A recepcionista nunca tinha ficado com uma mulher
Desceu à recepção só para perguntar por uma trilha, mas ficou olhando tempo demais os olhos verdes da moça do balcão. E a moça percebeu.
Desceu à recepção só para perguntar por uma trilha, mas ficou olhando tempo demais os olhos verdes da moça do balcão. E a moça percebeu.
Cheguei à cidade sem conhecer ninguém e, naquela mesma tarde, uma desconhecida me ofereceu uma fatia de pizza. Nenhuma das duas sabia aonde aquele gesto nos levaria.
Passamos cinco dias nos entregando sem tabus, mas foi naquela última manhã à beira d’água, com ela tremendo nos meus braços, que entendi o que realmente havia acontecido.
Eu vinha escondendo há meses o que sentia por ela. E de repente ela me pedia um beijo para excitar o noivo, sem saber que ia acender algo muito mais perigoso entre nós.
Na adolescência, eu me trancava para imaginar seus seios e seu cabelo negro-azeviche. Trinta anos depois, sua voz ao telefone me acendeu igualzinho.
Pensei que seria um beijinho inocente, só para rir. Mas a boca dela ficou na minha tempo demais e eu soube que, naquela noite, não íamos dormir como amigas.
Ela chegou num sábado ao meio-dia, sentou-se diante de nós e, antes de falar, respirou fundo como quem vai saltar no vazio.
Cruzei as pernas devagar até roçar o joelho dela na poltrona ao lado. Ela não tirou os olhos das minhas coxas, e eu soube que naquela noite não terminaríamos vendo o filme.
Faziam duas semanas desde a derrota, e ela ainda não entendia como uma rival magra e provocante a havia colocado de joelhos. A irmã queria saber a verdade.
Ela chegou para o jantar achando que seria uma noite tranquila entre amigas. Não imaginava que, nos braços de uma desconhecida, aprenderia tudo o que seu corpo havia calado por anos.
Ela baixou as persianas, trancou a porta e ficou atrás de mim. “Você só precisa relaxar”, sussurrou. O que veio depois não estava em prova nenhuma.
Minha tia baixou a voz ao me contar, naquela tarde na casa de Pilar: a porta ficou aberta de propósito, e ela não conseguiu desviar os olhos do que acontecia lá dentro.
Estava havia dois anos sem tocar em ninguém quando ela respondeu minha mensagem com uma única pergunta: «quando nos vemos?». Não imaginei como aquela noite terminaria.
Aproximei um pouco mais o corpo, fingindo não entender o gráfico, e vi as mãos dela tremerem sobre os papéis.
Nunca tinha pensado em outra mulher assim, até que o jaleco branco dela roçou meu joelho e eu entendi que aquele exame não se pareceria com nenhum outro.
Nunca tinha pensado em como seria estar com uma mulher. Nessa tarde, com a blusa meio aberta, ela parou de se perguntar.
Quando ela me puxou para o beco escuro e me beijou contra a parede, soube que a viagem que ganhei no trabalho não seria nada do que eu imaginava.
Adormeci de lingerie pensando no quanto a festa tinha sido divertida. Renata entrou sob os lençóis, e a mão dela não procurou minha cintura: procurou outra coisa.
A gente se reunia há seis anos para a mesma coisa: conversar e nos tocar sem pudor. Numa noite, Camila prometeu uma surpresa e abriu a porta do quarto ao lado.
Desci do vapor com a blusa encharcada e a cabeça cheia de corpos alheios. Nenhuma das mulheres do porto preparou o que aconteceu naquela noite no hotel.