Meu primo se instalou em casa e mudou as regras
Rubén chegou no meio da tarde, quando a luz entrava oblíqua pelo corredor e a casa inteira cheirava a café recém-passado. Nico estava no sofá, com o notebook aberto e uma pasta de anotações sobre os joelhos, fingindo que revisava a matéria. Assim que ouviu a chave girar na fechadura, soube que alguma coisa ia mudar.
Seu primo apareceu com um sorriso largo e uma mala enorme, rígida, dessas que parecem ter dormido em mil aeroportos.
Fazia anos que não se viam. Quando crianças, tinham sido inseparáveis por temporadas, primos quase irmãos, em longos verões e almoços de família intermináveis. Rubén sempre fora o forte, o barulhento, aquele que mandava: o que implicava com Nico, chamava-o de molenga, fazia brincadeiras pesadas que nunca eram totalmente cruéis, mas que sempre o deixavam um degrau abaixo. Nico, mais calado, mais delicado, aprendera cedo a aguentar e a observar tudo de um lugar um pouco mais baixo. Depois Rubén foi estudar em Montreal, e a distância fez o resto. Anos sem se verem, sem se roçarem, sem se medirem.
Agora voltava para se instalar nada menos que na mesma casa que ele. Moraria ali com os pais de Nico e com ele durante todo o ano letivo. Frequentariam a mesma universidade, a Autónoma: Nico começava o primeiro ano de Direito; Rubén já entrava no terceiro de Administração de Empresas. Duas etapas diferentes, duas faculdades próximas e, sim, o mesmo teto. Nico pensara nisso mil vezes antes de sua chegada. Vê-lo cruzar a soleira fez com que deixasse de ser uma ideia e se tornasse real.
Era dois anos mais velho, mas o tempo havia trabalhado seu corpo como o de poucos. Moreno, barba de três dias, peito largo coberto de pelos escuros que apareciam pela gola da camiseta. Os braços pareciam ficar tensos mesmo quando não fazia nada. Movia-se com uma segurança natural, quase insolente. E havia algo mais, impossível de não notar quando se aproximou: o peso evidente entre as pernas, um volume grosso que marcava a calça com descaramento, um pau enorme que se adivinhava mole e, ainda assim, preenchia o tecido até deformá-lo.
Ao ouvi-lo entrar, Nico se levantou de repente. A seu lado, parecia menor. Magro, pele clara, ombros estreitos, quase sem pelos, com um rosto que ainda conservava algo de adolescente: olhos grandes, lábios suaves. Abraçaram-se de modo desajeitado, um choque de corpos que durou um segundo a mais. Nico sentiu o peito duro do primo esmagar seu rosto e, mais abaixo, contra o quadril, aquele volume quente e pesado apertando-se contra ele sem nenhum disfarce.
—Você está enorme —disse Nico, arrependendo-se imediatamente.
—E você continua magro que só —respondeu Rubén, rindo—. É melhor ficar um pouco mais forte ou vão rir de você assim que a faculdade começar.
A mãe de Nico, Marta, apareceu vindo da cozinha, secando as mãos no avental.
—Rubén! —exclamou—. Finalmente em casa. Vamos ver esses presentes, que você deve estar trazendo metade da América nessa mala.
Rubén deixou a mala no chão da sala e a abriu sem pensar. Primeiro tirou algumas coisas cuidadosamente embrulhadas: uma garrafa, algumas camisetas, um pacote de café. Marta sorria satisfeita, até que sua expressão mudou.
Metade da mala estava ocupada por roupas feitas uma trouxa. Camisetas amassadas, calças, toalhas e, bem visíveis, várias cuecas usadas, emboladas, com aquele aspecto inconfundível de terem sido usadas mais de uma vez. Um cheiro denso, masculino, de sêmen seco e suor da virilha escapou para o ar.
—Mas, Rubén! —repreendeu-o Marta, entre divertida e escandalizada—. Como você traz isso desse jeito? Está tudo sujo!
Rubén deu de ombros, sem a menor vergonha.
—Desculpa, tia. Desde que saí do Canadá não ligo uma máquina de lavar —disse, piscando para ela.
Marta balançou a cabeça.
—Bom, tenho certeza de que Nico pode ajudar você. Mostre onde fica a máquina e como tudo funciona.
Nico sentiu o estômago se fechar. Tinha visto as cuecas. Não conseguira evitar reparar nelas. Eram grandes, de algodão grosso, algumas claras, outras escuras. Marcadas. Usadas. Na parte da frente de uma branca, era possível distinguir uma mancha amarelada e ressecada; na parte de trás de outra, uma marca escura. Tinham pertencido ao corpo, ao pau, à bunda do homem que agora estava parado a menos de um metro dele.
—Claro —disse, num fio de voz—. Eu ajudo você.
Rubén o olhou por um segundo mais do que o necessário, como se avaliasse alguma coisa.
—Perfeito, priminho —respondeu—. Eu sabia que você ia me dar uma mão.
Nico engoliu em seco. O reencontro estava apenas começando.
***
A decisão foi tomada sem cerimônia, como são tomadas as coisas que já vêm determinadas.
—Nico —disse Marta mais tarde, quando tinham acabado de tomar café—, vamos trocar você de quarto. O seu é maior e tem uma luz melhor. O lógico é que fique com Rubén, você sabe, é preciso ser um bom anfitrião.
Nico assentiu. Não protestou. Recolheu suas coisas e passou para o quartinho no fim do corredor, que sempre fora o quarto de hóspedes. Rubén entrou atrás dele, observando-o com um meio sorriso, apoiado no batente da porta.
—Fica bem em você —comentou—. Mais arrumadinho. Mais… você. Vamos, me acompanhe até o meu.
Nico sentiu a pontada, mas não disse nada. Seguiu o primo até o quarto que, até pouco antes, fora seu. Rubén deixou a mala cair sobre a cama grande, abriu-a de novo e começou a tirar as roupas sem ordem.
—Ah —acrescentou, como quem não quer nada—. Já que estamos nisso, coloque minha roupa na máquina, está bem? Não faço ideia de como elas funcionam aqui.
Não era exatamente uma ordem. Também não era um pedido.
—Sim, claro —respondeu Nico, rápido demais.
Rubén o olhou de esguelha e se aproximou mais do que devia. Nico deu um passo para trás e tropeçou na cama. Caiu sentado, e seu primo, sem pedir desculpas, empurrou-o para que ficasse deitado. O corpo caiu sobre ele por um segundo, pesado, quente. Peito contra peito. Coxa contra coxa. E entre as coxas de Nico, esmagando-se contra sua calça, o pau grosso de Rubén, ainda mole, mas enorme, acomodou-se como se aquele espaço fosse seu desde sempre.
—Relaxa —riu Rubén—. Eu não mordo… normalmente.
Lutaram por um instante, mais de brincadeira do que com violência. Nico tentou se erguer, mas Rubén o manteve abaixado com uma mão no ombro e, com o quadril, fez um movimento lento, calculado, esfregando o volume contra sua virilha. Uma vez. Duas. Nico soltou um gemido minúsculo que tentou disfarçar tossindo. Sentiu o sangue descer de repente, o pau inchar em velocidade dentro da cueca até empurrar o tecido, a glande umedecer no primeiro segundo.
Rubén percebeu. Percebeu perfeitamente. Baixou os olhos, sorriu ao ver o volume pequeno e tenso marcado na calça do primo e não disse nada. Limitou-se a apertar mais uma vez o quadril contra ele, muito devagar, como quem assina alguma coisa, e se afastou, deixando-o livre.
—Você vai ser um tarado, hein —murmurou, satisfeito.
Nico se levantou vermelho até as orelhas, pegou a roupa suja com os dois braços e foi quase correndo para a lavanderia. As peças estavam misturadas, emboladas, ainda mornas da viagem. Camisetas suadas, meias enroladas e vários pares de cuecas. Pegou-as uma a uma. Eram pesadas, grossas, com aquele cheiro inconfundível de corpo trabalhado, de academia, de homem, de pau que passara horas fechado. Segurou-as por um segundo a mais. O algodão macio contra os dedos. A parte da frente era a que mais apertava: ali, no bolso afundado onde a pica do primo havia descansado, o tecido guardava um cheiro concentrado, azedo, íntimo, mistura de suor, sêmen velho e as últimas gotas de mijo. Nico levou a cueca ao nariz sem pensar, por um segundo, dois, e aspirou fundo. O cheiro subiu direto para a cabeça e desceu com a mesma rapidez para o pau, que ficou duríssimo dentro da calça.
—É assim que se faz? —perguntou Rubén da porta.
Nico se assustou e baixou as cuecas de uma vez.
—Sim —disse—. Assim.
Foi colocando a roupa na máquina devagar. Devagar demais. Cada peça era uma desculpa para respirar fundo, para deixar que o cheiro permanecesse dentro dele por mais um segundo. Rubén o observava em silêncio, de braços cruzados, com o sorriso torto de quem estava gostando de vê-lo tremer.
—Você leva jeito —comentou no fim—. Vai ser bom morar aqui.
Nico fechou a porta da máquina. Quando se virou, o primo estava perto demais. Baixou os olhos sem querer e deu de cara com aquele volume grosso, muito marcado sob a calça de moletom, o pau desenhado de cima a baixo, tão perto de seu rosto que, se estivesse ajoelhado, o teria apoiado nos lábios.
—Sim —murmurou—. Acho que sim.
Rubén sorriu.
—Isso está apenas começando.
***
A casa foi ficando em silêncio à medida que a noite caía. Marta e o marido se recolheram cedo, cansados da movimentação. Nico ficou arrumando tudo sem pressa, tentando se recuperar do tremor que ainda percorria seu corpo. Do corredor veio o som da água caindo sobre os azulejos.
O banho.
Nico soube antes mesmo de pensar. O ruído constante encheu a casa e, com ele, uma certeza incômoda. Rubén não fechara a porta do banheiro. Deixara-a entreaberta, como se não houvesse nada a esconder. Nico passou diante dela com qualquer desculpa e viu o suficiente para não conseguir esquecer: o vapor subindo, o reflexo borrado do corpo grande, moreno, movendo-se com calma. A água percorria seus ombros, o peito coberto de pelos, descia pelo abdômen firme e se perdia na mata negra do púbis, de onde pendia, grossa e longa, a pica do primo. Mole, escura, pesada, com a cabeça larga e os ovos grandes balançando embaixo cada vez que se mexia. Nico ficou pregado no lugar. Nunca lhe passara pela cabeça que um cara pudesse ter aquilo pendurado entre as pernas e continuar andando como se nada.
Rubén se ensaboava sem pressa, como se o tempo não importasse. Passava a mão nos ovos, esfregava o pau ao enxaguá-lo, puxava o prepúcio com a naturalidade de quem não sente vergonha porque sabe que ninguém será capaz de desviar os olhos. Como se soubesse que estava sendo admirado.
—Pode me trazer a toalha? —disse lá de dentro, em tom normal.
Nico hesitou por um segundo. Depois obedeceu.
Quando entrou, o vapor bateu em seu rosto. O cheiro de sabonete misturava-se a algo mais denso, mais humano. Rubén fechou a torneira e saiu do boxe sem se cobrir, deixando tudo à vista, o pau pingando água na ponta, grosso mesmo em repouso, os ovos vermelhos por causa do calor. Secou o pescoço, os ombros, o peito e deixou o resto para o fim, sem disfarçar. Quando finalmente passou a toalha pela virilha, levantou a pica com dois dedos e sacudiu-a demoradamente diante de Nico, como quem limpa uma ferramenta de trabalho.
Nico desviou o olhar. Ou tentou.
Rubén passou a toalha pela cintura e olhou para as roupas que havia tirado, amontoadas no chão junto ao tapete. Pegou a calça jeans, as meias, a camiseta e parecia que também ia recolher a cueca com que viajara, que estava usando havia não se sabia quantas horas, quando parou.
—A cueca, não —disse, apontando—. Essa você coloca para lavar também.
Nico pegou-a. O tecido ainda estava morno, umedecido na virilha pelo suor da viagem. O cheiro subiu direto para seu nariz, sua garganta, seu peito: um fedor de pau fechado por horas, de ovos suados, de algo íntimo que ele jamais deveria ter cheirado. Engoliu em seco.
—Está bem —respondeu.
Saiu com a roupa íntima na mão, entrou no quarto e fechou a porta. O coração batia a toda velocidade. Tinha a cueca do primo entre os dedos. Olhou para ela. Apertou-a, trêmulo. Procurou o bolso da frente, o espaço côncavo onde o pau de Rubén estivera, e encostou ali o nariz. O cheiro era mais forte naquele ponto, sem o vapor para disfarçá-lo, denso e pessoal, um golpe direto no baixo-ventre. Ficou duro na mesma hora, empurrando a calça do pijama. Apertou o pau por cima do tecido e soltou um gemido que saiu sem permissão.
Sentia vontade de fazer mais. Muito mais. Enfiar o tecido inteiro na boca, chupá-lo, cuspir e voltar a chupá-lo. Mas não se atreveu.
Respirou fundo, abriu a porta e foi direto para a lavanderia. Colocou a peça dentro da máquina e fechou a porta com um gesto quase cerimonioso. Ao voltar para o corredor, a porta de Rubén já estava fechada.
Nico apoiou-se por um segundo na parede. O corpo lhe pedia coisas para as quais ainda não tinha permissão.
***
Na manhã seguinte, com as aulas ainda a alguns dias de começar, Rubén apareceu na cozinha com um café na mão.
—Vamos nos matricular na academia —disse.
Nico ergueu os olhos.
—Na academia?
—Claro —Rubén sorriu—. Um pouco de treino vai fazer bem a você, não? Você está fraquinho.
Não disse isso com maldade. Ou talvez sim, mas envolto em brincadeira. Nico aceitou sem discutir, e lá foram eles.
A academia do bairro era pequena e barulhenta, com cheiro de borracha e suor velho. Embora nunca tivesse estado ali, Rubén se movia naquele espaço como se fosse sua própria casa. Logo conheceu alguns caras e, sem pensar, apresentou Nico.
—É meu irmão caçula —disse, passando o braço sobre os ombros dele.
Nico sentiu o peso do gesto e não corrigiu nada.
Irmão.
Treinaram juntos. Rubén carregava anilhas com facilidade, fazia comentários em voz alta, ria quando Nico se cansava. Em certo momento, Nico se deitou no banco para fazer supino, e o primo se posicionou atrás dele, como um treinador improvisado.
—Vamos, empurra —disse, segurando a barra com firmeza.
Nico ergueu os olhos e se deparou com a virilha de Rubén bem acima de seu rosto, a apenas alguns centímetros. Grande. Marcada. O pau desenhado sob o short, grosso, pendendo torto para a esquerda, quase roçando sua testa cada vez que o ajudava a baixar a barra. Os ovos formavam um volume à parte, redondos, apertando-se contra o tecido fino. Tentou não olhar, mas era impossível. Cada vez que abria a boca para respirar, o ar entrava misturado ao cheiro da virilha suada do primo, azedo e quente.
—Vamos, mais força —insistia Rubén, sem se mexer, sem se afastar—. Você se distrai fácil ou o quê? Vamos, priminho, empurra como um homem.
O suor escorria pela têmpora de Nico, e não era apenas pelo esforço. Cada vez que o primo se inclinava, o volume da calça roçava o alto de sua cabeça, um contato mínimo, mole, que deixou seu pau duro dentro do short e não lhe deu maneira alguma de escondê-lo.
Quando terminaram, foram juntos se trocar. No vestiário, Rubén se despiu sem pressa. Deixou tudo pendurado, sem pudor, enquanto dobrava as roupas; o pau balançava a cada movimento, ele esfregou os ovos, coçou sob o prepúcio, largou a camiseta encharcada e a cueca usada sobre a pilha, como uma provocação, e foi pelado até os chuveiros no fundo da academia, sem se importar que alguém o olhasse.
Nico olhou para os dois lados para verificar se estava sozinho. Fingiu procurar alguma coisa na mochila. O cheiro do primo o capturou. Aproximou-se do lugar onde ele havia deixado as roupas. Pegou a cueca e se surpreendeu ao ver que era a mesma da noite anterior, a branca, aquela que ele próprio colocara para lavar.
Como ela tinha voltado parar ali? Só havia uma explicação: Rubén retornara à lavanderia para buscá-la e a vestira outra vez.
Nico sorriu. Porco, pensou.
Apertou o tecido entre as mãos, sentindo o calor que ainda guardava, o suor fresco do primo misturado ao suor velho do dia anterior. Levou-a ao rosto sem conseguir evitar, procurou outra vez o espaço da frente, encostou ali os lábios entreabertos e respirou fundo. O cheiro era brutal: pau suado, ovos quentes, um rastro adocicado de líquido pré-seminal absorvido no tecido. Seu pau endureceu sob a calça como se tivesse recebido uma ordem. Tocou-se por cima, apertou, tirou a ponta para fora do cós, incapaz de se conter. Levou a cueca à boca e chupou o tecido, mordeu o algodão, enquanto esfregava o pau duro com a outra mão.
—Ei —disse uma voz atrás dele—. Nico, certo?
Virou-se num salto, ainda com a roupa íntima do primo na mão e o pau para fora da calça. Um cara da academia, de pouco mais de trinta anos, corpo definido, barba curta, sorriso enviesado, observava-o de braços cruzados. Vestia uma camiseta cinza suada e carregava uma toalha no pescoço. E tinha uma ereção claríssima desenhada sob o short.
—Sim? —Nico conseguiu dizer, enquanto enfiava o pau de volta na calça como podia.
—Sou Hugo —disse, sem parar de olhar para a cueca na mão de Nico—. Treino aqui quase todos os dias. Tem certeza de que você e Rubén são irmãos? Porque eu diria que existe algo entre vocês, e não é exatamente coisa de família.
Nico hesitou por um segundo. Depois assentiu.
—Sim. Irmãos. Só pego as roupas dele para lavar. Rubén é um desastre.
O outro sorriu, sem julgá-lo. Baixou a voz.
—Sei, sei. E é por isso que você estava chupando a cueca, não é? —Hugo aproximou-se um passo e ajeitou o volume sem nenhum disfarce diante dele—. Fica tranquilo, garoto, não vou contar nada. Eu fico excitado com isso. Muito excitado ao ver um cara jovem assim, tarado por outro. —Dirigiu-se aos chuveiros, mas, antes de ir, virou-se e acrescentou—: Vocês me dão bastante tesão. Se algum dia quiserem um terceiro para chupar os dois, me avisem. Minha boca está aberta a qualquer hora.
Nico ficou paralisado, sem saber se acabara de ser exposto ou convidado para algo que ainda não compreendia totalmente.
O som do chuveiro cessou. Rubén saiu, ainda úmido, secando o cabelo, o pau oscilando diante dele como um pêndulo. Olhou para Nico, depois para a cueca em sua mão.
—O que aquele cara estava dizendo? —perguntou.
—Nada —respondeu Nico, rápido demais.
Rubén sorriu. Aproximou-se e apontou para sua roupa íntima.
—Assim que eu gosto —disse—. Leve para lavar. Do jeito que eu gosto. Não quero ter que repetir as coisas para você.
E vestiu-se com toda a calma do mundo. Sem roupa íntima. Colocou a calça jeans diretamente sobre o pau e os ovos e saiu do vestiário com Nico atrás, hipnotizado pela maneira como agora o volume aparecia ainda mais marcado, sem a contenção da cueca, oscilando a cada passo.
***
A casa estava em silêncio quando Nico fechou a porta do quarto. Ficou apoiado contra ela por alguns segundos, respirando fundo, com o corpo ainda cansado do treino e a mente enevoada pelo cheiro do vestiário, pela imagem do primo saindo do banho, o pau escuro balançando, o comentário de Hugo, a proposta explícita de chupar os dois. Passar o resto do dia como se nada tivesse acontecido fora difícil, mas ele conseguira.
Estava sozinho.
Abriu a mochila e tirou o tesouro que guardara o dia inteiro: a cueca que Rubén usara por horas e horas, aquela que ele colocara para lavar na noite anterior e que o primo recuperara para vestir outra vez.
Segurou-a diante do rosto. O tecido estava pesado, ainda úmido em algumas áreas, a do bolso do pau mais escura, a parte da bunda com uma faixa amarelada que não vira pela manhã. Cheirava a suor recente, pele quente, esforço, ovos, sujeira grudada na virilha. A Rubén. Nico fechou os olhos e aspirou devagar. O cheiro encheu seu peito e desceu direto para o ventre e, dali, para o pau, que ficou duro ao primeiro suspiro.
Despiu-se. Completamente. Deitou-se de costas na cama, ainda com a cueca do primo na mão. Pensou no supino, na barra subindo e descendo, no volume a centímetros do rosto, no cheiro de virilha suada entrando pelo nariz enquanto empurrava. Pensou no banho, no pau longo e escuro escorrendo água, nos ovos vermelhos por causa do calor, em como Rubén o sacudira diante dele com dois dedos, como se não fosse nada. Pensou em Hugo, no sorriso cúmplice, na pergunta —tem certeza de que ele é seu irmão?— e na resposta que dera sem pensar. Por que a dissera? Por que gostara que o primo brincasse com aquilo, chamando-o de irmão caçula diante de todos? Por que o deixava tão excitado imaginar Hugo chupando os dois, ajoelhado entre os dois paus, o seu pequeno e o do primo, grosso e escuro, batendo cabeça contra cabeça?
Cuspiu na mão e segurou o pau, duro como nunca estivera. Começou a se masturbar devagar, com a mão esquerda, enquanto com a direita levava a cueca ao rosto. Colou-a ao nariz e à boca, respirou fundo, pôs a língua para fora e lambeu o tecido por dentro, no espaço da frente onde o cheiro era mais forte, procurando com a ponta da língua o rastro salgado do suor do pau do primo. Chupou o tecido, mordeu-o, passou a língua por cima como se fosse pele.
A mão diminuiu o ritmo, aumentou-o, apertando sob a glande. Levantou as pernas, passou o tecido pelos ovos, esfregou-o na bunda, imaginando que era Rubén quem fazia aquilo. Imaginou o primo deitado sobre ele, o pau enorme entre suas coxas, esfregando-o sem penetrá-lo, marcando seu território com o cheiro. Imaginou Rubén dizendo em seu ouvido: "Abra a boca, priminho, chupe meus ovos como você está louco para fazer", imaginou a voz rouca, a mão grande apertando sua nuca contra a virilha, o pau escuro entrando em sua boca até a garganta. Gemeu alto, mordeu a cueca para não gritar.
Agora se masturbava depressa, com a mão inteira, o pau brilhando de saliva e líquido pré-seminal. Cada respiração era uma imagem: o primo rindo, o primo mandando, o primo sem cueca, o pau solto dentro da calça jeans, o pau oscilando enquanto andava, o pau apontado para sua boca. Sentia o orgasmo subir dos pés, aquecendo-lhe as pernas, apertando-lhe os ovos.
Então a porta se abriu.
Nico ficou paralisado, com o pau na mão e a cueca do primo colada à boca, encharcada de saliva.
Rubén estava à soleira, apoiado calmamente, olhando para ele. Não disse nada. Não avançou. Não recuou. Apenas sustentou o olhar. Nico viu quando ele levou a mão ao volume da calça e o apertou uma vez, devagar, sem tirar os olhos dele.
Passaram-se alguns segundos eternos, e então o corpo de Nico não aguentou mais. Um espasmo percorreu-o inteiro, da cabeça aos pés. Ele gozou sem sequer se tocar, o pau saltando em sua mão aberta, os jatos saindo disparados um atrás do outro, grossos, brancos, quentes, manchando seu rosto, os lábios, o pescoço, o peito, o ventre. O primeiro jato atingiu sua bochecha; o segundo, direto na boca aberta; os seguintes caíram formando poças sobre sua pele. Fechou os olhos, envergonhado e exposto, vulnerável, ainda respirando entrecortadamente, com o gosto de sêmen misturando-se ao gosto da cueca do primo.
Rubén sorriu com uma malícia tranquila.
—Porra, priminho —murmurou—. Que putaria.
Aproximou-se da cama, abaixou-se por um instante e passou o polegar pela bochecha dele, recolhendo um grumo de sêmen. Levou-o à boca, chupou-o devagar, sem parar de olhá-lo, e voltou a se endireitar.
—Você pode usar minha cueca para se limpar —disse—. Com uma condição.
—Qual? —perguntou, sem pensar.
—Que a vista depois. Suja. Com toda a sua porra grudada dentro. E não a tire até eu mandar.
Rubén virou-se e saiu. O corredor voltou ao silêncio. Nico limpou-se devagar, obediente, com o tecido ainda morno, passando-o pelo rosto, pelo pescoço, pelo peito, recolhendo o sêmen espesso até deixar a pele pegajosa e o algodão encharcado. Quando terminou, puxou a cueca pelas pernas e deixou-a vestida. Sentiu-a pesada, úmida, marcada por dentro pela própria gozada e, por fora, pelo suor do primo. O pau, ainda mole, acomodou-se no mesmo espaço onde estivera o de Rubén.
Continuava imóvel quando o primo voltou a aparecer.
—A semana inteira —acrescentou, sem levantar a voz.





