Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

O que aconteceu naquele verão com meu cunhado

3.9(9)

A casa de pedra ficava a trinta quilômetros do povoado mais próximo, no fim de uma estrada vicinal que o GPS nunca encontrava de primeira. Sergio e o irmão dele, Marcos, a tinham herdado dos pais três anos antes e, desde então, vinham ali todo verão, sozinhos ou acompanhados, para fazer pouco e descansar muito. Claudia a conhecia de sobra: o piso de ladrilhos hidráulicos que rangia perto da porta, as paredes de pedra que mantinham o interior fresco mesmo em julho, a piscina ao fundo do jardim com aquele turquesa artificial que levava horas para aquecer toda manhã.

O que ela não conhecia bem era Sofía.

A namorada de Marcos estava com ele havia pouco mais de um ano, embora Claudia a tivesse visto em apenas dois jantares de família antes daquele fim de semana. Era uma mulher de pouco mais de trinta anos, advogada em Sevilha, com aquele tipo de corpo que não se anuncia, mas simplesmente está: quadris largos, costas musculosas por anos de natação, uma maneira de se mover que dispensava a aprovação dos outros. Quando chegaram na sexta-feira à tarde, Sofía estava sentada na varanda com uma jarra de limonada e um livro aberto no colo, completamente à vontade numa casa que era de outras pessoas.

— Vocês se atrasaram — disse, sorrindo. — Marcos está lá dentro preparando o jantar.

Claudia a cumprimentou com dois beijos e seguiu Sergio para dentro. Na cozinha, Marcos estava de costas para a porta, mexendo alguma coisa no fogão. Era quatro anos mais velho que o irmão, embora não parecesse: tinha aquela calma particular dos homens que já não precisam provar nada a ninguém e que, justamente por isso, se tornam mais difíceis de ignorar. Quando se virou, a saudou com um abraço curto e perguntou pela viagem com uma atenção que durou exatamente o tempo que precisava durar.

O jantar de sexta foi longo. Sergio abriu duas garrafas de vinho da região e os quatro conversaram até depois da meia-noite. Claudia bebeu mais do que de costume. Quando apagou o abajur da mesinha, Sergio já roncava e ela demorou bastante para dormir, pensando em coisas que não queria pensar.

***

O sábado amanheceu limpo, com aquele calor seco do interior que se sente até antes de abrir os olhos. Claudia desceu para a cozinha antes de todo mundo e encontrou Sergio checando o celular com o cenho franzido.

— Tem um problema na obra em Cáceres — disse sem olhá-la. — Preciso ir. No máximo três horas.

Claudia não reclamou. Sergio era assim desde que montou a empresa: uma ligação e o fim de semana deixava de ser dele para virar o de outra pessoa. Ela lhe deu um beijo na testa e ele saiu antes do café da manhã, com as chaves numa mão e o telefone na outra.

Sofía apareceu dez minutos depois com o cabelo preso num rabo de cavalo alto, sem maquiagem, com uma camiseta de alças que marcava os ombros. Serviu-se de café sem dizer nada e se apoiou na bancada olhando para o jardim. Não era grosseria; era simplesmente que Sofía não precisava preencher silêncios com conversa.

Marcos entrou pouco depois, com o cabelo molhado e uma expressão relaxada que Claudia achou, por algum motivo, mais desconcertante do que qualquer outra coisa.

— Piscina? — perguntou.

Não era exatamente um convite. Era mais uma afirmação do que ia acontecer.

***

A água ainda estava fria quando chegaram. Sofía se instalou na espreguiçadeira mais afastada com o protetor solar e um chapéu de palha que colocou sem perguntar se incomodava. Claudia escolheu a espreguiçadeira parcialmente à sombra do pinheiro grande, e Marcos se sentou entre as duas com os óculos escuros no rosto e os braços cruzados sobre o peito, olhando a água sem fazer nada em particular.

Durante a primeira meia hora quase não falaram. O sol foi subindo e o calor foi se assentando sobre o jardim com aquele peso parado do meio-dia extremenho. Claudia tentou ler no celular e não passou de três linhas seguidas. Ela sentia a presença de Marcos mesmo sem olhá-lo: a forma como respirava, o momento em que virava a cabeça, o silêncio específico que criava ao redor de si.

Então, sem aviso, Marcos fez um gesto com a cabeça na direção de Sofía. Era pequeno, quase imperceptível, mas Sofía captou de imediato: sentou-se na espreguiçadeira, desamarrou a parte de cima do biquíni com uma só mão e a deixou cair na grama. Seus peitos ficaram à mostra, grandes, firmes, com os mamilos escuros já endurecidos pelo ar da manhã. Ela voltou a se deitar, fechou os olhos e continuou tomando sol exatamente como antes, como se o que acabara de fazer não tivesse a menor importância.

Claudia olhou para a água da piscina.

— E você não? — disse Marcos.

Falava com ela. Com aquela voz que não pedia licença, apenas enunciava o que esperava encontrar. Claudia sentiu o sangue subir pelo pescoço.

— Aqui tem mais sombra — respondeu, sem saber direito por que disse isso em vez de qualquer outra coisa.

Marcos não respondeu. Olhou-a por um segundo e voltou o olhar para o jardim, como se a resposta lhe parecesse irrelevante.

Claudia segurou o livro fechado sobre as pernas por dez minutos. Depois, sem que ninguém dissesse mais nada, desamarrou o biquíni e o deixou cair ao lado. Não foi um gesto natural nem especialmente confortável. Foi algo entre o orgulho ferido e a rendição, e nenhuma das duas coisas a fez se sentir bem exatamente, embora também não mal de todo. Seus mamilos endureceram de imediato, não por causa do frio, e ela soube disso com uma clareza incômoda. Sentiu os olhos de Marcos pousarem por um instante sobre seus peitos, medi-los sem pressa, registrar o detalhe de que seus mamilos também tinham respondido, e depois se afastarem.

Marcos assentiu levemente. Só aquele aceno mínimo, como quem registra um dado que lhe parecerá relevante mais tarde.

As horas seguintes foram lentas e estranhas. Sofía cochilou sob o chapéu de palha; Marcos leu por um tempo e depois entrou na piscina e nadou dez voltas em silêncio. Quando saiu, se enxugou sem pressa e voltou à espreguiçadeira. Claudia tentou pensar em outras coisas e não conseguiu totalmente. Uma vez Marcos fez um comentário sobre o calor e Sofía riu antes que Claudia pudesse calcular se era o momento de rir também. Quando o fez, a própria risada chegou meio segundo atrasada.

Sergio ligou para dizer que voltaria para o jantar. Claudia respondeu que tudo bem e desligou.

***

A tarde se alongou sem mais incidentes. Jogaram cartas sob a pérgula, beberam água gelada, e Sofía preparou uma salada enquanto Claudia arrumava a mesa sem falar muito. Quando Sergio chegou às oito, de camisa arregaçada e com cara de quem tinha resolvido a questão, a conversa fluiu melhor do que de manhã. Beberam vinho e Sergio contou a história do encarregado da obra com o detalhe generoso de quem venceu a batalha.

Depois do jantar, Sergio e Marcos colocaram um filme na sala. Sofía aguentou vinte minutos antes de anunciar que ia para a cama. Deu a Marcos um beijo breve no canto dos lábios, sem nenhuma carga especial, e desapareceu pelo corredor. Claudia ficou no sofá bebendo a última taça de vinho enquanto os dois homens discutiam sobre o diretor do filme. Às onze e meia, ela também se levantou e disse boa-noite.

***

No quarto, Sergio a procurou com mais urgência do que o habitual. Claudia respondeu porque o queria, porque três anos de casamento não apagam o afeto embora mudem sua textura, e porque naquela noite seu corpo precisava de algo concreto, mesmo sem saber nomear exatamente o quê. Sergio arrancou a calcinha dela por baixo da camisola e entrou entre suas pernas sem muito preâmbulo, mordendo um mamilo enquanto dois dedos dele entravam de repente na boceta dela. Claudia estava molhada, mais molhada do que queria admitir, e percebeu como os dedos do marido escorregavam dentro dela sem encontrar resistência. Ele largou o mamilo com um ruído úmido e sorriu.

— Você está ensopada — murmurou contra o pescoço dela.

Claudia não respondeu. Agarrou o pau dele por cima da cueca e sentiu-o duro, familiar, o mesmo pau de sempre, e essa familiaridade lhe causou uma fisgada estranha que ela decidiu não examinar. Puxou a cueca dele com as duas mãos e o pau de Sergio bateu na barriga ao sair. Ela o envolveu com a mão e começou a masturbá-lo devagar, empurrando o prepúcio para trás a cada passada, sentindo a glande ficar arroxeada e tensa contra a palma.

Sergio afastou a mão dela e se deitou sobre ela. Penetrou-a de uma só investida, até o fundo, e Claudia arqueou as costas com um suspiro que nem tentou conter. Ele começou a fodê-la com aquele ritmo dele, direto e pouco complicado, como sempre: entradas longas, saídas curtas, as mãos apoiadas ao lado dos ombros dela e a boca procurando a dela a cada duas ou três investidas. Claudia enlaçou as coxas na cintura dele e tentou se concentrar na sensação do pau entrando e saindo, no cheiro do marido, na textura das costas dele sob as pontas dos dedos.

E em algum momento da noite sua mente foi para um lugar que não devia. Viu Marcos ao lado da piscina, aquele aceno mínimo, a mão de Marcos baixando o biquíni dela de outro jeito, a voz de Marcos dizendo “vamos” com a mesma calma com que dissera a Sofía na primeira vez que Claudia estivera na mesma casa que os dois. Sua boceta se contraiu em volta do pau de Sergio de um jeito que ele percebeu de imediato e celebrou com um grunhido, sem desconfiar de onde vinha. Claudia fechou os olhos com mais força e voltou para o quarto.

— Me põe por cima — sussurrou.

Sergio saiu dela e se deixou cair de costas. Claudia ficou de cócoras sobre ele, agarrou o pau do marido com a mão e o voltou a meter na boceta devagar, sentindo cada centímetro de cima a baixo. Começou a montá-lo de olhos fechados, apoiando-se no peito dele com as duas mãos, subindo e descendo com um ritmo que ela controlava e que lhe permitia voltar uma e outra vez à imagem que não devia. Agora era mais fácil: com o controle nos quadris e os olhos fechados, podia deixar a imagem ficar, e a voz de Marcos continuar lhe dizendo coisas que Sergio nunca dizia.

Ela mesma beliscou os mamilos. Sergio cravou os dedos nas nádegas dela e começou a erguer os quadris para entrar mais fundo. Claudia se inclinou para a frente, com os peitos pendendo sobre o rosto dele, e ele fisgou um mamilo com a boca e o chupou com força enquanto ela se movia de cima a baixo e começou a se esfregar contra ele com os quadris, roçando o clitóris no osso púbico do marido a cada descida.

O orgasmo a pegou de súbito, real e contundente. Claudia mordeu o próprio lábio para não gritar e ficou rígida sobre ele, com a boceta pulsando descontrolada em volta do pau de Sergio. Ele aguentou mais duas investidas por baixo e gozou dentro com um gemido abafado, agarrando-a pelos quadris para prensá-la contra a própria pelve enquanto ela sentia os sobressaltos quentes do sêmen enchendo-a.

Ela ficou um tempo assim, empalada sobre ele, respirando. Depois desceu devagar, sentindo o rastro espesso escorrer pela parte interna da coxa, e se deitou ao lado do marido sem dizer nada. O caminho que sua cabeça percorreu até chegar ao orgasmo não era exatamente o que ela esperava de si mesma.

Quando Sergio adormeceu, Claudia se deitou de barriga para cima na escuridão, ouvindo a casa.

Reconheceu o instante exato em que Marcos entrou no quarto de hóspedes: o ranger da terceira tábua do corredor era inconfundível. A porta se abriu e se fechou em silêncio. Claudia controlou a respiração e fechou os olhos.

***

Sofía dormia de lado, com o cabelo solto sobre o travesseiro e o lençol na altura do quadril. O quarto cheirava à creme de lavanda que ela sempre usava à noite. Marcos sentou-se na beira da cama e passou uma mão pelas costas dela, devagar, até descer pela curva da bunda por baixo do lençol.

Sofía se mexeu sem acordar de todo.

— Me deixa dormir — murmurou.

— Depois — disse ele.

Sofía conhecia essa resposta de cor. Sabia exatamente o que significava e o que viria a seguir. Uma parte dela ainda queria mais horas de sono; outra parte já estava desperta e atenta, com os mamilos acordando contra o lençol antes do resto do corpo.

Marcos puxou o lençol de um só golpe. Tirou a camisola dela pela cabeça sem mais explicações e baixou a calcinha até os joelhos, deixando-a ali, tensa, sem tirá-la por completo. Sofía protestou uma vez, mais por reflexo do que por convicção real, e ele deu uma palmada seca nas nádegas dela que ecoou no quarto mais alto do que o esperado. A marca vermelha da mão dele ficou de imediato na pele branca da bunda. Ela prendeu o fôlego.

— Vamos — disse ele, com a calma de sempre.

Sofía obedeceu.

Ele se pôs de pé ao lado da cama e tirou o pau da calça do pijama sem remover mais nada. Já estava duro, grosso, com a glande brilhando na penumbra. Ele o apoiou no colchão, com a cabeça pendendo pela borda e o tronco totalmente esticado, naquela posição que ela conhecia bem e que não lhe deixava outra opção senão se abrir. Sofía deixou a mandíbula cair e ele enfiou o pau na boca dela até o fundo, numa só passada, mantendo-o ali por alguns segundos, com a garganta dela completamente cheia. Sofía engoliu por reflexo e sentiu a ponta do pau pressionando o céu da boca por dentro, a veia saliente da parte de baixo contra a língua.

Ele começou a se mover. Recuava quase por inteiro, deixando a glande apoiada nos lábios dela, e voltava a empurrar até o fundo com investidas longas e sem pressa, deixando a garganta dela se ajustar, recuando justamente quando percebia que Sofía precisava de ar e voltando a entrar antes que ela pudesse pedir descanso. A saliva começou a escorrer pelas bochechas até o cabelo, em dois fios brilhantes. As mãos dele encontraram os seios de Sofía, pendendo pela posição da cabeça para trás, e os trabalharam sem nenhuma consideração especial, apertando a carne, torturando os mamilos entre o polegar e o indicador, apertando e soltando num ritmo que não era o da delicadeza.

Sofía ergueu as mãos para as coxas dele para se equilibrar. Os pequenos sons que ela não conseguia conter se afogavam contra a base da garganta; toda vez que ele empurrava até o fundo saía um ruído gutural e úmido que ele gostava. Ele cravou os dedos no peito esquerdo dela e empurrou mais uma vez, fundo, e ficou ali, com o pau enterrado inteiro na garganta dela, contando mentalmente até vê-la começar a agitar as mãos.

Saiu. Sofía tossiu, puxou ar, e um fio longo de saliva escapou da boca até o queixo. O pau dele, brilhante de saliva de cima a baixo, continuava duro contra o rosto dela.

— Boa garota — disse ele, sem ironia.

Virou-a no colchão com as duas mãos, como se vira um fardo, e a colocou de quatro no centro da cama. Puxou a calcinha até arrancá-la de vez. Sofía apoiou os cotovelos no colchão e baixou o peito, erguendo a bunda de forma automática. Ele abriu-lhe as nádegas com as duas mãos e se demorou um segundo olhando. A boceta dela estava aberta, brilhante, molhada apesar da reclamação inicial, com os lábios menores inchados aparecendo entre os maiores. Ele passou dois dedos pela fenda de cima a baixo, encharcando-se, e depois enfiou os dois dedos na boceta dela até os nós com um só empurrão. Sofía gemeu contra o travesseiro.

— Aqui você não consegue mentir — disse ele.

Tirou os dedos, levou-os ao pau e se lambuzou com o fluxo dela. Depois apoiou a glande na entrada da boceta e empurrou de uma só investida até o fundo, com a mesma calma metódica com que tinha feito tudo antes. Sofía mordeu o travesseiro. Ele aguentou um segundo empalado até a base e depois começou a fodê-la por trás com investidas longas e profundas, segurando-lhe os quadris para que ela não se movesse mais do que ele queria.

O som das coxas dele batendo na bunda dela começou a encher o quarto com um estalo rítmico, úmido, impossível de disfarçar através das paredes. Marcos passou uma mão pelas costas dela com algo que poderia ter sido ternura se não fosse a outra mão ainda ancorada no quadril dela para que suportasse o ritmo. Deu outra palmada na nádega, depois outra, marcando o compasso das investidas.

Depois agarrou o cabelo dela e o enrolou no punho. Puxou a cabeça dela para trás, arqueando-lhe as costas, e continuou fodendo-a assim, com o pescoço dela tenso e o rosto dela no ar. Sofía parou de morder o travesseiro porque já não o tinha perto. Os gemidos escapavam abertos da garganta, sem filtro. Ele passou dois dedos por diante e encontrou o clitóris. Começou a esfregá-lo em círculos, na mesma cadência com que continuava a enfiar nela por trás.

— Goza — disse ao ouvido dela.

Sofía gozou poucos segundos depois, com um espasmo que sacudiu todo o corpo, fechando a boceta em volta do pau dele com tanta força que ele precisou apertar os dentes para não gozar atrás dela. Os sons que saíram de sua garganta ao gozar foram longos e descontrolados. Ele a esperou terminar, com o pau dentro, imóvel.

Depois retomou o ritmo, mais rápido dessa vez, sem dar trégua a uma boceta que ainda pulsava ao redor dele. Sofía se deixou foder sem forças, com a bochecha contra o travesseiro e a boca aberta, soltando um novo gemido a cada investida.

Quando chegou ao fim, ele saiu de repente, virou-a com uma mão, colocou-a de barriga para cima e montou em cima dos seios dela. Agarrou o próprio pau e se masturbou três ou quatro vezes sobre ela, apertando a glande, e gozou em jatos sobre os peitos, a garganta e o queixo de Sofía. Os jorros quentes caíram entre os seios dela, um fio longo chegou ao pescoço, outro ficou preso no lábio inferior. Marcos continuou sacudindo o pau até a última gota e depois passou a glande pelos lábios, pintando-os com o que restava.

Sofía colocou a língua para fora sem abrir os olhos e lambeu a ponta.

— Boa garota — repetiu ele.

Ficou quieto um momento sobre ela, recuperando o fôlego. Sofía também permaneceu imóvel, com a bochecha de lado contra o travesseiro e os olhos fechados, sentindo o sêmen morno descer muito devagar pelo decote.

Depois ele se deitou de lado, satisfeito e tranquilo, como sempre que a noite seguia a ordem que ele tinha na cabeça.

Sofía foi ao banheiro sem acender a luz. Deixou a água da torneira correr e se limpou com cuidado, passando uma toalha úmida pelo decote, pelo pescoço, pelo queixo, tirando o sêmen já quase seco de entre os seios, escutando a casa em silêncio. Então ouviu a torneira do banheiro ao lado ser aberta ao mesmo tempo, aquele fio de água que só se usa quando alguém não quer fazer barulho, e pensou em Claudia do outro lado da parede, fazendo a mesma coisa que ela embora por motivos que não eram exatamente os mesmos.

Fechou a torneira e voltou para a cama.

***

O domingo foi mais silencioso que os dias anteriores. Tomaram café os quatro com pouco a dizer, e por volta das onze começaram a arrumar as malas.

Claudia demorou mais do que o necessário. Fez a mala devagar, dobrou a roupa com uma atenção que não era habitual nela e ficou alguns minutos sentada na beira da cama olhando pela janela: a piscina já brilhando sob o sol da manhã, as espreguiçadeiras na mesma posição de ontem, o pinheiro projetando uma sombra longa e estreita sobre a grama.

Pensou no gesto de Marcos junto à piscina, naquele aceno mínimo que registrara sua capitulação como se fosse um dado para mais tarde. Pensou no momento da noite em que sua mente fora para onde não devia ir e em que ela não soubera, ou não quisera, evitar isso. Pensou nos ruídos que ouvira através da parede, no estalo rítmico de pele contra pele, nos gemidos de Sofía que não tiveram pudor nenhum em se deixar ouvir, e em como ela própria apertara as coxas no escuro sem conseguir evitar, com a mão já descendo pelo ventre antes que decidisse qualquer coisa.

Levantou-se quando ouviu Sergio descer as malas pela escada.

Marcos estava na entrada com as chaves na mão. Quando a viu, enfiou a mão no bolso da camisa e tirou um livro de bolso.

— Você esqueceu isso junto à piscina — disse.

Claudia o pegou. Seus dedos roçaram os dele por um segundo.

— Obrigada.

Marcos a olhou por um momento. Sem o meio sorriso de sempre: com algo mais direto e franco.

— Da próxima vez que vierem, fiquem mais dias — disse.

E foi para o carro de Sofía sem esperar resposta.

***

No carro de volta, Sergio dirigia com o rádio baixo e os cotovelos apoiados no volante. Passou quase uma hora sem falar de nada relevante. Os campos de oliveiras se alternavam com a mata baixa de azinheiras, e o asfalto ondulava no horizonte por causa do calor.

Na altura da rodovia, Sergio pigarreou.

— Você estava estranha neste fim de semana.

— Eu estava cansada — respondeu Claudia.

— Sei. — Fez uma pausa. — O Marcos também olhou muito para você.

Claudia não respondeu. Manteve os olhos na janela.

— Estou dizendo porque percebi — acrescentou Sergio, com uma voz que tentava ser neutra e não era de todo —. Só isso.

O silêncio que se seguiu durou até a rodovia.

Quando Sergio aumentou o volume do rádio, Claudia tirou o celular da bolsa. Tinha uma mensagem de um número que reconheceu de imediato, sem precisar ler o nome.

Dizia apenas: Da próxima vez eu não te dou opção.

Claudia leu duas vezes. Sentiu como, sem ter decidido nada ainda, a boceta se apertava no banco do carona num espasmo pequeno e traidor. Depois apagou a tela e ficou olhando os campos passarem rápidos pela janela, um após o outro, sem conseguir decidir se o que sentia diante dessas cinco palavras era medo ou algo completamente diferente.

Sergio aumentou o volume do rádio.

A rodovia se estendia reta rumo a Madri, longa e sem curvas, e Claudia pensou que, se respondesse àquela mensagem, não haveria volta. E pensou também que, se não respondesse, também não.

Ver todos os contos de Infiéis

Avalie este conto

3.9(9)

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.