Meu homem do macacão voltou e a noite foi só nossa
No dia da estreia de Unai, o apartamento de Adrián em Brooklyn parecia menor do que nunca. Paredes brancas salpicadas de pôsteres de arte abstrata, uma mesa coberta de esboços pela metade para seu projeto final de mestrado e, ao fundo, o zumbido monótono da geladeira como única companhia. Cada minuto pesava. A ausência de Unai lhe pressionava o peito como uma mão invisível que não terminava de soltá-lo.
A manhã, porém, tinha começado bem. Uma videochamada o acordou com o rosto de Unai preenchendo a tela, iluminado pela luz natural do quarto do hotel.
—Olha isso, amor —disse, girando a câmera para se mostrar inteiro—. O macacão da sorte, o mesmo que me abriu todas as portas nesta cidade.
O macacão verde-musgo ajustava o torso atlético dele como uma segunda pele. Embaixo, usava uma camiseta de manga longa, o cabelo curto penteado para trás e aquele sorriso que derretia qualquer tela. O tecido roçava o peito a cada movimento, e Adrián, ainda de pijama e com um café nas mãos, sentiu um formigamento abaixo do umbigo que rapidamente se transformou em um pau duro pressionando o tecido.
—Puta merda, Unai. Você está de se comer —disse—. Esse macacão me traz lembranças da primeira vez que te vi com ele. Marcava cada coisa que me deixava maluco. Estou ficando duro só de te ver, seu desgraçado.
Unai riu, com a voz rouca de nervoso, e baixou a câmera até a virilha, onde o volume do macacão se marcava sem pudor.
—E olha como tudo mudou desde então. Estou nervoso, mas também muito excitado, não vou mentir. Ontem à noite tive que me masturbar pensando na sua boca. O ginásio lotado, o time confiando em mim. Você vai vir para o camarote?
Adrián mordeu o lábio, a mão já enfiada dentro da calça do pijama.
—Não sei. Os nervos me matam quando não entendo direito o que está acontecendo na quadra. Mas vou ficar te gritando de algum lugar, prometo. Agora me mostra seu pau, vai, que eu vou me tocar pensando em você.
Unai olhou de relance para a porta fechada do hotel, soltou uma risada baixa e abriu o zíper do macacão. O pau saltou para fora, duro, vermelho na ponta, com aquela veia grossa percorrendo o tronco que Adrián sabia de cor.
—Todo seu —murmurou Unai—. Cuspa na mão e faça devagar, quero ver você.
Adrián baixou a calça até os joelhos, apoiou o celular na xícara de café e cuspiu na palma. Agarrou o pau e começou a se masturbar olhando para a tela, os olhos cravados na mão de Unai subindo e descendo pela verga inchada. Eles se acompanharam sem falar. Unai lambendo o polegar e esfregando a glande com a ponta dos dedos. Adrián puxando o prepúcio para baixo, a ponta brilhando de líquido pré-seminal.
—Vou gozar logo —ofegou Unai—. Passei a puta da semana inteira sem foder com você, cara.
—Goza comigo —peduiu Adrián, acelerando—. Quero ver você cuspindo.
Gozaram quase ao mesmo tempo. Unai com um grunhido contido, disparando porra sobre o próprio ventre e o macacão verde; Adrián mordendo o punho para não acordar o vizinho, o gozo caindo quente entre os dedos e pela coxa. Eles se olharam por um instante, sorridentes, ridículos, exaustos.
Conversaram bastante depois de se limparem. Unai confessou seus medos em voz baixa, os de sempre antes de entrar em quadra: e se eu falhar?, e se não me derem nem um minuto? Adrián o acalmou com palavras suaves, repetindo que ele era o melhor, que brilharia como sempre brilhava. O beijo virtual ao desligar deixou Adrián com o coração acelerado e, ao mesmo tempo, com um vazio incômodo. A distância, mesmo sendo de apenas alguns quarteirões, doía.
***
O resto do dia se arrastou ladeira acima. Sentado à mesa, com o laptop aberto em uma campanha publicitária meio desenhada, Adrián era incapaz de se concentrar. O cursor piscava acusador na tela enquanto sua mente vagava longe: Unai aquecendo na quadra, o rugido da torcida, sua própria solidão ricocheteando contra as paredes do apartamento minúsculo.
—Anda, foca —dizia a si mesmo, digitando frases que apagava dois segundos depois.
O aroma do café esfriando se misturava ao rastro do perfume de Unai, ainda preso a um moletom jogado no encosto da cadeira. Impossível avançar. Levantou-se, andou pelo espaço reduzido, o assoalho de madeira rangendo sob seus pés descalços, e se espreitou na janela de frente para um pátio cinzento onde um gato de rua rondava entre as lixeiras.
No meio da tarde, Bruno e Saúl, dois amigos da faculdade que tinham marcado de ver o jogo juntos em um bar do bairro, lhe mandaram mensagem. Enviaram uma foto brindando com cerveja, os rostos colados, uma faixa caseira com o número de Unai pintado à mão. Pelo seu cara, que hoje arrebenta, dizia a mensagem. Adrián sorriu pela primeira vez em horas. Aquelas pessoas o queriam, e, de quebra, queriam Unai também. Ele não estava tão sozinho quanto pensava.
Fechou o laptop. O projeto podia esperar; sua cabeça não estava para sketches. Tomou banho devagar, deixando a água quente afrouxar a tensão dos ombros, e enquanto se vestia olhou para o cabide. Ali estava seu próprio macacão, verde-musgo idêntico ao de Unai, o que tinham trocado numa madrugada como quem troca um anel.
—Por ele, eu tenho que ir —murmurou, e saiu para a rua.
***
Chegou ao ginásio justamente quando Unai entrou na quadra. O rugido da multidão o atingiu como uma onda que subiu por sua costas até a nuca. No camarote de familiares, foi recebido com um abraço pela mãe de Marcus, o outro estreante.
—Que bom que você veio —disse ela ao seu ouvido—. A coisa está apertada, o time não engrena.
Adrián, ainda perdido entre regras que não dominava por completo, sentiu o coração apertar ao ver Unai no banco, o rosto tenso, as mãos esfregando os joelhos. Vai ficar tudo bem. Tem que ficar tudo bem. Mas o medo o apertava por dentro.
Então Unai entrou em quadra. As primeiras ações foram desajeitadas, imprecisas, e Adrián prendeu a respiração. Até que alguma coisa mudou. Viu isso nos olhos dele antes mesmo no placar: o brilho voltando, a confiança assentando nos ombros. Uma jogada, outra, e mais uma. A torcida começou a gritar o nome dele. Adrián não entendia metade do que acontecia, mas entendia a energia, e se deixou levar por ela, gritando até ficar rouco.
No fim, vitória tranquila. O ginásio inteiro vibrava. Adrián chorou sem esconder, lágrimas de orgulho escorrendo pelo rosto enquanto a arquibancada cantava o apelido do seu cara repetidas vezes.
Ele conseguiu. Meu homem conseguiu.
***
Esperou pacientemente Unai sair do vestiário, atender aos microfones, posar para fotos com um punhado de fãs, o macacão verde brilhando icônico sob os refletores. Quando enfim entraram juntos no carro, Adrián imaginou que iriam, como de costume, para o apartamento dos colegas. Mas Unai apertou sua mão e a levou diretamente para a virilha, onde o volume grosso já se marcava outra vez sob a calça de moletom.
—Leva a gente para sua casa —disse—. Quero que a gente fique sozinho. Passei a semana toda te deixando em segundo plano: treinos, concentração, compromissos. Só falamos por telefone. Você merece todo o tempo que me sobra, e eu quero gastar com você. Te fodendo até você não conseguir andar amanhã.
Adrián sentiu um calor subir do estômago até as orelhas, e apertou a palma contra o pau duro de Unai por cima do tecido.
—Sim, amor. Sozinhos. E eu quero que você me destrua.
Unai pegou o celular e escreveu para Imanol, o que costumava servir de muro entre o time e o mundo: Hoje à noite eu não existo para ninguém. Me cobre. Preciso desligar. A resposta veio na hora, um curto “entendido, aproveitem” com um emoticon, e ele guardou o telefone com a tela para baixo no porta-luvas, como quem fecha uma porta.
***
Jantaram no pequeno terraço do prédio. Uma varanda estreita com vista para as luzes de Brooklyn, a noite fresca, os dois enrolados em cobertores grossos e uma pizza fumegante entre eles. Velas tremeluziam dentro de potes de vidro e projetavam sombras trêmulas em seus rostos. O cheiro de queijo derretido se misturava ao ar frio de dezembro.
Unai, com o macacão meio aberto e o peito ainda quente do esforço da partida, segurou a mão de Adrián por cima da mesa.
—Me conta o seu dia. Sem mim, como foi?
—Difícil —admitiu Adrián, encolhendo-se ao lado dele—. O mestrado não anda. Mas o pior era a ansiedade por você. Imaginar que alguma coisa desse errado e eu não poder fazer nada daqui.
Unai afagou o dorso da mão dele com o polegar, devagar, desenhando círculos.
—Já passou. Eu estou aqui.
Adrián engoliu em seco. Havia mais uma coisa que vinha roendo seu peito havia dias, e ele deixou escapar com a voz quebrada.
—Tenho medo de te perder. Sei que é irracional. Mas quanto mais você cresce, mais me pergunto o que eu sou. Um estudante normal, sem nada que brilhe. Não quero parecer pouco ao seu lado.
Unai virou o rosto e o olhou com os olhos marejados. Puxou-o para si e o beijou, primeiro na testa, depois na boca, um beijo lento com gosto de vinho tinto.
—Você é tudo o que eu realmente tenho —disse contra os lábios dele—. O resto é barulho. Você é a única coisa que eu não quero perder. E agora cala a boca e me deixa comer sua boca.
O beijo se alongou. As mãos deixaram de ficar paradas. Adrián sentiu a língua de Unai abrindo caminho, exigente, e respondeu com a mesma urgência contida de toda a semana. O cobertor escorregou dos ombros dele e nenhum dos dois fez questão de pegá-lo de volta. Unai enfiou a mão entre as pernas dele, por cima do jeans, e apertou o volume com a palma.
—Você já está duro, seu filho da puta —sussurrou contra sua boca.
—O dia inteiro —respondeu Adrián—. Desde a videochamada de manhã eu não amoleci.
—Lá dentro —murmurou Unai, com a voz pesada—. Está frio, e o que eu quero fazer com você não é coisa para os vizinhos verem.
***
Desceram tropeçando pela escada, rindo como crianças, as mãos buscando o corpo um do outro em cada patamar. No descanso do segundo andar, Unai o prensou contra a parede e enfiou a língua até a garganta dele enquanto esfregava o pau por cima da calça. Adrián mordeu o lábio inferior dele e agarrou sua bunda com as duas mãos, apertando.
—Se continuar assim, eu te chupo aqui mesmo —avisou, sem fôlego.
—Se segura até lá em cima —riu Unai—. Que eu quero fazer direito.
Mal cruzaram a porta do apartamento, Adrián já se viu com as costas contra a parede e a boca de Unai no pescoço. Ele mordeu logo abaixo da orelha, devagar, e Adrián sentiu as pernas falharem.
—Passei a semana inteira pensando nisso —disse Unai, enfiando as mãos sob a camiseta dele e percorrendo o ventre com os dedos frios—. Cada noite naquele hotel, sozinho, imaginando você. Toda vez que me tocava, pensava no seu cu, cara. Em como você aperta quando está prestes a gozar.
Arrancou a camiseta pela cabeça e desceu a boca até um mamilo, chupando primeiro e mordendo depois, sem piedade. Adrián soltou um gemido agudo que ricocheteou nas paredes nuas do corredor. Unai foi descendo, deixando marcas vermelhas pelo esterno, até se ajoelhar diante dele. Abriu a braguilha com os dentes, puxou a calça e a cueca num só movimento e enterrou o pau na boca dele sem avisar.
—Puta merda! —gritou Adrián, agarrando-se à nuca dele.
Unai o chupou com fome acumulada. A língua envolvendo a glande, a garganta se abrindo para engolir tudo, os olhos úmidos olhando para ele de baixo enquanto o queixo se enchia de saliva. Tira o pau, cospe em cima e enfia de novo até o fundo, num ritmo brutal, sem dar a Adrián um segundo para pensar. Ele sentia a glande bater no céu da boca de Unai, a vibração dos gemidos abafados subindo pelo tronco do pau.
—Para, para, que eu vou gozar —ofegou Adrián, puxando o cabelo dele.
Unai o tirou com um estalo úmido e sorriu, os lábios inchados, brilhantes.
—Não, ainda não. Hoje você vai acabar dentro de mim, e depois eu dentro de você. As duas coisas.
Adrián procurou as alças do macacão e as escorregou pelos ombros dele. A peça caiu até a cintura, deixando o peito depilado à mostra, ainda brilhando de suor do jogo. Passou a língua pelo esterno, subiu até um dos mamilos e o prendeu entre os dentes com delicadeza. Unai soltou o ar de uma vez e cravou os dedos no cabelo dele.
Ele o guiou até o quarto sem separar as bocas, puxando roupa pelo caminho. Os lençóis estavam frescos. Adrián empurrou Unai para a cama e baixou o macacão dele por completo, junto com o que havia por baixo. Não havia nada a esconder: estava duro contra o ventre, pesado, o pau pingando pré-gozo sobre o umbigo. Adrián se ajoelhou entre as pernas dele e o tomou na boca sem preliminares.
—Puta merda, Adrián —ofegou Unai, arqueando as costas.
Ele o trabalhou devagar, marcando um ritmo que conhecia de memória, a língua plana na parte de baixo do tronco, a mão fechada na base bombeando no mesmo compasso. Sugou a glande até fazê-lo gemer, depois desceu e lambeu os testículos, um primeiro e depois o outro, colocando-os na boca de um em um enquanto continuava a masturbá-lo com a mão. Abriu as coxas dele e lambeu mais abaixo, a língua traçando um caminho úmido até o cu. Quando Unai sentiu a ponta da língua entrando, deu um sobressalto e se agarrou aos lençóis.
—Aí, seu desgraçado, aí —gemeu.
Adrián o comeu devagar, alternando a língua com os dedos, apertando e afrouxando, sentindo o anel cerrado de Unai ceder aos poucos. Percebia Unai lutando para não se mexer, os quadris tensos, as coxas tremendo sob suas mãos. Quando o sentiu perto demais, voltou a enfiar o pau na boca dele, o trabalhou por alguns segundos a mais e o largou justo antes de ele explodir. Subiu para beijá-lo, deixando-o no limite, sem deixá-lo acabar.
—Você é cruel —riu Unai, sem fôlego, e o virou sobre o colchão com um movimento limpo para ficar por cima.
Agora era ele quem percorria Adrián com a boca. Desceu pelo peito, pelo estômago que se contraía a cada beijo, até entre as pernas, abrindo-as com as mãos. Ergueu os quadris dele, colocou suas coxas sobre os ombros e enfiou o rosto entre as nádegas. Adrián fechou os olhos e se agarrou ao lençol. Conhecia aquela boca, aquela paciência deliberada, aquele jeito de fazê-lo perder a cabeça minuto a minuto. A língua de Unai trabalhava o cu dele com fome, entrando e saindo, alternando com lambidas longas que subiam até os ovos. O prazer vinha em ondas lentas que o deixavam sem ar.
—Eu preciso de você —conseguiu dizer—. Agora. Por favor. Mete em mim.
Unai esticou o braço até a mesinha de cabeceira, pegou o lubrificante na gaveta e foi com calma. Passou uma boa quantidade nos dedos e no pau, e preparou Adrián sem pressa. Um dedo primeiro, girando devagar, procurando aquele ponto que o fazia arquear. Quando encontrou, Adrián soltou um gemido gutural e empurrou os quadris contra a mão dele. Acrescentou o segundo dedo, abrindo-o com dois dedos em tesoura. Depois o terceiro. Adrián estava ofegante, o pau colado ao ventre pingando sobre o umbigo, pedindo mais sem palavras, fodendo os dedos de Unai sozinho.
—Mete logo, porra, não aguento mais.
Quando finalmente entrou, foi devagar, centímetro por centímetro, sustentando o olhar dele o tempo todo. Adrián sentiu como aquilo o preenchia, aquela mistura de tensão e entrega que só acontecia com ele, o pau grosso abrindo caminho até o fundo. Ficaram imóveis por um instante, testa contra testa, respirando o mesmo ar, a vara inteira dentro pulsando.
—Isso —sussurrou Unai— é a única coisa que realmente é minha.
Começou a se mover. Primeiro com um balanço fundo e lento que arrancava o ar dos dois; tirava quase todo o pau e o enterrava de novo até bater os testículos no cu. Adrián enroscava as pernas na cintura dele e cravava os calcanhares nas costas, pedindo mais. Unai acelerou, mais rápido, mais fundo, investindo com o quadril todo. A cama rangia contra a parede, a cabeceira batendo no ritmo de cada estocada.
—Assim, assim, não para —gemeu Adrián, agarrado aos ombros dele—. Me fode forte, seu filho da puta.
—Está gostando? —ofegava Unai no ouvido dele—. Está gostando de como eu te fodo? Fala.
—Estou adorando, porra, adoro o seu pau.
Unai o tirou de repente, o virou de barriga para baixo e ergueu seus quadris. Adrián se apoiou nos cotovelos, a bunda empinada, oferecida. Unai voltou a entrar de uma só investida e continuou num ritmo brutal, as mãos apertando-lhe a cintura, os dedos cravados na pele. Cada vez que investia, arrancava um gemido rouco de Adrián e um golpe seco de seus quadris contra as nádegas dele. Agarrou o cabelo dele, puxando-lhe a cabeça para trás, e se inclinou para morder-lhe a nuca sem parar de fodê-lo.
—Se toca —ordenou—. Quero que você goze comigo dentro.
Adrián enfiou a mão sob o ventre e agarrou o pau. Começou a se masturbar rápido, no ritmo das estocadas, sentindo o orgasmo se concentrar na base da coluna. Unai falava no ouvido dele, coisas sujas e ternas misturadas, seu nome repetido como uma oração, fodendo-o cada vez mais forte, mais fundo, procurando o fundo dele.
O prazer se concentrou em um ponto e depois transbordou. Adrián gozou com um grito abafado, disparando jatos grossos sobre os lençóis, o cu se fechando em espasmos ao redor do pau de Unai. Esse aperto foi suficiente. Unai se afundou até o fundo uma última vez, ficou ali cravado e se esvaziou dentro com um grunhido longo, a testa colada entre as escápulas de Adrián, os quadris tremendo a cada jato de porra.
Ficaram assim por alguns segundos, ofegantes, unidos, sem querer se separar. Unai passou a mão pelas costas suadas dele, beijou sua nuca e saiu devagar. Adrián sentiu o líquido quente escorrendo pela coxa e gemeu outra vez, meio exausto, meio ainda ereto.
—Agora você —lembrou Unai, deitando de costas e abrindo as pernas—. Tínhamos dito as duas coisas.
Adrián sorriu, passou o dorso da mão pela boca e se colocou entre as coxas dele. Unai já tinha se preparado sozinho com dois dedos enquanto o observava, o pau duro outra vez sobre o ventre. Adrián passou lubrificante e ergueu os quadris dele, apoiando os tornozelos nos ombros. Entrou devagar, vendo Unai apertar os dentes e depois soltar um gemido longo quando se afundou por completo.
—Puta merda, como você está apertado —murmurou Adrián.
—Se mexe —pediu Unai, agarrando-lhe as nádegas—. Me fode.
Adrián começou a investir, primeiro medindo, depois se soltando. Adorava vê-lo assim, por baixo, de boca aberta e olhos semicerrados, o pau que tinha explodido na quadra naquela mesma tarde agora batendo no próprio abdômen a cada investida. Inclinou-se sobre ele, sem sair, e o beijou na boca enquanto continuava se movendo. Unai cravava as unhas nas costas dele, pedia mais ao ouvido, mordia seu ombro.
—Mais forte, porra, mais forte.
Adrián se ergueu, agarrou-lhe as coxas e o fodeu até o fundo, a cama batendo outra vez contra a parede. Procurou o pau dele com a mão e o masturbou ao mesmo tempo em que investia, buscando o ângulo que sabia que o deixaria louco. Unai começou a gemer sem controle, mordendo o punho, a pele toda avermelhada pelo esforço do jogo e do segundo assalto.
—Vou gozar, vou gozar de novo, não para —ofegou.
Gozou com um espasmo longo, disparando sobre o próprio peito e sobre a mão de Adrián que continuava bombeando seu pau. O cu se fechou em ondas ao redor da pica de Adrián, e essa sensação —quente, apertada, pulsante— acabou com ele também. Afundou até o fundo, agarrou os quadris de Unai e se esvaziou dentro com um grunhido gutural, o gozo saindo em jatos grossos, as coxas tremendo até ficarem sem forças.
Desabou sobre ele, o pau ainda dentro, pulsando nos dois como se fossem um único corpo. Unai passou os braços pelos ombros dele e o apertou, rindo baixinho, sem fôlego.
—Pronto. Empatados.
***
Desabaram juntos sobre os lençóis amarrotados, os corações em descompasso, a pele grudada de suor e sêmen. Unai procurou a mão de Adrián na escuridão e entrelaçou os dedos nos dele.
—Não desliga o despertador —murmurou Adrián, meio dormindo—. Amanhã você tem recuperação.
—Amanhã não existe —respondeu Unai, puxando-o contra o peito—. Hoje eu estreiei diante do mundo inteiro. Mas isso, com você, nesta cama minúscula, é a melhor coisa que me aconteceu o dia inteiro.
Adrián sorriu contra o ombro dele. Lá fora, as luzes da cidade continuavam acesas, indiferentes; o jogo, os refletores, os gritos da torcida, tudo tinha ficado do outro lado daquela porta fechada. Lá dentro só estavam os dois, o peso de um corpo conhecido e a certeza, por uma noite inteira, de que ninguém iria interrompê-los.
Dormiram assim, abraçados, deixando que fosse o cansaço —e não nenhum despertador— quem decidisse a que horas o dia seguinte começaria.





