abafado contra o colchão. Minhas pernas se fecharam em torno do pescoço dele num espasmo. O cu pulsava visivelmente em volta da base do pau dele, ordenhando-o, sugando-o para dentro. Andrés tirou o pau no último segundo, justamente quando começava a gozar, e ejaculou sobre meu ventre com três jatos grossos que chegaram até entre meus peitos. Vi-me levar o dedo à barriga, recolher um pouco da porra quente dele e colocá-lo na boca, chupando-o enquanto o encarava.

Foi isso que me transbordou.

O orgasmo me atingiu com uma força que eu não esperava. Começou no ponto exato onde meus dedos pressionavam e se espalhou como uma descarga elétrica pelo ventre, pelas coxas, pelas costas. Arqueei as costas até levantar a bunda da cama e cerrei os dentes enquanto meus músculos internos se contraíam em torno dos dedos em ondas que pareciam não acabar. Uma, duas, três, quatro, cinco contrações longas que encharcaram minha mão inteira, que me fizeram soltar um jato morno que molhou o lençol até a altura dos joelhos. Gozei gemendo baixinho contra o travesseiro, sentindo o cu continuar pulsando mesmo depois de tirar os dedos, vazio e latejante, pedindo mais.

Nos fones, Andrés também chegava ao clímax. O gemido rouco dele se misturou aos últimos espasmos do meu corpo, como se ainda estivéssemos sincronizados apesar da distância, do tempo, de tudo o que já tinha se quebrado entre nós.

Quando abri os olhos, o vídeo seguia correndo em silêncio. A tela mostrava o quarto dele vazio, os lençóis bagunçados com uma mancha úmida no centro, a luz da televisão piscando sobre ninguém. Minhas mãos tremiam. Meu corpo inteiro tremia. Eu tinha os dedos grudando até o segundo nó e a coxa direita brilhava sob a luz do celular.

Virei os fones devagar, como se fossem algo frágil. Bloqueei o celular e o deixei virado para baixo sobre a mesinha de cabeceira. O silêncio do meu quarto me envolveu de repente, e com ele veio uma mistura estranha de satisfação e melancolia que eu não soube nomear. Chupei os dedos um por um antes de baixar a mão e limpá-la na borda do lençol.

***

Andrés foi embora dois meses depois. Uma oferta de trabalho em outra cidade, uma conversa difícil num café que cheirava a pão recém-assado, uma despedida que nenhum dos dois quis prolongar. Não houve drama. Só a certeza tranquila de que algumas coisas terminam não porque deixam de importar, mas porque a vida as empurra para lados diferentes.

Apaguei o vídeo uma semana depois que ele foi embora. Não por rancor nem por tristeza, mas porque senti que era o certo. Que guardá-lo seria me apegar a algo que já não me pertencia.

Mas às vezes, em noites como aquela, eu ainda consigo vê-lo de olhos fechados. Cada detalhe, cada som, cada sombra azulada sobre nossa pele. Cada gemido, cada palmada, cada jorro de porra sobre meu ventre. Não preciso da tela. O filme continua rodando em algum canto da minha memória, intacto, perfeito na sua imperfeição.

E me pergunto se ele, no apartamento novo, na cidade nova, também tem noites assim. Noites em que a insônia traz de volta aquela tarde de domingo, aquela câmera apoiada nos livros, aquela versão de nós dois que já não existe, mas que, de alguma maneira, continua sendo a mais real. Me pergunto se ele bate uma pensando na minha boca em volta do pau dele, do mesmo jeito que eu gozo pensando no dele entrando no meu cu. Provavelmente sim. Provavelmente nós dois continuamos sendo, em algum lugar dentro de nós, aqueles dois corpos suados daquela tarde, fodendo para sempre diante de uma câmera que ninguém mais vai assistir.

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