O jovem da academia que me fez sentir viva outra vez
Acordo cedo para ter a academia só para mim. Mas, há três semanas, existe um motivo muito melhor para chegar antes de todo mundo: ele, e aquele sorriso de escândalo.
Acordo cedo para ter a academia só para mim. Mas, há três semanas, existe um motivo muito melhor para chegar antes de todo mundo: ele, e aquele sorriso de escândalo.
Aos quarenta e nove eu achava que já tinha visto de tudo, até aquele desconhecido encharcado tirar a camiseta no meu quintal e eu saber que a tarde não terminaria na jardinagem.
O pedido vinha de um garoto tímido, amigo do meu sobrinho. Levei semanas para responder e um mês para admitir que queria ele na minha cama.
Ele arrancou de mim dois sorrisos em uma semana e eu lhe dei meu número. Naquela tarde, na escada do prédio dele, ensinei tudo o que uma mulher experiente pode fazer.
Ela lhe mostrou o celular com as mãos trêmulas. Não era uma mensagem de outro garoto: era uma lista de buscas que confessava tudo o que ela guardava havia anos.
Quando a porta do armário se fechou e ficamos no escuro, senti a mão dela subir pela minha perna. Só tínhamos dez minutos.
Sempre fui o seguro dos dois. Mas com as algemas frias nos meus pulsos e o sorriso novo dela em cima de mim, entendi que já não era eu quem mandava.
Pensei que aguentar dez golpes seria fácil. Não contei com o fato de que ela ia aproveitar cada um deles — nem com o quanto eu também acabaria aproveitando.
Bastou um escorregão e umas risadas cruéis para que ele descobrisse que aquela vergonha, longe de doer, acendia algo novo e sombrio dentro dele.
Baixei a sunga achando que ninguém me via. Quando tropecei e caí na areia, dois pares de olhos já me observavam com um sorriso que não prometia nada de bom.
Ele se sentou à mesa com aquele sorriso de sempre, de quem se acha dono do mundo. Não imaginava que naquela tarde iríamos apagá-lo para sempre.
Eu sabia que dois desconhecidos me observavam do terraço de cima. O que eu não imaginava era que naquela mesma tarde os teria a eles e à irmã deles na nossa cama.
Quando Daniela me perguntou se eu tinha trazido o brinquedo, soube que aquela noite na minha casa vazia ia acabar muito longe de onde eu achava controlar.
Procurava carne jovem na plataforma, e os três garotos da mochila de praia não suspeitavam que a presa era ela que os caçava.
Deixei que elas caminhassem à minha frente para olhá-las sem disfarçar. Não imaginava que, antes do meio-dia, as duas me chamariam com um gesto detrás das palmeiras.
Acordei com a boca dela ao redor da minha rola e soube que o segundo dia na casa de praia seria ainda mais longo que o primeiro.
Saíamos há seis meses como amigos, sem coragem de fazer nada. Naquela noite, enquanto girávamos a garrafa, entendi que elas queriam muito mais do que nossa companhia.
Era nossa última noite e já não havia turnos nem jogos: só oito amigos, muita pele e a promessa silenciosa de que ninguém ficaria na vontade.
Criei o anúncio em segredo, escolhi os candidatos um a um e reservei a suíte. Só faltava ela cruzar aquela porta e descobrir seu verdadeiro presente.
Voltamos a nos encontrar um ano depois daquela viagem, e desta vez Marina trouxe um convidado que não sabia nada do que íamos fazer naquela casa à beira do lago.