A candidata madura que ninguém esperava naquele concurso
Quando o comunicado chegou à minha caixa de entrada naquela segunda-feira de manhã, a primeira coisa que pensei foi que era mais uma dessas iniciativas corporativas que servem para pouco e são arquivadas antes do fim do trimestre. O assunto dizia: «Concurso Embaixadora do Ano — Farmacorp S.A.». A empresa buscava uma imagem para eventos, apresentações e fotografias institucionais. Eu trabalhava naquela companhia havia doze anos. Tinha superado minha meta de vendas por quatro anos consecutivos. E, no entanto, ninguém tinha me proposto nada até que dom Edmundo Castellanos — o presidente do conselho, setenta anos recém-completados em janeiro, gravata de seda e relógio suíço — decidiu que precisávamos de uma embaixadora.
Minhas colegas mais jovens começaram a cochichar assim que os cartazes apareceram nas paredes do corredor. Daniela, de vinte e seis anos, já tinha retocado a maquiagem diante do espelho do banheiro. Patricia, vinte e oito, estava procurando cursos de oratória no celular. Eu as observei da minha mesa, tomei um gole de café e sorri por dentro. Tinha quarenta e três anos, o corpo que mantenho com disciplina desde o divórcio, seios firmes que ainda preenchem um sutiã de renda, uma bunda que a saia lápis não consegue disfarçar, e décadas de prática lendo exatamente o que os homens querem quando olham sem ousar dizer.
Eu ia ganhar isso.
Me apresentei no escritório do senhor Castellanos às dez da manhã de terça-feira, quando a maioria das minhas colegas ainda avaliava se valia a pena arriscar. A secretária me pediu para esperar. Esperei menos de dois minutos. Quando entrei, ele estava de pé junto à janela que dava para a avenida principal, com as mãos nos bolsos e o jornal do dia dobrado sobre a mesa como se tivesse acabado de largá-lo ali.
—Lorena —disse. Não «senhora Lorena», não «senhorita». Só meu nome, com essa familiaridade casual de homens que nunca precisaram ser formais para obter o que querem.
—Bom dia, dom Edmundo. Vim me inscrever no concurso.
Ele se virou devagar. Era um homem que aprendera a disfarçar o desejo com décadas de prática, mas ninguém domina isso por completo. Me avaliou dos pés à cabeça no instante em que levou para atravessar a sala, aquela fração de segundo em que os olhos fazem o que o protocolo proíbe. Eu usava uma saia lápis azul-marinho que me cobria abaixo dos joelhos. Discreta. Profissional. Mas eu sabia exatamente o que aquele corte deixava adivinhar quando eu andava, e sabia que o decote da blusa mostrava só o necessário para que um velho como ele se perguntasse quão firmes estariam aqueles seios sob o sutiã.
—Preencha este formulário —disse, me entregando uma folha e apontando a borda da mesa.
Enquanto eu escrevia inclinada sobre a superfície de madeira escura, senti sua presença atrás de mim. Ele não se movia. Simplesmente estava ali, a menos de um metro, em silêncio. O tipo de silêncio que não é indiferença, mas atenção concentrada na curva da minha bunda apertada contra o tecido azul-marinho.
—Você está conosco há muito tempo —disse por fim.
—Doze anos, dom Edmundo.
—Dá para notar. —Fez uma pausa calculada—. A experiência é um ativo que nem todo mundo sabe reconhecer a tempo.
Devolvi o formulário sem dizer nada. Olhei diretamente nos olhos dele e sustentei o silêncio um segundo a mais do que o necessário. Ele não baixou o olhar.
—Há candidatas interessantes este ano —disse, baixando a voz embora fôssemos os únicos na sala—. Mas acho que você pode levar vantagem se conversarmos com mais detalhes sobre seu perfil. Hoje à tarde, depois das seis. Você pode ficar?
—Aqui mesmo, suponho.
—Aqui mesmo.
Me despedi com um sorriso que não tinha nada de inocente, e ele interpretou corretamente.
***
Às seis e quinze, o prédio estava quase vazio. As luzes do corredor funcionavam em meia potência. A secretária de dom Edmundo já tinha recolhido a bolsa. Bati na porta com os nós dos dedos, duas vezes, sem pressa.
—Pode entrar —disse sua voz lá de dentro.
Entrei. Ele estava sentado atrás da mesa, com o paletó pendurado no encosto da cadeira e as mangas da camisa branca arregaçadas até os cotovelos. Sobre a quina da mesa havia uma garrafa de vinho tinto já aberta e duas taças.
—Fico feliz que você tenha vindo —disse, me servindo sem perguntar se eu queria.
—Fico feliz que você tenha me convidado —respondi, pegando a taça.
Nos sentamos frente a frente. Durante vinte minutos ele falou sobre o perfil que a empresa buscava: presença, comunicação, imagem. Eu ouvia, concordava com a cabeça, respondia com precisão quando era o caso. E, o tempo todo, por trás de cada palavra havia outra conversa que nenhum de nós nomeava. Era esse tipo de diálogo duplo que só existe quando dois adultos sabem exatamente para onde estão indo e preferem chegar sem pressa.
Quando apoiei a mão na mesa para enfatizar um ponto, ele cobriu a minha com a dele. Grande, seca, firme.
—Você sabe exatamente o que está fazendo —disse.
—Sempre sei.
Ele se levantou e contornou a mesa devagar. Eu não me mexi. Ficou atrás de mim, afastou meu cabelo do pescoço com uma única mão, e os lábios dele roçaram a pele bem abaixo da orelha. Apenas um contato. O suficiente para me tirar o ar dos pulmões sem fazer barulho.
Fazia três anos que ninguém me tocava assim. Três anos de reuniões de vendas, relatórios trimestrais, jantares de trabalho em que eu era a executiva competente e nada mais. Três anos sendo útil, sendo confiável, sendo invisível para tudo o que não fosse meu desempenho profissional. Três anos enfiando dois dedos no meu cu no chuveiro porque não havia outra coisa.
As mãos dele desceram pelos meus ombros até pousarem sobre meus quadris. Eu deixei. Mais do que deixei: quis.
Virei-me e o beijei.
Foi um beijo sem urgência, com língua desde o primeiro segundo, profundo, enquanto as mãos dele apertavam minha bunda por cima da saia. O tipo de beijo que só dá alguém que não tem medo de perder o que já tem. Gostei disso. Gostei de ele não agir com a desajeitada ansiedade de quem precisa confirmar que a oportunidade é real. Ele sabia que era real. Eu sabia. Não havia pressa.
Ele desabotoou minha blusa botão por botão sem desviar os olhos dos meus. Quando o tecido cedeu e ficou aberto, deslizou os dedos por dentro do sutiã de renda preta e libertou os seios um a um. Ficou um momento olhando para eles antes de baixar a boca. Chupou um mamilo até deixá-lo duro como pedra e depois o outro, alternando, mordendo de leve, puxando com os lábios. Eu afrouxei sua gravata e abri sua camisa. Ele sorriu com o mamilo ainda entre os dentes.
—Você é uma mulher extraordinária, Lorena.
—Eu sei —disse, e não era arrogância.
Os papéis da mesa caíram no chão quando ele os afastou com um gesto limpo. Ele me ajudou a subir na borda da mesa. Tomou meu rosto entre as mãos e me beijou de novo, mais devagar, enquanto as palmas percorriam minhas coxas por baixo da saia. Os dedos dele eram pacientes, metódicos. Não iam direto a lugar nenhum. Percorriam. Memorizavam. Subiam pela parte interna da coxa, paravam justo antes da borda da calcinha e desciam outra vez.
—Faz tempo que eu te observo —admitiu contra a minha boca.
—Eu sei —repeti.
—E você nunca disse nada?
—Estava esperando o momento certo.
Ele encontrou o elástico da minha calcinha e puxou devagar para baixo. Eu me ergui levemente para facilitar. A calcinha ficou pendurada em um tornozelo até eu a fazer cair com um chute. A saia subida até a cintura, as pernas abertas sobre a mesa de mogno, o meu cu depilado e já encharcado brilhando sob a luz da luminária. Ele me tocou primeiro com a mão, com a mesma paciência com que havia percorrido todo o resto. Os dedos deslizaram pelos lábios sem entrar ainda, subiram até o clitóris, roçaram de leve, desceram de novo. Quando encontrou o ponto exato, meus quadris se moveram sozinhos na direção dele.
—Aí —disse em voz baixa—. Bem aí. Enfia eles.
Ele enfiou dois dedos até o fundo, curvados para cima, e o polegar ficou apoiado sobre o clitóris. Repetiu isso no mesmo ritmo preciso, para dentro e para fora, até eu ter de me apoiar nos ombros dele para não perder o equilíbrio. Eu ouvia os dedos entrando e saindo do meu cu molhado, aquele som úmido de dedos fodendo uma buceta que eu não ouvia de perto havia muito tempo. O prazer se construía camada por camada, sem saltos, sem pressa. Era isso que me faltava havia tanto tempo: alguém que não tivesse medo de levar o tempo que fosse preciso.
—Chupa pra mim —disse—. Ajoelha e chupa pra mim.
Ele se ajoelhou diante de mim sem reclamar, um homem de setenta anos entre as pernas da mulher que ia ganhar o concurso. Abriu os lábios da minha buceta com os polegares e mostrou a língua. A primeira passada foi longa, plana, de baixo para cima, e terminou girando em torno do clitóris. O gemido que me escapou encheu o escritório inteiro. Agarrei a borda da mesa com as duas mãos. Fechei os olhos. Lá fora, a cidade continuava sendo a cidade: trânsito, buzinas, o barulho constante de uma tarde de quinta-feira. Lá dentro, só existia a boca dele sugando meu clitóris e os dedos voltando a entrar e sair da minha buceta enquanto ele me comia.
—Assim, velho. Assim. Não para.
Ele me levou até a beira com uma lentidão que me deixou louca. A língua trabalhava em círculos precisos, os dedos me fodiam num ritmo constante, e eu empurrava os quadris contra o rosto dele sem nenhuma decência. Quando senti que o orgasmo estava prestes a explodir, quando as coxas e o ventre já se contraíam, ele parou. Tirou os dedos e afastou a boca. Levantou-se e me olhou com o queixo brilhando da minha umidade.
—Ainda não —disse.
Desci da mesa com as pernas tremendo e desabotoei o cinto dele. Abaei as calças e a cueca boxer de um só puxão. O pau saltou duro, mais duro do que eu esperava para um homem da idade dele, grosso na base, a glande já lubrificada pelo líquido pré-ejaculatório. Me abaixei sem pedir permissão e o levei à boca até a metade. A mão dele encontrou minha nuca e apertou, não para forçar, para se apoiar. Chupei devagar primeiro, com a língua toda envolvendo-o, subindo e descendo, deixando-o sair da boca para lamber os testículos e voltar a enfiá-lo. Quando o deixei encharcado de saliva, aumentei o ritmo. Mamação no pau dele como se me tivessem negado aquilo por três anos, porque foi exatamente assim que aconteceu. Ouvi ele soltar um rosnado quando a ponta tocou minha garganta.
—Chega —disse com a voz rouca—. Chega ou eu gozo na sua boca e quero te foder primeiro.
Limpei os lábios com o dorso da mão e sorri. Virei-o com as mãos, empurrando-o pelo peito. Sentei-o na própria cadeira de couro, a cadeira do presidente do conselho. Subi nele com os joelhos de cada lado dos quadris, agarrei o pau com uma mão, coloquei-o exatamente onde eu queria, e olhei nos olhos dele quando desci a bunda e o recebi inteiro. O ar saiu da boca dele num golpe surdo. Eu não fechei os olhos. Queria ver a cara dele enquanto eu engolia o pau até a base.
Assumi meu ritmo desde o começo. Subia devagar até deixar só a ponta dentro e descia de uma vez, sentindo o pau me preencher inteira a cada vez. Cada movimento escolhido, cada ângulo calculado. Ele me segurava pela cintura, mas era eu quem marcava o tempo e a intensidade. Lembrei de tirar a blusa toda e o sutiã, e coloquei meus seios na boca dele enquanto continuava cavalgando-o. Ele chupava meus mamilos com os olhos fechados enquanto eu enfiava o pau dentro de mim repetidas vezes. É assim que funciona quando uma mulher sabe exatamente o que quer: não espera que o outro adivinhe, não pede licença, não titubeia. Ela toma. Ela cavalga. Ela goza por cima.
—Olha pra mim —disse—. Olha para o meu rosto quando eu gozar.
Ele ergueu a cabeça. Desci uma mão e esfreguei o clitóris com dois dedos enquanto continuava me movendo sobre ele. O primeiro orgasmo veio rápido, apertando minha buceta em torno do pau dele em ondas, e ele teve de me agarrar com força pelos quadris para não gozar ali mesmo. Eu não parei. Continuei montando nele, um pouco mais devagar, mas sem interromper, até a sensibilidade se transformar outra vez em calor.
—Me põe de quatro —disse, descendo de cima dele—. Sobre a mesa.
Apoiei-me nos cotovelos sobre o mogno, com a bunda levantada para ele, a saia ainda subida na cintura como um cós amassado. Ele se posicionou atrás e voltou a enfiar o pau em mim de uma só vez. Agarrou meu cabelo com uma mão e meu quadril com a outra e começou a me foder sem nenhuma pretensão de delicadeza. A mesa rangia a cada investida. Eu empurrava a bunda para trás, indo ao encontro dele, apertando-o de propósito toda vez que entrava. A segunda vez eu cheguei assim, com a bochecha apoiada contra o vidro da mesa, mordendo o lábio para não gritar alto demais, sentindo-o bater no fundo da minha buceta uma e outra vez.
A tensão acumulada durante três anos de solidão organizada se liberou em cada movimento, em cada respiração que ficava mais difícil de controlar. Gostei de ele aguentar sem quebrar cedo demais. Eu cheguei duas vezes antes dele chegar uma. Quando enfim não aguentou mais, tirou o pau, me virou e gozou nas minhas tetas com dois rosnados guturais, jorros grossos de sêmen que caíram sobre meus mamilos e escorreram pelo meu ventre. Limpei com dois dedos, levei-os à boca e os mostrei para ele.
Quando tudo terminou, ficamos imóveis por alguns minutos. A camisa dele amarrotada. Minha saia desalinhada. As taças de vinho quase intocadas. A cidade lá fora seguia seu curso.
—Amanhã você terá a resposta —disse por fim, com a voz um pouco rouca.
—Não tenho dúvidas —respondi, descendo do colo dele com a mesma calma com que tinha subido.
Me ajeitei diante do pequeno espelho pendurado ao lado da porta. Ele me observou sem acrescentar mais nada. Dei boa-noite e saí com a calcinha ainda no bolso do casaco.
***
No dia seguinte, dom Edmundo me chamou ao escritório logo cedo.
—Lorena, você cumpriu todos os critérios do processo seletivo —disse, com o tom formal de quem lê uma ata—. No entanto, o regulamento estabelece que a candidatura final requer a aprovação do conselho diretor. São oito membros. Hoje à tarde você tem uma reunião com eles na sala principal, às quatro em ponto.
Olhei para ele por um segundo sem piscar.
—O critério de avaliação é o mesmo que o seu?
Ele desviou o olhar para os papéis sobre a mesa.
—Confio que você esteja à altura das circunstâncias.
Entrei na sala às quatro em ponto. Oito homens, todos acima dos sessenta. Ternos escuros, relógios caros, o tipo de silêncio usado deliberadamente como ferramenta de poder. Indicararam-me com um gesto o assento na extremidade da longa mesa. Sentei devagar, sem pressa. Olhei para todos antes que qualquer um abrisse a boca.
—Senhora Lorena, analisamos seu currículo com atenção —disse o que presidia—. Dom Edmundo fala muito bem da senhora. Muito bem, de fato.
—Ele é um homem de bom critério —respondi.
Alguém sorriu. Outro pigarreou. Um terceiro virou levemente a cabeça para a janela.
Entendi perfeitamente o que estava acontecendo. E naquele momento, enquanto os olhava um por um ao redor daquela mesa enorme, tomei a decisão com a mesma frieza com que sempre tomo as que importam: com informação completa, sem ilusões, sem drama.
Doze anos naquela empresa. Doze anos batendo metas, entregando projetos antes do prazo, participando de reuniões em que ninguém nunca me escutou de verdade. E agora, enfim, a sala inteira estava me olhando. Oito paus de conselho pensando a mesma coisa debaixo da mesa.
Que olhassem.
Levantei-me, fechei a porta atrás de mim com suavidade, girei a chave e sorri para todos eles com aquele sorriso que venho aperfeiçoando há três décadas.
—Senhores —disse, começando a desabotoar o primeiro botão da blusa—, por onde começamos?

