O que começou nos chuveiros do camping
Quando a porta do cubículo se abriu alguns centímetros, eu soube que Nuria me deixava olhar de propósito. O que eu não imaginei foi como a noite acabaria.
Quando a porta do cubículo se abriu alguns centímetros, eu soube que Nuria me deixava olhar de propósito. O que eu não imaginei foi como a noite acabaria.
Me chamavam de solteirona dos gatos, mas ninguém do bairro imaginava o que acontecia na minha casa toda manhã, toda tarde e toda noite desde aquela terça de verão.
Quando o treinador pediu que ela observasse os garotos, ela aceitou com um sorriso. Ninguém suspeitou que a mulher de terno azul já havia escolhido seus dois favoritos.
Só queria ver o sol se pôr e fotografar o mar. Então ouvi outra bicicleta se aproximando pela areia, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Naquela tarde, com o ventilador roncando e a casa vazia, meu primo me olhou de um jeito diferente e disse que tinha algo a me provar. Eu não imaginei até onde ele iria.
Saí da academia com o corpo ainda pegando fogo e entrei pela trilha de terra para fumar sossegado. Não esperava que aquele carro preto parasse justo atrás de mim.
Quatro meses sozinho na montanha tinham deixado nele uma fome que nenhum uísque acalmava. Naquela noite, atrás da cortina vermelha da estalagem, três rapazes sabiam exatamente como recebê-lo.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Perdemos o jogo e caminhávamos rumo ao metrô quando um carro de luxo parou ao nosso lado. O homem ao volante tinha uma proposta que nenhum de nós esperava.
Era só para servir de álibi e evitar suspeitas da esposa. Nunca imaginei que acabaria sentado diante deles, sem conseguir desviar os olhos do que faziam.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava embaixo dele, sem a menor intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me olharam da porta.
Há semanas eu fingia que não notava os olhares dele, as pernas abertas no sofá, os volumes que marcava de propósito. Nessa noite voltei cedo demais e parei de fingir.
Assim que os pais entraram na cozinha, o rapaz agarrou o volume dele por cima do jeans. Ninguém naquela casa imaginava como o jantar ia acabar.
Ele era o rei da piscina e sabia disso. Quando me chamou ao vestiário para rir de mim, eu não imaginava que seria eu quem não conseguiria parar de olhá-lo.
Eu o vi sozinho no balcão da cozinha, alheio ao grupo, grudado no celular. Só de olhar eu soube que aquela tarde não ia ser tão macho quanto ele imaginava.
Eu sabia que meus pais eram dominantes. O que eu não sabia era até onde estariam dispostos a ir para me dar o presente que pedi naquela manhã.
Ele me desafiou a nadar o último sprint com uma condição que nenhum dos dois pensava cumprir. Mas naquela noite a piscina estava vazia e ninguém nos via.
Eu o vi na esquina com o apito entre os dentes, avisando os traficantes. Não consegui parar de olhar, e soube que naquela madrugada eu não voltaria para casa sem ele.
Aos cinquenta e três anos, solteiro e entediado, Ramiro descobriu que oferta e demanda também funcionam às três da tarde, no sofá da sala.