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Relatos Ardientes

O que aconteceu com o massagista enquanto meu marido trabalhava

Uns dois meses antes de o mundo se fechar, coube a Martín um congresso de engenharia em Santa Marta. A empresa o mandava com tudo pago: passagens, hotel, diárias. Quando ele me contou naquela noite na cama, disse quase de passagem, como se não fosse nada. Mas bastou eu imaginar o mar para me dar vontade de ir junto. Eu só teria que pagar minha passagem; o resto já estava resolvido.

Não ficamos no hotel onde acontecia o evento, mas em outro a algumas quadras dali, menor e muito mais bonito. Tinha uma piscina comprida cercada de palmeiras e, da varanda do quarto, se via o Caribe se abrindo até sumir de vista. Chegamos numa terça-feira, pouco depois do meio-dia, e largamos as malas para sair correndo e almoçar no centro histórico.

Andamos a tarde inteira pelas ruas do centro antigo, entre fachadas coloridas e varandas de madeira. Comemos peixe frito num boteco de quinta que acabou sendo a melhor coisa da viagem. Martín me segurava pela mão e me mostrava coisas, e eu ria de qualquer bobagem. Fazia tempo que eu não o via tão à vontade, tão longe das telas e das reuniões.

Nessa noite fizemos amor com as janelas abertas e o rumor do ar-condicionado ao fundo. Tive um orgasmo de verdade, sem fingir nada, algo que ultimamente me custava mais do que eu gostava de admitir. Peguei no sono na hora, colada às costas dele, com aquela sensação morna de que a viagem tinha sido uma ótima ideia.

Quando acordei, Martín já estava vestido e penteado, conferindo sua credencial do congresso diante do espelho.

— Vai descer para tomar café ou quer que eu traga alguma coisa? — perguntou.

— Vou com você — respondi, ainda meio dormindo.

Coloquei um short e uma blusa fina, sem sutiã, porque o calor desde cedo já estava pegajoso. Descemos juntos para o restaurante, um buffet enorme com frutas que eu nem sabia nomear. Martín mal conseguiu tomar um café e morder uma torrada; ele precisava sair antes das oito. Me deu um beijo na testa e me deixou sozinha diante de um prato cheio.

***

Eu comia devagar, olhando o mar pela vidraça, quando o notei. Um homem alto, de ombros largos, vestido todo de branco: calça de linho e uma polo que se ajustava aos braços. Tinha a pele bem escura, brilhando sob a luz da manhã, e algo no jeito como se movia entre as mesas me fez segui-lo com os olhos por mais tempo do que devia. Em Santiago, de onde venho, quase não se veem homens assim. Fiquei com vergonha ao perceber que o estava observando como uma boba.

Terminei, deixei o guardanapo sobre a mesa e me levantei para voltar ao quarto. Foi justo ao cruzar o lobby que ele me alcançou.

— Bom dia, senhora. A senhora se interessaria por uma massagem? — disse, com uma voz grave e um sotaque costeño que arrastava as palavras—. Trabalho aqui no hotel. Por cinquenta dólares eu faço uma completa, de uma hora, e ainda dou mais quinze minutos de brinde.

Fiquei um segundo sem saber o que dizer. A ideia das mãos dele sobre meu corpo me atravessou por dentro antes que eu conseguisse freá-la. Pensei no dia inteiro pela frente, sozinha, sem nada para fazer até Martín voltar à noite.

— Está bem — eu disse, e minha própria voz soou estranha—. Quarto 304.

— Vou lhe dar dez minutos para se arrumar e subo com minhas coisas — respondeu, e se afastou sem esperar resposta.

Subi quase correndo. Escovei os dentes, prendi o cabelo, arrumei um pouco a roupa jogada. Eu fazia massagem com frequência em Santiago, mas sempre com mulheres. Nunca com um homem. E por mais que eu repetisse para mim mesma que era um serviço do hotel, que não tinha nada de estranho, o coração batia como se eu estivesse fazendo alguma coisa proibida.

Ele bateu na porta. Abri. Trazia uma colchonete enrolada debaixo do braço e uma bolsa com óleos. Estendeu a colchonete sobre a cama, com aquele vão no centro para acomodar o rosto, e alisou com a palma da mão.

— Fique de calcinha e deite de barriga para baixo, senhora. Eu me viro enquanto a senhora se despe.

Por um instante, hesitei. Pensei na noite anterior com meu marido, em que naquela manhã eu nem tinha conseguido me lavar direito. Senti uma vergonha idiota, quase disse a ele que melhor deixar pra lá, que eu pagava alguma coisa pelo incômodo. Mas mordi o lábio e me convenci de que era o trabalho dele, que com certeza já tinha tocado muitas mulheres, que eu não era ninguém para me julgar.

Fiquei só de tanga e me deitei sobre a colchonete, com o rosto afundado no vão. Ouvi quando ele esfregou as mãos com o óleo.

***

Começou pela cabeça, pressionando com os polegares a base do crânio, e foi descendo devagar até o pescoço e os ombros. Tinha as mãos enormes, mornas, e uma força que parecia medida no milímetro. Cada vez que apertava um nó, eu soltava o ar de uma vez. Quando chegou às costas, a tensão de meses começou a derreter dentro de mim. Em algum momento, sem perceber, eu adormeci.

Acordei com uma sensação diferente. Não sei quanto tempo tinha passado. Ele tinha tirado minha tanga sem que eu percebesse, tinha afastado minhas pernas e me acariciava de um jeito muito suave, mal roçando, entre as nádegas e mais abaixo. Tudo sem me pedir permissão. Eu estava tão relaxada que meu corpo tinha chegado ali sozinho, e foi justamente aquele carinho que me trouxe de volta, já acesa.

Sentir os dedos grossos dele se movendo ali embaixo era demais. Quis dizer alguma coisa, me virar, impedi-lo, mas só saiu um suspiro. Ele percebeu que eu tinha acordado, que eu estava em dúvida. E, naquele exato instante de hesitação, enfiou um dedo. Gemendo sem conseguir evitar, e então meteu o segundo.

— Senhora Carolina — murmurou, colado ao meu ouvido—, por cinquenta dólares a mais a senhora pode provar o que nunca provou.

Nunca na vida eu tinha pagado um homem. Eu já tinha gastado dinheiro com jantares, com hotéis, com bebidas em algum passeio; mas pagar por aquilo, jamais. E, no entanto, eu estava ali, nua, de bruços na cama que dividia com meu marido, com um desconhecido mexendo os dedos dentro de mim e prestes a aceitar.

— Sim — eu disse, com a voz quebrada—. Eu te pago.

Ele tirou os dedos e, antes que eu pudesse reagir, me ergueu pela cintura como se eu não pesasse nada e deslizou dois travesseiros debaixo de mim. Fiquei de bruços, com o quadril erguido. Ouvi quando ele abriu um preservativo.

Ele se acomodou sobre minhas costas e deslizou o sexo entre minhas nádegas. Só aquilo já me fez entender o tamanho que ele tinha, e a respiração me faltou. Colocou a camisinha e me penetrou devagar, abrindo caminho, até me preencher por completo.

— Sinta a diferença, senhora — me disse ao ouvido, sem parar de se mover.

— Estou sentindo — arquejei—, você é grande demais.

— Ontem à noite com seu marido, hoje comigo.

— Sim… e ainda por cima estou te pagando por isso.

— A senhora gosta?

— Demais…

Ele falava baixinho, com aquela voz arrastada, e cada palavra me acendia mais do que a anterior. Tive um primeiro orgasmo quase de imediato, longo, que me deixou tremendo. Ele não parou. Continuou empurrando com um ritmo paciente até que veio o segundo, e a essa altura eu já tinha perdido qualquer vergonha.

Ele se levantou, me agarrou pela cintura e me virou como se eu fosse um brinquedo. Me acomodou na beira da cama, dobrou minhas pernas contra o peito e, de pé diante de mim, voltou a entrar. Dali eu via o rosto dele, os lábios grossos, a testa brilhando de suor, e me excitava olhar para ele tanto quanto senti-lo.

— A senhora gosta assim? — perguntou, olhando nos meus olhos.

— Eu adoro — respondi sem pensar—. Você é incrível.

— Vale os cem dólares?

— Vale… vale tudo.

E veio o terceiro. Eu não perdi a consciência, continuava ali, mas perdi a noção de onde estava, de quem eu era, do que estava fazendo. Ele me moveu como quis: de lado, de quatro, por cima dele, montando nele. Parei de contar os orgasmos. Me entreguei às mãos dele e à sua força até que, em algum momento, o alarme do celular dele tocou sobre a mesa de cabeceira.

— Tempo esgotado — disse, quase divertido—. Tenho que ir, senhora.

Foi para o banheiro e tomou um banho em dois minutos. Eu fiquei sobre os lençóis bagunçados, ainda ofegante, olhando para o teto. Quando saiu, já vestido de branco e outra vez impecável, procurei na minha carteira os cem dólares que Martín tinha me deixado para minhas compras e os coloquei na mão dele.

— Obrigada — eu disse, sem saber muito bem por quê.

Ele me olhou, sorriu de leve e fechou a porta ao sair. Fiquei sozinha no quarto, com o rumor do ar-condicionado e o mar ao fundo da varanda, sabendo que naquela noite eu teria que olhar meu marido nos olhos e fingir que o dia tinha sido entediante.

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