O desconhecido do banco de trás mudou minha madrugada
Subi para o segundo andar do ônibus achando que dormiria as sete horas seguidas. Trinta minutos depois, um rosto surgiu entre os assentos e me perguntou para onde eu ia.
Subi para o segundo andar do ônibus achando que dormiria as sete horas seguidas. Trinta minutos depois, um rosto surgiu entre os assentos e me perguntou para onde eu ia.
Andrés sabia exatamente o que fazia com as mãos. Cheguei com dor nas costas e saí com algo sem nome, em que ainda penso quando adormeço.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Naquela tarde na praia, soube que os quatro estavam nos olhando. O que eu não sabia era que, naquela noite, tudo o que Roberto e eu tínhamos imaginado iria acontecer.
Disseram-me que o cliente era especial. Não disseram que era o homem mais temido da cidade — nem que, assim que o amarrei, ele começaria a se quebrar de verdade.
As cordas me marcaram a pele de vermelho. A culpa me marcou a alma de preto. E aquele homem continuava procurando a fenda por onde me quebrar de vez.
A TV ligada, as luzes apagadas, uma manta cobrindo nós três. Ninguém disse nada. Foi meu amigo quem moveu a mão primeiro, devagar, como se já esperasse aquele momento.
Ele carregava um caderno de versos debaixo do braço e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando. Eu não deveria ter voltado pelo caminho. Mas voltei.
Ele chegou encharcado, ainda com as marcas da última sessão pulsando sob a roupa. Ninguém na cidade sabia que o homem mais temido vinha se ajoelhar diante de mim.
Nunca achei que depilar o corpo inteiro fosse mudar alguma coisa. Mas quando ele passou a cera nos meus glúteos e mandou eu ficar de quatro, algo acendeu em mim.
Seus dedos subiram devagar pelas minhas coxas. Naquele momento eu soube que aquela massagem seria algo completamente diferente do que eu tinha pedido.
Depois de minutos caminhando, comecei a reconhecer as ruas. Quando ele abriu aquela porta, soube que já estivera ali — embora jamais imaginasse em que circunstâncias.
Sair de tanga e sutiã sob as leggings era meu ritual secreto. Eu não esperava que alguém tivesse coragem de me seguir. Nem que eu quisesse tanto que isso acontecesse.
Combinei de encontrá-lo numa praça que eu não conhecia, numa cidade que não era a minha. Ele me convidou para o apartamento dele e perdemos a noção do tempo.
Eu morava na fazenda e podia usar roupa de mulher o dia inteiro sem ninguém me incomodar. Até que um desconhecido escreveu dizendo que gostava das minhas fotos.
Avisei que era eu, como sempre fazíamos. Ele respondeu que eu entrasse. Encontrei-o no banheiro, fazendo a barba, nu. Tinha o corpo que eu havia tentado não olhar durante meses.
Desci da moto a meia quadra e entrei em silêncio pela porta dos fundos. Do quarto vinham vozes que demorei a reconhecer.
Fui consertar a máquina de lavar dele com uma tanga vermelha por baixo da calça. Só precisava achar o momento para ele notar. Ele não disse nada, mas ficou olhando.
Cheguei ao apartamento dele na hora combinada. Ele abriu a porta de roupão; ela desceu depois, nervosa e excitada. A noite seria longa.
Na primeira vez que o vi naquele jantar, eu soube que aquele homem não era como os outros. Meses depois, era eu quem pedia mais.