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Relatos Ardientes

O que aconteceu com minha ex-nora enquanto minha mulher não estava

No fim de uma rua poeirenta de Cerro Manso, onde as casas se rendem ao campo, vivia Tomás Ferrer. Mecânico aposentado havia apenas uma semana, naquela manhã ele tentava ler Dom Quixote em uma rede recém-estreada, sob a sombra de duas algarobeiras.

«Será que sou burro, ou este livro é superestimado?»

Fechou o volume de repente e o deixou cair sobre a grama. Quarenta e cinco anos apertando porcas não o haviam preparado para Cervantes. O sol caía límpido sobre a pequena piscina que ele mesmo clorara uma hora antes, e tudo era silêncio, salvo pelos pássaros.

—Vou ao mercado! —gritou Pilar da porta, acenando.

—Vaaale! —respondeu ele, sem modular muito a voz.

O carro desapareceu rua abaixo. Rufo, o velho labrador, levantou as orelhas antes que seu dono. Depois ouviu-se o motor de uma moto e algumas buzinadas brincalhonas que Tomás reconheceu imediatamente.

«Não pode ser. Essa não é…?»

Era Renata. A ex-namorada de seu filho Bruno atravessou o portão do jardim e se ajoelhou para fazer carinho no cachorro, que se deitou de barriga para cima, com a língua de fora. Fazia meses que não se viam, desde o rompimento.

—Oi, Tomás —disse ela, levantando a cabeça, com aquele sorriso que sempre o desarmava.

—Oi, Renata… —respondeu ele, sem saber muito bem como continuar—. Pilar não está. Acabou de ir ao mercado.

—Não vim por ela. Nem pelo Bruno, fique tranquilo. —Olhou para o lado, procurando as palavras—. É que, quando você termina com alguém, não termina só com ele. Termina com a família, com o cachorro, com os domingos de churrasco. Hoje de manhã sonhei que estava aqui, com vocês, e acordei acabada.

Tomás assentia, mas sua atenção não estava tanto nas palavras quanto na coreografia dos gestos dela. O cabelo loiro, os cílios longos, a camiseta branca e fina sobre um peito farto que se marcava sem sutiã, com os mamilos desenhados sob o tecido, e um short gasto e rasgado demais, que deixava aparecer a parte inferior das nádegas.

«Não entendo como meu filho deixou escapar uma garota dessas. Dez por fora e por dentro. E que peitos, porra.»

—Não posso defender o Bruno —disse ele, medindo cada sílaba—. Eu teria gostado que você fosse a definitiva. Ele nunca vai encontrar ninguém como você.

Os olhos azuis de Renata se iluminaram. Ela cursava humanidades e, sob sua tagarelice acelerada, havia uma garota inteligente e culta. O fato de aquele homem rude ficar do lado dela a aliviou das mentiras que Bruno certamente teria contado sobre o término.

—Justo quando tenho uma convidada decente… —Tomás estendeu a mão e a convidou a entrar—. Pilar deixou uma jarra de limonada. Com este calor, dá vontade.

Renata avançou à frente dele pelo jardim. Tomás percorreu aquela figura com os olhos: as nádegas apareciam a cada passo, desafiando o pouco tecido que as cobria, e cada balanço deixava adivinhar o sulco entre elas. Ela não se lembrava de ter saído de casa tão provocante, mas percebeu o olhar do velho cravado em sua bunda, tão intenso que quase esqueceu como se andava.

***

Conversaram sobre tudo enquanto ela se servia de limonada: sobre a aposentadoria dele, sobre o ensaio que ela escrevia e que ninguém em sua casa se dava ao trabalho de ouvir. Tomás lhe deu mais atenção em duas frases do que Bruno lhe dera em seis meses.

—Se soubesse que viria, teria trazido meu maiô —disse Renata—. Com este calor, um mergulho me faria muito bem.

—Noa, a mulher do Aníbal, deixou ontem um biquíni estendido ali atrás. Laranja. Veja você mesma.

A garota foi até o varal e voltou pouco depois usando a peça, ainda segurando suas roupas e seus tênis brancos. Tomás tentou controlar o próprio olhar para não intimidá-la.

—Pilar não teria algo mais do meu tamanho? A Noa é reta, e eu…

—Você já viu minha mulher? Ela usa maiôs inteiros. —Deu de ombros—. Não tivesse colocado silicone.

—Eu não tenho silicone! —protestou—. Só operei o joelho quando era criança.

—E eu lá sei? Como ia imaginar que algo tão perfeito pudesse ser natural?

Ela entrou na água, ainda discutindo se os homens tinham o direito de olhar. Tomás, à sombra, ouvia pela metade e observava-a inteira. Aquela garota ter resposta para tudo o desarmava.

Quando Renata saiu da piscina, levantou os braços para espremer o cabelo para o lado. O biquíni de Noa, pequeno demais para seu tamanho, deixou um mamilo escapar pela lateral. Tomás arregalou os olhos, sem ousar dizer nada. Ela continuava falando, alheia, recitando suas ideias sobre o futuro da humanidade.

«Se eu avisar agora, ela vai saber que estou olhando em silêncio há um tempo. Vou esperar até que faça um movimento brusco.»

O movimento não veio. Renata deitou-se para tomar sol sobre a pedra quente, de costas, com uma almofada sob a cabeça. E então, sem abrir os olhos, apalpou o peito calmamente, ajeitou o biquíni e disse em voz baixa:

—Por que você não me avisou?

—Avisar… avisar do quê? —gaguejou ele.

—Eu estava com a teta para fora e você ficou calado como um ladrão. —Fez uma pausa—. Que mentiroso. Se estava distraído, era só dizer.

***

O que veio depois foi um jogo, e os dois sabiam disso. Renata, acostumada à agressividade dos rapazes de sua cidade, achava a atenção de Tomás estranhamente gentil. Sabia que aquele homem jamais encostaria um dedo nela, e isso lhe dava uma liberdade perigosa.

—Você gosta de mim, Tomás? —perguntou de repente, sem mover um único músculo.

—Por que está perguntando isso?

—Pode dizer. Eu sei que você nunca tentaria nada. É por isso que deixo você olhar. Você é como meu espelhinho mágico. Será que a rainha do conto queria transar com o próprio espelho?

Tomás ficou sem palavras. Aquela garota encontrara uma maneira de amolecer seu temperamento áspero, de arrancar dele ternuras que ele não se permitia nem com a própria família.

—Espelhinho, espelhinho… sou mais bonita que a nova namorada do Bruno? —cantarolou.

—Você é mais bonita que ela e que qualquer outra que aquele insensato já teve. Sempre será minha nora preferida.

Renata abriu os olhos e se sentou, encantada com aquela bajulação. Mas algo havia mudado no ar. A sombra, o calor, a casa vazia. Ela continuou puxando o fio.

—Fico irritada por você ter visto minha teta naquela posição. Estava mal colocada, torta. Quando o Bruno trouxer outra namorada, não quero que você tenha dúvida sobre quem é a mais bonita. —Mordeu o lábio—. Quero que veja meus peitos de novo. Em condições melhores.

—Isso não… Por que você iria querer isso? É outro dos seus jogos?

—Você acha que estou brincando com você? —fingiu-se ofendida.

Tomás se remexeu na cadeira de madeira. Se Renata fosse um motor, ele saberia ler seus sintomas como o técnico que era. Mas as mulheres, suas indiretas, sua linguagem corporal, sempre lhe escaparam.

—Se você não vai contar para a Pilar… —sussurrou ela, brincando com os cordões do biquíni—. Peça-me.

—Que eu peça?

—De joelhos.

O velho entendeu imediatamente o que significava ceder. Não feriria apenas seu orgulho: revelaria seu desejo por uma garota que poderia ser sua neta. Enquanto pensava, Renata abanava os cílios escuros, e o nó nas costas do biquíni já se soltava havia algum tempo. O tecido laranja mal a cobria.

«Não vou fazer isso. Não vou me ajoelhar. Nunca.»

Ajoelhou-se sobre a grama.

—Eu peço… de joelhos… por favor. Mostre-os para mim.

Renata sorriu, satisfeita por dobrar um homem tão honrado. Não tinha intenção de ir mais longe, de romper a harmonia sagrada daquele casamento. Mas bastou inclinar a cabeça e puxar um laço. A peça desabou sobre suas coxas, e seus seios ficaram expostos ao sol, brancos onde o sol nunca havia tocado, com os mamilos rosados endurecendo pelo simples contato com o ar.

—Acho que nem preciso perguntar se você gostou —disse.

Tomás não conseguiu articular mais que um balbucio. Quando tentou se aproximar, ela se afastou, cobrindo-se com o braço.

—Calma, calma. Foi só uma pergunta, não uma oferta. Você viu meus peitos como os veria na praia. Nada aconteceu de que precise se arrepender. Mas pense na Pilar. O que ela diria se encontrasse você assim?

E, ainda assim, nenhum dos dois queria que aquilo terminasse.

***

—Antes você disse que significaria muito para você que eu lesse seu ensaio —sondou Tomás, faminto por improvisos—. Deixe-me dar alguns beijos em você e eu o lerei com toda a atenção.

—Que bobagem. —Mas a garota só fazia charme por formalidade. Bem no fundo, desejava que a boca barbeada daquele homem se demorasse sobre sua pele—. Está bem… mas só um pouco. E nada de mãos. Não quero que isto fique mais estranho do que já está.

Tomás aproximou-se engatinhando, com o nervosismo de quem não tocava em outra mulher havia quarenta e cinco anos. Ela arqueou as costas e ofereceu o peito. Os primeiros beijos foram sutis, respeitosos, estranhamente ternos, apenas um roçar de lábios sobre a pele quente. Depois a boca do velho se perverteu, a língua se soltou, e um mamilo endurecido recebeu um ímpeto crescente, sugado com fome, preso entre os dentes.

—Mas o que você está fazendo, brutamontes? —disse ela, afastando-se—. Você me mordeu!

—Não me deixe na metade, Renata… falta o outro… por favor.

Enternecida por aquele arrependimento infantil, ela suspirou e voltou a se oferecer. Tomás lançou-se ao segundo peito com entusiasmo animal, sugando o mamilo inteiro, lambendo-o em círculos, absorvendo-o até Renata sentir uma corrente elétrica descer reta para a boceta. A garota sentiu a umidade esquentar sob o tecido do biquíni e apertou as coxas, incomodada com a própria excitação. O velho mamava como um condenado, alternando entre um seio e outro, até que uma fisgada nas costas o derrubou sobre a grama.

—Ha, ha… você já não tem idade para essas aventuras —riu ela—. Não se mexa. Espere.

Colocou a almofada sob a cabeça dele e acariciou-lhe as bochechas. Depois, com os joelhos de cada lado do rosto dele, deixou aqueles seios caírem sobre ele, presenteando-o com uma fricção lenta e obscena, arrastando os mamilos úmidos pela testa, pelas bochechas e pelos lábios entreabertos. Tomás esticava a língua para capturar o que pudesse, e ela permitia aos poucos, brincando de dar e tirar. O velho, sem saber como, percebeu que a entreperna da garota ficava a poucos centímetros de seu peito e que o tecido laranja do biquíni havia escurecido com uma mancha reveladora de umidade.

—Você está molhada, Renata —sussurrou—. Dá para perceber.

—Cale a boca.

Mas não se mexeu. Renata vigiava a rua: nenhum vizinho, nenhum transeunte. Só Rufo, deitado a alguns metros, observava os dois sem entender nada.

O som de um carro ao longe a afastou de repente.

—Essa não… essa não é a Pilar —protestou ele.

—Não importa. Estávamos passando dos limites —disse ela, vestindo a camiseta—. Melhor parar por aqui.

***

Mas já não podiam voltar atrás. Não era possível retomar a conversa sobre literatura ou família com as mãos trêmulas. Renata ajoelhou-se novamente, perto dele, e soltou a frase que mudaria tudo.

—A verdade é que, se você não fosse impotente, eu não teria deixado você babar em mim. O Bruno me contou que você não fica duro. Por isso não vejo você como um homem.

Era mentira, e ela sabia: os acontecimentos daquela tarde a desmentiam. Mas queria provocá-lo. Tomás não estava disposto a tolerar que menosprezassem sua virilidade. Sem sequer se levantar, abriu a calça e revelou uma ereção que não admitia discussão: um pau grosso, cheio de veias, com a glande brilhante e descoberta, apontando para o céu com uma firmeza que surpreendeu até a ele.

—Que não me vê como um homem? Não vê?

A tagarela ficou muda pela primeira vez. Ela havia notado o volume sob o tecido, mas nada a preparara para aquilo. Saber-se a única causa de tal estado reacendeu seu próprio tesão até níveis que não reconhecia em si mesma. Sentiu a boceta pulsar sob o biquíni, uma batida quente acompanhando as contrações daquela pica.

—Ainda não vejo você como um homem —disse, sem convicção—. Você era meu sogro. É como um pai para mim.

—Uma coisa não impede a outra. Toque nele, Renata. Só isso. Eu sei que você está com vontade.

Fingindo desinteresse, a garota aproximou-se, empurrada por uma curiosidade perturbadora. Seus dedos envolveram delicadamente o membro do velho, dobrando sua verticalidade, e ela sentiu contrações impacientes. O pau pulsava em sua mão como um animal vivo, quente, retesado sob a pele fina. Do buraquinho escapou uma gota transparente que deslizou pela glande, e ela a espalhou com o polegar, num gesto que não conseguiu evitar.

—Isto não é transar —justificou-se num sussurro, apertando o punho e descendo-o devagar até a base—. Só estou tocando um pouco.

—Faz mais de dez anos que não gozo, Renata. Nem sozinho consigo. Eu nem me lembrava de já tê-lo visto duro… até seu mamilo escapar.

Dez anos. A garota tentou imaginar uma seca tão longa. Ela estava havia dois meses sem transar e se sentia como uma gata no cio. Um tesão que não soube conter subiu-lhe à boca e, sem pensar mais, ela se inclinou e começou a chupá-lo.

Abriu os lábios e engoliu a glande num beijo úmido, saboreando-a como se fosse um caramelo. Depois desceu muito devagar, engolindo centímetro a centímetro, até a ponta roçar o fundo de sua garganta. Retirou-se com um som obsceno de sucção e voltou a enfiá-lo, marcando um ritmo guloso, enquanto um fio de saliva escorria por seu queixo e pingava sobre as bolas do velho.

—Renata… o que você está fazendo comigo? —ofegou Tomás, desfeito.

Nenhum corpo jamais lhe fizera aquilo. Pilar, nunca. Sua mulher sempre considerara boquetes uma baixaria indigna, e ele passara décadas se contentando em imaginá-los. A garota, por outro lado, aplicava-se com uma técnica que o deixava sem ar: sugava a glande sozinha, enrolando a língua na coroa; depois engolia o pau inteiro de uma vez; em seguida saía para cobri-lo de lambidas longas, dos ovos à ponta, olhando-o nos olhos.

—Hoje você vai gozar —prometeu ela, masturbando-o com as duas mãos, uma girando na base e a outra massageando a glande escorregadia—. Em nome de Renata.

—Não sei, menina… já disse que eu não…

—Cale a boca. Você nunca me teve. Eu faço a diferença.

Levou os testículos à boca, um depois do outro, chupando-os com cuidado enquanto a mão continuava subindo e descendo pelo pau. Depois cuspiu sobre a glande e voltou a engoli-lo, desta vez num ritmo enlouquecido, com as bochechas encovadas pela sucção. Tomás gemia sem pudor, segurando o cabelo loiro dela com as duas mãos, incapaz de acreditar que aquela boca de anjo o estivesse devorando daquela maneira.

—Porra… porra, menina… não pare…

Sentia-se outra pessoa, mais depravado a cada minuto. As linhas vermelhas que pouco antes lhe pareciam claríssimas fundiam-se sob o calor, e todo o remorso restante queimou ao sol. Ela enfiou o pau até o fundo mais uma vez, segurando as ânsias, e saiu com os olhos lacrimejantes e um sorriso safado nos lábios brilhantes.

E então, novamente, o motor de um carro. Desta vez era Pilar.

***

—Vista-se, Tomás —sussurrou ela, mergulhando novamente na piscina.

O velho, traído pela lombalgia, recuperou as roupas como pôde e deixou-se cair na rede, simulando uma calma que o balanço desmentia. Ainda estava com o pau duro e pulsando sob a calça, ressentido pela interrupção. Pilar entrou pelo portão carregada de sacolas, acompanhada de Remedios, uma vizinha que às vezes levava até a cidade vizinha.

—Oi, querido. Olha quem encontrei —disse Pilar—. E a Renata! Que alegria.

—Oi para as duas —respondeu a garota da água, com a camiseta vestida sobre o biquíni molhado.

As duas mulheres descarregaram as sacolas e foram embora novamente: Pilar levaria Remedios até Puerto Alto e voltaria sozinha. Quando o carro desapareceu outra vez, o jardim voltou ao silêncio, interrompido apenas pelos olhares trocados entre o velho e a sereia que continuava nadando.

—Acho que eu deveria ir embora —disse ela, sem sair da água.

—Pensei que você ficaria para almoçar.

—Sim, mas… você sabe. Não quero ser o tipo de garota que transa com homens três vezes mais velhos. E você deveria ser a voz da razão. Colocar-me nos eixos.

Tomás começava a concordar com ela. Até Renata subir os degraus da piscina e seu corpo molhado voltar a ter nome e sobrenome. O biquíni grudava-se à pele, desenhando cada relevo: os mamilos marcados descaradamente através do tecido, os lábios da boceta insinuando-se sob o triângulo laranja que mal os cobria.

«Minha Nossa Senhora. De onde saiu essa garota?»

—O que você está olhando? —disse ela, intimidada e lisonjeada ao mesmo tempo.

—Parece mentira que seja o mesmo biquíni que a Noa usava. Você faria com que ele ganhasse o prêmio de melhor traje de banho da história.

—Deixe para lá, Tomás. Assim que minha camiseta secar, vou embora.

***

A camiseta secava no encosto de uma cadeira. Renata, para passar o tempo, aproximou-se da rede e puxou a corda inferior, inspecionando-a.

—As redes me dão uma agonia. Sinto que vão arrebentar a qualquer momento.

—Esta aguenta mais de duzentos quilos. É de uma boa marca.

—Aposto que, se eu subir com você, as cordas arrebentam.

—Aposte o que quiser. Se não arrebentar, você fica para almoçar.

A garota suspirou, sentindo como um tesão avassalador desprezava seus sensatos raciocínios de um momento antes. Confessou, além disso, que sua moto fazia um barulho estranho e às vezes dava solavancos. Tomás decretou, muito sério, que ela se beneficiaria de um bom mecânico gratuito.

—Está bem. Mas prometa que vai ficar quieto —disse ela, sem acreditar nem em si mesma.

Subiu com cuidado, pedindo que ele fechasse os olhos. A rede balançou e finalmente a sustentou. Ficaram frente a frente, o azul dos olhos dela fixo no marrom cansado dos olhos dele, enquanto o sol piscava entre as folhas das algarobeiras. O cabelo molhado de Renata pingava sobre o peito nu do velho, e a oscilação foi se acalmando, levando consigo qualquer resto de prudência.

—Parece que não vai arrebentar —disse ela.

—Eu já disse.

—É que ainda não comecei a me mexer.

Renata sentiu o volume sob as nádegas e começou a se esfregar sobre ele, roçando a boceta molhada no tecido da calça, sentindo o pau duro pulsar contra seu sexo. As mãos calejadas de mecânico subiram por suas coxas até envolver sua bunda e desfazer, sem disfarce, os nós laterais do biquíni. A calcinha caiu no chão, deixando a bunda nua ao ar livre. Depois subiram até os seios, que novamente transbordavam pelo tecido vencido, e arrancaram o nó do pescoço. A garota livrou-se da última peça e ficou completamente nua sobre ele, com a boceta raspada à vista, brilhante de excitação, os lábios menores inchados e separados pelo próprio calor.

—Você vai me foder, Tomás? —perguntou—. Vai ser capaz?

—Vou foder você até parti-la ao meio, menina.

Ela levantou os quadris para libertá-lo. Ele baixou a calça às pressas, e sua ereção retornou das cinzas de uma década de flacidez, mais dura que antes, mais grossa, com a glande inchada e arroxeada. Renata agarrou-a com uma mão, cuspiu nela uma golfada espessa e primeiro a esfregou ao longo do sexo molhado, passando a glande para cima e para baixo pelos lábios, arrancando gemidos e ensopando seu pau com os próprios fluidos. Demorou alguns segundos esfregando a ponta contra o clitóris, brincando de enfiá-lo sem fazê-lo, até não aguentar mais e cravá-lo de uma vez.

—Aaah! Porra! —gritou ao senti-lo entrar inteiro—. Deus… que pica enorme… você está me partindo…

—Você está apertadíssima, menina.

—Estou tão excitada que não aguento mais.

Começou a cavalgá-lo com movimentos sinuosos, subindo devagar até deixar apenas a glande dentro e descendo de uma vez, empalando-se inteira, gemendo cada vez que sua bunda aterrissava sobre as coxas do velho. A rede voltou a balançar, acompanhando o ritmo. Rufo latiu duas vezes antes de se calar. As mãos de Tomás percorriam avidamente o corpo da garota: os seios que ondulavam a cada estocada, as nádegas que rolavam sobre seu colo, os tapas que as faziam tremer.

—Sim! Sim! Fode-me, porra! —ofegava ela, apertando-se contra ele e trocando o vai e vem por um movimento circular obsceno—. Assim, assim, não pare!

Tomás sentia que seu membro finalmente estava em casa, refugiado na umidade mais acolhedora, apertado por paredes quentes que o sugavam a cada descida. Ergueu-se como pôde para prender um mamilo entre os dentes, e ela soltou um grito rouco, arqueando-se. Mordiscou o outro, lambeu-lhe o pescoço, mamou seus seios alternadamente enquanto a garota continuava pulando sobre seu pau, apoiando as mãos nos ombros dele para descer com mais força.

—Fique de quatro —ordenou ele, com uma voz que não reconhecia—. Quero foder você por trás.

Renata obedeceu sem reclamar, descendo da rede e posicionando-se na grama, com a bunda empinada, as costas arqueadas e a boceta encharcada oferecida. Tomás ajoelhou-se atrás dela, segurou seus quadris e voltou a enfiá-lo com um único impulso que a fez deslizar para a frente.

—Aaah! Sim! Mais forte!

O velho começou a penetrá-la com toda a raiva acumulada de dez anos sem sexo, batendo a pélvis contra as nádegas da garota e fazendo toda aquela carne branca e firme tremer. Agarrou o cabelo molhado dela e puxou, obrigando-a a arquear-se ainda mais, fodendo-a como se fosse a última transa de sua vida. Os sons úmidos da boceta devorando o pau misturavam-se às palmadas secas dos quadris contra a bunda e aos gemidos abafados de Renata.

—Vou gozar… vou gozar, Tomás! —gritou, apertando os punhos contra a grama—. Não pare, não pare!

Renata gozou com um estremecimento de espasmos pélvicos, mordendo o lábio para não acordar a vizinhança, e ainda assim não parou. Queria mais. Queria roubar cada grama de prazer daquela situação absurda. Virou-se, empurrou-o novamente sobre a rede e voltou a montar nele, desta vez de costas para o velho, oferecendo-lhe a visão da bunda enquanto subia e descia sobre seu pau brilhante.

Para o velho, o caminho era mais longo: fazia mais de dez anos que não alcançava o ápice. Mas a garota não diminuiu o ritmo, e entre o peso de seu corpo, a visão obscena do próprio pau entrando e saindo daquela boceta rosada e a cumplicidade dos olhares por cima do ombro, o afeto paternal de meses transformou-se, a cada estocada, em outra coisa. Ela levou os dedos ao clitóris e começou a massageá-lo enquanto cavalgava, buscando o segundo orgasmo com a mesma avidez com que lhe arrancara o primeiro.

—Vou gozar… vou gozar de novo —anunciou ela, tremendo inteira—. Goze comigo, porra!

E então, depois de tantos jatos mudos, a austeridade do velho finalmente se rompeu. Sentiu o formigamento subir dos ovos, a pressão acumulando-se sem freio, e soube que iria explodir. A garota afastou-se a tempo, virou-se e agachou-se diante dele, segurando seu pau com as duas mãos e masturbando-o furiosamente sobre os seios. Seu grito rouco misturou-se à segunda explosão de Renata. O primeiro jato de sêmen saiu com tanta força que passou por cima do cabelo loiro dela; o segundo respingou no rosto, na bochecha, deixando um fio branco da sobrancelha até o lábio; os seguintes caíram espessos sobre seus seios, escorrendo entre os mamilos endurecidos e descendo por sua barriga. Renata manteve a mão trabalhando a base do pau até a última gota, tirando tudo dele, e então levou a glande à boca para chupar os restos, saboreando aquele alívio há tanto desejado com o sorriso safado de quem acabara de concluir uma grande façanha.

Tomás derretia-se num prazer que passara metade da vida acreditando ter perdido, incapaz de mover um músculo, vendo através de uma névoa a garota lamber os lábios e passar os dedos manchados pelos mamilos, espalhando o esperma sobre a pele como se fosse protetor solar.

—Que alívio, velho —sussurrou ela, dando uma última lambida na glande sensível—. Eu avisei. Eu faço a diferença.

Sob a sombra das algarobeiras, embalados por uma rede que não arrebentou, o primeiro dia de sua aposentadoria acabara sendo muito mais épico do que Tomás Ferrer jamais poderia ter imaginado. E, embora soubesse que pagaria caro por aquele feitiço, nada em toda a sua vida organizada lhe pareceu, naquele instante, digno de ser trocado pelo que acabara de viver.

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