A manhã em que meu namorado quis que eu o dominasse
A gente se atrasava para a academia toda manhã, mas jamais pulava aquele ritual entre os lençóis. Hoje, pela primeira vez em semanas, era ele quem abria as minhas pernas.
A gente se atrasava para a academia toda manhã, mas jamais pulava aquele ritual entre os lençóis. Hoje, pela primeira vez em semanas, era ele quem abria as minhas pernas.
Eu conhecia os horários dele, o barulho das botas, o momento exato em que tirava a camisa por causa do calor. O que eu não sabia era até onde essa obsessão ia me levar.
Elas ficaram ao lado do capacho, ainda mornas pelos pés descalços dela. Bastou minha filha se distrair um instante para eu cometer a loucura.
As reclamações dos vizinhos não a assustavam; a incendiavam. Naquele elevador, cheirava a cerveja e a homem sujo, e ela já estava de joelhos antes de chegar ao último andar.
Eu guardava esse segredo havia anos. Bastou uma garrafa de vodca e uma velha havaiana branca para ela assumir o controle e me pôr de joelhos.
Aprendi a contar as horas até ela dormir. Só então, na escuridão do beliche, as sandálias eram minhas e ninguém podia ver o que eu fazia com elas.
Cheguei à casa dela por causa de um trabalho da escola e a encontrei de havaianas. A partir daí, nunca mais consegui olhar nos olhos dela sem pensar nos pés.
Muita gente me pergunta de onde vem meu fetiche por luvas de borracha. Quase ninguém conhece a resposta. Começou numa sexta-feira, no quarto da minha tia, com a porta trancada.
Assim que ele assumiu o volante, Carmen soube quem mandava: nenhum beijo ou carinho viria quando ela quisesse, mas quando ele decidisse.
Naquela noite, enquanto dirigia de volta para casa, soube que por trás do sorriso maroto dela havia uma nova ideia. E que eu não conseguiria tirá-la da cabeça.
Fui à represa para fugir do calor e acabei deitado na margem, incapaz de me mover, enquanto os dedos de uma desconhecida decidiam em que ritmo eu me rendia.
Carla surgiu descalça entre as sombras do jardim, com aquele ar de menina boazinha que escondia a garota mais perversa que eu já conheci.
Ela colocou os pés no meu colo, mandou que eu desamarrasse as tiras das sandálias e, com um sorriso nada inocente, disse que aquele seria o preço do seu silêncio.
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Ajoelhei-me diante da janela sem imaginar que um deles já tinha contornado a casa e me observava em silêncio pela porta dos fundos.
Compartilhávamos corredor, elevador e cafeteira, mas nunca uma palavra de verdade. Só o que cada um imaginava quando o outro virava as costas.
Humilhavam-no todos os dias no colégio, até que um frasco sem rótulo lhe prometeu força. O que ele tomou naquela noite o transformou em alguém irreconhecível.
Ninguém sabia por que eu sempre estacionava no mesmo trecho deserto. Naquela tarde, um corredor virou o rosto para minha janela e percebeu tudo.
Cheguei à fazenda com minhas camisetas de marca e meus ares de cidade. Elas tinham as mãos calejadas, uma faca afiada e muita vontade de me colocar no meu lugar.
Abri a porta errada e a encontrei diante do espelho, com dois dedos onde não deviam estar. Ela não gritou. Sorriu como quem acabou de escolher a presa.