O marinheiro que me iniciou antes de zarpar
Ele me prometeu uma vaga na escuna se eu o acompanhasse ao beco. O que vi por aquela janela e o que aconteceu depois mudou tudo o que eu achava saber sobre mim.
Ele me prometeu uma vaga na escuna se eu o acompanhasse ao beco. O que vi por aquela janela e o que aconteceu depois mudou tudo o que eu achava saber sobre mim.
Visto a lingerie que ela jamais usaria e espero ele bater na porta do motel. Sei que ele vai voltar: em casa dele há um homem morrendo de fome.
Aquele porão de pedra sob a casa dele foi minha escola secreta: ali aprendi o que nem ousava nomear, primeiro com Tomás e depois com o irmão dele.
Quatro meses depois, voltamos ao mesmo vestiário buscando repetir aquela tarde. Não contávamos com que um terceiro, jovem e ousado, estivesse nos observando do outro lado.
Gosto que me olhem, que me desejem, que o olhar deles se perca quando eu me viro. E ao longo dos anos aprendi a fazer disso uma arte.
A porta do quarto estava entreaberta. Espiei pela fresta sem pensar e o que vi me pregou ao chão: meu pai não era quem eu pensava.
Eles se diziam irmãos, machos, intocáveis. Mas cada desculpa — creatina, cansaço, técnica — escondia a mesma verdade que nenhum dos dois ousava nomear.
Karim arrancou minha sunga e disse que já era hora de eu parar de bancar o difícil. Eu não sabia que aquela tarde à beira da água ia me ensinar a usar meu corpo como arma.
Ele lhe ofereceu uma bebida com um sorriso travesso e uma piscadela, e naquele instante o professor soube que a distância entre os dois estava prestes a desaparecer.
Ele tirou a camiseta encharcada diante de mim, sem saber que eu tinha ouvido tudo do chuveiro. O que lhe ofereci naquela tarde mudou sua ideia de prazer.
Faz dez anos que eu não pensava no meu próprio corpo. Bastou aquele massagista cravar os dedos nas minhas costas para algo que eu achava impossível começar a despertar.
Aos trinta e três anos, com um corpo de atleta e um segredo que vinha sufocando havia metade da vida. Até que um rapaz cruzou a porta da loja e o encarou sem medo.
Baixou a voz até um sussurro rouco do outro lado da divisória, e eu soube que jamais voltaria a me sentar diante dele numa reunião sem me lembrar.
Eles foram inseparáveis a vida inteira, mas naquela tarde, sozinhos no sofá, nenhum dos dois quis fingir que aquele beijo tinha sido um acidente.
Eu passava semanas desejando que ele voltasse a me procurar. Nessa noite entendi que, se quisesse sentir aquilo de novo, teria de ir buscá-lo em outro lugar.
Apostei com ele que, se eu ganhasse na cancha naquela tarde, eu cobraria com ele. Ele riu. Não sabia que eu esperava por esse momento havia anos.
Não conseguia parar de olhar o corpo de Bruno sob a água, e quando ele se virou de olhos fechados soube que aquela tarde cruzaria uma linha que evitávamos havia anos.
Eu sabia que, assim que cruzasse a porta dele, não haveria mais volta: naquele dia eu ia deixar que ele me comesse de verdade, e passei a semana inteira imaginando isso.
Eu estava bêbado no metrô quando abri o app por tédio. Não imaginava que aquela mensagem de um desconhecido terminaria comigo de joelhos num depósito escuro.
Eu tinha 24 anos, uma namorada doce e uma dúvida que carregava em silêncio havia anos. A mão dele no meu ombro, naquela noite no bar, acabou respondendo.