A bolsa escondida que despertou minhas fantasias
Tinha vinte e sete anos e ainda era virgem. Naquela tarde, sozinha numa casa alheia, encontrei algo que me obrigou a me olhar no espelho e reconhecer o que escondia.
Tinha vinte e sete anos e ainda era virgem. Naquela tarde, sozinha numa casa alheia, encontrei algo que me obrigou a me olhar no espelho e reconhecer o que escondia.
Eu sabia que ele me observava tempo demais, que tentava disfarçar. E, como sempre, decidi que não ia deixar passar.
Quando escrevi «faça o que você sabe», ela soube exatamente o que fazer com o desconhecido que bateria à porta às seis e meia da tarde.
Nunca tinha usado uma tanga, mas naquela tarde decidi estreá-la no canto mais movimentado do mercado, justamente onde ninguém podia deixar de me olhar.
Nunca tinha feito algo assim, mas naquela noite o decote, a música e dois olhares insistentes me empurraram para além de uma linha que não quis mais cruzar de volta.
A mão dela subiu pela minha coxa e entrou na minha lingerie. Eu esperava encontrar o que tantas vezes havia imaginado, mas o que toquei me deixou sem ar.
Sempre fui um homem de futebol e conquistas, até que a primeira tanga roçou minha pele depilada e eu entendi que não havia mais volta.
Ela saiu do banheiro de lingerie, posou na minha frente e perguntou de zero a dez quanto estava boa. Eu já sabia onde aquela noite ia terminar.
Todo domingo, quando ela saía, eu abria o armário dela e me transformava em outra pessoa diante do espelho. Naquela tarde, ela esqueceu as chaves e voltou antes da hora.
Ela disse que chegaria tarde, mas, ao abrir a porta do banheiro, a luz das velas revelou sua mentira favorita: estava nua à minha espera.
Quatro homens, um envelope grosso sobre a mesa e eu decidindo quem eu chamava primeiro. Minha regra sempre foi a mesma: eu escolho, eu marco o ritmo e eu vou embora quando bem entendo.
Diante do espelho eu deixava de ser Sebastián. Vestia as meias, a saia, o perfume dela e me transformava na mulher que ninguém sabia que eu trazia dentro.
Eu disse aos meus pais que passaria o dia com uma amiga. Na verdade, ia à casa de Renata, onde me esperavam uma peruca, uma gaiola rosa e um homem que sabia o que queria de mim.
Sob a calça de moletom eu usava só meia arrastão e calcinha de renda. Eu não procurava um prédio qualquer: procurava o lugar onde iam me tratar como objeto.
O vestido me abraçava o corpo, as meias roçavam a cada passo e, quando aquele homem me estendeu a mão para dançar, soube que não voltaria para casa sendo a mesma.
Pensei ter perdido a bolsa com minhas fotos mais íntimas. Quando o doutor me escreveu naquela noite, soube que ele já tinha visto exatamente quem sou.
Atravessei a sala para beber água, sem lembrar que as cortinas continuavam abertas. Do outro lado do vidro, os olhos dele já haviam me encontrado.
Entrei procurando lingerie para agradar outro homem e saí descobrindo que as mãos de uma mulher podem fazer tremer o que nunca tremeu comigo mesma.
Me olhei no espelho com a peruca posta e o vestido translúcido, e soube que naquela noite eu ia deixar um estranho fazer comigo tudo o que eu vinha imaginando há semanas.
Guardei o número dele como «S.1». Dois dias para me arrepender e nem uma vez quis fazer isso: eu queria que me usassem de novo, pior que da primeira vez.