O nadador que me dominou nos chuveiros do clube
Eu tinha nadado três mil metros a toda e só queria água quente sobre os ombros. Então ele se virou no chuveiro ao lado, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Eu tinha nadado três mil metros a toda e só queria água quente sobre os ombros. Então ele se virou no chuveiro ao lado, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
A porta mal se fechou e já tenho a boca dele buscando a minha, ainda com o gosto da noite entre os dentes. Agora a cama é só nossa.
Iván e Nico atravessaram a porta como se a cobertura já fosse deles, e antes mesmo de cumprimentar já tinham nos empurrado contra a parede da sala.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Reconheci o sorriso de demônio encostado no balcão, com a toalha preta e o arnês vermelho, e soube que aquela noite a sauna inteira seria testemunha da nossa história.
Quando a porta se fechou e engoliu a última luz, só existiam as mãos, as bocas e a voz de Mateo dizendo que naquela noite eu era dele.
Quando entramos nus e pingando, os três caras que se ensaboavam se afastaram sem dizer nada e nos deixaram o centro, como se soubessem que a noite ainda não tinha acabado.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Deitei nu sob o último sol de setembro, oferecendo meu corpo a quem quisesse olhá-lo. Então apareceu o único homem que pensei que não voltaria a ver.
Iván ainda dormia nos meus braços quando um barulho no corredor me tirou da cama. Eu não imaginava que o último dia seria o mais quente de todos.
Ele tinha namorada e pagava de durão, mas naquela noite, trancados no cubículo do banheiro, foi ele quem me agarrou pela nuca e pediu que eu chupasse direito.
Perdemos o jogo e caminhávamos rumo ao metrô quando um carro de luxo parou ao nosso lado. O homem ao volante tinha uma proposta que nenhum de nós esperava.
Eram duas da manhã quando ele aceitou cruzar minha porta. Só me pediu três coisas, e a terceira era a que mais me excitava: poder voltar atrás quando quisesse.
Só ia ser a desculpa para a mulher dele não desconfiar. Nunca imaginei que acabaria sentado na frente dos dois, sem conseguir desviar os olhos do que faziam.
Andrés guardou o cartão por dois dias sem se atrever a escrever. Quando finalmente o fez, não imaginou que naquela mesma noite estaria nu contra a parede do próprio hall.
Estávamos há semanas em alto-mar e o velho contramestre vinha me olhando de um jeito diferente. Nessa meia-noite, ao terminar meu turno, bati em sua porta sem imaginar o que ele me pediria.
Ele achava que estava sozinho sob a água, até que um braço lhe rodeou o pescoço pelas costas e uma voz rouca sussurrou no seu ouvido o que já era óbvio.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava debaixo dele, sem intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me encararam da porta.
Quase nove da noite, o campus vazio e uma mochila esquecida nos banheiros. Abri só para achar o dono. O que havia no fundo mudou tudo.