A noite em que cruzei uma linha por meu filho
Tenho quarenta e seis anos, um divórcio recente e a certeza de que a vida não pede licença antes de virar tudo de cabeça para baixo. Andrés me deixou pela garota da recepção da empresa dele, uma dessas histórias que a gente jura que nunca vai acontecer com a gente até acontecer. O pior não foi a traição em si. O pior foi que eu via isso vindo há meses e escolhi olhar para o outro lado, me convencendo de que eu estava errada, de que eu estava exagerando, de que provavelmente a culpa era minha de alguma coisa.
Depois da separação, tive de deixar o apartamento amplo no centro e me mudar para um bairro que eu jamais teria escolhido. Aqui o aluguel cabe na pensão que Andrés me passa mês a mês e, com o que sobra, consigo continuar sustentando Diego, meu filho de dezoito anos. Nunca trabalhei; me dediquei à casa e a criá-lo durante quase duas décadas, e na minha idade, sem currículo e sem experiência comprovável, o mercado de trabalho me devolve o olhar com total indiferença.
Diego é um bom menino, mas sempre foi sensível. Talvez protegido demais, talvez acostumado demais a um ambiente que não o exigia. O bairro novo o esmagou desde o primeiro dia. Ele se tornou retraído, calado, com aquele olhar de quem espera o próximo golpe antes que ele chegue. Parou de sair com os poucos amigos que tinha feito no colégio. Passava os dias trancado no quarto.
O primeiro sinal veio numa tarde em que ele voltou com o lábio aberto e os nós dos dedos ralados.
— O que aconteceu com você? — perguntei, me aproximando para tocar o rosto dele.
— Nada — disse, se esquivando de mim—. Me deixa em paz.
Depois vieram os silêncios mais longos, as desculpas para faltar à aula, o olhar fugidio à mesa durante os jantares. E então, quase sem que eu percebesse, as notas que começaram a desaparecer da minha carteira. Vinte euros aqui. Quinze ali. Não disse nada da primeira vez. Nem da segunda. Mas quando somei os valores ao longo de duas semanas, entendi que Diego não estava gastando aquele dinheiro com caprichos.
Uma noite eu o segui.
Já era tarde e fazia frio quando me posicionei atrás de uma árvore no parque do bairro, observando a quadra de basquete iluminada por um único refletor que piscava a cada poucos segundos. Havia quatro ou cinco garotos. Um deles chamou a atenção desde o primeiro momento: alto, com o corpo coberto por um moletom sem mangas que não conseguia disfarçar o físico de alguém que passa horas levantando peso. Devia ter no máximo uns vinte anos, tatuagens do antebraço ao ombro, e um jeito de se mover que deixava claro que, naquele parque, as regras eram dele.
Chamava-se Bruno. Eu soube porque Diego o mencionou com aquela mistura de medo e deferência involuntária que só se tem diante de quem controla você.
Vi meu filho tirar uma nota com os dedos trêmulos. Vi Bruno pegá-la sem nem olhar, como se fosse um tributo natural e inquestionável. Vi a humilhação nas costas curvadas de Diego enquanto ele se afastava da quadra com a cabeça baixa.
Aquela noite eu não dormi.
No dia seguinte, deixei a carteira aberta sobre a mesa da sala e fui para a cozinha esperar. Quando voltei, faltavam trinta euros. Sentei com as mãos sobre a mesa, olhando o couro vazio, e decidi que eu não podia continuar sendo espectadora do que estava acontecendo com meu filho.
Nessa mesma noite fui ao parque.
— Bruno! — gritei da beira da quadra, com a voz mais firme que consegui.
Ele parou com a bola nas mãos e me olhou como se eu tivesse surgido de outro mundo. Uma mancha fora de lugar sob a luz amarela do poste. Aproximou-se devagar, com aquele andar de quem sabe que o espaço lhe pertence, me medindo de cima a baixo antes de chegar à minha altura.
— A gente se conhece? — perguntou.
— Sou a mãe do Diego — disse, endireitando os ombros—. E vim te avisar: se você tocar num fio de cabelo dele de novo, vou chamar a polícia. Tenho provas do que você está fazendo com ele.
Era mentira. Mesmo assim eu disse, com as mãos fechadas dentro do bolso do casaco para que ele não visse como tremiam.
Bruno soltou uma risada curta e se virou para os outros.
— Essa senhora tão bonita é a mãe do Diego — anunciou ao grupo, com um tom teatral na voz—. Diz que vai me denunciar por extorsão.
Os outros riram. Senti o chão se mover sob meus pés.
Quando o grupo voltou ao jogo, Bruno ficou parado na minha frente. Encostou-se um pouco mais, com dois passos lentos, até que eu pudesse sentir o calor que saía do corpo dele, o cheiro de suor e de cigarro barato.
— Senhora, eu não extorquio seu filho — disse, abaixando a voz—. Eu protejo ele. Esse bairro não é fácil e tem gente que faria coisa muito pior com ele do que eu. Mas, se você quer que eu esqueça dele a partir de hoje, negócio fechado. De agora em diante ele se vira sozinho.
Deu meia-volta.
— Espera — eu disse, e me odiei no exato momento em que abri a boca—. Quanto você quer?
Ele se virou devagar. O sorriso dele tinha mudado.
Disse para eu voltar na segunda-feira à noite. Que depois me falaria.
***
Nos dias seguintes, Diego mudou. Não sei o que Bruno disse a ele nem que acordo tácito foi estabelecido entre os dois, mas meu filho voltou a comer à mesa, a responder quando eu falava com ele. Numa manhã, saiu para comprar pão sem que ninguém pedisse. Até sorria às vezes, com aquele sorriso tímido que eu não via desde antes da mudança.
Era como se alguém tivesse tirado uma mão do pescoço dele.
Na segunda-feira, cheguei ao parque com a carteira apertada dentro da bolsa. Bruno estava sozinho, sentado num banco sob o poste, com uma cerveja na mão e a fumaça de um cigarro subindo em espiral. Ele me viu chegar de longe, sem se mexer, sem mudar a expressão.
— O dinheiro não me interessa — disse antes que eu tirasse qualquer coisa.
Fiquei imóvel.
— Então o que você quer? — perguntei, esforçando-me para que soasse como uma afirmação.
Ele me olhou de um jeito que não tinha nada de ambíguo. Um olhar lento que começava no meu rosto, descia sem pressa pelo meu pescoço, pelos meus seios, pelo meu ventre, e terminava entre as minhas coxas antes de voltar a subir, detendo-se onde bem entendia.
— A senhora é uma mulher bem diferente das que costumo ver por aqui — disse—. Dá para ver que vem de outro lugar. Que tem outra vida atrás de si. E que faz muito tempo que ninguém olha para a senhora como merece. Nem fode a senhora como merece.
Senti o impacto da palavra no estômago. Minha boca secou.
— Não estamos aqui para falar de mim — respondi, abrindo a bolsa como se o gesto pudesse me servir de escudo.
— Como a senhora se chama? — perguntou, ignorando o que eu tinha dito.
— Carmen — disse, sem pensar.
— Carmen. — Ele repetiu devagar, como se experimentasse o peso das sílabas—. Seu marido devia ser um idiota para deixar a senhora escapar. Embora, pensando bem, eu me alegre por ele ter sido. Melhor para mim.
— Isso não é da sua conta.
— Ainda não — concedeu—. Mas tem uma coisa que eu me pergunto quando vejo uma mulher como a senhora. Se por baixo dessa saia a senhora usa calcinha de mulher entediada ou uma buceta molhada esperando alguém cuidar dela.
— Você é um grosseiro — disse, e minha voz saiu mais fraca do que eu queria.
— Pode ser. Mas a senhora ainda está aqui. — Fez uma pausa e tragou o cigarro—. Me mostra, Carmen. A calcinha. E eu deixo a senhora ir.
Senti que o parque inteiro se resumia àquele banco de madeira, àquele poste amarelo e aos dois metros que nos separavam. Pensei em Diego em casa, jogado no sofá, alheio a tudo isso, sorrindo pela primeira vez em semanas.
— Calcinha normal — disse, com uma secura que eu não sentia por dentro.
Ele assentiu, como se tivesse acabado de receber uma informação de certo valor.
— Me dá. Esse é o preço desta semana. Aqui mesmo, Carmen. Tira e põe na minha mão.
Ergui a saia com um movimento mecânico, sem pensar, porque, se eu começasse a pensar, não conseguiria fazer. O tecido escorregou pelas minhas coxas. Enfiei os polegares no elástico da calcinha e a desci devagar, sentindo o ar frio da noite bater na minha pele nua. Ao erguer um pé para tirá-la por completo, o salto enganchou na renda e, por alguns segundos, precisei me apoiar na árvore mais próxima para não cair, com a saia ainda subida até a cintura e tudo o que havia por baixo exposto à luz amarela do poste. Minha buceta depilada, os lábios levemente inchados por uma umidade que eu não queria admitir, ficaram totalmente à vista durante segundos longuíssimos.
Bruno não piscou. A respiração dele ficou mais audível e eu percebi a língua aparecer por um instante entre os dentes.
— Puta merda, Carmen — murmurou—. Isso não é coisa de senhora.
Estendi para ele com a mão trêmula. Ele pegou, abriu com dois dedos e levou o pedaço de tecido do meio das pernas ao nariz. Fechou os olhos por um instante, inspirou fundo, e um sorriso lento cruzou o rosto dele.
— Está molhada, Carmen — disse, sem tirar os olhos de mim—. Úmida. Dá para saber no que a senhora estava pensando enquanto vinha?
Não soube responder. Ele guardou a calcinha no bolso da calça com a mesma naturalidade com que se guarda um isqueiro.
— Até segunda que vem, Carmen — disse—. E venha pensando em coisas piores.
Fui para casa sentindo o roçar do tecido da saia diretamente contra a pele, contra a buceta nua, percebendo a cada passo como a minha própria umidade colava na parte interna das coxas. Eu sabia que tinha acabado de cruzar alguma coisa. Ainda não sabia até onde aquilo ia chegar.
***
Dois dias depois, Diego chegou acompanhado.
Eu estava na sala quando ouvi a chave na fechadura. Me ergui esperando ver meu filho sozinho, mas o corredor foi tomado por uma presença que reconheci antes de ver o rosto. Bruno ocupava o espaço de uma forma física e concreta, como se o ar do hall se reorganizasse ao redor dele.
— Mãe, te apresento o Bruno. A gente se conhece do bairro — disse Diego, com aquela leveza de quem não sabe de nada.
Bruno sustentou meu olhar. Vestia um moletom escuro e aquela expressão de quem chega a um lugar sabendo exatamente o que há nele. Percorreu-me com os olhos sem disfarce algum, demorando um segundo a mais nas minhas ancas, nos meus seios e, por fim, na minha boca.
Ele sabia que em algum bolso daquela calça estava minha roupa íntima, encharcada por mim mesma.
— Encantada — consegui dizer, com uma voz que eu esperava que soasse normal.
— Sua mãe parece uma mulher muito séria, Diego — disse Bruno, e por um instante os lábios dele se curvaram naquele sorriso que eu já conhecia bem demais.
Ficaram no quarto de Diego por algumas horas. Eu vaguei pela cozinha sem conseguir ficar parada, inventando motivos para não me sentar, ouvindo risadas no fundo do corredor. Quando ele finalmente foi embora, o apartamento cheirava a cigarro e a algo mais que preferi não identificar.
***
Na segunda-feira seguinte, escolhi o que vestir por baixo da saia com uma consciência que me custava justificar. Escolhi uma tanga preta de renda que eu não usava desde o primeiro ano com Andrés. Disse a mim mesma que era por conforto. Disse a mim mesma que era por precaução. Mas, enquanto me olhava no espelho do banheiro, com a tanga marcando os quadris e a umidade já aparecendo na virilha, soube que nenhuma das duas coisas era totalmente verdade.
Bruno estava no mesmo banco. Me viu chegar e não se moveu até eu ficar a alguns metros dele. Então se levantou de um salto e avançou na minha direção com uma decisão que não deixava espaço para negociação. Agarrou meu pulso com uma firmeza que não era violência, mas também não era uma pergunta.
— Hoje à noite eu quero mais — disse, com a voz baixa—. Muito mais.
— Bruno…
— Carmen. — Meu nome na boca dele tinha um peso que me imobilizou—. Faz dias que estou pensando em você. Na sua buceta. Na cara que você fez quando eu cheirei sua calcinha. Não vou me contentar com tão pouco.
Ele me empurrou com suavidade, mas sem admitir resistência, para a escuridão atrás de uma árvore grossa, na parte do parque onde a luz do poste não chegava. Minhas costas encontraram a casca áspera. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a boca dele já estava sobre a minha.
O beijo começou devagar. Quase experimental, como se ele estivesse medindo a resistência. Mas, em segundos, transformou-se em algo que não era uma pergunta, e sim uma afirmação, a língua dele entrando na minha boca com uma urgência que me tirou o ar, procurando a minha, empurrando-a, marcando meu céu da boca. Ninguém me beijava assim havia anos. Talvez ninguém nunca tivesse me beijado assim na vida, com essa posse que não pede licença porque dá como certo que já tem o direito. A mão livre dele agarrou minha nuca por baixo do cabelo e apertou com força para que eu não pudesse me afastar.
Quando se afastou apenas alguns centímetros, a respiração dele bateu no meu rosto.
— Quero que você sinta o quanto isso me deixa duro — ofegou.
Ele pegou minha mão e a levou até si, apertando-a contra o volume que crescia sob a calça. Através do tecido senti uma dureza que fez minhas pernas tremerem, um peso quente pulsando contra a minha palma. Depois abriu o zíper com a mão livre, baixou a cueca só o suficiente e guiou meus dedos para dentro sem soltar meu pulso.
— Tira pra fora — disse, com a voz dois tons mais baixa—. Toca direito, Carmen. Com as duas mãos.
Meus dedos se fecharam em torno dele. Era grossa, muito mais grossa do que eu já tinha tido na mão, e estava quente, tão dura que a pele se mexia sobre a carne quando eu a deslizava de cima a baixo. Na ponta, senti uma gota espessa que usei para fazer o polegar escorregar melhor sobre a glande. Bruno soltou o ar entre os dentes.
— Assim — sussurrou—. Exatamente assim. Você vai ver do que o meu pau é capaz, Carmen.
Comecei a mover a mão com mais ritmo, sentindo a textura e o calor, percebendo como a respiração dele mudava e como os quadris dele empurravam na minha direção a cada descida. Com a outra mão, agarrei seus ovos, pesando-os, apertando-os com cuidado, e ele soltou um rosnado que me atravessou.
— Promete que vai cuidar do Diego — eu disse, sem parar.
Ele não respondeu com palavras. Enfiou a mão por baixo da minha blusa e subiu até meu peito, apertando-o por cima do sutiã com uma firmeza que arrancou de mim um som que eu não tinha planejado fazer. Depois desabotoou os botões com uma impaciência que não era atrapalhada, e sim decidida. Ergueu meu sutiã num gesto seco e meus seios ficaram pendurados no ar frio da noite, com os mamilos já duros de pura antecipação.
— Puta merda, Carmen — murmurou, com uma mistura de espanto e fome que me fez fechar os olhos—. Que peitões a senhora escondia debaixo dessas roupas de mulher séria.
Ele se inclinou e começou a me percorrer com a língua, rodeando meus mamilos com uma lentidão deliberada que contrastava com a urgência de todo o resto. Chupava-os, colocava-os inteiros na boca, soltava-os com um som úmido, voltava a prendê-los. Mordeu o esquerdo com mais força do que eu esperava, e eu soltei um gemido agudo que abafei contra a palma da própria mão ao levá-la à boca.
— Não tampe — disse, erguendo o rosto por um instante—. Quero ouvir você.
Ele meteu meu mamilo direito até o fundo da boca e o sugou com fome, chupando, puxando, e ao mesmo tempo desceu a outra mão pelo meu ventre, por baixo da saia, até os dedos encontrarem a tanga e a afastarem sem cuidado para o lado. Um segundo depois seus dedos estavam entre meus lábios, me abrindo, deslizando pela umidade que vinha se acumulando desde que eu saíra de casa.
— Você está encharcada, Carmen — murmurou contra o meu peito—. Encharcada como uma puta.
Enfiou dois dedos dentro de mim de uma vez e eu me arqueei contra a casca da árvore. Ele os movia devagar no começo, tirando-os quase por completo e voltando a enterrá-los, buscando alguma coisa com as pontas dos dedos, que encontrou de imediato. Quando o polegar começou a trabalhar meu clitóris ao mesmo tempo, precisei morder o lábio para não gritar.
— Continua me tocando — ele ordenou—. Não para.
Eu continuava masturbando-o, com a mão já escorregadia do pré-gozo dele, subindo e descendo por todo o comprimento do pau enquanto os dedos dele entravam e saíam de mim em um ritmo cada vez mais rápido. O som úmido da minha buceta preenchia o silêncio do parque mais do que qualquer outra coisa. Eu me sentia aberta, ridiculamente molhada, obediente.
— Vou gozar — sussurrei, quase sem voz.
— Ainda não — disse ele, e retirou os dedos de repente. Levou-os à boca e os chupou um por um, me olhando nos olhos—. Você sabe bem, Carmen. Sabe muito bem.
Antes que eu pudesse protestar, ele pôs as mãos nos meus ombros e me empurrou para baixo com uma firmeza que não admitia discussão. Caí de joelhos na terra fria do parque, com o pau ereto à altura do meu rosto, brilhando de saliva e de mim mesma.
— Chupa — disse, com a respiração entrecortada—. Me mostra como uma senhora como você chupa pau.
Ergui os olhos para ele. Minhas mãos tremiam. Eu me odiei e me desejei ao mesmo tempo. Abri a boca e coloquei a língua para fora, e ele guiou minha cabeça com a mão na nuca até meus lábios cercarem a glande. Recebi-o devagar, sentindo-o preencher minha boca, a carne quente empurrando contra a minha língua, o sabor salgado se espalhando pelo meu palato. Comecei a chupar só a ponta, fazendo pequenos círculos com a língua, e ele soltou um gemido rouco.
— Mais pra dentro, Carmen. Tudo.
Fui descendo aos poucos, engolindo mais dele a cada investida, até sentir que ele chegava ao fundo da minha garganta e eu tive de respirar pelo nariz para não me engasgar. Ele não se contentou com isso. Apertou minha nuca e empurrou, e percebi minha garganta se alargando com o pau dele, as lágrimas escapando pelos cantos dos meus olhos. Quando ele me deixou sair por um segundo, um fio espesso de saliva pendia do meu queixo até a glande dele.
— De novo — ofegou—. Chupa como se sua vida dependesse disso.
Voltei a colocá-lo na boca, desta vez com mais ritmo. Subia e descia, ajudando com a mão no que não cabia, girando a língua ao redor da glande toda vez que chegava em cima. Com a outra mão, continuei massageando seus ovos, e percebia como eles se contraíam contra o corpo dele. Bruno tinha as duas mãos enroscadas no meu cabelo, movendo minha cabeça ao gosto dele, fodendo minha boca com investidas curtas.
— Puta merda, Carmen, assim, assim, não para, mama de joelhos como tem que ser…
Fiquei assim por minutos inteiros, com os joelhos doendo contra o chão e a saia erguida até a cintura, deixando meu cu à mostra e a tanga puxada para o lado. Em algum momento ele enfiou os dedos outra vez por trás e voltou a me bombear a buceta enquanto eu seguia chupando o pau dele. A combinação me fez gemer de boca cheia, e ele soltou um ofegar áspero ao sentir a vibração na glande.
— Levanta — ordenou de repente, tirando-o da minha boca—. Dá a volta. Encosta na árvore.
Fiquei de pé com as pernas tremendo. Virei-me e apoiei as mãos na casca, com as costas levemente arqueadas. Ele ergueu minha saia sobre os quadris, afastou minha tanga com dois dedos e ficou um segundo contemplando o que tinha diante de si.
— Olha só como você está — disse, com a voz rouca—. Toda aberta e pingando por causa de um moleque do bairro.
Senti o calor do pau dele encostado na minha buceta, deslizando entre os lábios sem entrar ainda, se encharcando de mim. Ele o passou de cima a baixo, batendo no meu clitóris a cada movimento, e eu empurrava os quadris para trás, procurando-o sem conseguir evitar.
— Me pede — disse.
— Bruno…
— Me pede, Carmen. Com todas as letras. Se não, eu vou embora.
Engoli em seco. Fechei os olhos. A casca arranhava as palmas das minhas mãos.
— Me fode — sussurrei—. Por favor, me fode.
Ele entrou de uma só vez, até o fundo, e soltei um gemido tão alto que ele tampou minha boca com a mão por cima do meu ombro. Ele me preencheu completamente. O pau dele era grande demais, duro demais, e chegava a um lugar dentro de mim que eu não lembrava que existisse. Ficou parado por um segundo, com os ovos apoiados contra minhas nádegas, me dando tempo para me acostumar, e então começou a se mover.
No começo devagar. Tirando-o quase por inteiro e voltando a colocá-lo com investidas longas e profundas que me faziam ofegar a cada golpe. Depois mais rápido. Mais forte. Ele enfiava os dedos nos meus quadris para me puxar para trás no exato momento em que avançava, me chocando contra a casca da árvore, fazendo os ovos dele baterem no meu clitóris a cada investida.
— Era assim que eu queria você, Carmen — ofegava no meu ouvido—. Com meu pau dentro, gemendo como uma safada num parque, a duas quadras do seu filho…
Cada palavra me atravessava e me fazia me apertar mais contra ele. A humilhação se misturava com o prazer de um jeito que eu não conseguia decifrar. Ele enfiou uma mão por diante e começou a esfregar meu clitóris ao mesmo tempo em que continuava me fodendo por trás. Eu já estava perto. Sentia o orgasmo subir pelas pernas como uma corrente.
— Goza no meu pau — sussurrou—. Goza, Carmen, agora.
E eu gozei. Gozei de boca aberta contra a mão dele, com o corpo inteiro tremendo, com as coxas se apertando sobre a mão dele e as paredes da minha buceta se contraindo ao redor dele. Um prazer que eu não sentia havia anos, se é que alguma vez tinha sentido com essa intensidade, me atravessou de cima a baixo e me deixou agarrada à árvore para não cair no chão.
Bruno não parou. Continuou empurrando com mais força, aproveitando que eu estava mole e aberta, me socando sem piedade.
— Agora eu — rosnou—. Vou te encher.
— Fora — consegui dizer, entre ofegos—. Fora, por favor.
Ele saiu a tempo. Me virou de uma vez, me empurrou de novo para baixo e gozou sobre meu rosto e meus seios com um rosnado seco, segurando o pau com a mão e disparando jatos espessos que me caíram na bochecha, nos lábios, no queixo, e desceram até pingar sobre as minhas tetas nuas. Senti o calor do esperma escorrendo pela minha pele, o cheiro carregado me invadindo. Ele ainda apertava a base do pau, tirando as últimas gotas e esfregando a glande no meu lábio inferior, me obrigando a lambê-lo.
— Engole — disse.
E eu engoli.
Fiquei de joelhos por um bom tempo, com o rosto pintado por ele, os seios brilhando sob a luz distante do poste, sem forças para me levantar. Limpei com o dorso da mão o que consegui. Ele tirou um lenço do bolso de trás, o mesmo bolso onde levava minha calcinha da semana anterior, e o jogou para mim.
— Toma — disse—. Mas não se limpe por completo. Gosto de imaginar você voltando para casa assim.
Abotoei a blusa em silêncio, com os dedos desajeitados e o olhar fixo na casca da árvore. A tanga tinha ficado torta, encharcada e esmagada dentro de mim. A saia caiu sobre as meias com um roçar que me fez estremecer. Eu me sentia despida de alguma coisa que não ia conseguir recuperar facilmente. Tinha acabado de fazer aquilo num parque, à noite, com um garoto que poderia ser meu filho. Com um garoto a quem eu tinha implorado que me fodesse.
— Agora você pode ir — disse Bruno, acendendo um cigarro com uma calma que me pareceu mais ofensiva do que qualquer insulto—. E manda um beijo para o espelho quando vir a sua cara.
Virei-me sem dizer nada e comecei a caminhar para a saída do parque, com as pernas ainda tremendo e o esperma escorrendo por dentro da minha coxa.
— Dá lembranças ao Diego por mim — gritou da escuridão, com uma risada tranquila e satisfeita que me acompanhou até a porta do prédio onde eu morava.
Subi no elevador olhando para as minhas mãos, para os joelhos manchados de terra, para o decote onde ainda se via o brilho esbranquiçado por baixo da blusa. Diego estava na sala quando entrei, absorto na tela, com aquela nova leveza que eu mesma tinha comprado para ele. Ele me olhou por um segundo e voltou à série sem desconfiar de nada.
E o mais difícil de admitir não era o que eu tinha feito naquele parque. Era que uma parte de mim, pequena e escura e completamente real, já estava pensando na segunda-feira seguinte. No que eu ia usar por baixo da saia. E em que outra coisa Bruno me pediria para fazer.