Meus relatos de submissão se tornaram realidade
Meu nome é Lucía e tenho quarenta e um anos. Sou a mulher que ninguém vê nas reuniões da escola, aquela que responde «bem, obrigada» quando perguntam como está, embora por dentro já faça meses que eu não sinto grande coisa. Meu marido, Ernesto, trabalha com logística e passa entre doze e quatorze horas por dia fora de casa. Meus filhos têm quinze e dezessete anos e vivem grudados nas telas. Eu moro num apartamento de três quartos num bairro tranquilo, e minha rotina cabe numa lista de cinco pontos: levantar, levar as crianças, limpar, cozinhar, deitar.
Mas há uma coisa que ninguém sabe.
Há quatro anos, quando a casa fica em silêncio à noite, eu ligo o laptop e escrevo. Não o diário de uma dona de casa sobrecarregada. Escrevo relatos eróticos: histórias de mulheres com a boceta encharcada que se entregam, de homens com o pau duro que as comem sem piedade, de noites em quartos de hotel onde as regras não existem e só importa quem manda e quem obedece. Eu os publico num fórum anônimo sob o nome «SombraSeducida». Nunca uso minha foto real, nunca conto em que cidade moro. Mas toda vez que aparece um comentário novo — alguém me dizendo que gozou lendo meu último relato —, sinto algo que o resto da minha vida não me dá: importância.
A primeira vez que Marco me escreveu, eu tinha acabado de publicar uma história sobre uma mulher amarrada a uma cama de hotel, com as pernas abertas e a bunda empinada, completamente entregue a um desconhecido que lhe ordenava como se abrir, como gemer e quando podia gozar. Era um daqueles relatos que saem sozinhos, em que a mão escreve e você só vai lendo o que aparece na tela com a boceta pulsando sob o pijama. No dia seguinte eu li à luz do dia e me surpreendi: era mais honesto do que eu mesma pretendia.
A mensagem chegou naquela mesma tarde.
«O que você acabou de escrever não é ficção. É memória. Uma mulher que descreve como a boceta fica molhada quando mandam abrir as pernas com esse nível de detalhe já sentiu isso na própria pele, ainda que tenha sido em sonhos. Meu nome é Marco, tenho 57 anos, sou viúvo. Passei vinte anos amarrando mulheres e ensinando-as a gozar quando eu permitia, e nunca tinha lido algo tão preciso. Podemos conversar?»
Levei dois dias para responder. Mas respondi.
***
Nos primeiros dias, conversávamos só à noite, quando a casa dormia. Marco escrevia bastante, sem pressa, com a segurança de alguém que não precisa provar nada. Tinha sido diretor comercial numa empresa de engenharia até se aposentar, depois que a esposa morreu de câncer. «Elena era minha submissa — escreveu numa noite. — Eu a amarrava duas vezes por semana, abria a boceta dela com os dedos e a fazia gozar até me implorar para parar. Não porque eu exigisse, mas porque era a maneira como nos amávamos. O que você descreve nos seus relatos não é fantasia para alguém que já viu a bunda avermelhada de uma mulher pedindo mais.»
Eu não tinha dito a ele que desejava alguma coisa. Mas também não neguei. Naquela noite, eu me toquei lendo suas mensagens e gozei mordendo o travesseiro para que Ernesto não acordasse do outro lado da cama.
Ele foi me pedindo coisas aos poucos. Primeiro uma foto das minhas mãos sobre o teclado. Depois dos meus pés descalços no chão da cozinha. Depois do meu pescoço. Cada vez que eu enviava algo, ele me respondia com uma descrição do que faria se estivesse na minha frente: como arrancaria minha calcinha, como abriria minhas coxas com os joelhos, como enfiaria dois dedos na minha boceta até sentir meu aperto em volta deles. Não eram ameaças, eram promessas tranquilas que me deixavam com a calcinha molhada durante horas. Numa noite, ele pediu uma foto dos meus seios. Fiquei com o cursor sobre «enviar» por vários minutos. Envie-os.
A resposta veio três minutos depois: «Perfeitos. Esses seios vão ficar na minha boca, vou chupá-los até seus mamilos endurecerem como pedras, e enquanto eu os mordo vou enfiar minha mão na sua boceta para sentir você gozar. Quando eu tocar em você pela primeira vez, vou olhar nos seus olhos para ver exatamente a cara que você faz.»
Naquela noite eu não consegui dormir. Gozei três vezes seguidas com os dedos entre as pernas, mordendo o lençol, imaginando a voz dele me dando ordens no escuro.
Passaram-se três semanas assim. Ele descrevia cenas com uma precisão que me deixava a boceta escorrendo enquanto lia: cordas trançadas que não machucam, mas prendem os pulsos enquanto uma mulher se contorce de prazer, a diferença entre uma palmada que dói e uma que abre, a psicologia do controle e da entrega, como se quebra uma mulher quando a mantêm à beira do orgasmo por uma hora sem deixá-la gozar. Eu fazia perguntas, ele respondia. Nunca pressionou. Foi isso que acabou me convencendo: a ausência de urgência.
***
A proposta veio numa terça-feira. Um café no bar do Hotel Alcázar, no centro. «Só para conversar», ele escreveu. Os dois sabíamos que era mentira, que eu acabaria com as pernas abertas numa cama daquele hotel, mas usamos essa mentira como muleta para atravessar um limite que sozinhos não teríamos atravessado.
Passei quatro dias escolhendo o que vestir. No fim, optei por algo deliberadamente neutro: calça preta, blusa cinza com botões, sapatos baixos. Nada que denunciasse nada. Por baixo, no entanto, eu usava um conjunto de renda preta que não vestia havia anos, e uma calcinha que já estava molhada antes de eu sair de casa. Disse a Ernesto que tinha uma reunião do clube do livro em que eu nunca ia. Aos meus filhos nem precisei dizer nada: não perguntaram.
Marco estava na entrada quando cheguei. Mais alto do que eu imaginava, com o cabelo totalmente branco e uma barba de três dias bem aparada. Vestia uma camisa azul-escura e me olhou assim que atravessei a porta, sem desviar os olhos, me percorrendo de cima a baixo de um jeito que me fez esquecer como andar normalmente e sentir a boceta se contrair sob a roupa.
— Lucía — disse, e foi só meu nome, mas soou como uma declaração.
Ele me deu dois beijos no rosto. Os lábios dele roçaram a borda da minha mandíbula, e o hálito quente arrepiou minha pele até os mamilos. Cheirava a algo especiado e discreto, nada agressivo.
Sentamos numa mesa no fundo. Pedimos café. Falamos dos meus relatos, dos anos dele no BDSM, de como tinha chegado ali. Era exatamente como ele escrevia: direto, sem rodeios, mas sem brutalidade. Perguntou se eu tinha alguma experiência prévia. Eu disse que não. Ele assentiu como se isso não o surpreendesse. Perguntou se eu tinha me molhado lendo suas mensagens. Eu disse que sim. Ele sorriu de leve e levou a xícara aos lábios.
— Quer subir? — perguntou quando os dois terminamos o café.
Não disse nada. Levantei-me.
***
O quarto era pequeno e arrumado: cama de casal com cabeceira de madeira escura, uma poltrona junto à janela, cortinas meio fechadas. Marco trancou a porta e deixou a chave sobre a mesinha sem dizer nada. Não como ameaça. Como um gesto que estabelecia onde estávamos e que tipo de espaço era aquele.
Ele tirou uma bolsa de viagem debaixo da cama e a abriu sobre a poltrona. Vi cordas trançadas de cor bordô, um flogger de tiras largas e macias, uma coleira de couro fino com uma argola prateada, um vibrador preto de tamanho considerável e um pequeno frasco de lubrificante.
— Você pode ir embora se quiser — disse, sem me olhar —. Ninguém está te impedindo.
Eu podia. A porta estava logo atrás. Ernesto estava na estrada. Meus filhos estavam em casa olhando para telas. Ninguém sabia onde eu estava.
E era exatamente isso que me deixava paralisada de desejo, com a boceta encharcada, diante desse homem que eu tinha acabado de conhecer.
— Eu não vou embora — disse.
Ele ergueu os olhos. Assentiu uma única vez.
— Então tire a blusa. Devagar.
Meus dedos encontraram os botões sem que eu pedisse a ele. Um, dois, três, quatro. A blusa caiu sobre a cadeira. Fiquei de sutiã, olhando para ele, esperando sem saber ao certo o quê.
— A calça também. E as meias. Fique só de lingerie.
Obedeci. Desci a calça com as mãos trêmulas, tirei-a pelos pés e fiquei diante dele com o conjunto de renda preta, sentindo o tecido molhado da calcinha grudar nos lábios da minha boceta.
Ele se aproximou. Não me tocou ainda. Contornou-me devagar, como se me avaliasse, e senti o hálito dele na nuca antes que as mãos alcançassem as alças do sutiã.
— Você está tensa nos ombros — disse —. Respire.
Respirei.
O sutiã caiu no chão. As palmas dele cobriram meus seios por trás, com uma pressão firme e uniforme que não se parecia em nada com o jeito como Ernesto me tocava à noite. Marco beliscou um mamilo com dois dedos, primeiro de leve, depois com mais força, até eu soltar um som involuntário que me surpreendeu. A outra mão desceu pelo meu ventre e se enfiou por dentro da calcinha. Quando os dedos dele chegaram à minha boceta e sentiram o quanto eu estava encharcada, soltou um rosnado baixo contra minha orelha.
— Escorrendo — disse —. Você está escorrendo, Lucía. Faz três semanas que espera por isso.
— Sim — sussurrei.
Os dedos dele se afundaram entre meus lábios. Um primeiro, lento, percorrendo toda a extensão da boceta. Depois dois, enfiados até o fundo, enquanto o polegar apertava meu clitóris em círculos lentos. Minhas pernas fraquejaram e eu tive que me apoiar contra o peito dele para não cair.
— Assim — disse —. É exatamente isso que eu quero ouvir.
Ele me levou até a cama e me fez sentar na beirada. Arrancou minha calcinha num puxão, sem cerimônia. Pegou as cordas bordô e envolveu meus pulsos com calma, com o tipo de concentração que se dedica a algo importante. Os nós eram firmes, mas não cortavam a pele. Amarraram-me à cabeceira com os braços acima da cabeça, deixando meus seios erguidos e totalmente expostos.
— Tudo bem? — perguntou.
— Sim.
— Sim, o quê?
Engoli em seco.
— Sim, Amo.
A primeira vez que disse isso, minha voz saiu quase num sussurro. Ele não disse nada, mas percebi que algo na postura dele mudou: um relaxamento mínimo, como se tivesse acabado de confirmar algo que já sabia de antemão.
Ele me afastou as pernas com as duas mãos, abrindo-as por completo, e ficou um instante olhando para a minha boceta aberta diante dele. Sem tocar. Só olhando.
— Você vai aprender a pedir o que quer com a boca cheia, Lucía. Vai aprender a dizer «quero que me fodam» em voz alta. Vai aprender a gozar quando eu mandar, e a se segurar quando eu não permitir. Entendeu?
— Sim, Amo.
Marco pegou o flogger. As tiras de couro eram largas e macias, e o primeiro golpe nas minhas coxas foi tão leve que quase não senti: quase uma carícia. O segundo foi mais firme. O terceiro atingiu a parte interna da coxa, a centímetros da boceta, e me arrancou um suspiro ofegante que encheu o quarto inteiro.
— Peça — disse.
— Mais — sussurrei.
— Mais o quê?
— Mais, Amo. Por favor.
Os golpes foram aumentando em intensidade, alternando entre minhas coxas, meus seios e a parte interna das pernas. Cada vez que o couro acertava um lado da boceta, eu gemia e arqueava os quadris, buscando que o golpe seguinte caísse diretamente nos lábios molhados. Eu parei de controlar os quadris, que se erguiam sozinhos em busca do couro. Sentia uma ardência que não era só na pele, mas em algum lugar mais fundo que eu nem sabia que tinha. Cada impacto deixava um rastro de calor que levava segundos para sumir, e quando sumia eu queria de volta. Minha boceta pingava sobre o lençol, eu podia sentir o fio quente descendo pela minha bunda.
— Olhe para você — disse ele, com a voz rouca —. Olhe como essa boceta pinga. Você passou anos fingindo na sua casa, Lucía, e aqui não pode mentir.
— Não, Amo.
— Diga o que quer.
— Quero que me chupe — disse, surpresa com a minha própria voz.
— Chupar o quê?
— A boceta. Quero que você chupe minha boceta, Amo. Por favor.
Ele se ajoelhou na cama entre minhas pernas abertas. Passou as palmas pela parte interna das minhas coxas até me abrir por completo. E então baixou a cabeça e me beijou entre as pernas com a boca aberta, a língua plana e quente percorrendo toda a boceta de baixo para cima numa única passada longa que me arrancou um grito.
Era preciso, metódico, como tudo o que fazia. Não buscava terminar rápido. A língua dele descia até a entrada da boceta, entrava em mim por um instante, e depois subia devagar até o clitóris, onde ficava desenhando círculos lentos até eu começar a tremer. Justo quando eu estava prestes a gozar, ele parava. Erguia a cabeça, me olhava com a barba molhada dos meus fluidos, e esperava minha respiração baixar antes de começar de novo.
Fez isso três vezes. Na quarta eu já estava soluçando.
— Por favor, Amo. Deixe-me gozar. Por favor.
— Por favor o quê?
— Por favor me deixe gozar na sua boca. Por favor.
Ele sabia exatamente onde parar, que pressão aplicar, quando se afastar por um segundo para eu ofegar o nome dele antes de voltar. Quando finalmente me concedeu o orgasmo, chupou meu clitóris com os lábios cerrados enquanto enfiava dois dedos na minha boceta e os curvava para cima, procurando um ponto que eu não sabia que existia. Agarrei-me às cordas como se fossem a única coisa sólida que restasse no mundo.
— Marco — disse.
Ele ergueu a cabeça e me olhou de baixo, com os lábios brilhantes.
— Amo.
— Amo — repeti, e não foi ridículo nem humilhante. Foi a coisa mais honesta que eu tinha dito em anos —. Amo, eu vou gozar.
— Goze na minha boca. Agora.
Gozei com os pulsos amarrados, as costas arqueadas, os pés afundados no colchão, num orgasmo que começou no centro exato do meu corpo e se espalhou até os dedos das mãos. Senti a boceta se apertar em ondas ao redor dos dedos dele, o clitóris pulsando contra a língua, todo o meu corpo se sacudindo sem que eu pudesse controlar. Ele não se afastou. Continuou ali, lambendo devagar, me bebendo, até as últimas contrações se acalmarem.
Quando parei de tremer, Marco subiu pelo meu corpo beijando meu ventre, meus seios, meu pescoço. Tinha meus fluidos espalhados por toda a barba e os esfregou deliberadamente nos lábios antes de me beijar na boca. Senti meu próprio gosto na língua dele e gemi dentro do beijo. Ele me soltou com a mesma calma com que havia me amarrado, massageou meus pulsos com os polegares e ficou me olhando por alguns segundos.
— Ainda não terminamos — disse.
Ele se despiu devagar. Tinha o corpo de um homem que cuida de si: costas largas, um pouco de barriga, uma pequena cicatriz na lateral sobre a qual eu não perguntei. E entre as pernas, o pau duro, grosso, ereto contra o ventre. Maior do que eu esperava. Minha boca salivou.
— Venha — disse, sentando-se na beirada da cama —. De joelhos.
Deslizei da cama para o chão, entre as coxas abertas dele. Ele segurou meu cabelo com uma mão, não com força, só o suficiente para me guiar. Com a outra, agarrou o pau pela base e o trouxe até meus lábios.
— Abra.
Abri. Ele o colocou na minha boca devagar, primeiro a ponta, deixando eu chupá-la por alguns segundos. Depois mais fundo. Senti-o grosso, quente, preenchendo toda a minha língua. Comecei a chupá-lo com vontade, subindo e descendo, a mão envolvendo o que não cabia na minha boca, olhando-o nos olhos enquanto fazia isso.
— Assim, Lucía — gemeu —. Porra, como você chupa bem. Mais fundo.
Ele empurrou minha cabeça com a mão que estava no meu cabelo e o pau chegou até o fundo da garganta. Senti ânsia, mas não me afastei. Ele me sustentou ali por alguns segundos antes de me soltar. Peguei ar e voltei a colocá-lo até o fundo por conta própria. Minha própria saliva escorria pelo queixo até os seios.
— Pare — disse depois de alguns minutos, ofegante —. Se continuar, eu gozo na sua boca e ainda não te fodi.
Ele me ergueu do chão e me deitou de barriga para cima na cama. Abriu minhas pernas e se posicionou entre elas sem desviar os olhos dos meus. A ponta do pau roçou a entrada da minha boceta e eu gemi.
— Diga que me quer dentro.
— Eu quero você dentro, Amo.
— Onde?
— Na boceta. Quero seu pau na minha boceta, Amo. Enfia.
Entrou devagar no começo, sem pressa, me olhando enquanto fazia isso. Senti cada centímetro daquele pau me abrindo, me preenchendo, até os testículos baterem na minha bunda. Fiquei sem fôlego. Fazia anos que eu não me sentia tão cheia, tão aberta, tão tomada. Ele ficou quieto por um instante, me deixando me adaptar, e então começou a se mover.
Devagar primeiro. Saídas longas, entradas profundas, olhando meu rosto a cada investida como se quisesse memorizar cada expressão. Depois deixou de ser devagar. Pegou minhas pernas e as dobrou contra meu peito, me abrindo por completo, e começou a me foder com força, com golpes secos e profundos que faziam meus seios quicarem e a cabeceira bater na parede.
— Era isso que você queria, não era, putinha? — disse entre os dentes —. Que te fodessem direito. Que um homem enfiassse o pau até o fundo e não deixasse você fingir nada.
— Sim, Amo. Sim.
— Diga inteiro.
— Eu queria ser fodida, Amo. Queria um pau duro dentro de mim. Continua, por favor, continua.
A cabeceira bateu na parede duas vezes antes de eu fechar os olhos. Depois os abri, porque eu não queria perder nada daquilo. Ele tirou o pau da minha boceta, me virou sem cerimônia e me colocou de quatro na beira da cama. Agarrou minhas ancas com as duas mãos e se enterrou em mim de uma só vez.
Gritei. Cobri a boca com a mão. Ele a afastou.
— Aqui você não se tapa. Aqui você geme. Aqui você deixa sair tudo o que passou anos calando.
Ele me fodeu por trás com uma cadência constante, profunda, enquanto uma mão descia pela minha coluna e a outra me segurava pela anca para me puxar contra ele a cada investida. O polegar desceu até a minha bunda e começou a pressionar o buraco, lubrificando-o com meus próprios fluidos. Quando ele me enfiou o dedo até a primeira falange, eu gozei de novo, gritando contra o travesseiro, a boceta apertando-se ao redor do pau dele em espasmos.
— Essa foi uma — disse, sem parar de me empurrar —. Quero outra antes de acabar.
Ele me obrigou a me virar outra vez. De barriga para cima. Pegou meus pulsos com uma só mão e os segurou acima da minha cabeça contra o colchão. Com a outra, agarrou um seio e começou a me foder olhando nos meus olhos, enquanto a outra mão deslizava entre nossos corpos e dois dedos apertavam meu clitóris em círculos no ritmo das investidas dele.
— Olhe para mim — ordenou —. Quando gozar, olhe para mim.
Gozei mais duas vezes antes de ele terminar, e a cada vez ele sustentava meu olhar como se estivesse lendo algo escrito no meu rosto. Cada vez que a boceta se fechava ao redor do pau dele, ele gemia com os dentes cerrados e investia com mais força. Quando finalmente gozou, foi dentro de mim, enterrado até o fundo, soltando um rosnado baixo e longo enquanto eu sentia ele se derramar em jatos quentes na minha boceta. Ele não tirou o peso de cima de mim de imediato. Ficou quieto por um momento, a testa encostada na minha, respirando, com o pau ainda pulsando dentro de mim.
Isso eu não esperava.
***
Fiquei deitada de barriga para cima olhando para o teto, sentindo o sêmen dele escorrer da minha boceta para o lençol, enquanto ele me trazia um copo d'água e se sentava na beirada da cama.
— Como você está? — perguntou.
— Ainda não sei — disse.
— Normal. Vá no seu tempo.
Olhei para ele. Havia uma pequena cicatriz no queixo que eu não tinha notado antes. Pensei que me alegrava tê-la visto.
— Você vai me pedir para parar de publicar meus relatos? — perguntei. Era o que acontecia nas minhas próprias histórias, quando o homem dominante reivindica o controle total sobre a submissa.
Marco franziu levemente a testa.
— Não. O que você escreve é seu. Eu não tenho nenhum direito sobre isso.
Aquilo me desestabilizou mais do que tudo o resto.
***
Estamos nos vendo há nove meses. Não toda semana, não com um ritual fixo: marcamos quando os dois podem, quando há espaço na minha agenda invisível e na dele. Às vezes é no mesmo hotel do centro. Outras vezes é no apartamento dele, um lugar pequeno e arrumado perto do rio, onde ele tem um quarto com ganchos nas paredes que não se veem à primeira vista, e onde me amarrou de bruços sobre uma mesa para me bater na bunda até deixá-la vermelha, me fez gozar com o vibrador na boceta enquanto me enfiava o pau no ânus pela primeira vez, e me ensinou a engolir o sêmen dele sem desperdiçar uma gota.
Ernesto não sabe de nada. Meus filhos não sabem de nada. As outras mães do hipotético clube do livro também não sabem de nada. Ernesto continua me dando as costas na cama à noite, e eu adormeço com a boceta ainda queimando da última sessão com Marco três dias antes.
O que sei, isto sim, é o seguinte: existe uma versão de mim que acordou naquele quarto do Hotel Alcázar e que não tem nenhuma intenção de voltar a dormir. Continuo escrevendo à noite, sob meu pseudônimo, e meus relatos são melhores agora. Mais precisos, mais honestos, mais detalhados. Quando descrevo como é sentir um pau duro abrindo caminho numa boceta encharcada, eu já não imagino: eu me lembro.
Porque eu já não os escrevo de memória imaginada. Eu os escrevo de memória vivida.
E toda vez que Marco me escreve, de dia ou de noite, sinto exatamente o mesmo que senti quando vi aquela primeira frase na tela: que alguém, finalmente, está me lendo de verdade.