O que aquele homem leu para mim mudou algo em mim
Ele carregava um caderno de versos debaixo do braço e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando. Eu não deveria ter voltado pelo caminho. Mas voltei.
Ele carregava um caderno de versos debaixo do braço e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando. Eu não deveria ter voltado pelo caminho. Mas voltei.
Ele chegou encharcado, ainda com as marcas da última sessão pulsando sob a roupa. Ninguém na cidade sabia que o homem mais temido vinha se ajoelhar diante de mim.
Nunca achei que depilar o corpo inteiro fosse mudar alguma coisa. Mas quando ele passou a cera nos meus glúteos e mandou eu ficar de quatro, algo acendeu em mim.
Seus dedos subiram devagar pelas minhas coxas. Naquele momento eu soube que aquela massagem seria algo completamente diferente do que eu tinha pedido.
Depois de minutos caminhando, comecei a reconhecer as ruas. Quando ele abriu aquela porta, soube que já estivera ali — embora jamais imaginasse em que circunstâncias.
Sair de tanga e sutiã sob as leggings era meu ritual secreto. Eu não esperava que alguém tivesse coragem de me seguir. Nem que eu quisesse tanto que isso acontecesse.
Combinei de encontrá-lo numa praça que eu não conhecia, numa cidade que não era a minha. Ele me convidou para o apartamento dele e perdemos a noção do tempo.
Eu morava na fazenda e podia usar roupa de mulher o dia inteiro sem ninguém me incomodar. Até que um desconhecido escreveu dizendo que gostava das minhas fotos.
Avisei que era eu, como sempre fazíamos. Ele respondeu que eu entrasse. Encontrei-o no banheiro, fazendo a barba, nu. Tinha o corpo que eu havia tentado não olhar durante meses.
Desci da moto a meia quadra e entrei em silêncio pela porta dos fundos. Do quarto vinham vozes que demorei a reconhecer.
Fui consertar a máquina de lavar dele com uma tanga vermelha por baixo da calça. Só precisava achar o momento para ele notar. Ele não disse nada, mas ficou olhando.
Cheguei ao apartamento dele na hora combinada. Ele abriu a porta de roupão; ela desceu depois, nervosa e excitada. A noite seria longa.
Na primeira vez que o vi naquele jantar, eu soube que aquele homem não era como os outros. Meses depois, era eu quem pedia mais.
Eu estava no limite. Sem dinheiro e sem opções, disquei o número de Rodrigo sabendo exatamente o que significava voltar a vê-lo.
Naquela manhã, o banho durou quase uma hora. Começou com espuma e terminou com algo que eu nunca tinha me atrevido a descobrir por completo.
Passei anos escondendo essa parte de mim, mas com ela era diferente. Quando disse que queria nos ver, soube que não havia como dizer não.
Tinha quarenta e seis anos, esposa, amantes e uma vida perfeitamente organizada. Então o vi sair do banheiro e não consegui desviar os olhos. Esse foi o começo.
Tinha quarenta e oito anos, esposa, três filhos e nenhuma dúvida sobre quem era. Tudo mudou no dia em que um rapaz jovem me pediu uma carona até o metrô.
Ele se apresentou como o ativo do chat. Mas quando pus as mãos nos ombros dele e vi como relaxou, entendi que naquela tarde as regras iam mudar.
Motoristas de remis que chegavam como ativos e acabavam me pedindo para eu penetrá-los. Funcionários que beijavam como loucos. Cada ofício era um mundo diferente.