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Relatos Ardientes

Meu primo me pediu para ficar e reviveu um segredo antigo

Meu nome é Mateo e tenho vinte e nove anos. Moro de frente para o mar, em um apartamento pequeno onde o oceano não para de soar, dia e noite. A brisa salgada entra pela varanda a qualquer hora e leva, por um instante, o cheiro de solidão que se instala nas paredes. Dou aulas de literatura em um instituto particular: explico metáforas e sublinho versos para adolescentes que olham pela janela, desejando estar em qualquer outro lugar. Eu, muitas vezes, também.

Minha vida fora da sala de aula era um ciclo previsível. Um aplicativo no telefone, um perfil, uma conversa morna, um encontro rápido na minha cama ou na de algum desconhecido. Fogos breves que se apagavam em um gemido abafado e um «foi bom, a gente se vê» que jamais se cumpria. Calor por um instante, nada mais.

Tudo desandou no dia em que uma mensagem de Bruno apareceu na minha tela. Meu primo. Não um primo qualquer, mas esse primo. O dos verões intermináveis no vilarejo, das fugas para o rio, dos segredos que brilhavam na penumbra do celeiro. Ele ficou por lá, nas ruas de terra, e eu fui embora para o litoral, carregando essas lembranças como um tesouro que ninguém mais deveria tocar.

A mensagem era direta: «Oi, Mateo. Preciso sair do vilarejo por um tempo, procurar trabalho fora. Será que dava para eu ficar na sua casa por algumas semanas?».

Eu pensei. Claro que pensei. Meu apartamento era meu refúgio, o único lugar onde eu podia ser eu mesmo, andar nu às três da tarde, receber quem eu quisesse sem dar explicações. A ideia de dividir aquele espaço, mesmo com ele, me causava resistência. Mas as contas subiam e a solidão às vezes pesa demais. Depois de muito pensar, disse que sim.

As primeiras semanas foram normais. Normais demais. Bruno chegou com uma mochila e o mesmo sorriso de sempre, embora agora emoldurado por uma barba curta e uns olhos que tinham visto mais mundo. Ele tinha se tornado um homem sólido, largo de ombros, com uma presença que enchia o quarto assim que entrava. Era cortês, quase tímido no começo. Pedia licença para tudo: para usar o banheiro, para colocar música, para preparar um café.

—Te incomoda se eu abrir a janela, Mateo? —perguntava.

—Tudo bem, primo. A casa também é sua —eu mentia, sentindo meus limites se apagarem dia após dia.

Nossos horários cuidavam de nos evitar. Eu saía cedo para o instituto; ele procurava trabalho ou saía para conhecer a cidade. Só coincidíamos nas madrugadas ou nas manhãs muito cedo, com um «bom dia» de voz rouca. Os domingos eram uma trégua. Nós dois estávamos exaustos, largados no sofá, dividindo uma pizza e conversas que mal tocavam a superfície: o trabalho, o vilarejo, a família. Nada profundo. Nada que queimasse.

Foi em um desses domingos, mas à tarde. Uma luz dourada e preguiçosa entrava pela varanda. Nós dois tínhamos saído de nossas tocas, arrastados pela fome e pela inércia do dia de folga.

Eu estava na cozinha, arrancando folhas de alface com mais força do que o necessário, montando um sanduíche que nem queria. Ele estava deitado no sofá, as costas largas contra as almofadas, absorto na luz do celular.

O silêncio era confortável, até deixar de ser.

—Ei, Mateo —disse, com aquela voz grave e calma que cortava o ar—. Você está saindo com alguma garota?

A pergunta me atingiu no estômago. Deixei a faca sobre a bancada com um barulho seco. Ninguém da minha família sabia. Minha homossexualidade era um continente à parte, uma ilha particular onde ninguém do meu sangue tinha permissão para entrar.

—Eh... na verdade, prefiro estar solteiro —consegui balbuciar, sentindo o calor subir pelo meu pescoço. Minha voz saiu estranha, estrangulada.

—Ah, entendi... —houve uma pausa carregada, elétrica. Os olhos dele já não estavam no celular. Eu os sentia cravados na minha nuca—. Você não é da outra turma, não?

A frase, tão crua, tão de vila, me fez engolir em seco. Tossi, incapaz de articular qualquer coisa.

—Não? Por que você está dizendo isso? —meu corpo agia sozinho, abrindo e fechando o armário sem olhar o que havia dentro, buscando uma âncora, um esconderijo.

A resposta não veio com palavras no começo. Veio com um som: o leve roçar de tecido contra pele. E depois, a voz dele, baixa, carregada de uma nostalgia perversa e de uma verdade devastadora.

—Porque você adorava como eu enfiava... e como você me chupava.

O mundo parou. O rumor do mar desapareceu. O ar ficou espesso até se tornar irrespirável. Senti um suor frio na testa, nas palmas das mãos. Ele tinha dito. Tinha trazido à luz, nesta sala, o segredo mais profundo, o pacto não escrito daqueles verões. O tesouro e a culpa. Não eram imaginações minhas, não eram sonhos de um adolescente confuso. Tinha sido real.

Com um esforço sobre-humano, me virei.

E lá estava ele.

Bruno continuava recostado no sofá, mas sua postura já não era de descanso. Era uma oferenda, uma declaração. Tinha as pernas abertas e os braços estendidos para os lados, como um rei em seu trono. Ele havia baixado o short e a roupa íntima até os tornozelos e os abandonado ali. O olhar dele não era de desafio, mas de uma curiosidade profunda, quase terna.

—Vai vir reviver os velhos tempos? —perguntou, e a voz dele agora era uma carícia rouca.

Na minha cabeça explodiu um turbilhão. A vergonha inicial se transformou em um calor líquido que correu pelas minhas veias. Isso era constrangedor? Sim, mas não por causa da minha sexualidade. Ele já sabia, tinha nomeado aquilo, tinha aceitado ao evocar nosso passado. O desconforto nascia da fome que aquilo despertava, da realidade crua do corpo desejável dele à minha frente. A razão sussurrava que eu fechasse os olhos, que dissesse alguma coisa, que fugisse. Mas mais embaixo, mais forte, pulsava algo surdo e primitivo que assumia o controle: meu próprio sexo, já duro e urgente contra o elástico do short, e um calor úmido, uma pulsação familiar entre minhas pernas que parecia lembrar e ansiar por aquela forma concreta dos verões.

A impulsividade venceu.

Girei sobre os calcanhares e, em vez de fugir, fui até ele. Cada passo reverberava no silêncio. Ajoelhei-me e avancei engatinhando, não por submissão, mas por uma necessidade animal de me aproximar, de reencontrar aquele território perdido. Deslizei devagar, com uma lentidão deliberada, até ficar entre suas pernas abertas. Ergui o olhar. O dele agora era uma tempestade calma. Inclinei a cabeça.

E beijei a ponta do membro dele.

Foi um contato quente, salgado, vital. Um selo que rompia duas décadas de silêncio. Meus lábios, que tinham aprendido a mentir com tantas palavras, reconheceram de imediato essa verdade sem disfarce. Um suspiro longo e profundo escapou da boca dele. Um tremor percorreu o corpo inteiro, dos dedos dos pés, que se contraíram, até os músculos do abdômen, que se tensionaram. Ele adorava. Adorava tanto quanto antes.

Comecei a lamber, primeiro com a ponta da língua, como se revelasse os contornos de uma escultura preciosa. A cabeça, inchada e sensível, recebia minhas carícias em círculos. Tinha gosto de pele limpa, de mar, de homem. Um sabor profundamente masculino que me deixava tonto. Desci milímetro por milímetro; meus lábios se ajustaram em torno do tronco, sentindo a rede de veias pulsando sob minha língua.

Inspirei pelo nariz e, sem pressa, mas sem parar, o levei inteiro à boca. A sensação de plenitude foi avassaladora, gloriosa. O reflexo da garganta se transformou de imediato em um gemido abafado de puro prazer. Meus olhos se encheram de lágrimas. Lá estava ele outra vez, o sabor completo dele, uma essência salgada e densa que me inundava os sentidos.

Minha boca trabalhava, sugando com uma destreza redescoberta, enquanto minha língua achatada acariciava a parte de baixo do tronco com devoção. Sentia cada detalhe, a pulsação rápida do sangue contra o céu da boca. Ele rosnou, um som gutural, e enterrou as mãos no meu cabelo. Não com violência, mas com uma autoridade possessiva que me derreteu por dentro.

Ele me guiava, marcando um ritmo lento e profundo, empurrando meu rosto contra o quadril para que eu sentisse o atrito dos pelos no nariz, o calor abrasador da pele dele. Eu era dele, completamente, naquele ato. Ofegava pelo nariz, minhas próprias necessidades afogadas sob a urgência de agradá-lo, de prová-lo, de gravar cada segundo daquilo na memória.

Depois me afastei com um som molhado, um fio de saliva brilhante ainda unindo meus lábios a ele. Estava ofegante, embriagado. Me levantei, cambaleando um pouco, e sem dizer palavra tirei o short e a roupa íntima de uma vez só. Ele fez o mesmo, livrando-se do tecido que ainda lhe envolvia os tornozelos. Nenhum dos dois soube onde as peças caíram.

Deitei de bruços no tapete, diante do sofá, enquanto ele permanecia sentado na beira. Voltei a aproximar a boca de sua virilha, mas desta vez não me concentrei só no membro. Lambi e beijei o resto, respirando fundo seu cheiro terroso e masculino, aquele que me nublava a razão. Enquanto fazia isso, senti a mão esquerda dele pousar na minha nádega. Primeiro foi uma carícia; depois, uma palmada firme que ecoou pelo quarto e me fez arquear as costas com um gemido.

O ardor se transformou de imediato em um calor prazeroso. Os dedos dele, besuntados com a saliva que escorria da minha boca, encontraram o ponto exato que procuravam. Só a ponta no começo, massageando devagar. Eu gemia contra ele, perdido na sensação. Depois, o dedo entrou suavemente, e um «ai» escapou dos meus lábios. Não era de dor: era de reconhecimento. Ele massageou meu interior com movimentos pacientes, tocando um lugar que fez minhas pernas tremerem.

Era um ciclo de sensações: o gosto salgado dele na minha boca, o cheiro de sexo que nos envolvia, a intrusão lenta e deliciosa que me abria, que me preparava, que me deixava ansioso por mais. Os rosnados de aprovação dele vibravam no ar.

—É assim que você gosta, né? —murmurou, com a voz rouca de prazer.

Eu só conseguia gemer em resposta, meu corpo transformado em um instrumento que apenas ele sabia tocar.

—Chega —rosnou de repente, e a voz dele não admitia discussão.

Com um movimento fluido, ele me colocou de quatro sobre o sofá, o quadril erguido, completamente exposto para ele. A posição era vulnerável, e isso me excitava até a beira da dor. As mãos grandes e quentes dele pousaram em mim, apalpando a carne, e pela primeira vez em vinte anos me senti exatamente onde devia estar.

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