O que minha melhor amiga me fez no provador
Nunca imaginei que a amiga do meu marido me ensinaria algo sobre mim mesma no provador de uma loja. Muito menos que naquela mesma tarde a chamaríamos para perto.
Nunca imaginei que a amiga do meu marido me ensinaria algo sobre mim mesma no provador de uma loja. Muito menos que naquela mesma tarde a chamaríamos para perto.
Eu a vi passar de menino tímido a mulher deslumbrante. Naquela tarde de calor, com a pizza esfriando na mesa, foi ela quem se inclinou para me beijar primeiro.
Há meses nós o chamávamos para nossa casa depois de cada jantar. Desta vez quisemos mais: dois dias trancados com ele, sem relógio, sem vizinhos, sem freio.
Trabalho sozinha no turno da noite e nunca acontece nada. Até que um esportivo vermelho parou na bomba e dele desceram as pernas mais longas que eu já tinha visto.
Eu tinha vinte anos e achava que conhecia meus desejos, até que minha sogra abriu aquele álbum e me mostrou quem tinha sido. Nessa noite eu apaguei a luz e entendi tudo.
Achei que teria a casa toda para mim por quatro dias. Não contei com o fato de que ele tinha chaves, câmeras e uma curiosidade que nunca me confessara.
Ia para o escritório com o plug no lugar e as meias sob a roupa, sonhando com o que minha mulher faria comigo quando voltasse. Nessa noite, no palco, tudo mudou.
Entreguei a ela uma blusa um tamanho menor sem dizer por quê. Quando ouvi seu grito abafado vindo do provador, soube que ia entrar e não sairia igual.
Ela podia embaçar uma cidade inteira com seu desejo, mas naquela noite foi Renata quem fechou o cadeado, guardou a chave no bolso e sorriu como uma carcereira apaixonada.
Ela deixou os baús sobre a cama e me mandou provar cada peça. Naquela noite, entendi que a viagem não era um destino, mas a prova de quanto eu lhe pertencia.
Subi esses degraus com o coração a mil, sem imaginar que sairia do apartamento convertido em outra pessoa e com um nome de mulher nos lábios.
Tranquei o vestiário, abri a maleta e deixei de ser Tomás. Nessa noite, no clube, eu não imaginava que meu próprio chefe ia abrir a porta.
Meu dono plantou a ideia como uma semente: dinheiro pelo meu corpo e um desconhecido observando cada detalhe. Numa terça-feira, saí para cumprir isso sem saber como terminaria.
Ela me disse que, se eu quisesse o cu dela, teria de merecer. O que eu não esperava era que aparecesse no meu prédio na noite de Ano-Novo, com uma maleta e uma ordem.
Durante quatro dias, o papelzinho com seu número queimou no meu bolso. Toda noite eu lembrava daquela umidade escorrendo e soube que ia ligar.
Concedi a ele trinta dias para me provar que servia para alguma coisa. Na primeira noite, não o deixei se tocar: apenas acender uma vela, obedecer e esperar meu castigo.
Maquiei-me, escolhi o vestido preto mais justo e desci para o restaurante sabendo que aquela noite com o outro casal não terminaria à mesa.
Pratiquei diante do espelho durante semanas. Na noite em que coloquei o vestido na mochila, soube que não havia mais volta: daquela vez seria de verdade.
Pedi uma única coisa para a última noite: dançar. O que aconteceu depois, na cabine no fim do corredor, eu não contei a ninguém.
Cruzei a porta da suíte esperando encontrar uma mulher assustada. Não imaginei o que ela escondia sob aquela saia longa, nem a vontade com que pensava me mostrar.