Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

As garotas que conheci online e acabaram na minha cama

Tinha dezenove anos quando descobri que jogos de simulação social não serviam só para construir casas virtuais e criar personagens. Eram, se você soubesse como se mover neles, uma forma extraordinariamente eficaz de conhecer garotas dispostas a transar sem perguntar demais.

Minhas prioridades naquela época eram claras: terminar o curso técnico em design gráfico e, se tudo saísse bem, entrar na universidade depois. Eu não tinha tempo nem cabeça para um relacionamento sério. Mas tinha noites longas diante da tela, uma buceta pedindo atenção com mais frequência do que eu queria admitir e uma curiosidade que me custava ignorar.

O jogo funcionava assim: você criava seu avatar, decorava seu espaço virtual e depois circulava por cenários públicos onde outros jogadores faziam o mesmo. A maioria das pessoas só jogava. Mas havia uma comunidade paralela que usava o chat interno como se fosse um app de encontros, ou diretamente como um catálogo de corpos. Eu fazia parte dessa comunidade havia meses, e tinha me tornado bastante boa em navegar por ela.

Fui honesta desde a primeira mensagem com cada uma delas. Eu queria algo casual, sem compromisso, sem drama. Não uma namorada, não uma melhor amiga. Só tempo compartilhado, conversa, e ver até onde ia a química e até onde as pernas se abriam. Algumas entenderam. Outras não. As que não entenderam foram embora sozinhas, sem ressentimentos. As que entenderam viraram capítulos curtos, mas intensos, dessa fase da minha vida.

Foi Catalina quem me ensinou a me mover naquele mundo.

Conheci-a em um fórum sobre modificações do jogo. Ela tinha vinte e um anos, morava a cinco horas de trem e escrevia com uma precisão que me fascinava. Conversamos sobre design, música, o gosto específico que a madrugada tem quando você não consegue dormir. Depois de duas semanas de conversas longas, ela me mandou uma foto. Não era explícita. Era só ela, sentada no chão do quarto com as costas apoiadas na cama, olhando para a câmera com uma expressão que dizia coisas que eu ainda não sabia interpretar.

“Gostou do que viu?”, escreveu abaixo.

Demorei dez minutos para responder. Disse que sim. O que eu não disse foi que tinha enfiado dois dedos na buceta olhando aquela foto antes de responder, e que tinha gozado pensando em como seria a boca dela contra a minha.

Mas com Catalina não aconteceu mais nada. A conversa foi esfriando sozinha, como acontece com as coisas construídas apenas de palavras. Eu me lembro dela sem amargura, como um aquecimento necessário para o que veio depois.

***

Com Daniela foi diferente desde o começo.

Nos cruzamos em um dos cenários multijogador. Ela tinha um avatar ruivo com tatuagens nos braços, igual a ela na vida real, segundo me contou depois. Me mandou uma mensagem privada dizendo: “Sua personagem está usando o mesmo suéter que eu hoje. Isso não pode ser coincidência”.

Não era coincidência nenhuma, porque o suéter fazia parte da roupa padrão. Mas isso me fez rir, e foi o suficiente para continuarmos conversando.

Falamos durante três dias seguidos. Daniela tinha vinte anos, estudava enfermagem em outra cidade e voltava para a casa dos pais nos fins de semana. Era direta de um jeito que eu achava revigorante: não perdia tempo com rodeios nem com a pretensão de que queria só amizades.

—Eu também quero algo casual —me disse no segundo dia—. Sem drama, sem expectativa. Transar gostoso e se despedir bem. Estamos falando da mesma coisa?

Disse que sim. E sim, estávamos falando exatamente da mesma coisa.

Nos encontramos num sábado à tarde, em um parque no meio do caminho entre nossas casas. Quando a vi de longe, soube imediatamente que era ela: a mesma postura de quem está acostumada a esperar sem ansiedade, com uma mochila pequena pendurada em um ombro e fones de ouvido em volta do pescoço.

—Oi —disse quando cheguei—. Você é mais alta do que nas fotos.

—Você também —respondi.

Rimos. Isso afrouxou alguma coisa que eu não sabia que estava tensa.

Caminhamos quase uma hora antes de qualquer coisa acontecer. Falamos do jogo, do curso, de como era absurdo duas pessoas se conhecerem assim no século vinte e um e, ao mesmo tempo, de como isso tinha virado algo completamente normal. Depois paramos num banco afastado do caminho principal, sob umas árvores, e ela se virou para mim com uma pergunta que não era exatamente uma pergunta.

—Nervosa?

—Um pouco —admiti.

—Eu também. Faz três dias que estou imaginando como você é.

Isso me acalmou mais do que qualquer outra coisa que ela pudesse ter dito e, ao mesmo tempo, apertou minha buceta na calcinha de um jeito que eu reconheci na hora. Daniela não fingia segurança absoluta. Tinha a honestidade de admitir que aquilo também era novo para ela, pelo menos em parte.

Foi ela quem se aproximou primeiro. Não me beijou de vez; deixou a distância entre nós diminuir devagar, até eu sentir o calor do hálito dela antes de nossos lábios se tocarem. Beijava com calma, sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo. Enfiou a língua devagar, procurando a minha, e quando a encontrou a girou de um jeito que me fez apertar as coxas ali mesmo, no banco. Eu tinha pouca experiência com garotas, e isso ficava evidente. Mas ela não parecia se importar.

—Vamos para o carro —me disse contra a boca—. Aqui eu não posso fazer o que quero com você.

Passamos o resto daquela tarde no carro dela, estacionado numa rua secundária longe do parque. Assim que fechou a porta traseira e abaixou as cortinas laterais que ela mesma tinha comprado justamente para aquilo, me empurrou contra o banco e enfiou a mão por baixo da minha saia. Me encontrou molhada por cima da calcinha e riu baixinho, com a boca colada no meu pescoço.

—Você está encharcada, porra.

—Não se faça de surpresa —eu disse.

Ela puxou minha camiseta e meu sutiã de uma vez, sem pedir permissão porque não precisava. Eu tinha seios pequenos e os mamilos endureceram assim que sentiram o ar. Ela os agarrou com as duas mãos, apertando na medida certa, e desceu a boca primeiro no direito. Chupou meu mamilo com a língua achatada, empurrando-o contra o céu da boca, e depois o levou entre os dentes com uma delicadeza que era mais provocante que força. Passou para o esquerdo. Mamou com calma, me olhando nos olhos, sabendo perfeitamente o efeito de me ver ali.

Eu também levantei a camiseta dela. Não usava sutiã. Os seios eram maiores que os meus, redondos, com os mamilos escuros que eu levei à boca sem pensar. Ela agarrou minha nuca e me apertou contra eles, gemendo baixo. Mordi um deles e ela soltou um “assim” sussurrado que me deu permissão para fazer mais forte.

Ela baixou minha calcinha até os joelhos. Abriu minhas pernas com as dela e passou dois dedos pela fenda, de baixo para cima, arrastando toda a umidade até o clitóris. Quando chegou ali, girou a ponta dos dedos em círculos lentos, vendo como eu me arqueava contra o banco sem conseguir disfarçar.

—Me diz o que você quer —sussurrou.

—Que você enfie em mim.

—Quantos?

—Dois. Agora.

Ela enfiou dois dedos de uma vez. Um gemido alto me escapou, e ela tampou minha boca com a outra mão, rindo. Começou a me comer com a mão, entrando até os nós dos dedos, curvando os dedos para cima para atingir aquele ponto que eu mal tinha aprendido a encontrar sozinha. O carro cheirava a mim. O banco grudava nas minhas costas por causa do suor. Eu movia o quadril contra a mão dela sem vergonha, empurrando para que me desse mais fundo.

Depois ela baixou a cabeça. Vi-a se acomodar entre minhas pernas no espaço reduzido do banco traseiro, dobrada de um jeito incômodo, mas decidido, e então colocou a língua para fora. A primeira lambida foi longa, da entrada até o clitóris, esmagando tudo com a língua plana. Gritei contra o próprio braço. A segunda já foi com a ponta, brincando por cima do clitóris, empurrando, chupando inteiro como se estivesse me mamando. Tudo isso sem tirar os dedos, que continuavam entrando e saindo com um som molhado que enchia o carro.

Gozei na boca dela em menos de dois minutos. Agarrei a cabeça dela com as coxas sem perceber, e ela deixou, engolindo o que caía, sem parar até eu empurrar para que subisse.

Depois foi a vez dela. Abri o botão da calça com mãos trêmulas e ela me guiou, sem impaciência, ensinando onde ficava o clitóris, de que ritmo ela gostava, o quanto eu podia meter. Lambi a buceta dela com mais vontade do que técnica, mas com a boca aberta contra ela e o nariz pressionado no osso, enquanto enfiava dois dedos nela como ela tinha feito comigo. Ela gozou me agarrando pelo cabelo, com as pernas tremendo nos meus ombros, sussurrando “não para, não para” até já não conseguir falar.

Quando fui embora, trocamos números de telefone. Depois disso, nos escrevemos algumas vezes. Nunca mais nos vimos.

***

O caso de Rocío foi mais complicado, embora tenha começado igual aos outros.

Conheci-a no mesmo jogo, três meses depois de Daniela. Era da minha cidade, o que de saída já mudava as regras não escritas desses encontros. Com garotas de outras cidades havia uma distância confortável que deixava tudo mais simples. Com alguém do mesmo bairro, as coisas tendiam a se enroscar.

Rocío tinha dezenove anos e estudava psicologia. Era sarcástica de um jeito que, no começo, eu tinha dificuldade de acompanhar, até entender que o sarcasmo era a forma dela de demonstrar confiança. Quando começou a ser sarcástica comigo, soube que ela gostava de mim.

Conversamos durante semanas antes de nos vermos pessoalmente. Mais do que com qualquer outra. Não porque eu quisesse algo diferente do habitual, mas porque a conversa era genuinamente boa e nenhuma das duas queria apressar algo que funcionava tão bem daquele jeito. Conversávamos de madrugada, quando as duas já deveríamos estar dormindo. Sobre filmes que tínhamos visto sozinhas e que teríamos querido ver acompanhadas. Sobre essa sensação específica de querer alguém sem saber muito bem o que fazer com isso.

Uma noite, depois da uma da manhã, ela me mandou um áudio.

Não era longo. Só dizia: “Faz meia hora que estou pensando em você e isso está me distraindo do trabalho. Mais especificamente, pensando em como seria se eu chupasse sua buceta devagar. Não sei se isso é um problema seu ou meu”.

Ouvi esse áudio quatro vezes seguidas. Depois ouvi uma quinta com a mão dentro da calça do pijama.

Respondi por escrito: “Claramente é seu. E espero que resolva isso logo porque eu já resolvi o meu depois de te ouvir”.

“Claro que sim”, ela respondeu. “Quando a gente se vê?”

Nos vimos na quinta-feira seguinte. Marcamos no apartamento dela, que dividia com uma colega que naquela noite não estava. Quando cheguei, Rocío estava usando uma camiseta gasta, sem sutiã por baixo —vi isso assim que abriu a porta—, e o cabelo preso de qualquer jeito, e essa informalidade me agradou mais do que se ela tivesse se arrumado especialmente. Havia algo honesto em aparecer assim.

Ela fez café, que nenhuma de nós bebeu.

Estávamos sentadas no sofá quando a tensão de semanas inteiras de conversa se condensou em um silêncio de trinta segundos. Rocío me olhava de um jeito que eu já reconhecia: era o mesmo olhar que eu tinha aprendido a ler nos chats, agora preso a um corpo real em um espaço real.

—Sabe o que eu gosto nisso? —disse.

—O quê?

—Que nós duas sabemos exatamente por que estamos aqui. Não precisa fingir que começamos como amigas nem que isso poderia ser algo a mais. Eu quero comer sua buceta e você quer que eu coma. Ponto.

Ela tinha razão. E essa clareza era exatamente o que eu buscava toda vez que abria o jogo.

Ela subiu em mim sem mais preâmbulo. Segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou de boca aberta desde o primeiro segundo, com a língua lá no fundo, respirando pelo nariz para não precisar me soltar. Eu enfiei as mãos por baixo da camiseta dela e encontrei os seios nus, quentes, com os mamilos já duros me esperando. Belisquei um deles enquanto a beijava, e ela gemeu dentro da minha boca.

—Tira —eu disse.

Ela puxou a camiseta pela cabeça num só movimento. Eu chupei um mamilo enquanto desabotoava a calça jeans. Ela tirou minha camiseta e meu sutiã com uma eficiência que só pode ter quem já fez isso muitas vezes, e chupou meus seios alternando um e outro, mordendo um pouco, deixando marcas vermelhas em volta do mamilo que iam durar.

O que aconteceu naquela noite foi diferente do que aconteceu com Daniela, não necessariamente melhor, mas mais intenso. Rocío era menos hesitante, mais direta com o que queria e com o que gostava. Ela me dizia, o que no começo me desconcertou porque eu não estava acostumada a alguém colocando em palavras o que estava acontecendo enquanto acontecia. Depois entendi que era um presente, não uma exigência. Uma forma de conduzir sem parecer que estava conduzindo.

—Deita —ordenou—. Abre as pernas. Quero ver tudo.

Joguei-me no sofá e ela tirou minha calça e minha calcinha juntas, puxando até sair pelos pés. Abriu meus joelhos com as mãos e ficou um instante olhando minha buceta, a boca entreaberta.

—Você está brilhando —disse—. Porra, olha pra você.

Lembro da luz da luminária da escrivaninha que alguém tinha deixado acesa lá no fundo, iluminando a gente só o suficiente para podermos nos ver. Lembro da textura áspera do tapete quando escorregamos do sofá para o chão sem que nenhuma de nós se importasse em voltar a levantar. Lembro que em algum momento as duas rimos de alguma coisa, não sei mais de quê exatamente, e que essa risada fez parte da noite de um jeito que eu não esperava e agradeci.

Ela se ajoelhou entre minhas pernas e lambeu minha buceta com a língua inteira, uma lambida longa que sacudiu minhas costas inteiras no tapete. Depois se concentrou no clitóris. Chupava-o envolvendo-o com os lábios, puxando-o com uma sucção suave que ia ficando mais forte conforme eu começava a tremer. Ao mesmo tempo, enfiou um dedo, depois dois, e os curvou procurando aquele ponto áspero que ela sabia alcançar.

—Me avisa quando for gozar —disse com a boca contra mim—. Quero sentir tudo.

—Já, já, já —foi tudo o que consegui dizer.

Quando a boca dela desceu pelo meu pescoço e as mãos me envolveram com uma segurança que contrastava com o calor da pele dela, entendi que havia coisas que um chat nunca podia antecipar por completo. Que a diferença entre saber que alguém te deseja e sentir isso era exatamente tão grande quanto eu imaginava.

Gozei com a boca aberta e sem fazer barulho, arqueada no chão, apertando o rosto dela contra minha buceta sem conseguir me controlar. Ela não parou até eu afastá-la empurrando a testa dela, porque o clitóris estava ardendo de tão sensível.

Ela subiu pelo meu corpo deixando um rastro de beijos e, quando chegou à minha boca, me beijou cheia de mim. Me fez provar a mim mesma inteira. Depois sussurrou no meu ouvido:

—Agora você.

Deitei-a de costas no tapete e abri suas pernas. Ela tinha a buceta depilada, rosa, com os lábios internos inchados e brilhantes de desejo. Lambi-a do jeito que ela me ensinou com a prática, a língua plana primeiro, depois a ponta girando sobre o clitóris, chupando-o inteiro como um doce. Enfiei dois dedos e ela riu rouca de prazer.

—Mais fundo. Forte. Não se contenha.

Fodi a buceta dela com a mão enquanto chupava o clitóris sem descanso. A outra mão dela estava toda molhada até a palma. Ela começou a apertar os seios com as mãos, puxando os próprios mamilos, e depois se agarrou ao meu cabelo com as duas e marcou o ritmo de que precisava. Gozou na minha boca escorrendo, com um gemido gutural que a vizinha ao lado com certeza teve que ouvir.

Ficamos acordadas até as quatro. Transamos mais duas vezes naquela noite: uma contra a moldura da porta do quarto dela, com ela enfiando os dedos em mim por trás enquanto mordia meu ombro, e outra na cama dela, boca contra buceta e buceta contra boca ao mesmo tempo, gozando quase juntas. Conversando, em parte, entre uma e outra. O resto não precisa de muita descrição.

Quando fui embora, Rocío me acompanhou até a porta e disse simplesmente: “Isso foi bom”.

—Foi —concordei.

—Repetimos algum dia?

—Talvez —respondi.

E deixamos por isso mesmo, sem pressionar, que era a única forma certa de deixar.

***

Houve outras garotas depois de Rocío. Algumas ficaram só na conversa. Outras chegaram a um encontro e não passaram disso. Com algumas poucas, mantive uma espécie de amizade leve durante um tempo, daquele tipo que não exige muito, mas está ali quando você precisa.

A regra que eu impus a mim mesma desde o começo era sempre a mesma: não criar ilusões. Ser honesta desde a primeira mensagem sobre o que eu queria. E aceitar sem drama quando a outra pessoa queria algo diferente.

Essa regra funcionou para mim. Nem sempre foi fácil de aplicar, sobretudo em casos como o de Rocío, em que a conversa era tão boa que às vezes eu esquecia que o enquadramento era outro. Mas eu a aplicava porque entendia o que estava em jogo: meu tempo, minhas prioridades e a promessa que tinha feito a mim mesma de não deixar nada interferir no que eu precisava construir.

Terminei o curso técnico. Entrei na universidade no ano seguinte.

E durante todo esse tempo, o jogo continuou aberto em uma aba ao fundo. Sempre pronto para a próxima conversa que começaria falando de avatares e design de interiores virtuais, e terminaria com outra desconhecida gozando na minha boca sobre um tapete que não era o meu.

Ver todos os contos de Lésbicas

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.