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Relatos Ardientes

O que aprendi com minha mãe e minha avó

Somos três gerações de mulheres parecidas demais. Minha avó Alicia usa o cabelo curto tingido de castanho avermelhado e tem os olhos verdes que herdou para mim. Cinquenta e quatro anos, corpo trabalhado na academia três vezes por semana, e um jeito de entrar nos lugares que faz os homens maduros pararem do que estavam fazendo. Minha mãe Elena tem trinta e sete: loira, magra, olhos claros, tímida para falar, mas impossível de ignorar quando caminha. Eu tenho dezoito e sou a mais discreta das três: cabelo castanho liso, corpo pequeno, estatura mediana. Não sou daquelas que param o trânsito.

Meu pai nos deixou quatro meses antes daquela viagem. Foi embora com outra mulher. Elena levou semanas para sair da cama. Alicia foi quem nos tirou do buraco: primeiro com palavras e depois com a proposta da temporada em Córdoba. Uma amiga dela, empresária e viúva, tinha uma propriedade nas serras que ficava livre no verão. Alicia resolveu tudo.

Elena demorou a se convencer. Fui eu quem insistiu mais: mostrei as fotos, falei do rio, do silêncio, do ar limpo. No fim, ela aceitou. Fomos de ônibus para não perder a paisagem, com Alicia reclamando do desconforto nas duas primeiras horas e se calando assim que o campo começou a se abrir.

Pegamos um táxi na rodoviária. Estradas de terra que não acabavam mais. Quando a estância apareceu entre as árvores — pedra, madeira, morros, o som da água por perto — as três nos calamos ao mesmo tempo.

O primeiro dia foi para nos instalarmos e respirar. Naquela noite, junto à lareira acesa, falamos de coisas sem importância, que era exatamente o que precisávamos.

***

No dia seguinte acordei antes delas. Saí para a varanda e dei de cara com um homem parado na entrada.

Era daqueles que intimidam sem abrir a boca: muito alto, cabeça raspada, pele escura e marcada pelo trabalho ao ar livre. Calculei que tivesse entre cinquenta e sessenta anos, embora fosse difícil precisar. Camisa xadrez de flanela, jeans gastos, movimentos bruscos e seguros. Pedi que voltasse quando as outras acordassem.

Seu nome era Ramiro. Ele era o encarregado da manutenção da estância, contratado pela dona para que os hóspedes tivessem o que precisassem. A primeira coisa que fez foi procurar o machado e cortar lenha. Era carrancudo, de poucas palavras, quase incômodo de ter por perto em silêncio. Ainda assim, nos avisou que uma tempestade grande se aproximava. Naquela região e naquela época do ano, disse, eram violentas.

Saímos para caminhar à tarde. Encontramos um bosque de pinheiros, subimos até uma lombada com vista para o vale. Na volta, o vento começou a girar e o céu fechou rápido. Convidamos Ramiro para tomar alguma coisa quente antes que a chuva apertasse.

Enquanto bebíamos, notei que ele olhava. As três. Com aquele olhar particular dos homens que não estão acostumados a ter mulheres por perto, ou pelo menos mulheres como nós. Alicia o puxou para a conversa, como sempre: tinha esse talento de fazer qualquer pessoa se abrir. Ramiro foi se soltando aos poucos. Disse que trabalhava na estância havia anos, junto com outro homem que morava com ele no galpão dos fundos.

Bateram na porta com força antes que Alicia pudesse perguntar mais.

Era Horacio. Corpulento, mais alto que Ramiro, cabelo grisalho e rugas profundas que o colocavam nos sessenta e poucos. Tinha um olhar escuro e direto que pousava em cada uma de nós por vez e não tinha pressa. Mandamos entrar. Elena serviu café.

Conversamos até tarde. A tempestade castigava lá fora. O álcool desaparecia das garrafas num ritmo que nenhuma de nós comentou em voz alta. Às dez da noite fomos dormir.

***

Acordei depois das duas. A luz da sala de jantar estava acesa.

Era Alicia, sentada junto à lareira de camisola branca com a lingerie azul aparecendo por baixo. Eu usava uma regata preta e calcinha. Ela me fez sinal para sentar. Fui buscar leite quente na cozinha.

Ao voltar, um relâmpago iluminou a varanda. Vi duas figuras junto à janela. Alicia disse que deviam ser as árvores. Assenti, mas sabia o que tinha visto.

Na manhã seguinte a chuva continuava. Ramiro e Horacio apareceram cedo para consertar um vazamento na varanda. Elena os convidou para tomar um rum que tinha encontrado no aparador. Os quatro logo bebiam e conversavam enquanto trabalhavam. Eu resolvi ficar no meu quarto. Na última vez que bebi acabei vomitando a noite inteira.

Foi o silêncio que me chamou atenção. Antes havia vozes e risadas. De repente, nada.

Saí para o corredor.

No espelho do fundo vi Alicia. Ela estava se beijando com Horacio. Ele tinha uma mão inteira enfiada sob a saia dela, movendo-se devagar, e pelo jeito como ela arqueava o quadril eu soube que ele estava com os dedos dentro da buceta dela ali mesmo, de pé, contra a moldura da porta.

Fiquei imóvel. Não conseguia me mexer nem se quisesse.

Ouvi ruídos no banheiro. Ia voltar para o meu quarto quando vi, também pelo reflexo do espelho, que Ramiro se aproximava naquela direção. Me tranquei no meu quarto a tempo.

Espiei pela fresta da porta.

Ramiro abriu a porta do banheiro. Entrou e a deixou entreaberta.

—Por favor, saí —ouvi Elena dizer. A voz era baixa, mas reconhecível.

—Não vim até aqui para nada —ele respondeu—. A manhã inteira você ficou falando de coisas que me deixaram mais excitado do que pretendia. Você sabe perfeitamente o que estava fazendo com essa boca, Elena.

Silêncio. Depois, sons que não eram de protesto. Ouvi o roçar de tecido contra tecido, um suspiro curto, e a voz grossa de Ramiro murmurando algo que não consegui entender.

Me mexi para ver melhor. Elena enlaçava o pescoço dele com os braços. Ele apertava o corpo dela contra o seu, uma mão na nuca, a outra descendo devagar até entrar por dentro da calça. Vi o braço de Ramiro se afundar e minha mãe abrir mais as pernas para deixá-lo entrar. Elena fechou os olhos e deixou a cabeça cair para trás quando os dedos do homem encontraram o que procuravam.

—Você está encharcada —ele disse, mordendo o pescoço dela—. Não me diga que não queria isso.

Elena não respondeu com palavras. Procurou o zíper dele com as duas mãos e o abriu. Quando o pau de Ramiro saiu para fora, mesmo de onde eu espiava pude ver o tamanho: grosso, escuro, com as veias marcadas, curvado para cima pela ereção. Minha mãe o segurou com uma mão e ele não cabia inteiro na palma dela. Começou a masturbá-lo devagar, para cima e para baixo, com os olhos fixos no rosto do homem.

Senti algo que eu não queria sentir: uma corrente quente no ventre que não tinha nada de nojo. Meus mamilos endureceram contra a regata e notei que minha calcinha umedecia só de olhar.

***

Saíram do banheiro juntos, entre carícias, e foram para a sala de jantar. Alicia e Horacio já não disfarçavam nada. Ele tinha o suéter da minha avó puxado até as clavículas e os seios de Alicia ficavam à mostra, pesados, com os mamilos escuros e eretos que ele ia colocando na boca um de cada vez. Alicia tinha a mão dentro da calça dele e, pelo movimento do pulso, soube que estava masturbando-o ali mesmo, em pé contra a mesa.

Elena não os censurou. Tinha a atenção voltada para Ramiro, que lhe passava a mão devagar e com firmeza por cima do jeans, enquanto com a outra apertava um seio por baixo da camiseta.

Fiquei no corredor. Eu estava vendo algo que não devia ver. E não conseguia ir embora. Sem perceber, minha própria mão já tinha ido parar dentro da calcinha. Estava molhada. Muito molhada.

Quando me descobriram, foi Ramiro quem falou:

—Vem —disse—. Aqui não há nada a temer.

Elena virou. Tentou arrumar a roupa. Ramiro a segurou com suavidade.

—Deixa ela vir —disse para ele—. Ver a sua mãe não te excita? A mim parece que sim. Você está com a mão onde tem que estar.

O calor subiu para o meu rosto. Não tirei a mão.

Entrei na sala de jantar. Fiquei no meio do cômodo. Não sei o que eu esperava que acontecesse, mas me aproximei de Ramiro e beijei sua boca.

Era a primeira vez que beijava um homem da idade dele. Não foi como eu esperava. Foi muito melhor. Ele enfiou a língua inteira, com fome, sabendo exatamente como me conduzir. Chupou meu lábio de baixo e mordeu devagar antes de soltá-lo.

***

Minha experiência com meninos da minha idade era escassa: alguma falta de jeito e muita boa vontade. Ramiro sabia exatamente o que fazia. Pegou meu pulso e levou minha mão até ele. Senti o tamanho do que escondia sob o jeans: uma vara dura, grossa, pulsando contra o tecido. O estômago deu uma reviravolta.

—Aperta —ele me disse ao ouvido—. Quero que você saiba com o que vai transar.

Obedeci. Apertei por cima da roupa e procurei a ponta com os dedos. Ouvi o rosnado baixo na garganta dele.

Olhei de lado para Alicia: Horacio tinha arrancado seu suéter e agora a mantinha inclinada sobre o encosto do sofá, com a saia erguida até a cintura e sem lingerie. A calcinha estava jogada no tapete. Ele abria as nádegas dela com as duas mãos e passava o pau inteiro pela fenda, sem enfiar ainda, esfregando-se contra a buceta molhada da minha avó enquanto ela empurrava o quadril para trás, pedindo. Elena, a poucos metros, tinha erguido a camiseta e apertava um mamilo com a mão livre enquanto olhava o que acontecia no sofá.

Ramiro me levou para o meu quarto e fechou a porta.

—Aqui vamos estar melhor —disse—. Sua mãe fica nervosa se te vê e nenhuma das duas vai conseguir aproveitar direito.

Ele tinha razão na primeira parte. Eu não concordava totalmente com a segunda: eu gostava de olhar.

Ele tirou minha regata por cima da cabeça num só movimento. Ficou olhando meus seios — pequenos, firmes, com os mamilos tão duros que doíam — e abaixou a boca para chupá-los. Mordeu um e depois o outro, alternando, com uma sucção longa que senti descer direto até o clitóris. Minhas pernas tremeram.

Ele me empurrou contra a cama, abriu minhas pernas e arrancou minha calcinha com um puxão que fez o elástico estalar. Ajoelhou-se, olhou minha buceta de perto — aberta, rosada, brilhando de tão molhada — e soprou o ar morno sobre ela antes de me tocar. Eu ergui o quadril à sua procura.

Começou com a língua plana, lambendo-me de baixo para cima, inteira, do cu ao clitóris, com lentidão calculada. Depois se concentrou no clitóris, chupando-o com os lábios e brincando com a ponta da língua sobre ele. Ao mesmo tempo, enfiou dois dedos grossos em mim e os curvou para cima, procurando aquele ponto lá dentro que eu nem sabia que existia. Quando encontrou, gritei contra o travesseiro.

—Quietinha não —ele disse, levantando a boca por um segundo—. Quero ouvir você.

Voltou a afundar o rosto. Chupava meu clitóris e me penetrava e tirava os dedos, curvando de cada vez, enquanto com a outra mão me abria mais para ter acesso total. Eu me agarrei aos ombros dele e comecei a me mover contra a boca dele sem pudor, montando no rosto dele. Não aguentei muito. Quando gozei pela primeira vez naquela noite, com as pernas apertando a cabeça dele e o corpo inteiro tremendo, supliquei que ele me penetrasse.

—Por favor —lhe disse, com a voz quebrada—. Me mete logo.

Ele se levantou. Tirou a camisa, depois o jeans, depois a cueca. O pau saltou para fora, duro, apontando para o teto, maior visto de perto do que parecia por cima da roupa. Fiquei olhando. Era a primeira vez na vida que via um daquele tamanho em carne e osso.

O que veio depois foi deliberadamente lento. Ele deitou sobre mim, passou a cabeça do pau pelos lábios da minha buceta, para cima e para baixo, encharcando-se na minha umidade, sem entrar. Me roçava sem entrar, brincava com as bordas, parava exatamente quando eu precisava que não parasse. Começou a me penetrar só com a cabeça e a tirava, enfiava e tirava, dois centímetros e fora, e eu me contorcia debaixo dele e cravava as unhas nas costas dele.

—Por favor —repeti—, por favor, me mete tudo.

—Ainda não.

Comecei a me tocar sozinha de desespero e ele segurou minha mão.

—Tempo —disse.

Me virou. Me pôs de bruços. Começou a percorrer minhas costas com a boca, os flancos, as nádegas. Abriu meu cu com as mãos e passou a língua ali também, sem aviso prévio, uma lambida longa da buceta até o outro buraco. Arqueei contra a cama com um gemido que não reconheci como meu. O desgraçado controlava o ritmo como queria e eu não podia fazer nada.

Chupou meu cu com a ponta da língua, em círculos, enquanto me enfiava três dedos por diante e os movia num ritmo lento e fundo. Comecei a gozar pela segunda vez, contra os dedos, contra a língua, empurrando para trás sem controle.

Quando achei que já não aguentava mais, ele me ergueu da cama e me levou de volta para a sala, ainda nua, com as pernas tremendo e a buceta escorrendo pela parte interna das coxas.

***

O que vi ao chegar me deteve na soleira.

Horacio tinha Alicia e Elena ajoelhadas à sua frente, as duas nuas. Tinha levado as duas a se beijarem entre si — minha mãe e minha avó, boca com boca, língua dentro — e alternava o próprio pau entre as duas bocas. Enfiava em Alicia até o fundo da garganta, tirava brilhando de saliva, e passava para Elena, que o segurava com a mão e o chupava com uma entrega que eu jamais tinha visto em minha mãe para nada. Depois fazia as duas lamberem ao mesmo tempo, uma de cada lado, chupando a vara e os ovos dele, as línguas se encontrando sobre a pele dura e pulsante do homem.

Não havia mais vestígio de inibição em nenhuma delas. Entrelaçavam-se com uma naturalidade de dar vertigem. Alicia se abaixou e chupou os ovos dele inteiros, enfiando-os na boca um de cada vez, enquanto Elena trabalhava a cabeça com a língua. Horacio mantinha uma mão na nuca das duas e as guiava com firmeza.

Ramiro se colocou atrás de mim e me envolveu pela cintura. Me apertou contra ele. Senti o pau duro cravando-se na minha lombar, deixando um rastro de umidade. Com uma mão apertou um seio meu e com a outra procurou meu clitóris. Queria que eu visse tudo antes de continuarmos.

Vi Horacio posicionar as duas no tapete, uma sobre a outra, os corpos roçando, com Alicia em cima e Elena embaixo. As bucetas das duas mulheres ficaram coladas, esfregando-se entre si pelo peso da minha avó sobre a minha mãe. Num só movimento, Horacio penetrou Alicia com força por trás e começou a meter. Cada investida fazia o púbis de Alicia se esfregar contra o de Elena, e as duas gemiam em uníssono. Minha avó puxou as mãos de Elena para o próprio corpo. Minha mãe respondeu sem hesitar: apertou os seios dela, procurou a boca dela por baixo, enfiou os dedos na boca dela para que os chupasse.

Horacio não parava. Enfiava o pau inteiro em Alicia a cada investida, tirando-o até a ponta e tornando a meter com um som molhado que se ouvia por cima dos gemidos. Depois saiu de repente, trocou de buraco e enfiou em Elena, sem pausa, enquanto Alicia se ajeitava para cima para que minha mãe pudesse lamber a buceta aberta e escorrendo dela no rosto. Elena obedeceu: colocou a língua para fora e começou a chupar a própria mãe enquanto Horacio a pegava por trás.

Eu devia ter sentido nojo. Senti exatamente o contrário. Ramiro estava trabalhando meu clitóris com dois dedos e eu me apertava contra a mão dele sem parar de olhar.

Ramiro sussurrou no meu ouvido para eu parar de pensar. Que o pensamento era o único erro possível naquele momento.

Ele tinha razão.

***

A primeira vez que Ramiro me penetrou foi por trás, não como eu esperava. Me pôs de joelhos na cama, com o peito contra os lençóis e o cu levantado. Ficou atrás e passou a cabeça primeiro pela minha buceta, molhando-se na minha umidade, e depois a levou para o outro buraco. Empurrou devagar. A dor inicial foi aguda e eu me agarrei aos lençóis com os punhos fechados. Ele me pediu para respirar. Para me abrir aos poucos.

—Respira fundo —me disse, com as mãos firmes nos meus quadris—. Relaxa. Eu aviso quando.

Foi entrando aos poucos, centímetro por centímetro, parando quando eu me tensionava. Passava uma mão pelas minhas costas para eu relaxar e com os dedos da outra procurava meu clitóris por diante e o esfregava em círculos. Aos poucos, o ardor foi cedendo e algo diferente o substituiu.

Eu fiz.

Quando já o tinha inteiro dentro — sentia-o fundo, muito fundo, me apertando de um jeito que eu nunca tinha sentido —, ele começou a se mover. Primeiro com investidas curtas, quase tímidas para o tamanho dele. Depois mais longas. Cada empurrão arrancava um gemido novo de mim.

O que veio depois da dor foi algo sem nome para mim ainda: uma sensação profunda que foi crescendo até eu já não conseguir separar o incômodo do prazer. Ele enfiou dois dedos na minha buceta ao mesmo tempo em que me enterrava por trás, e eu senti as duas coisas ao mesmo tempo, cheia dos dois lados, sem espaço, sem ar. Comecei a me mover com ele. A encontrar o ritmo. A empurrar para trás quando ele empurrava para frente.

—Isso —ouvi ele dizer—, isso, boa menina.

Gozei uma terceira vez, com a cara contra o travesseiro e os dedos dele enterrados na minha buceta enquanto ele terminava de me comer pelo cu com investidas cada vez mais fortes. Senti quando ele estava prestes a gozar: ficou mais rápido, mais bruto, apertou meus quadris com força. Saiu no último momento e gozou nas minhas costas, um jato grosso e quente que senti cair entre as escápulas.

Quando terminou e se deitou ao meu lado, tomei consciência de onde estava e com quem. Sentei na cama. Tinha o sêmen morno escorrendo pelas minhas costas e não limpei. Os sons que vinham da sala não deixavam dúvidas sobre o que continuava acontecendo lá: gemidos sobrepostos, a voz grave de Horacio dando ordens, o som molhado e rítmico de pele com pele.

—Descansa um momento —me disse—. Ainda não acabou.

Alguns minutos depois fui para a sala. Nua, sem me cobrir com nada.

***

Elena cavalgava Ramiro no sofá quando cheguei — ele tinha voltado antes de mim. Fazia isso com uma intensidade que eu nunca tinha conhecido nela: sentada sobre ele, com as mãos apoiadas no peito dele, subindo e descendo o quadril com o pau inteiro dentro. Os seios dela sacudiam a cada movimento e ela mesma agarrava um e o levava à boca para chupá-lo enquanto continuava se movendo. Ramiro apertava as nádegas dela com as duas mãos e a ajudava a descer com mais peso.

Alicia, de lado, olhava os dois com a mão entre as próprias pernas e os olhos semicerrados. Também estava nua, sentada numa poltrona, com as pernas escancaradas e três dedos se movendo dentro da buceta num ritmo lento. Acariciava o clitóris com o polegar da mesma mão. Quando me viu entrar, não deixou de se tocar. Sustentou meu olhar.

Sentei perto de Horacio. Nós nos olhamos. Ele tinha o pau duro de novo, brilhando de saliva e de secreção, apoiado contra o ventre. Aproximou-se devagar, como se soubesse que desta vez eu não precisava que ninguém me levasse para lugar nenhum.

Me deitou de barriga para cima no tapete. Abriu minhas pernas com os joelhos e se acomodou entre elas. Passou a cabeça do pau pela minha buceta, já bem aberta e molhada de tudo o que havia acontecido antes, e com uma única investida me penetrou inteira. Gritei. Era mais grosso que Ramiro e me preencheu de um jeito que me deixou sem ar por um segundo.

Meus dedos encontraram meu clitóris enquanto ele me abria caminho com investidas profundas e constantes. Cada empurrão sacudia meu corpo inteiro. Dessa vez eu não ia ficar na vontade. Me tocava com dois dedos, em círculos rápidos, enquanto ele me metia uma e outra vez com um ritmo brutal.

—Olha —ouvi Alicia dizer do sofá, com a voz rouca—. Olha como ele te come, gatinha.

Olhei. Ela também estava gozando, tremendo sobre os próprios dedos, sem parar de me olhar.

A poucos centímetros, minha mãe e eu gemíamos ao mesmo tempo. Duas mulheres do mesmo sangue, no mesmo estado, com dois homens que tinham entrado em nossas vidas por uma coincidência de tempestade. Elena estava prestes a gozar sobre Ramiro: vi o rosto dela, os olhos apertados, a boca aberta, o corpo inteiro tremendo enquanto se deixava cair até o fundo. Eu cheguei ao mesmo tempo, com Horacio dentro, apertando-o com a buceta em espasmos que eu não conseguia controlar.

Horacio não parou. Quando terminei, me virou, me pôs de quatro e me enfiou de novo por trás, desta vez na buceta, aproveitando a posição para entrar mais fundo. Pegou meu cabelo com uma mão e me fez levantar a cabeça. Me fez olhar Ramiro e Elena, agora de lado no sofá, continuando a transar. Me fez olhar Alicia se mover em direção ao sofá e se acomodar de modo que Ramiro pudesse colocar a mão nela ao mesmo tempo em que continuava fodendo Elena.

Horacio gozou dentro de mim, com um gemido longo, e senti o jato quente afundar fundo. Ele saiu e fiquei escorrendo pelas coxas.

Naquele momento eu não pensei em nada. Só senti.

***

Os dias que seguiram foram uma extensão daquela primeira noite. A tempestade passou no dia seguinte, mas ninguém sugeriu que Ramiro e Horacio voltassem para o galpão. A ficção de que eram apenas os encarregados morreu com a chuva.

Comíamos juntos. Saíamos para caminhar. Voltávamos. Ninguém dava nome ao que éramos.

Um dia me encostaram contra uma árvore na beira do bosque. Ramiro ergueu minha saia até a cintura, arrancou minha calcinha e me penetrou em pé, com uma das minhas pernas enroscada no quadril dele e a casca da árvore arranhando minhas costas. Horacio olhava a alguns metros, masturbando-se devagar, esperando a vez. Quando Ramiro saiu, Horacio ocupou seu lugar sem dizer palavra e me enfiou ali mesmo, contra a mesma árvore, até gozar sobre a grama.

Outro dia foi no rio, com a água até a cintura. Alicia e Elena entraram nuas na água comigo. Os dois homens se revezavam: um me segurava contra o peito, com minhas pernas flutuando abertas em volta do quadril dele, enquanto o outro entrava em minha mãe ou em minha avó a poucos metros. Depois trocavam. Vi Horacio penetrar Alicia contra uma pedra da margem enquanto Ramiro me enchia a buceta e chupava meus seios fora da água. Vi minha mãe gozar com a boca de uma das duas mulheres — a dela ou a minha, já nem sei — no clitóris.

Havia de tudo: mãos, bocas, corpos que se revezavam sem que ninguém programasse. Uma noite terminamos as três de joelhos sobre o tapete diante da lareira, com as bocas nas duas picas ao mesmo tempo, passando-as de uma para outra, chupando o que fosse preciso. Noutra, enquanto Horacio comia Elena por trás, Alicia e eu nos beijamos pela primeira vez, sem planejar, com a mão dela entre minhas pernas e a minha entre as dela. Houve momentos em que já não sabia quem estava com quem nem a que corpo meu próprio corpo estava respondendo.

Alicia foi a primeira a falar disso, como sempre era a primeira em tudo. Numa tarde, enquanto eu olhava o vale da varanda, ela se sentou ao meu lado.

—O que você viveu nesses dias não é o habitual —disse—. Mas isso não significa que esteja errado. Significa que você é livre.

Perguntei se ela sentia assim.

—Sou mais velha que você —respondeu—. Sei que o desejo nem sempre escolhe bem. Mas sabe exatamente o que faz.

Elena nunca falou sobre o assunto. Acho que preferia não nomeá-lo para poder continuar fazendo.

***

No último dia, antes de o táxi chegar para nos buscar, Alicia disse aos dois que iria ligar. Que, quando pudéssemos, voltaríamos.

Eu não disse nada. Mas também não protestei.

Desde aquela semana, os garotos da minha idade me parecem outra coisa. Nem piores, nem melhores. Só diferentes, como se falassem uma língua que eu já comecei a deixar para trás.

Alicia tinha razão nisso: o desejo sabe o que faz. Embora às vezes escolha o mais complicado.

Voltamos à estância três meses depois. Ramiro estava na entrada quando chegamos, como da primeira vez. Desta vez nenhuma de nós fingiu surpresa. Descemos as malas, entramos e, antes que o táxi terminasse de fazer a curva na esplanada, eu já tinha a boca dele colada à minha e a mão de Horacio entrando por baixo da minha saia.

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