Ainda sinto falta da coleira que meu amo me colocou
Esta manhã, enquanto esperava o café, voltei a me ver de joelhos sobre o piso recém-lustrado, com as pernas dormentes e o olhar baixo, aguardando uma única ordem dele.
Esta manhã, enquanto esperava o café, voltei a me ver de joelhos sobre o piso recém-lustrado, com as pernas dormentes e o olhar baixo, aguardando uma única ordem dele.
Eu estava havia dias sem saber dela, sonhando com suas ordens. Naquela tarde, atravessei uma porta que não devia e descobri até onde eu estava disposto a ir.
Ela me mandou ficar de quatro nos fundos e, enquanto seus dedos me exploravam, entendi que acabava de descobrir algo que eu escondia havia anos.
Estava com o cinturão há meses e ela prometeu tirá-lo naquela noite. Não me disse o que eu teria de fazer antes para merecê-lo.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Quando Bárbara deixou a sandália pendurada na ponta dos dedos, eu soube que obedeceria ali mesmo, no hall, passasse quem passasse.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.
Quando baixou os olhos para aqueles tênis brancos e suados, soube que obedeceria a qualquer coisa que aquela garota pedisse. E era só o começo.
Esta noite durmo no chão e fui eu que procurei isso. A paradoxo de pedir ao seu Dom que lhe dê uma ordem e descobrir que não há mais volta.
Tinha quase quarenta anos, morava parede com parede e um dia me convidou para beber. Nessa noite, deixei de ser a garota do andar para me tornar seu desejo.
Aceitei o encontro por puro tesão: ser o objeto que meu chefe empresta aos amigos. Mas o que o sócio queria de mim naquela noite eu jamais teria imaginado.
Subi ao terceiro andar com minhas meias de rede e meus saltos brancos, deixei a porta entreaberta e esperei o som dos meus passos despertar a fome dos homens do corredor.
Quando ele se virou naquela vendinha de povoado, pensei que fosse uma mulher. Usava jeans branco, unhas pintadas e um segredo que eu só descobriria ao ficar preso na estrada.
Abri a porta esperando o jantar e me deparei com uma moça baixinha, as unhas pintadas de vermelho e um sorriso que dizia bem mais do que «boa noite».
Poucas vezes mando fotos: é perigoso. Mas aquele garoto me passou confiança, e entre meias pretas e mensagens de madrugada virei a protagonista da sua melhor fantasia.
Tinham se passado oito anos desde a última vez que eu me despi diante daquela câmera. Nessa noite voltei a ligá-la, e do outro lado ele ainda me esperava.
Fiz dois rabos de cavalo, vesti um vestido curtinho sem nada por baixo e calcei meus tênis favoritos. Brinquei de garotinha inocente e acabei descobrindo algo em mim que não esperava.
Esperei no ponto de ônibus com o coração acelerado, sabendo que assim que o carro dele aparecesse deixaríamos de ser mãe e filho para ser outra coisa.
Quando minha tia perguntou se eu já tinha namorada, todos riram. Minha prima Camila não. Debaixo da toalha, o pé descalço dela subiu pela minha perna e eu entendi que a noite estava só começando.
Eu a via de salto e meia-calça a vida inteira, mas até aquela noite no sofá nunca tinha imaginado o que os pés dela podiam me fazer sentir.