A noite em que minha namorada se tornou meu dono
Quando se olhou no espelho, já não se reconheceu: peruca loira, corset vermelho, saltos. E ela, fumando no sofá, o esperava com um sorriso que ele jamais tinha visto.
Quando se olhou no espelho, já não se reconheceu: peruca loira, corset vermelho, saltos. E ela, fumando no sofá, o esperava com um sorriso que ele jamais tinha visto.
Quando me deu as costas para tirar as fotocópias, a mão dele subiu pelas minhas meias como se tivesse o direito de fazer aquilo. E eu não disse não.
O mar me cuspiu no convés de um iate sem um único homem a bordo. Quando acordei pela segunda vez, já estava usando o vestido delas e não entendia por que estava deixando.
Ela as deixou dobradas sobre a pia, ainda com o cheiro dela, e um bilhete: «Hoje você usa elas». Eu soube que a tarde seria longa.
Você jogou sua calcinha ainda morna para mim e sorriu. “Coloca e me espera”, disse. Duas horas depois eu ainda estava de joelhos, contando os minutos até sua chegada.
Onze da noite, sozinha em casa, com a jaula no lugar e a chave a centenas de quilômetros. Ela só me deixou um brinquedo enorme, e eu soube na hora que ela tinha comprado aquilo para isso.
Quando desci a mão para me tocar, o que encontrei entre as pernas não era o que eu fora me deitar para dormir. E o pior foi que eu não quis tirá-la de lá.
Deram corda a um relógio antigo e, ao amanhecer, seu corpo já não era o mesmo. Uma semana de prazer roubado com um preço cobrado só na última noite.
Humilhavam-no todos os dias no colégio, até que um frasco sem rótulo lhe prometeu força. O que ele tomou naquela noite o transformou em alguém irreconhecível.
Levo a tanga por baixo do culote e ninguém sabe. É meu segredo na bicicleta, o começo da fantasia que ensaio na cabeça repetidas vezes.
Apertei o play achando que seria uma despedida carinhosa. Dois minutos depois entendi que ela sabia tudo o que eu escondia, e que naquela noite a voz dela mandava em mim.
Entrei pensando que era o dono de tudo. Marisol, de joelhos e com suas luvas amarelas, já tinha decidido que naquela noite a dona seria ela.
«Vim ver se minha mulher trabalha bem», disse o homem na minha porta. Uma hora depois eu estava de joelhos na minha própria cozinha, com o avental dele.
Bastou um sorriso e algumas tacadas de sinuca para ela virar o mundo dele de cabeça para baixo. Agora ele usa avental de renda e espera, tremendo, a campainha tocar.
Quando Bárbara deixou a sandália pendurada na ponta dos dedos, soube que eu obedeceria ali mesmo, no saguão, acontecesse o que acontecesse.
Durante meses, ele me obrigou a obedecer na cama. Quando finalmente falei, não imaginei que a justiça lhe devolveria cada golpe transformando-o no que mais desprezava.
Tinha dezenove anos e uma tesão impossível de esconder. Ele percebeu assim que me abriu a porta do apartamento, e já não deu para disfarçar o que nós dois queríamos.
Eu guardava aquele vestido no fundo do armário para ninguém. Nessa madrugada, quando ele tocou a campainha encharcado, soube que enfim ia estreá-lo para alguém.
Quando atravessei essa porta, deixei de ser eu. Ele me esperava sem peruca nem maquiagem, com um sorriso de bad boy e meu novo nome já escolhido.
Comecei enchendo balões com água morna para sentir que tinha seios. Acabei colando-os nos meus mamilos com cola e descobrindo um prazer que eu nem sabia que procurava.