Minha irmã me descobriu com a lingerie dela vestida
Todo domingo, quando ela saía, eu abria o armário dela e me transformava em outra pessoa diante do espelho. Naquela tarde, ela esqueceu as chaves e voltou antes da hora.
Todo domingo, quando ela saía, eu abria o armário dela e me transformava em outra pessoa diante do espelho. Naquela tarde, ela esqueceu as chaves e voltou antes da hora.
Ela disse que chegaria tarde, mas, ao abrir a porta do banheiro, a luz das velas revelou sua mentira favorita: estava nua à minha espera.
Quatro homens, um envelope grosso sobre a mesa e eu decidindo quem eu chamava primeiro. Minha regra sempre foi a mesma: eu escolho, eu marco o ritmo e eu vou embora quando bem entendo.
Diante do espelho eu deixava de ser Sebastián. Vestia as meias, a saia, o perfume dela e me transformava na mulher que ninguém sabia que eu trazia dentro.
Eu disse aos meus pais que passaria o dia com uma amiga. Na verdade, ia à casa de Renata, onde me esperavam uma peruca, uma gaiola rosa e um homem que sabia o que queria de mim.
Sob a calça de moletom eu usava só meia arrastão e calcinha de renda. Eu não procurava um prédio qualquer: procurava o lugar onde iam me tratar como objeto.
O vestido me abraçava o corpo, as meias roçavam a cada passo e, quando aquele homem me estendeu a mão para dançar, soube que não voltaria para casa sendo a mesma.
Pensei ter perdido a bolsa com minhas fotos mais íntimas. Quando o doutor me escreveu naquela noite, soube que ele já tinha visto exatamente quem sou.
Atravessei a sala para beber água, sem lembrar que as cortinas continuavam abertas. Do outro lado do vidro, os olhos dele já haviam me encontrado.
Entrei procurando lingerie para agradar outro homem e saí descobrindo que as mãos de uma mulher podem fazer tremer o que nunca tremeu comigo mesma.
Me olhei no espelho com a peruca posta e o vestido translúcido, e soube que naquela noite eu ia deixar um estranho fazer comigo tudo o que eu vinha imaginando há semanas.
Guardei o número dele como «S.1». Dois dias para me arrepender e nem uma vez quis fazer isso: eu queria que me usassem de novo, pior que da primeira vez.
Eu sonhava com isso havia anos: me maquiar, vestir as meias e me entregar a um homem pela primeira vez. Naquele hotel, finalmente deixei de imaginar.
Estava pronta desde as quatro da tarde, encharcada e precisando, quando aquele homem baixinho bateu à minha porta sem imaginar que eu descobriria seu apelido à força.
Aproveitei a fresta da cortina para espiá-la, mas ela me descobriu no espelho e, em vez de se cobrir, começou a se despir outra vez para mim.
Dirigia à noite transformada em outra mulher e ninguém sabia. Bastou um descuido numa parada para que ele descobrisse quem eu era de verdade.
Quando cheguei ao restaurante com meu vestido preto e meu conjunto de renda por baixo, eu já sabia que não sairia de lá sendo a esposa fiel que fingia ser.
Eu já vinha um ano olhando aquele brinquedo na gaveta sem coragem. Nessa noite, com a camisola de renda e o cadeado fechado, soube que enfim ia me deixar abrir inteira.
Acendi apenas as velas vermelhas, ajustei o babydoll e esperei. Quando a campainha tocou, soube que naquela madrugada me lembraria de quem eu era.
Quando me convidou para jantar na casa dela, achei que queria só me agradecer. Eu não imaginava o que escondia sob aquela saia lápis, nem até onde ela estava disposta a ir.