A aposta que Bruno perdeu naquela tarde de estudo
Dez minutos de pausa, um videogame de futebol e uma aposta absurda bastaram para derrubar tudo o que Bruno achava saber sobre o amigo em uma tarde.
Dez minutos de pausa, um videogame de futebol e uma aposta absurda bastaram para derrubar tudo o que Bruno achava saber sobre o amigo em uma tarde.
A gente se atrasava para a academia toda manhã, mas jamais pulava aquele ritual entre os lençóis. Hoje, pela primeira vez em semanas, era ele quem abria as minhas pernas.
Quando o celebrante perguntou se alguém tinha algo a dizer, o noivo levantou a mão. Não para aceitar, mas para confessar o que calava havia meses.
Eu tinha jurado que íamos só olhar. Mas quando aquele desconhecido pôs a mão no ombro de Eduardo, eu soube que também não conseguiria ficar parado.
Achei que era coisa da minha cabeça, até encontrar um número escrito no plástico do lencinho que o comissário me entregou ao descer do avião.
Tenho trinta e quatro anos e nunca duvidei do que eu era. Até que aquela semente começou a crescer dentro de mim, silenciosa e persistente, e já não pude ignorá-la.
O vagão estava vazio naquela hora da madrugada. Quando aquele homem sentou quase à minha frente e começou a me olhar sem disfarçar, eu soube que a viagem não seria como as outras.
Senti o corpo grande dele se apertando contra minhas costas a cada freada, e quando ele sussurrou «a gente desce na próxima» eu soube que não conseguiria dizer não.
Cheguei a essa festa de sunga achando que seria só mais um dia com meu namorado. Não imaginava que acabaria de joelhos, mostrando a outro o que ele estava perdendo.
Nove e meia da manhã, uma planilha do Excel pela metade e, de repente, o corpo nu do namorado roçando sua nuca. Trabalhar ia ser impossível.
Estava na empresa havia três semanas quando ele se inclinou sobre a mesa e disse que eu tinha algo que chamava atenção. Nessa mesma tarde eu o segui.
Quando aquele homem pousou as mãos nas minhas costas, soube que já não era sobre a febre nem o cansaço da viagem, mas sobre algo que eu evitava havia anos.
Eu conhecia os horários dele, o som das botas, o momento exato em que tirava a camisa por causa do calor. O que eu não sabia era até onde essa obsessão ia me levar.
Ele sabia que ia perder antes de começar. Mas se render de cara não lhe dava nada: o prazer estava em resistir, em obrigar o outro a arrancar a vitória a dentadas sob a lua cheia.
Passei três semanas engolindo poeira e solidão quando o motorista me fitou fixo, sem sorrir, e disse: «Vem, minha casa». Não era um convite: era uma ordem, e eu fui.
Passei dois anos imaginando este dia. Não sabia que um homem de cinquenta e poucos anos, com o olhar cravado no meu, decidiria como seria minha primeira vez.
O telefone tocou e era ele, me oferecendo uma sessão para aquela mesma tarde. Pelo tom, soube que não falávamos só de massagem.
Durante anos eu me disse que era o típico cara hétero. Menti. Minhas punhetas eram dedicadas aos colegas do vestiário, e demorei demais para admitir.
Tinha dezenove anos e uma tesão impossível de esconder. Ele percebeu assim que me abriu a porta do apartamento, e já não deu para disfarçar o que nós dois queríamos.
Aceitei subir a um quarto com doze colchões no chão, sem imaginar que naquela manhã eu não sairia de lá com apenas um homem marcado na pele.